Ecologia integral, conversão e cuidado da casa comum
Há uma pergunta que a crise ecológica dirige também aos Servos de Maria:
Que relação mantemos com a criação que Deus nos confiou?
Durante muito tempo, questões ambientais puderam parecer distantes da vida religiosa.
Hoje isso já não é possível.
Mudanças climáticas, destruição das florestas, perda da biodiversidade, poluição, escassez de água, degradação dos solos e exploração irresponsável dos recursos naturais afetam diretamente a vida humana.
E atingem de maneira particularmente grave:
os pobres.
Por isso, a questão ecológica não é somente científica.
É também:
social;
ética;
espiritual;
pastoral.
Frei John M. Pawlikowski, OSM, com a colaboração de Frei Martin M. Lintner, OSM, procura mostrar que o cuidado da criação não é um elemento estranho acrescentado posteriormente à espiritualidade dos Servos.
Ele encontra fundamento:
nas próprias Constituições da Ordem.
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I. UMA PERGUNTA PARA OS SERVOS DE MARIA
1. O mundo mudou
As Constituições dos Servos de Maria foram elaboradas num determinado momento histórico.
Desde então, nossa compreensão da crise ambiental tornou-se muito mais profunda.
Hoje conhecemos melhor:
a fragilidade dos ecossistemas;
a interdependência das espécies;
os efeitos da atividade humana sobre o clima;
a relação entre degradação ambiental e pobreza;
as consequências de determinadas formas de produção e consumo.
Isso exige também:
uma nova consciência espiritual.
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2. As Constituições possuem sementes importantes
Mesmo sem terem sido escritas no contexto atual da crise ecológica, as Constituições oferecem princípios capazes de sustentar uma verdadeira espiritualidade da criação.
Entre eles está especialmente o art. 299.
O Servo de Maria, buscando alcançar a plena estatura de Cristo, é chamado a estabelecer com todas as criaturas relações de:
paz, misericórdia, justiça e amor construtivo.
Essa afirmação possui consequências muito amplas.
Ela não fala somente da relação:
entre os frades;
com os pobres;
com aqueles que servimos.
Ela abre nossa responsabilidade:
a todas as criaturas.
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II. “TUDO ESTÁ INTERLIGADO”
3. A intuição central da Laudato Si’
Uma das convicções fundamentais da Laudato Si’ pode ser expressa assim:
tudo está interligado.
A crise ambiental não pode ser isolada da crise social.
A maneira como produzimos alimentos está ligada:
à terra;
à água;
à biodiversidade;
ao trabalho humano;
à economia;
à saúde;
à pobreza.
O modo como utilizamos energia está ligado:
ao clima;
à poluição;
à economia;
às gerações futuras.
Nosso consumo está ligado:
à exploração de recursos;
ao descarte;
ao trabalho de outras pessoas;
à vida de povos que talvez nunca encontremos.
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4. Ecologia integral
Por isso, a resposta cristã não pode limitar-se a algumas medidas ambientais isoladas.
É necessária uma:
ecologia integral.
A pessoa humana pertence a uma rede de relações.
Com Deus.
Com os outros seres humanos.
Com a sociedade.
Com a criação.
Romper essas relações produz consequências.
Restaurá-las pertence também ao caminho:
da reconciliação.
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III. A CRIAÇÃO NÃO É SIMPLESMENTE MATÉRIA-PRIMA
5. Uma mudança de olhar
Existe uma maneira de olhar o mundo apenas perguntando:
“Para que isto pode servir?”
A floresta torna-se madeira.
O rio torna-se água disponível.
A terra torna-se produção.
O animal torna-se alimento.
A montanha torna-se minério.
Essa perspectiva pode reduzir a criação ao seu:
valor econômico.
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6. Valor próprio
A espiritualidade cristã da criação convida a reconhecer que os seres criados possuem valor que não depende exclusivamente de sua utilidade para nós.
