Contato

01/10/2026

XXXI — Administrar os bens para tornar concreta a comunhão



Trabalho, Providência, responsabilidade, transparência e partilha

Falar de dinheiro, patrimônio, orçamento, contabilidade, contratos ou manutenção pode parecer, à primeira vista, distante da espiritualidade.

Para um Servo de Maria, porém, não deveria ser assim.

As Constituições dedicam todo o capítulo XLI à “Comunhão e administração dos bens”. A própria união dessas duas palavras — comunhão e administração — já indica uma maneira de compreender os bens materiais.

Frei Fero M. Bachorik, OSM, parte precisamente daí.

Administrar bem não é apenas fazer contas corretamente.

É uma maneira concreta de viver:

a pobreza;

a responsabilidade;

a fraternidade;

a solidariedade;

a justiça;

a missão.

Por isso, a pergunta deste capítulo será:

Nossa maneira de administrar os bens torna mais concreta a comunhão?

---

I. TOMAR CONSCIÊNCIA

1. “Conscientes daquilo que possuem”

O art. 273 das Constituições começa por uma atitude fundamental:

a consciência.

Os Servos de Maria devem estar conscientes daquilo que possuem.

Antes de administrar é necessário:

saber.

Que bens temos?

Quanto recebemos?

Quanto gastamos?

Quais compromissos assumimos?

Qual é a situação de nossos imóveis?

Quais são nossas obrigações?

Que recursos possuímos?

Que riscos enfrentamos?

Não existe administração responsável baseada em impressões.

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2. Orçamento e prestação de contas

Por isso, as Constituições falam de:

orçamentos;

prestações de contas;

registros.

O orçamento pergunta:

“O que pretendemos fazer com aquilo que temos?”

A prestação de contas pergunta:

“O que realmente fizemos?”

E os registros permitem verificar:

“Onde estamos agora?”

Não são simplesmente exigências burocráticas.

São instrumentos de consciência comunitária.

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II. FRUTO DO TRABALHO

3. Aquilo que possuímos não surgiu do nada

As Constituições afirmam que nossos bens são:

fruto do trabalho.

O trabalho pertence à pobreza evangélica.

O Servo de Maria participa, por meio dele, da condição comum dos homens e colabora com a atividade criadora do Pai.

Por isso, as necessidades ordinárias da vida devem encontrar no próprio trabalho uma de suas fontes fundamentais.

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4. Trabalhar para o bem comum

Entretanto, o trabalho religioso não está orientado exclusivamente ao lucro pessoal.

Seu fruto deve possuir:

utilidade;

fecundidade;

possibilidade de partilha.

O trabalho coloca os dons pessoais:

a serviço do bem comum.

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5. Também administramos o tempo

Frei Fero introduz uma provocação interessante.

Se o trabalho produz frutos, também podemos perguntar pelo:

fruto do tempo.

Como administramos nossas horas?

Nosso tempo é:

fecundo?

bem utilizado?

colocado a serviço?

Ou se torna estéril?

A pobreza não diz respeito somente ao dinheiro.

Também somos administradores:

do tempo que recebemos.

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III. DOM DA PROVIDÊNCIA

6. Nem tudo é fruto de nosso esforço

As Constituições acrescentam:

aquilo que possuímos é também:

dom da Providência.

Muitos frades vivem em casas que não construíram.

Utilizam bens que não compraram.

Recebem recursos produzidos pelo trabalho de outros irmãos.

Beneficiam-se da generosidade de pessoas que apoiaram e continuam apoiando nossa vida e missão.

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7. Gratidão antes da posse

Reconhecer a Providência modifica nossa relação com os bens.

Em vez de dizer:

“Isto é meu.”

aprendemos a dizer:

“Isto nos foi confiado.”

A gratidão torna-se então o primeiro passo de uma administração evangélica.

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IV. POSSUIR SIGNIFICA ASSUMIR RESPONSABILIDADE

8. O “ato de pobreza” dos primeiros frades

Frei Fero recorda um episódio significativo das origens da Ordem.

A comunidade de Monte Senário chegou a prometer solenemente não entrar em posse ou quase-posse de bens imóveis.

Era um gesto radical de pobreza.

Entretanto, a experiência histórica mostrou os limites concretos dessa opção.

