Trabalho, Providência, responsabilidade, transparência e partilha
Este exame não é dirigido somente ao Ecônomo.
Todos utilizamos bens.
Todos recebemos recursos.
Todos consumimos.
Todos trabalhamos.
Todos fazemos escolhas que possuem consequências econômicas.
Por isso, antes de perguntar:
“Como está nossa contabilidade?”
precisamos perguntar:
“Como nos relacionamos com aquilo que Deus nos confiou?”
E, depois:
“Nossa administração torna mais concreta a comunhão?”
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ORAÇÃO INICIAL
Senhor Deus,
de vossas mãos recebemos
a vida e todos os bens
que sustentam nossa caminhada.
Dai-nos um coração agradecido
para reconhecer vossa Providência.
Ensinai-nos a trabalhar
com responsabilidade,
a utilizar os bens
com simplicidade,
a administrá-los
com prudência e transparência,
e a partilhá-los
com os irmãos e com os pobres.
Livrai-nos:
do desperdício,
da apropriação,
da negligência,
da acumulação,
da falta de transparência
e da confiança irresponsável
que chama de Providência
aquilo que é apenas imprevidência.
Santa Maria,
Serva pobre do Senhor,
ensinai-nos a receber tudo como dom
e a colocar tudo a serviço.
Amém.
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PARTE I — MINHA RELAÇÃO COM OS BENS
I. RECEBER
1. Reconheço aquilo que recebo?
Grande parte daquilo que utilizo não foi produzida exclusivamente por mim.
Casa.
Alimento.
Veículo.
Formação.
Assistência.
Equipamentos.
Recursos comunitários.
Tudo isso é também fruto:
do trabalho dos irmãos;
da generosidade dos benfeitores;
da história da Ordem;
da Providência.
Para responder
Sou verdadeiramente agradecido por aquilo que recebo?
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2. Dom ou direito adquirido?
Posso acostumar-me tanto com aquilo que recebo que começo a considerá-lo simplesmente:
meu direito.
Pergunto-me:
Ainda sei agradecer?
Ou apenas reclamo quando alguma coisa falta?
Para discernir
Que bem recebido preciso voltar a reconhecer como dom?
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II. TRABALHAR
3. Meu trabalho contribui para o bem comum?
O trabalho não é apenas ocupação.
Ele coloca meus dons a serviço.
Pergunto-me:
Trabalho com responsabilidade?
Cumpro minhas tarefas?
Evito sobrecarregar outros irmãos?
Para responder
Que aspecto de meu trabalho precisa de maior fidelidade?
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4. Como administro meu tempo?
O tempo também é um bem recebido.
Pergunto-me:
Uso bem minhas horas?
Tenho equilíbrio entre:
oração;
trabalho;
fraternidade;
descanso?
Para responder
Onde estou desperdiçando tempo que poderia tornar-se fecundo?
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III. USAR
5. Cuido daquilo que utilizo?
Aquilo que é comunitário não é:
de ninguém.
É:
de todos.
Pergunto-me:
Cuido:
do quarto?
dos móveis?
dos equipamentos?
dos veículos?
dos livros?
dos espaços comuns?
Para responder
Utilizo os bens comunitários com o mesmo cuidado que teria se fossem meus?
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6. Evito desperdícios?
Água.
Energia.
Alimentos.
Combustível.
Materiais.
Dinheiro.
Para responder
Onde posso viver concretamente maior sobriedade?
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IV. DO “MEU” AO “NOSSO”
7. Aproprio-me interiormente?
Mesmo sem possuir juridicamente, posso comportar-me como proprietário.
“Meu carro.”
“Meu computador.”
“Minha sala.”
“Meu dinheiro.”
“Minha obra.”
Para discernir
Existe algum bem comunitário que interiormente transformei em propriedade pessoal?
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8. Sei partilhar?
Quando outro irmão necessita de algo que utilizo:
facilito?
resisto?
crio obstáculos?
Para responder
Minha relação com os bens favorece a fraternidade?
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V. ESTILO DE VIDA
9. Minha vida confirma a pobreza que professei?
Não basta não possuir juridicamente.
A pobreza religiosa precisa aparecer também no:
estilo;
consumo;
escolhas;
preferências.
Para responder
Meu estilo de vida seria compreendido como simples por quem vive com poucos recursos?
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10. Sei renunciar?
A pobreza aparece concretamente quando sou capaz de dizer:
“Não preciso disso.”
Para responder
A que comodidade poderia renunciar em favor de uma necessidade maior?
