Liturgia


Celebrar Cristo, viver o mistério


A liturgia está no coração da vida da Igreja.


Nela, a comunidade cristã não se reúne simplesmente para recordar acontecimentos do passado. Reúne-se para celebrar o mistério de Cristo morto e ressuscitado, presente e atuante no meio de seu povo.


Na Palavra proclamada, Cristo fala.


Nos sacramentos, Cristo age.


Na Eucaristia, Cristo entrega-se como alimento.


Na oração da Igreja, Cristo continua unindo sua voz à nossa.


Por isso, celebrar a liturgia significa entrar no mistério de Cristo para que nossa própria vida seja transformada por ele.



CRISTO, CENTRO DA LITURGIA


Toda verdadeira espiritualidade litúrgica começa em Cristo.


Ele é aquele que reúne a comunidade, revela o Pai, comunica o Espírito e conduz seu povo para a plenitude do Reino.


O Ano Litúrgico, os sacramentos, a Liturgia das Horas, as festas de Maria e dos santos encontram nele seu centro.


Celebramos Maria porque ela pertence ao mistério de Cristo.


Celebramos os santos porque neles resplandece a graça de Cristo.


Celebramos os tempos litúrgicos porque neles contemplamos diferentes aspectos do único mistério da salvação.


Tudo parte de Cristo.


Tudo conduz a Cristo.



A PALAVRA DE DEUS


A liturgia é profundamente bíblica.


Quando as Escrituras são proclamadas na assembleia, não estamos simplesmente lendo um texto religioso antigo.


A Palavra torna-se anúncio dirigido à comunidade reunida hoje.


Por isso, antes de perguntar apenas “o que este texto significa?”, somos convidados também a perguntar:


“O que Deus está dizendo à sua Igreja por meio desta Palavra?”


Escutar exige atenção.


Exige silêncio.


Exige disponibilidade.


Como Maria, somos chamados a acolher a Palavra e conservá-la no coração.



MARIA, MULHER DA PALAVRA


A Virgem Maria é modelo da Igreja que escuta.


Diante do anúncio do anjo, responde:


“Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.” (Lc 1,38)


Maria não apenas ouve.


Acolhe.


Guarda.


Medita.


Obedece.


Transforma a Palavra recebida em vida.


Por isso, toda espiritualidade litúrgica possui também uma dimensão mariana.


A Igreja reunida para celebrar é chamada a assumir a mesma atitude de Maria:


escutar para acolher.


acolher para viver.


viver para servir.


→ Maria



A EUCARISTIA


No centro da vida litúrgica encontra-se a Eucaristia.


Nela, a Igreja celebra o memorial da Páscoa do Senhor.


Cristo reúne seu povo, alimenta-o com sua Palavra e oferece-lhe seu Corpo e Sangue.


“Fazei isto em memória de mim.” (Lc 22,19)


Essa memória é viva.


A comunidade é introduzida sacramentalmente no mistério da entrega de Cristo.


Por isso, participar da Eucaristia significa também aprender a viver eucaristicamente.


Cristo torna-se pão repartido.


O discípulo é chamado a tornar sua própria vida um dom.



DO ALTAR À VIDA


A celebração não termina quando saímos da igreja.


Aquilo que celebramos precisa continuar na vida.


A Palavra escutada precisa tornar-se decisão.


O pão repartido precisa tornar-se partilha.


A paz recebida precisa tornar-se reconciliação.


A comunhão sacramental precisa tornar-se fraternidade.


A bênção precisa tornar-se missão.


A liturgia envia-nos novamente ao mundo.


Por isso, não existe verdadeira oposição entre culto e serviço.


Quanto mais profundamente celebramos Cristo, mais somos enviados aos irmãos.



O DOMINGO


Desde os primeiros tempos da Igreja, o domingo é o Dia do Senhor.


É o dia da Ressurreição.


A comunidade reúne-se para escutar a Palavra, celebrar a Eucaristia e renovar sua esperança.


O domingo recorda-nos que a vida não pertence somente ao trabalho, às preocupações e às obrigações.


Pertence também a Deus.


Celebrar o domingo significa proclamar que Cristo ressuscitou e que a história caminha para sua plenitude.



O ANO LITÚRGICO


Ao longo do Ano Litúrgico, a Igreja percorre sacramentalmente os grandes mistérios da vida de Cristo.


Advento.


Natal.


Quaresma.


Tríduo Pascal.


Páscoa.


Tempo Comum.


Não são simplesmente períodos de um calendário religioso.


São caminhos espirituais.


No Advento, aprendemos a esperar.


No Natal, contemplamos o Verbo feito carne.


Na Quaresma, somos chamados à conversão.


No Tríduo Pascal, entramos no mistério da Paixão, Morte e Ressurreição.


No Tempo Pascal, celebramos a vitória da vida.


No Tempo Comum, aprendemos a seguir Cristo no cotidiano.


Assim, o tempo torna-se lugar de encontro com Deus.



A LITURGIA DAS HORAS


A Igreja não celebra apenas a Eucaristia.


Ao longo do dia, santifica o tempo por meio da Liturgia das Horas.


