12 compromissos Laudato si’ para uma comunidade servita


Da contemplação à conversão, da conversão à ação

“Teremos para com as criaturas somente relações de paz, misericórdia, justiça e amor construtivo.”
Constituições OSM, 299

A espiritualidade dos Servos de Maria pode oferecer uma contribuição própria ao cuidado da Casa Comum.

Nossa tradição nasceu numa fraternidade que conheceu o silêncio de Monte Senário, a contemplação, a pobreza, a vida comum e o serviço. Hoje, esses mesmos valores podem educar-nos para uma relação renovada com a criação.

Estes compromissos não pretendem constituir uma nova legislação comunitária. São propostas para discernimento nos Capítulos conventuais, casas de formação, paróquias e grupos da Família Servita.

1. Contemplar antes de consumir

Reservar espaço para contemplar e agradecer a criação.

Recuperar o contato com a natureza, o silêncio e a beleza como caminhos para Deus.

Uma comunidade que aprende a contemplar começa também a olhar de maneira diferente para aquilo que utiliza.

Compromisso: favorecer momentos de oração, retiro ou convivência em contato com a criação.

2. Conhecer a Laudato si’

Não podemos assumir responsavelmente aquilo que desconhecemos.

A comunidade pode estudar progressivamente a encíclica Laudato si’, relacionando-a com as Constituições OSM e com sua própria realidade.

Compromisso: realizar ao menos um encontro comunitário anual de formação sobre ecologia integral.

3. Examinar nosso estilo de vida

A conversão ecológica começa também dentro de casa.

Como utilizamos água?

Energia?

Alimentos?

Veículos?

Papel?

Plástico?

O que compramos?

Quanto desperdiçamos?

Compromisso: fazer periodicamente uma revisão ecológica da própria comunidade.

4. Reduzir o desperdício de água

A água é indispensável à vida e não pode ser tratada como recurso ilimitado.

Pequenas mudanças de hábitos, manutenção adequada e atenção ao desperdício podem produzir resultados significativos.

Compromisso: identificar e corrigir desperdícios e promover o uso responsável da água.

5. Usar responsavelmente a energia

A comunidade pode avaliar seu consumo energético e, segundo suas possibilidades, melhorar a eficiência dos edifícios e considerar fontes renováveis.

Isso inclui atitudes simples: evitar iluminação e equipamentos desnecessariamente ligados, rever sistemas pouco eficientes e planejar futuras reformas também segundo critérios ambientais.

Compromisso: reduzir progressivamente o consumo desnecessário de energia.

6. Diminuir descartáveis e plástico

A cultura do descarte contradiz uma espiritualidade de cuidado.

Copos, pratos, garrafas e outros materiais de uso único podem muitas vezes ser substituídos por alternativas reutilizáveis.

A própria penitência pode adquirir uma dimensão ecológica.

Compromisso: reduzir significativamente os descartáveis utilizados nas casas e atividades servitas.

7. Rever nossa alimentação

Aquilo que colocamos à mesa também possui consequências sociais e ambientais.

Sem impor uma única opção alimentar, a comunidade pode refletir sobre desperdício, procedência dos alimentos, consumo excessivo, sofrimento animal e impacto ambiental.

Compromisso: favorecer alimentação sóbria, evitar desperdícios e rever periodicamente os hábitos comunitários de consumo.

8. Criar um Jardim Laudato si’

Onde houver espaço, uma comunidade pode cultivar uma horta, jardim de flores, plantas nativas ou outro ambiente favorável à biodiversidade.

Mesmo pequenos espaços podem tornar-se lugares de beleza, trabalho comunitário, educação e contemplação.

Compromisso: cuidar de algum espaço vivo como sinal concreto da responsabilidade pela criação.

9. Fazer da pobreza evangélica uma sobriedade concreta

A pobreza religiosa possui hoje uma oportunidade particular de testemunho.

Antes de comprar, perguntar:

Precisamos realmente disso?

Podemos reutilizar?

Reparar?

Compartilhar?

A comunidade já possui algo que atende à necessidade?