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VI. PRESTAR CONTAS
11. Sou transparente?
Quando recebo dinheiro ou faço despesas:
guardo comprovantes?
informo corretamente?
entrego documentos?
presto contas no tempo devido?
Para responder
Minha maneira de lidar com dinheiro pode ser conhecida tranquilamente pelos irmãos?
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VII. CUIDAR DA CRIAÇÃO
12. Minha pobreza também é ecológica?
Os recursos naturais não são ilimitados.
Para responder
Meu modo de consumir demonstra cuidado com a casa comum?
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PARTE II — COMO ADMINISTRAMOS O QUE NOS FOI CONFIADO
VIII. CONHECER
13. Sabemos o que possuímos?
A comunidade conhece:
seus bens?
suas receitas?
suas despesas?
seus imóveis?
suas dívidas?
suas obrigações?
seus compromissos futuros?
Avaliação
✓ Sim △ Parcialmente ! Não suficientemente
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IX. PLANEJAR
14. Temos orçamento?
Ou administramos principalmente reagindo às despesas quando aparecem?
Para responder
Nossas prioridades econômicas são previamente discernidas?
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15. Pensamos no futuro?
Antes de iniciar um projeto, perguntamos:
Quanto custará?
Como será mantido?
Quem será responsável?
Será sustentável?
Para responder
Estamos deixando problemas econômicos para os irmãos que virão depois de nós?
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X. PRESTAR CONTAS
16. A comunidade conhece sua situação?
O Ecônomo apresenta periodicamente:
receitas?
despesas?
saldo?
obrigações?
situação patrimonial?
Para responder
A informação econômica é suficientemente clara para permitir corresponsabilidade?
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XI. TRANSPARÊNCIA E CONTROLE
17. Existem controles adequados?
Quem administra não deveria permanecer sozinho.
Perguntemo-nos:
Os controles previstos funcionam?
Os documentos podem ser verificados?
As decisões importantes ficam registradas?
Para guardar
Controle responsável protege a comunidade e também protege o Ecônomo.
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XII. DOCUMENTAÇÃO
18. Se o Ecônomo mudasse amanhã...
O sucessor conseguiria compreender:
contas?
contratos?
senhas institucionais?
obrigações?
documentos?
patrimônio?
Para responder
Nossa administração possui memória ou depende da memória de uma pessoa?
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XIII. MANUTENÇÃO
19. Cuidamos antes que seja tarde?
Pequena manutenção adiada frequentemente se transforma em:
grande despesa.
Para responder
Que manutenção estamos adiando?
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XIV. EMPREGADOS
20. Somos justos com quem trabalha conosco?
Perguntemo-nos:
Existem contratos adequados?
Direitos são respeitados?
Funções estão claras?
Remunerações são justas?
Para responder
Nossa relação com os empregados testemunha aquilo que pregamos sobre justiça?
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XV. SOLIDARIEDADE
21. Para quem existem nossos bens?
Nossos recursos servem:
somente à própria comunidade?
também à Província?
à Ordem?
à missão?
aos pobres?
Para responder
Nossa contabilidade demonstra solidariedade?
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22. Contribuímos lealmente?
As contribuições comunitárias não são simplesmente taxas.
Expressam pertença a uma fraternidade maior.
Para responder
Cumprimos responsavelmente nossas obrigações para com a Província e a Ordem?
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XVI. OS POBRES
23. Existe lugar para os pobres em nosso orçamento?
Não apenas:
nas homilias;
nas intenções;
nos documentos.
Mas:
no orçamento.
Para responder
Que parte concreta de nossos recursos chega aos necessitados?
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24. Nossa ajuda fortalece?
Quando ajudamos, perguntamos:
Qual é a necessidade real?
Quem acompanhará?
Existe prestação de contas?
O projeto gera autonomia?
Para discernir
Nossa solidariedade liberta ou cria dependência?
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XVII. MISSÃO
25. O dinheiro serve à missão?
Ou começamos a organizar a missão principalmente segundo aquilo que é economicamente mais confortável?
Para responder
Nossos recursos estão realmente subordinados às prioridades evangélicas e apostólicas?
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XVIII. O QUE NOSSO ORÇAMENTO REVELA?
26. Onde gastamos?
Examinemos concretamente:
formação;
missão;
alimentação;
saúde;
manutenção;
veículos;
conforto;
pastoral;
solidariedade;
pobres;
investimentos.
Pergunta
Se alguém conhecesse somente nosso orçamento, que valores diria que orientam nossa comunidade?