Salmos.


Cânticos.


Leituras.


Intercessões.


Silêncio.


Louvor.


A oração das Horas une a Igreja espalhada pelo mundo.


Religiosos, sacerdotes, diáconos e numerosos leigos unem suas vozes à oração de Cristo.


A manhã torna-se louvor.


A tarde torna-se ação de graças.


A noite torna-se entrega.


Toda a jornada pode tornar-se oração.



OS SALMOS


Os Salmos ocupam lugar privilegiado na oração litúrgica.


Neles encontramos praticamente toda a experiência humana.


Alegria.


Medo.


Gratidão.


Dor.


Esperança.


Arrependimento.


Louvor.


Solidão.


Confiança.


Por isso, os Salmos ensinam-nos que não precisamos esconder de Deus aquilo que vivemos.


Podemos transformar a própria existência em oração.



SILÊNCIO


A liturgia não é feita somente de palavras.


O silêncio também celebra.


Existe silêncio para acolher.


Silêncio para meditar.


Silêncio para adorar.


Silêncio para permitir que a Palavra desça da inteligência ao coração.


Uma celebração sem silêncio corre o risco de tornar-se sucessão de palavras.


O silêncio litúrgico não é vazio.


É presença.



MARIA NA LITURGIA


Maria nunca aparece na liturgia separada de Cristo.


A Igreja celebra nela aquilo que Deus realizou pela graça e aquilo que está intimamente ligado ao mistério da salvação.


Sua Imaculada Conceição.


Sua maternidade divina.


A Anunciação.


A Visitação.


Sua presença junto à Cruz.


Sua Assunção.


Sua participação na história da salvação.


Ao contemplar Maria, a Igreja contempla também aquilo que é chamada a tornar-se:


serva da Palavra, mãe na fé, discípula de Cristo e comunidade aberta ao Espírito.



A LITURGIA E OS SERVOS DE MARIA


Para os Servos de Maria, a liturgia ocupa um lugar essencial na vida espiritual e comunitária.


A fraternidade reúne-se para escutar a Palavra, celebrar a Eucaristia e rezar a Liturgia das Horas.


Na celebração, os irmãos aprendem novamente que não pertencem a si mesmos.


Pertencem a Cristo.


Pertencem à comunidade.


Pertencem à missão.


A liturgia alimenta aquilo que depois deverá tornar-se fraternidade e serviço.


→ Espiritualidade Servita



A MEMÓRIA DE MARIA JUNTO À CRUZ


Entre os aspectos particularmente queridos à tradição servita está a contemplação da Virgem junto à Cruz.


“Junto à cruz de Jesus estava sua mãe.” (Jo 19,25)


Essa imagem possui uma profunda dimensão litúrgica e espiritual.


Celebramos o mistério da Cruz para aprender a permanecer junto às cruzes da humanidade.


A liturgia não nos retira da dor do mundo.


Ensina-nos a aproximar-nos dela com Cristo e com Maria.


→ Nossa Senhora das Dores



AS CELEBRAÇÕES PRÓPRIAS DOS SERVOS DE MARIA


Ao longo do Ano Litúrgico, a Família Servita celebra também festas e memórias ligadas à sua história e espiritualidade.


Os Sete Santos Fundadores.


São Filipe Benizi.


Santa Juliana Falconieri.


São Peregrino Laziosi.


Santo Antônio Maria Pucci.


Nossa Senhora das Dores e outras celebrações marianas particularmente significativas para a tradição da Ordem.


Essas celebrações não criam uma espiritualidade paralela à liturgia da Igreja.


Inserem a memória da Família Servita dentro do único mistério de Cristo celebrado por toda a Igreja.


→ Santos e Beatos dos Servos de Maria



A HOMILIA


A homilia pertence à ação litúrgica.


Sua missão não é simplesmente oferecer informações bíblicas.


Também não deveria transformar-se numa conferência desligada da celebração.


A homilia ajuda a comunidade a perceber a Palavra de Deus dentro do mistério celebrado e da vida concreta.


Parte da Escritura.


Conduz a Cristo.


Ilumina a vida.


Prepara para a resposta da fé.



LITURGIA E VIDA


Existe sempre o risco de separar aquilo que celebramos daquilo que vivemos.


Mas o Evangelho não permite essa separação.


Não podemos celebrar a comunhão e alimentar divisões.


Não podemos trocar o sinal da paz e cultivar ressentimentos.


Não podemos receber o Corpo de Cristo e ignorar o corpo ferido dos pobres.


Não podemos escutar a Palavra e recusar-nos a colocá-la em prática.


A liturgia pede coerência.


Aquilo que acontece diante do altar precisa continuar na vida.



LITURGIA E FRATERNIDADE


A assembleia litúrgica ensina-nos algo essencial:


ninguém celebra sozinho.


Somos convocados.


Chegamos diferentes e somos reunidos em torno da mesma Palavra e da mesma mesa.


A liturgia educa-nos para o “nós”.


Essa experiência é especialmente importante para a espiritualidade servita.


A fraternidade celebrada precisa tornar-se fraternidade vivida.