Uma comunidade precisa também de condições materiais para existir e realizar sua missão.

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9. Os antigos mercadores conheciam o peso da propriedade

Frei Fero propõe uma interpretação sugestiva.

Se alguns dos primeiros Padres provinham do ambiente mercantil, conheciam muito bem o que significa possuir.

Possuir exige:

tempo;

energia;

conhecimento;

prudência;

diplomacia;

trabalho;

responsabilidade.

Talvez houvesse também no gesto de pobreza o desejo de libertar-se desse peso para dedicar-se aos:

“bens celestes”.

Mas a história ensinou:

sem responsabilidade material também não existe futuro.

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V. O BEM NÃO PERTENCE AO INDIVÍDUO

10. A pobreza religiosa modifica a posse

Pela profissão religiosa, o frade aceita limites no uso e disposição dos bens.

Aquilo que resulta de:

trabalho;

doações;

pensões;

subsídios;

seguros;

outros títulos,

não se transforma simplesmente em propriedade privada do religioso.

Pertence, segundo as normas da Ordem, à comunidade ou à entidade correspondente.

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11. Do “meu” ao “nosso”

Essa disciplina possui profundo significado espiritual.

A pobreza religiosa ensina:

receber sem apropriar-se.

Utilizar sem transformar tudo em propriedade pessoal.

Administrar sem agir como dono absoluto.

Assim, também no campo econômico somos convidados a passar:

do “meu” ao “nosso”.

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VI. ADMINISTRAR SIGNIFICA SERVIR

12. “Ministrare”

Frei Fero chama atenção para a própria palavra:

administrar.

Ela contém a ideia de:

serviço.

Administrar significa exercer um serviço em vista de uma finalidade.

O dinheiro não é a finalidade.

O patrimônio não é a finalidade.

A finalidade é aquilo para o qual os bens existem.

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13. As três dimensões

Inspirando-se na tradição das origens, Frei Fero apresenta uma imagem sugestiva das três dimensões da administração.

Material

Conhecer os bens.

Cuidá-los.

Conservá-los.

Fazê-los frutificar.

Moral

Administrá-los com:

responsabilidade;

correção;

transparência.

Mística

Colocá-los:

a serviço da humanidade.

Assim, a boa administração pode tornar-se caminho espiritual.

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VII. PRUDÊNCIA E SABEDORIA

14. Boa intenção não basta

As Constituições pedem que os bens sejam administrados com:

prudência e sabedoria.

Não basta querer fazer o bem.

É necessário saber:

como;

quando;

com quais recursos;

com quais consequências.

Uma decisão economicamente irresponsável pode nascer de uma intenção generosa e, mesmo assim, produzir graves dificuldades futuras.

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15. Pensar também no amanhã

Administrar exige perguntar:

Quanto custará manter isto?

Quem será responsável?

Existem recursos?

O projeto continuará quando as pessoas atuais não estiverem mais aqui?

Quais obrigações estamos criando para os próximos frades?

A responsabilidade evangélica também pensa:

nas gerações futuras.

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VIII. O ECONOMO: UM IRMÃO QUE SERVE

16. Um serviço específico

As Constituições confiam a irmãos determinados uma responsabilidade particular pela administração.

São os:

Ecônomos.

Eles possuem, dentro dos limites estabelecidos:

iniciativa;

responsabilidade.

Mas não administram isoladamente.

São ajudados pelos respectivos organismos e submetidos aos controles previstos.

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17. Fidelidade cotidiana

A administração exige algo pouco espetacular, mas indispensável:

fidelidade cotidiana.

Registrar.

Arquivar.

Conferir.

Acompanhar.

Atualizar.

Prestar contas.

Conhecer mudanças legislativas.

Observar a situação patrimonial.

Cumprir obrigações.

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18. Pobreza e comunhão — ou miséria e discórdia

Frei Fero formula aqui uma advertência particularmente forte.

O serviço do Ecônomo deve contribuir para um verdadeiro espírito:

“de pobreza e de comunhão”.

Mas quando falta fidelidade na administração, o resultado pode ser exatamente o contrário:

miséria e discórdia.

Má administração não é necessariamente sinal de pobreza evangélica.

Desorganização não é pobreza.

Falta de registros não é desapego.