A criação existe:
antes de nossa utilização;
além de nossa utilização.
Ela pertence ao projeto criador de Deus.
Por isso, o ser humano não é:
proprietário absoluto da criação.
É chamado a viver nela com:
responsabilidade.
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IV. “DOMINAI A TERRA”: QUE SIGNIFICA?
7. Uma crítica importante
O estudo enfrenta uma conhecida crítica dirigida ao cristianismo.
Lynn White argumentou que determinadas interpretações da tradição judaico-cristã teriam favorecido uma atitude de domínio humano sobre a natureza.
A crítica não pode simplesmente ser ignorada.
Ela obriga-nos a perguntar:
como interpretamos os textos bíblicos sobre a criação?
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8. Dominar não significa destruir
Uma leitura bíblica responsável não autoriza:
exploração ilimitada;
destruição;
apropriação absoluta.
O poder humano sobre a criação precisa ser compreendido dentro da responsabilidade diante:
do Criador.
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V. CULTIVAR E GUARDAR
9. A outra imagem do Gênesis
O Gênesis apresenta o ser humano colocado no jardim para:
cultivá-lo e guardá-lo.
As duas ações precisam permanecer juntas.
Cultivar significa:
trabalhar;
desenvolver;
produzir;
transformar responsavelmente.
Guardar significa:
proteger;
preservar;
cuidar;
respeitar limites.
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10. Nem exploração nem abandono
Uma espiritualidade da criação não exige abandonar toda transformação da natureza.
O ser humano precisa:
alimentar-se;
construir;
trabalhar;
produzir.
A questão é:
como?
O problema surge quando:
cultivamos sem guardar;
utilizamos sem preservar;
produzimos sem considerar consequências.
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VI. CONVERSÃO ECOLÓGICA
11. Não bastam novas tecnologias
A tecnologia possui papel importante na resposta à crise ambiental.
Mas não será suficiente se não houver também:
mudança humana.
É necessário rever:
hábitos;
consumo;
alimentação;
mobilidade;
uso de energia;
relação com a água;
descarte;
prioridades econômicas.
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12. Conversão
Por isso, a tradição cristã pode falar de:
conversão ecológica.
Conversão significa mudança de:
mente;
coração;
comportamento.
Não se trata simplesmente de conhecer melhor os problemas ambientais.
Trata-se de perguntar:
O que precisa mudar em minha maneira de viver?
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VII. A FORMAÇÃO DO SERVO DE MARIA
13. Os desafios de nosso tempo
Os arts. 115–116 das Constituições ajudam a compreender a importância da formação diante das transformações culturais e científicas.
O Servo de Maria não pode permanecer alheio:
ao desenvolvimento do conhecimento;
às novas questões éticas;
aos desafios da sociedade contemporânea.
A formação precisa preparar o frade para compreender:
o mundo no qual é chamado a servir.
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14. Formação ecológica
Hoje isso inclui também:
mudanças climáticas;
biodiversidade;
ecologia;
sustentabilidade;
justiça ambiental;
responsabilidade pelo consumo.
Não para transformar cada frade em especialista.
Mas para permitir que nossa:
pregação;
pastoral;
administração;
vida comunitária
sejam responsáveis diante da realidade.
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VIII. O MAGNIFICAT E A CRIAÇÃO
15. Maria canta a ação de Deus
O Magnificat ocupa lugar especial na espiritualidade dos Servos.
Maria reconhece:
a grandeza de Deus;
sua misericórdia;
sua ação na história;
sua atenção aos pequenos;
sua justiça.
A espiritualidade ecológica cristã não pode separar:
cuidado da criação e cuidado dos pobres.
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16. Os pobres sofrem primeiro
A degradação ambiental não atinge todos da mesma maneira.
Populações pobres frequentemente possuem:
menos recursos para adaptar-se;
menos proteção diante de desastres;
maior dependência direta dos recursos naturais;
menor influência política.