LITURGIA E MISSÃO


Ao final da celebração somos enviados.


A missa conduz à missão.


Depois de escutar a Palavra e receber o Corpo de Cristo, retornamos às casas, comunidades, trabalhos e responsabilidades.


Ali começa outra parte da celebração:


a liturgia da vida.


Servir.


Perdoar.


Cuidar.


Construir a paz.


Defender a dignidade humana.


Consolar.


Testemunhar o Evangelho.



LITURGIA NO SOMOS SERVOS


Desde seus primeiros anos, o Somos Servos conserva reflexões relacionadas à Palavra de Deus, ao Ano Litúrgico, às celebrações marianas e à espiritualidade dos Servos de Maria.


Esse acervo constitui uma memória importante do projeto.


À medida que for sendo organizado, esta página poderá tornar-se porta de entrada para homilias, comentários bíblicos, celebrações, orações e textos litúrgicos publicados ao longo dos anos.


Os textos históricos serão preservados em seu contexto, enquanto novos conteúdos poderão dialogar com eles.



CAMINHOS PARA APROFUNDAR


→ Espiritualidade Servita


→ Maria


→ Nossa Senhora das Dores


→ Santos e Beatos dos Servos de Maria


→ Os Sete Santos Fundadores dos Servos de Maria


→ Vocação



CELEBRAR PARA VIVER


A liturgia conduz-nos a Cristo.


Cristo conduz-nos aos irmãos.


A Palavra torna-se vida.


A Eucaristia torna-se serviço.


A comunhão torna-se fraternidade.


A bênção torna-se missão.


Celebramos aquilo que cremos.


Somos chamados a viver aquilo que celebramos.


Com Maria, escutamos a Palavra.


Com a Igreja, celebramos Cristo.


Como irmãos, repartimos o pão.


Como Servos, descemos para servir.


LITURGIA NO ACERVO DO SOMOS SERVOS


Ao longo de sua história, o Somos Servos publicou reflexões destinadas a ajudar seus leitores a compreender e viver mais profundamente a celebração do mistério de Cristo.


Parte significativa desse patrimônio encontra-se nas edições históricas da Revista Somos Servos, especialmente no período de 2014.



QUARESMA: CAMINHO PARA A PÁSCOA


A edição de março de 2014 acompanha o caminho quaresmal como tempo de conversão e preparação para a celebração da Páscoa.


Entre seus conteúdos destaca-se:


→ As Tentações de Jesus


A reflexão recorda que o deserto e as tentações de Cristo também iluminam o combate espiritual do discípulo e seu chamado à fidelidade à Palavra de Deus.



O MISTÉRIO PASCAL


A edição de abril de 2014 possui particular importância litúrgica.


Seu editorial coloca explicitamente o Mistério Pascal da morte e ressurreição de Cristo no centro da vida e da celebração da Igreja.


A edição acompanha diversos momentos da Semana Santa e da Páscoa.



MISSA CRISMAL


→ Missa Crismal


O texto apresenta a celebração que reúne a Igreja em torno do bispo e recorda o significado dos Santos Óleos, do ministério ordenado e da consagração para a missão.



EUCARISTIA E SERVIÇO


→ A Instituição da Eucaristia


A reflexão sobre a Quinta-feira Santa relaciona Eucaristia, sacerdócio, mandamento do amor e lava-pés.


Cristo se entrega como alimento e, ao mesmo tempo, coloca-se no meio dos discípulos como aquele que serve.


Celebrar a Eucaristia conduz, portanto, ao serviço.



A PAIXÃO DE CRISTO


→ A Paixão de Cristo


Diante da Cruz, a reflexão conduz ao silêncio, à adoração e à confiança.


A Paixão não é apresentada isoladamente da Ressurreição: o silêncio da Sexta-feira Santa abre-se para o Aleluia da Páscoa.



A VIGÍLIA PASCAL


O acervo conserva também uma apresentação dos grandes momentos da Vigília Pascal:


a liturgia da luz;


a liturgia da Palavra;


a liturgia batismal;


a liturgia eucarística.


Toda a celebração converge para Cristo Ressuscitado, luz que vence as trevas e comunica vida nova.



AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO


→ As Aparições do Ressuscitado


A reflexão percorre algumas narrativas pascais dos Evangelhos e destaca o anúncio, a comunidade, a hospitalidade, a partilha e o reconhecimento de Cristo.


A Páscoa torna-se missão.



CELEBRAR E VIVER


Esses textos pertencem a momentos e contextos determinados da história do Somos Servos.


São preservados como memória e testemunho de uma comunidade que procurava unir:


Palavra e celebração;


liturgia e vida;


Eucaristia e serviço;


Cruz e Ressurreição.


O acervo histórico permanece aberto a novos textos que serão progressivamente identificados e organizados.


→ Revista Somos Servos


→ Espiritualidade Servita


→ Maria


→ Nossa Senhora das Dores



CELEBRAR CRISTO.

VIVER O MISTÉRIO.

SERVIR OS IRMÃOS.

Maria · Fraternidade · Serviço

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