Irresponsabilidade não é confiança na Providência.

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IX. ADMINISTRAÇÃO É RESPONSABILIDADE DE TODOS

19. Não somente do Ecônomo

O fato de existir um irmão encarregado não dispensa os demais.

Cada frade utiliza:

água;

energia;

alimentos;

veículos;

equipamentos;

casas;

dinheiro;

tempo;

recursos comunitários.

Portanto, cada frade participa concretamente da administração.

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20. Pequenas escolhas revelam grandes valores

Apagar uma luz desnecessária.

Cuidar de um veículo.

Evitar desperdício.

Conservar um móvel.

Prestar contas corretamente.

Entregar documentos.

Planejar uma compra.

Esses gestos podem parecer pequenos.

Mas revelam:

como compreendemos aquilo que nos foi confiado.

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X. TRANSPARÊNCIA

21. Quem administra precisa prestar contas

Frei Fero insiste amplamente na:

prestação de contas.

A transparência protege:

a comunidade;

o Ecônomo;

a autoridade;

os benfeitores;

a missão.

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22. Controle não significa desconfiança

Os organismos e autoridades competentes precisam acompanhar a administração.

Frei Fero recorda uma orientação particularmente importante: controles não deveriam ser interpretados simplesmente como falta de confiança.

Podem ser:

serviço à comunhão e à transparência.

Também protegem quem exerce uma responsabilidade delicada.

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XI. DOCUMENTAÇÃO E MEMÓRIA

23. Uma comunidade precisa saber o que possui

Documentos de propriedade.

Contratos.

Dívidas.

Obrigações.

Inventários.

Bens históricos e artísticos.

Seguros.

Registros contábeis.

Tudo precisa ser adequadamente conservado.

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24. A memória econômica também pertence à comunidade

Quando tudo depende apenas da memória de um frade, a comunidade fica vulnerável.

Uma boa administração cria:

continuidade.

O sucessor precisa conseguir compreender aquilo que recebeu.

Por isso, organização documental é também:

serviço aos irmãos que virão depois de nós.

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XII. EMPREGADOS E JUSTIÇA

25. Quem trabalha conosco possui direitos

Frei Fero dedica atenção à relação com os empregados.

Contratar alguém implica responsabilidade.

É necessário clareza sobre:

função;

tempo;

remuneração;

direitos;

deveres;

contrato;

acompanhamento do trabalho.

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26. A justiça começa em casa

Não seria coerente anunciar justiça social e tratar injustamente aqueles que trabalham diretamente conosco.

A administração evangélica exige:

relações profissionais justas e transparentes.

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XIII. PARTILHAR OS BENS

27. Para quem existem nossos bens?

Frei Fero responde a partir das Constituições.

Eles estão destinados:

aos irmãos da própria comunidade;

às necessidades da Província;

às necessidades da Ordem;

aos pobres.

Essa sequência é importante.

O patrimônio religioso não existe apenas para:

manter a instituição.

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28. Contribuições são solidariedade

As contribuições ordinárias e extraordinárias entre comunidades, Províncias e Ordem podem parecer apenas obrigações financeiras.

Mas possuem significado mais profundo:

solidariedade.

Aquilo que uma comunidade oferece pode sustentar:

formação;

missão;

frades idosos ou doentes;

novas presenças;

serviços comuns.

O dinheiro torna-se então:

instrumento de fraternidade.

---

XIV. A BÍBLIA E O TRABALHO

29. “Com o suor do teu rosto”

Frei Fero inicia sua leitura bíblica pelo Gênesis.

Depois da ruptura do pecado, o trabalho aparece marcado pela fadiga.

O pão torna-se fruto do esforço humano.

Essa realidade acompanha toda a humanidade.

O trabalho pertence à condição concreta de nossa existência.

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30. Paulo e o trabalho cotidiano

O autor recorda também as exortações paulinas aos Tessalonicenses.

A comunidade cristã não deveria transformar a expectativa religiosa em desculpa para a ociosidade.

Existe dignidade em:

trabalhar;

ganhar o próprio pão;

não viver irresponsavelmente às custas dos outros.

Assim, a confiança em Deus não elimina:

a responsabilidade humana.

---

XV. PROVIDÊNCIA NÃO É IMPREVIDÊNCIA

31. “Olhai os lírios do campo”

Jesus ensina confiança no Pai.