Por isso:
o clamor da terra e o clamor dos pobres não podem ser separados.
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IX. UMA ORDEM INTERNACIONAL
17. A crise ambiental atravessa nossa fraternidade
Os Servos de Maria vivem em diferentes regiões do mundo.
Algumas comunidades encontram-se em sociedades com elevado consumo de recursos.
Outras vivem em regiões onde os efeitos da degradação ambiental são sentidos de maneira muito mais imediata.
Isso cria uma responsabilidade especial.
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18. A fraternidade torna-se solidariedade ecológica
A internacionalidade da Ordem permite algo precioso:
escutar irmãos que experimentam realidades diferentes.
Aquilo que parece discussão distante numa parte do mundo pode significar:
seca;
fome;
inundações;
perda de colheitas;
deslocamento humano
em outra.
Assim, a crise ecológica torna-se também:
questão de fraternidade.
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X. BIODIVERSIDADE
19. Uma criação rica em diferenças
A vida na Terra manifesta extraordinária diversidade.
Plantas.
Animais.
Microrganismos.
Ecossistemas.
Essa diversidade não é supérflua.
Ela sustenta:
a própria rede da vida.
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20. A perda de espécies
Quando espécies desaparecem, não perdemos simplesmente objetos interessantes.
Rompem-se relações dentro dos ecossistemas.
Por isso, proteger a biodiversidade significa reconhecer:
a interdependência da criação.
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XI. NOSSA RELAÇÃO COM OS ANIMAIS
21. Criaturas, não objetos
O estudo dedica atenção também à relação ética com os animais.
Eles não podem ser considerados apenas:
instrumentos;
mercadorias;
matéria-prima.
São:
seres vivos pertencentes à criação de Deus.
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22. Responsabilidade
Isso exige reflexão sobre:
produção de alimentos;
condições de criação;
sofrimento animal;
experimentação;
destruição de habitats.
A questão não é apenas:
“Podemos utilizar animais?”
Mas também:
“Como os tratamos?”
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XII. ALIMENTAÇÃO
23. O prato também possui consequências
Nossa alimentação está ligada:
ao uso da terra;
ao consumo de água;
à energia;
ao transporte;
à produção agrícola;
à criação de animais.
Por isso, escolhas alimentares também possuem:
dimensão ética e ecológica.
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24. Rever hábitos
O estudo convida as comunidades a refletir sobre sua alimentação e consumo.
Isso pode significar:
reduzir desperdícios;
privilegiar alimentos locais quando possível;
examinar a quantidade de carne consumida;
considerar impactos ambientais da produção.
A mesa fraterna também pode tornar-se:
lugar de conversão ecológica.
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XIII. ÁGUA
25. Um dom essencial
Sem água não existe vida.
Entretanto, água limpa e acessível não é realidade garantida para todos.
Por isso, desperdiçá-la possui consequências que ultrapassam:
a conta mensal da comunidade.
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26. Preservar
Uma comunidade servita pode perguntar:
Existem vazamentos?
Utilizamos água responsavelmente?
Podemos reaproveitá-la em determinadas situações?
Como cuidamos das fontes e cursos d’água existentes em nossas propriedades?
Cuidar da água é:
cuidar da vida.
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XIV. ENERGIA
27. Como nossas casas são abastecidas?
Conventos, igrejas, escolas e outras obras utilizam energia.
O estudo propõe examinar:
eficiência energética;
isolamento;
equipamentos;
fontes renováveis;
possibilidade de energia solar ou outras alternativas.
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28. Uma decisão comunitária
Reduzir consumo energético não é apenas:
economizar dinheiro.
Pode expressar:
responsabilidade pela criação.
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XV. FLORESTAS E TERRA
29. Proteger aquilo que sustenta a vida
Florestas exercem funções fundamentais:
protegem biodiversidade;
armazenam carbono;
regulam água;
protegem solos;
sustentam populações.
