A montanha é o lugar do encontro com Deus. Foi no monte Sinai que Moisés recebeu a Lei. Foi no monte Carmelo que Elias defendeu a verdadeira fé. Agora, Jesus sobe ao monte para revelar que Ele é o cumprimento de toda a história da salvação.
Moisés representa a Lei; Elias representa os Profetas. Ambos aparecem conversando com Jesus. Isso significa que todo o Antigo Testamento aponta para Cristo. A Lei encontra nele sua plenitude, e todas as profecias se realizam em sua pessoa.
As vestes brancas e o rosto brilhante manifestam sua divindade. A luz, na Bíblia, simboliza a presença de Deus. Jesus não recebe uma luz exterior; Ele é a própria Luz. Sua glória irradia do seu ser.
A nuvem luminosa recorda a presença de Deus que acompanhava Israel no deserto e enchia a Tenda da Aliança. Agora essa nuvem envolve Jesus, mostrando que Deus está definitivamente presente nele. Então o Pai fala: "Este é o meu Filho amado... Escutai-o."
Estas palavras unem três grandes revelações bíblicas. Jesus é o Filho amado do Pai; é o Servo obediente anunciado por Isaías; e é o Profeta definitivo prometido a Moisés, que todo o povo deve ouvir.
Percebamos que o Pai não diz: "Admirai-o", "Aplaudi-o" ou "Falai dele". Diz: "Escutai-o." A vida cristã começa pela escuta. Quem escuta Cristo aprende a pensar como Ele, amar como Ele e servir como Ele.
Pedro deseja construir três tendas. Seu desejo é sincero: quer prolongar aquele momento de alegria. Mas ainda não compreende que a missão de Jesus passa pela cruz. Não é possível permanecer apenas no Tabor; é preciso descer a montanha e caminhar até Jerusalém. Também nossa vida alterna momentos de consolação e de provação. Deus nos concede experiências de sua presença para sustentar nossa fidelidade nos tempos difíceis.
Quando os discípulos caem por terra cheios de medo, Jesus aproxima-se, toca-os e diz: "Levantai-vos e não tenhais medo." O mesmo Cristo glorioso continua tocando nossa vida através da Igreja, da Palavra, dos sacramentos e, sobretudo, da Eucaristia. Ele sempre nos levanta do pecado, do desânimo e do medo.
A Transfiguração também revela nossa vocação. A antífona da comunhão recorda: "Quando Cristo se manifestar, seremos semelhantes a Ele." Deus não quer apenas que admiremos Jesus; quer transformar-nos nele. Pelo Batismo fomos feitos filhos adotivos; pela Confirmação recebemos a força do Espírito Santo; pela Eucaristia somos alimentados com o próprio Cristo para que sua vida se manifeste em nós. Toda a vida cristã é um caminho de transfiguração: deixar que a graça transforme nossa mente, nosso coração e nossas atitudes.
Peçamos ao Senhor que também nós sejamos iluminados por sua presença. Que, escutando fielmente sua Palavra e alimentando-nos da Eucaristia, nossa vida reflita cada vez mais a luz de Cristo, até o dia em que participaremos plenamente de sua glória no Reino eterno. Amém.