Mas confiança na Providência não significa:

desorganização;

ociosidade;

desperdício;

falta de planejamento.

A fé não dispensa a prudência.

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32. Receber e cuidar

Se os bens são dom da Providência, justamente por isso devem ser:

agradecidos;

cuidados;

utilizados responsavelmente;

partilhados.

A Providência não justifica irresponsabilidade.

Ela produz:

gratidão e responsabilidade.

---

XVI. OS POBRES

33. A partilha pertence à identidade cristã

A comunhão dos bens encontra uma de suas imagens fundamentais na comunidade apostólica.

A Igreja nascente procura fazer com que ninguém permaneça abandonado em suas necessidades.

Essa memória acompanha a vida religiosa.

---

34. Não apenas dar: ajudar responsavelmente

Frei Fero chama atenção também para a maneira de ajudar.

Nem toda ajuda produz necessariamente libertação.

É preciso perguntar:

Quem necessita?

Qual é a situação?

Que resultado queremos alcançar?

A ajuda cria autonomia ou dependência?

É possível acompanhar?

É possível verificar?

A caridade também precisa:

discernir.

---

XVII. PROJETOS E SOLIDARIEDADE

35. Da esmola ocasional ao projeto

Quando possível, o autor recomenda superar uma ajuda meramente ocasional e pensar também em iniciativas capazes de produzir efeitos duradouros.

O Capítulo pode tornar-se lugar para:

estudar necessidades;

planejar projetos;

definir orçamento;

acompanhar resultados.

Assim, também a caridade entra no discernimento comunitário.

---

36. Fortalecer as pessoas

Uma pergunta apresentada pelo estudo merece ser conservada:

“Como podemos fortalecer as pessoas do lugar?”

Esse critério é particularmente importante em projetos sociais e missionários.

A ajuda deveria colaborar para que pessoas e comunidades possam:

crescer;

participar;

assumir responsabilidades;

sustentar progressivamente aquilo que foi construído.

---

XVIII. ECONOMIA E MISSÃO

37. A missão também possui dimensão econômica

Evangelizar exige:

pessoas;

deslocamentos;

casas;

formação;

meios;

recursos.

Por isso, a economia é instrumento da missão.

Não deve dominá-la.

Mas também não pode ser ignorada.

---

38. O pão e a fé

Frei Fero recorda, por meio de David M. Turoldo e da memória de Santo Antônio Maria Pucci, a necessidade de manter unidos dois aspectos:

pão e fé.

A evangelização não deveria ignorar as necessidades concretas das pessoas.

Mas a ação social também não deveria perder sua relação com a missão evangélica.

---

XIX. NÃO CRIAR OBRAS INSUSTENTÁVEIS

39. Um risco missionário

Recursos externos podem permitir construir rapidamente:

escolas;

centros;

casas;

estruturas sociais.

Mas Frei Fero faz uma pergunta incômoda:

Quem manterá tudo isso depois?

---

40. Formar futuros responsáveis

Desde o início de um projeto é necessário pensar na formação daqueles que futuramente:

administrarão;

manterão;

continuarão a obra.

Caso contrário, podemos investir:

dinheiro;

tempo;

energia,

num projeto que desaparecerá junto com seus fundadores.

Esse princípio vale tanto para missões distantes quanto:

para nossas próprias comunidades.

---

XX. O CUIDADO DA CRIAÇÃO

A reflexão econômica conduz também ao uso responsável dos recursos.

Água.

Energia.

Alimentos.

Edifícios.

Terra.

Bens naturais.

Administrar responsavelmente significa evitar desperdícios e reconhecer que os recursos recebidos não existem para consumo ilimitado.

A pobreza evangélica encontra aqui uma dimensão:

ecológica.

Cuidar dos bens também significa cuidar:

da casa comum.

---

XXI. QUE TESTEMUNHO DAMOS?

41. A pergunta decisiva de Frei Fero

Ao final do estudo, o autor pergunta:

Que testemunho queremos dar como Servos de Maria em relação à administração e ao uso dos bens?

Ele apresenta dois caminhos opostos.

---

XXII. UM TESTEMUNHO NEGATIVO

42. Quando a pobreza fica apenas no voto

Podemos professar pobreza e viver como privilegiados.