Por isso, a Ordem e suas comunidades precisam considerar responsavelmente propriedades que incluam:
terra;
bosques;
áreas naturais.
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30. Agricultura responsável
Quando propriedades religiosas são utilizadas para agricultura, é necessário perguntar:
Como o solo é tratado?
Que produtos são utilizados?
A água é protegida?
A biodiversidade é preservada?
A produção respeita pessoas e criação?
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XVI. PLÁSTICOS E DESCARTE
31. A cultura do descartável
O plástico tornou-se símbolo de um problema maior:
a cultura do descarte.
Compramos.
Utilizamos por pouco tempo.
Descartamos.
Mas aquilo que desaparece de nossos olhos:
não desaparece do planeta.
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32. Rever nossas casas
As comunidades podem examinar:
garrafas descartáveis;
copos;
embalagens;
sacolas;
produtos de limpeza;
materiais de uso cotidiano.
Pequenas escolhas repetidas diariamente podem produzir:
grande impacto.
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XVII. TREZE CAMINHOS CONCRETOS
O estudo de Pawlikowski e Lintner não termina em princípios gerais.
Propõe que os Servos passem:
da reflexão à ação.
Essas propostas podem ser organizadas em treze caminhos.
1. Estudar a Laudato Si’
Lê-la pessoalmente e em comunidade.
Não apenas conhecer citações.
Discernir suas consequências para nossa vida.
2. Incluir ecologia integral na formação
Inicial.
Permanente.
Pastoral.
Teológica.
3. Celebrar o Tempo da Criação
Integrar oração, liturgia, formação e ações concretas.
4. Envolver os jovens
Os jovens possuem sensibilidade particular para a questão ambiental.
Escutá-los.
Trabalhar com eles.
Dar-lhes espaço.
5. Tornar nossas comunidades mais “verdes”
Examinar concretamente:
consumo;
energia;
água;
resíduos;
alimentação;
compras.
6. Melhorar a eficiência energética
Reduzir desperdícios.
Avaliar equipamentos.
Melhorar estruturas quando possível.
7. Utilizar energias renováveis
Examinar concretamente sua viabilidade em nossas propriedades.
8. Proteger florestas e biodiversidade
Cuidar das áreas naturais confiadas à Ordem.
9. Promover agricultura responsável
Quando houver propriedades agrícolas, buscar práticas sustentáveis.
10. Rever alimentação e consumo
Reduzir desperdício e considerar o impacto ambiental de nossas escolhas.
11. Reduzir plásticos e preservar água
Combater a cultura do descartável e utilizar responsavelmente um recurso essencial à vida.
12. Criar jardins Laudato Si’
Nossas propriedades podem tornar-se espaços:
de biodiversidade;
educação;
oração;
contemplação.
13. Colaborar
A crise ecológica ultrapassa fronteiras confessionais.
Por isso, colaborar com:
outras comunidades cristãs;
outras religiões;
organizações;
movimentos;
especialistas;
populações locais.
O cuidado da casa comum pode tornar-se:
lugar de encontro.
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XVIII. DA TEORIA À COMUNIDADE
33. O convento como laboratório
Não precisamos esperar grandes programas internacionais.
A conversão pode começar:
na cozinha;
na lavanderia;
no jardim;
na garagem;
na sacristia;
no escritório;
na escolha de fornecedores;
no modo de viajar;
no tratamento dos resíduos.
O convento pode tornar-se:
laboratório de ecologia integral.
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XIX. LITURGIA E CONTEMPLAÇÃO
34. Celebrar o Criador
A liturgia está cheia de referências:
à água;
ao pão;
ao vinho;
à luz;
à terra;
ao óleo;
ao fogo;
aos frutos da criação.
Aquilo que celebramos sacramentalmente deveria educar:
nosso olhar sobre o mundo criado.