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XIX. AVALIAÇÃO COMUNITÁRIA
Use:
✓ — situação boa
△ — precisa melhorar
! — requer atenção
Dimensão| Avaliação
Orçamento anual| ____
Prestação de contas| ____
Registros atualizados| ____
Transparência| ____
Documentação| ____
Inventário dos bens| ____
Manutenção dos imóveis| ____
Veículos e equipamentos| ____
Seguros| ____
Contratos| ____
Relação com empregados| ____
Planejamento futuro| ____
Controle administrativo| ____
Contribuições à Província/Ordem| ____
Solidariedade com os pobres| ____
Sustentabilidade dos projetos| ____
Uso responsável dos recursos| ____
Estilo de vida comunitário| ____
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XX. TRÊS PERGUNTAS AO ECÔNOMO
1. O que preciso tornar mais claro para a comunidade?
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2. Que risco administrativo precisa ser enfrentado?
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3. De que ajuda preciso dos irmãos?
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XXI. TRÊS PERGUNTAS AOS IRMÃOS
1. Em que estou desperdiçando recursos?
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2. Como posso colaborar melhor com o Ecônomo?
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3. Que mudança concreta tornaria nosso estilo de vida mais simples?
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XXII. TRÊS PERGUNTAS AO CAPÍTULO
1. Qual é hoje nossa maior prioridade econômica?
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2. Que despesa ou projeto precisa ser revisto?
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3. Como podemos aumentar nossa solidariedade?
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XXIII. UMA DECISÃO CONCRETA
Não escolhamos muitas resoluções.
Escolhamos uma que possa ser:
realizada;
acompanhada;
avaliada.
Decidimos:
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Responsável: ______________________
Prazo: ____________________________
Recursos necessários: ______________
Data da avaliação: _________________
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XXIV. A PERGUNTA MAIS PROFUNDA
Depois de examinar:
contabilidade;
orçamento;
patrimônio;
trabalho;
consumo;
solidariedade,
voltemos ao essencial.
Aquilo que possuímos é:
fruto do trabalho e dom da Providência.
Portanto:
Nossa maneira de utilizar e administrar os bens demonstra que acreditamos realmente nisso?
E ainda:
Nossa administração produz pobreza e comunhão — ou corre o risco de produzir miséria e discórdia?
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ORAÇÃO FINAL
Senhor Deus,
nós vos agradecemos
por tudo aquilo que recebemos.
Pelo trabalho dos irmãos.
Pela generosidade dos benfeitores.
Pelo patrimônio construído
pelas gerações que nos precederam.
Pelos recursos
que sustentam nossa vida e missão.
Perdoai-nos quando desperdiçamos.
Quando nos apropriamos.
Quando administramos sem cuidado.
Quando confundimos pobreza
com negligência.
Quando chamamos de Providência
nossa falta de planejamento.
Dai-nos sabedoria
para administrar,
prudência
para decidir,
transparência
para prestar contas,
simplicidade
para viver
e generosidade
para partilhar.
Que nossos bens nunca se tornem
motivo de divisão,
mas instrumentos:
de fraternidade,
de missão,
de justiça
e de solidariedade.
Santa Maria,
mulher pobre e disponível,
ensinai-nos a guardar
sem possuir,
a receber
sem nos apropriar,
e a colocar os dons recebidos
a serviço da vontade de Deus.
Que aquilo que administramos
se transforme:
em comunhão.
Amém.
PARA GUARDAR
Receber com gratidão.
Trabalhar com fidelidade.
Usar com sobriedade.
Cuidar com responsabilidade.
Planejar com prudência.
Administrar com competência.
Prestar contas com transparência.
Partilhar com solidariedade.
Pensar no futuro.
Servir aos pobres.
A pobreza não é negligência.
A Providência não é imprevidência.
O dinheiro é instrumento; a comunhão é finalidade.
E a pergunta do XXXI:
Nossa maneira de administrar aquilo que recebemos torna mais concreta a comunhão?
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Fonte principal: Frei Fero M. Bachorik, OSM, L’Amministrazione dei beni per una comunione sempre più concreta, estudo sobre o capítulo XLI, arts. 273–286, das Constituições da Ordem dos Servos de Maria.
XXXI — Administrar os bens para tornar concreta a comunhão
Trabalho, Providência, responsabilidade, transparência e partilha
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
O que recebemos é dom.
O que utilizamos exige cuidado.
O que administramos exige transparência.
O que possuímos pede partilha.
E tudo deve tornar-se comunhão.
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