Podemos confiar na generosidade dos outros sem assumir suficientemente nosso trabalho.

Podemos consumir o patrimônio acumulado pelas gerações anteriores sem cuidar:

dos edifícios;

dos recursos;

do futuro.

Podemos evitar a responsabilidade econômica e entregá-la completamente a terceiros.

Podemos considerar registros e prestações de contas um incômodo.

Nesse caso, existe uma contradição entre:

profissão e testemunho.

---

XXIII. UM TESTEMUNHO POSITIVO

43. Gratidão e responsabilidade

Existe outro caminho.

Reconhecer com gratidão os bens recebidos.

Lembrar que muitos deles são herança:

do trabalho;

da renúncia;

da generosidade

de outras pessoas.

Cuidá-los.

Mantê-los.

Fazê-los frutificar segundo critérios:

evangélicos;

éticos;

responsáveis.

---

44. Um estilo modesto

Mesmo vivendo eventualmente em grandes conventos ou utilizando estruturas valiosas, podemos cultivar:

simplicidade de vida.

Podemos renunciar a vantagens pessoais para favorecer:

os pobres;

os necessitados;

a missão;

a fraternidade.

O testemunho de pobreza não depende apenas do valor do imóvel onde vivemos.

Depende também:

de como vivemos dentro dele.

---

XXIV. TRANSPARÊNCIA COMO TESTEMUNHO

45. Contabilidade atualizada

Frei Fero inclui entre os sinais positivos:

trabalho cotidiano fiel;

contabilidade atualizada;

competência administrativa;

disponibilidade para prestar contas;

cumprimento das contribuições devidas;

respeito às obrigações perante a sociedade.

Tudo isso também testemunha:

o Evangelho.

---

XXV. AJUDAR COM RESPONSABILIDADE

46. Critérios para projetos

Ao apoiar projetos sociais, especialmente fora do contexto imediato da comunidade, Frei Fero propõe critérios concretos.

Entre eles:

que os projetos nasçam com participação da população local;

que possuam descrição clara;

que fortaleçam as pessoas;

que envolvam organizações identificáveis;

que a Igreja local seja considerada quando pertinente;

que exista prestação de contas;

que haja proteção de menores e prevenção da violência e corrupção;

que construções possuam situação jurídica e plano de manutenção;

que se procure coordenação com outras instituições presentes na região.

O princípio é simples:

solidariedade também exige responsabilidade.

---

XXVI. O CAPÍTULO E A ECONOMIA

47. Falar de dinheiro em comunidade

Dinheiro não deveria tornar-se assunto reservado a poucas pessoas.

Naturalmente existem informações que exigem discrição.

Mas a comunidade precisa conhecer suficientemente sua realidade econômica para participar responsavelmente.

O Capítulo pode examinar:

orçamentos;

prestações de contas;

necessidades;

projetos;

prioridades;

manutenção;

solidariedade;

estilo de vida.

---

48. A economia revela nossas prioridades

Talvez exista uma pergunta muito simples para qualquer comunidade:

Onde gastamos nosso dinheiro?

A resposta revela muito sobre aquilo que realmente valorizamos.

Formação?

Missão?

Conforto?

Manutenção?

Pobres?

Pastoral?

Fraternidade?

Investimentos?

A contabilidade pode tornar-se também:

espelho de nossas prioridades.

---

XXVII. UMA CONVERSÃO ECONÔMICA

A reflexão de Frei Fero convida a algumas passagens.

Da propriedade para a confiança:

não é simplesmente nosso; foi-nos confiado.

Do consumo para a responsabilidade:

não basta utilizar; é preciso cuidar.

Da improvisação para o planejamento:

boa intenção precisa de prudência.

Do segredo para a transparência:

quem administra presta contas.

Do individualismo para a comunhão:

os bens existem para o bem comum.

Da acumulação para a solidariedade:

aquilo que temos também deve servir aos necessitados.

Da dependência para a sustentabilidade:

nossos projetos precisam preparar seu próprio futuro.

---

XXVIII. EXAME PARA O SERVO DE MARIA

Pergunte-se:

Cuido das coisas que utilizo?

Evito desperdícios?

Presto contas corretamente?

Entrego os documentos necessários?