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35. Contemplar
A conversão ecológica não nasce somente de informações alarmantes.
Nasce também da capacidade de:
contemplar.
Quem aprende a maravilhar-se diante da criação possui mais razões para:
protegê-la.
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XX. PREGAÇÃO E PASTORAL
36. Não transformar ecologia em tema ocasional
O cuidado da criação pode aparecer:
na catequese;
na pregação;
na formação;
na pastoral juvenil;
na escola;
na ação social.
Não como modismo.
Mas como consequência:
da fé no Deus Criador.
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XXI. JUSTIÇA AMBIENTAL
37. Quem paga o preço?
Toda decisão ambiental possui também dimensão social.
É preciso perguntar:
Quem se beneficia?
Quem suporta os custos?
Quem perde sua terra?
Quem fica sem água?
Quem respira o ar poluído?
Quem pode proteger-se?
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38. Opção pelos vulneráveis
Uma ecologia cristã precisa manter diante dos olhos:
os pobres;
as comunidades vulneráveis;
os povos afetados;
as gerações futuras.
Por isso, ecologia integral também significa:
justiça.
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XXII. A ECONOMIA
39. O que financiamos?
O capítulo anterior perguntou como administramos nossos bens.
Agora precisamos acrescentar:
Nossos investimentos são coerentes com aquilo que professamos?
Nossas compras?
Nossos fornecedores?
Nossas opções energéticas?
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40. O orçamento também pode converter-se
A conversão ecológica precisa chegar:
ao orçamento.
Caso contrário, corre o risco de permanecer apenas no discurso.
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XXIII. O CAPÍTULO CONVENTUAL
41. Discernir juntos
O Capítulo pode perguntar periodicamente:
Quanto consumimos?
Quanto desperdiçamos?
Como utilizamos água e energia?
Que resíduos produzimos?
Como compramos?
Como nos alimentamos?
Como cuidamos de nossas propriedades?
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42. Decidir
Depois:
escolher uma ação;
definir responsável;
estabelecer prazo;
avaliar resultados.
Ecologia integral também precisa:
de método.
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XXIV. MARIA E A CASA COMUM
43. A mulher do Magnificat
Maria ensina-nos a reconhecer:
a ação de Deus;
a dignidade dos pequenos;
a misericórdia;
a justiça;
a gratuidade.
Sua espiritualidade não conduz à apropriação.
Conduz:
ao serviço.
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44. Servos da Virgem, servos da criação
Se somos Servos de Maria, somos chamados a aprender com ela uma maneira de habitar o mundo:
agradecida;
atenta;
sóbria;
solidária;
disponível.
Não como proprietários absolutos.
Mas como:
servos e guardiões.
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XXV. UMA CONVERSÃO SERVITA
Precisamos passar:
do domínio para o cuidado;
da exploração para a responsabilidade;
do desperdício para a sobriedade;
do descarte para a reutilização;
do consumo inconsciente para o discernimento;
do isolamento para a interdependência;
da indiferença para a solidariedade;
da teoria para a ação.
E sobretudo:
da ideia de que a criação nos pertence
para a consciência de que:
nós também pertencemos à criação.
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XXVI. PARA A REVISÃO PESSOAL
Pergunto-me:
Desperdiço água?
Desperdiço alimentos?
Utilizo energia sem necessidade?
Compro coisas das quais não preciso?
Uso excessivamente descartáveis?
Cuido dos espaços naturais?
Minha alimentação considera também consequências ambientais?
Minha mobilidade poderia ser mais responsável?
Conheço minimamente a crise ecológica?
Rezo agradecendo pela criação?
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XXVII. PARA A REVISÃO COMUNITÁRIA
Perguntemos:
Nossa comunidade conhece seu consumo de água e energia?
Temos metas de redução?
Separamos e destinamos corretamente os resíduos?
Utilizamos muitos produtos descartáveis?
Como fazemos nossas compras?