Compromisso: preferir simplicidade, durabilidade, reparação e partilha ao consumo desnecessário.

10. Escutar juntos o grito da terra e dos pobres

A ecologia integral não separa crise ambiental e sofrimento humano. A Laudato si’ insiste justamente que os problemas ambientais precisam ser compreendidos juntamente com suas dimensões humanas e sociais.

Por isso, nossa preocupação não pode terminar no jardim do convento.

Precisamos olhar para aqueles que sofrem com:

enchentes;

secas;

poluição;

falta de água;

desmatamento;

insegurança alimentar;

deslocamentos;

e outras consequências da degradação ambiental.

Compromisso: incluir a justiça socioambiental no discernimento pastoral da comunidade.

11. Educar para o cuidado da Casa Comum

Paróquias, escolas, grupos juvenis, casas de formação, Ordem Secular e demais expressões da Família Servita oferecem espaços privilegiados de formação.

O Tempo da Criação pode favorecer iniciativas de oração, catequese e ação.

Compromisso: promover regularmente alguma atividade pastoral ou formativa de cuidado da criação.

12. Avaliar e recomeçar

Nenhuma comunidade transformará tudo de uma vez.

O importante é começar e continuar.

Uma vez por ano, o Capítulo conventual pode perguntar:

O que conseguimos mudar?

Onde continuamos desperdiçando?

Que novo compromisso podemos assumir?

Assim, a conversão ecológica deixa de ser uma atividade ocasional e passa a integrar o caminho comunitário.

Compromisso: avaliar anualmente os compromissos ecológicos e escolher passos concretos para o período seguinte.

Um critério servita

Não precisamos transformar nossas comunidades em organizações ambientais.

Precisamos viver com coerência aquilo que já professamos.

A pobreza pode tornar-nos mais sóbrios.

A fraternidade pode ensinar-nos que ninguém vive isoladamente.

A contemplação pode devolver-nos a capacidade de admirar.

O serviço pode aproximar-nos das populações mais vulneráveis.

A inspiração de Maria pode educar-nos para acolher, proteger e cuidar da vida.

E as Constituições oferecem-nos um critério extraordinariamente simples:

paz;
misericórdia;
justiça;
amor construtivo.

Antes de cada escolha importante, poderíamos perguntar:

Nossa relação com as criaturas manifesta esses quatro valores?

Uma proposta para o Capítulo conventual

Cada comunidade pode escolher inicialmente três dos doze compromissos, adequando-os à sua realidade.

Não se trata de fazer tudo imediatamente.

Trata-se de iniciar um processo.

No final do período estabelecido, a comunidade avalia os resultados e decide se mantém, amplia ou substitui os compromissos.

Assim, a ecologia integral entra no mesmo movimento que caracteriza toda autêntica formação servita:

escutar → discernir → decidir → agir → avaliar → recomeçar.

Oração

Senhor Deus, Criador e Pai,
nós vos agradecemos pela beleza da criação
e pela vida que recebemos de vossas mãos.

Ensinai-nos a habitar a Terra
não como proprietários absolutos,
mas como irmãos, servos e cuidadores.

Livrai-nos do desperdício,
da indiferença e do consumo sem medida.

Dai-nos sabedoria para reconhecer
as consequências de nossas escolhas
e coragem para transformar nossos hábitos.

À escola de Santa Maria,
humilde Serva do Senhor,
ensinai-nos a acolher, proteger
e servir a vida.

Que nossas comunidades sejam lugares
de paz, misericórdia, justiça
e amor construtivo para com todas as criaturas.

E que, unidos a toda a criação,
possamos louvar-vos e servir-vos
todos os dias de nossa vida.

Amém.


Para aprofundar: Laudato si’ e o carisma dos Servos de Maria — XIII artigo da série O Servo de Maria no mundo.

Documento-base: Laudato si’ e as Constituições e o carisma dos Frades Servos de Maria.

Texto inspirador: Constituições da Ordem dos Servos de Maria, n. 299.

SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA

Contemplar a criação. Converter nossos hábitos. Servir e cuidar.


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