Considero o dinheiro recebido como meu ou como bem confiado?

Trabalho responsavelmente?

Como utilizo meu tempo?

Conheço minimamente a situação econômica de minha comunidade?

Contribuo para a manutenção da casa?

Tenho um estilo de vida coerente com a pobreza professada?

Sou capaz de renunciar a alguma comodidade em favor de quem necessita?

---

XXIX. EXAME PARA A COMUNIDADE

Perguntem juntos:

Conhecemos aquilo que possuímos?

Temos registros atualizados?

Fazemos orçamento?

Prestamos contas?

Nossa documentação está organizada?

Nossos imóveis recebem manutenção adequada?

Possuímos os seguros necessários?

Nossos contratos são claros?

Tratamos justamente nossos empregados?

Existem controles adequados?

Planejamos investimentos e despesas?

Pensamos nas gerações futuras?

Contribuímos lealmente com a Província e a Ordem?

Partilhamos com os pobres?

Nossos projetos sociais possuem acompanhamento?

Nossas obras são sustentáveis?

Nosso estilo de vida testemunha pobreza evangélica?

---

XXX. A PERGUNTA MAIS INCÔMODA

Depois de tantos critérios técnicos, Frei Fero conduz-nos novamente à espiritualidade.

Não basta perguntar:

“As contas estão corretas?”

Precisamos perguntar:

“O que nossas contas dizem sobre nós?”

Porque também o orçamento pode revelar:

nossos valores;

nossos medos;

nossas prioridades;

nossa solidariedade;

nossa confiança em Deus;

nossa responsabilidade.

Por isso:

nossa maneira de administrar os bens produz comunhão ou produz distância entre os irmãos?

---

CONCLUSÃO — ADMINISTRAR É CUIDAR DAQUILO QUE NOS FOI CONFIADO

A administração dos bens não é apenas assunto de:

Ecônomos;

contadores;

administradores.

É uma dimensão da vida religiosa.

Aquilo que possuímos é:

fruto do trabalho e dom da Providência.

Por isso:

agradecemos;

trabalhamos;

cuidamos;

registramos;

planejamos;

prestamos contas;

partilhamos.

A pobreza evangélica não significa descuido.

A confiança na Providência não significa imprevidência.

A caridade não significa ausência de critérios.

A simplicidade não significa desorganização.

E a administração não existe para acumular patrimônio.

Existe para que aquilo que Deus colocou em nossas mãos possa servir:

aos irmãos;

à Ordem;

à Igreja;

à missão;

aos pobres;

à humanidade.

Quando administramos assim, até uma planilha, um orçamento, uma prestação de contas ou a manutenção de uma casa podem participar de algo muito maior:

tornar concreta a comunhão.

---

PARA GUARDAR

Aquilo que possuímos é fruto do trabalho e dom da Providência.

Possuir significa assumir responsabilidade.

Administrar significa servir.

A pobreza evangélica não é desorganização.

A Providência não justifica imprevidência.

O Ecônomo possui responsabilidade específica, mas todos cuidam dos bens.

Transparência protege a comunidade e quem administra.

Controle não é necessariamente desconfiança; pode ser serviço à comunhão.

Documentar é também cuidar da memória e do futuro.

Os empregados devem ser tratados com justiça.

Os bens servem à comunidade, à Província, à Ordem e aos pobres.

A solidariedade precisa ser responsável e verificável.

A missão precisa de recursos, mas os recursos devem permanecer a serviço da missão.

Projetos precisam preparar sua sustentabilidade.

Nosso estilo de vida deve confirmar a pobreza que professamos.

E a pergunta do XXXI:

Nossa maneira de administrar aquilo que recebemos torna mais concreta a comunhão?

---

Fonte principal: Frei Fero M. Bachorik, OSM, L’Amministrazione dei beni per una comunione sempre più concreta, estudo sobre o capítulo XLI, arts. 273–286, das Constituições da Ordem dos Servos de Maria.

XXXI — Administrar os bens para tornar concreta a comunhão
Trabalho, Providência, responsabilidade, transparência e partilha

SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA

Receber com gratidão.
Trabalhar com fidelidade.
Administrar com transparência.
Cuidar com responsabilidade.
Partilhar com solidariedade.
Para que os bens se tornem comunhão.

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