Como planejamos a alimentação?
Existe desperdício?
Podemos utilizar energia renovável?
Nossas propriedades favorecem biodiversidade?
Existe espaço para árvores, jardins e espécies locais?
A questão ecológica aparece em nossa pastoral?
Envolvemos jovens?
Celebramos o Tempo da Criação?
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XXVIII. UMA DECISÃO
Depois desta reflexão, não escolhamos vinte coisas.
Escolhamos:
uma.
Algo concreto.
Mensurável.
Possível.
Com responsável.
Prazo.
Avaliação.
A conversão começa quando uma convicção:
se transforma em hábito.
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XXIX. A PERGUNTA FINAL
Podemos falar longamente:
da beleza da criação;
de São Francisco;
da Laudato Si’;
da casa comum;
da justiça ambiental.
Mas Frei Pawlikowski e Frei Lintner conduzem-nos finalmente:
à ação.
Por isso, a pergunta não é apenas:
“Acreditamos que a criação deve ser cuidada?”
É:
Se dizemos que amamos a criação, que ações concretas demonstram esse amor?
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CONCLUSÃO — SERVIR TAMBÉM É CUIDAR
A vocação dos Servos de Maria é uma vocação:
ao serviço.
E hoje compreendemos com maior clareza que esse serviço precisa alcançar também:
a criação.
Não porque a ecologia tenha se tornado simplesmente um tema atual.
Mas porque confessamos:
Deus Criador.
Porque seguimos:
Cristo, por quem todas as coisas foram feitas e reconciliadas.
Porque desejamos viver:
em comunhão.
Porque escutamos:
o clamor dos pobres.
Porque reconhecemos:
a interdependência de todas as criaturas.
E porque nossas próprias Constituições nos chamam a estabelecer com todas as criaturas relações de:
paz, misericórdia, justiça e amor construtivo.
Ser Servo de Maria no século XXI implica também aprender:
a cultivar;
a guardar;
a preservar;
a agradecer;
a partilhar;
a proteger.
Assim, nossa espiritualidade pode ajudar-nos a passar:
da posse para o cuidado;
do consumo para a gratidão;
da exploração para a responsabilidade;
da indiferença para a contemplação.
E nossas comunidades poderão tornar-se pequenos sinais de uma humanidade reconciliada:
com Deus;
com os irmãos;
com os pobres;
e com toda a criação.
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PARA GUARDAR
Tudo está interligado.
A crise ecológica e a crise social não podem ser separadas.
A criação não é simples matéria-prima.
O ser humano é chamado a cultivar e guardar.
A Providência não autoriza exploração irresponsável.
A conversão ecológica exige mudança de hábitos.
Os pobres sofrem de maneira particular os efeitos da degradação ambiental.
A internacionalidade da Ordem cria responsabilidade e solidariedade ecológica.
Biodiversidade é expressão da interdependência da vida.
Nossa relação com os animais também possui dimensão ética.
Alimentação, água, energia, consumo e resíduos são questões espirituais quando revelam nossa relação com a criação.
Nossas comunidades podem tornar-se lugares concretos de ecologia integral.
A contemplação conduz ao cuidado.
A administração dos bens precisa incluir responsabilidade ambiental.
A fé no Criador precisa chegar às escolhas cotidianas.
E a pergunta do XXXII:
Se dizemos que amamos a criação, que ações concretas demonstram esse amor?
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Fonte principal: Frei John M. Pawlikowski, OSM, PhD, com a colaboração de Frei Martin M. Lintner, OSM, Laudato Si and the Constitutions and Charism of the Friar Servants of Mary, setembro de 2021.
XXXII — Servos e guardiões da criação
Ecologia integral, conversão e cuidado da casa comum
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Contemplar com gratidão.
Cultivar sem destruir.
Usar sem desperdiçar.
Guardar sem possuir.
Partilhar com justiça.
Servir também é cuidar.
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