Primeiro entre os irmãos, chamado a servir por amor
XXVIII — O Prior na comunidade dos Servos de Maria
Este exame possui duas direções.
A primeira é dirigida àquele que recebeu o serviço de presidir:
Como estou servindo meus irmãos?
A segunda é dirigida aos demais frades:
Como estamos ajudando nosso irmão Prior a exercer seu serviço?
Porque a qualidade evangélica da autoridade não depende somente daquele que preside.
Ela depende também da fraternidade que:
participa;
dialoga;
assume responsabilidades;
colabora;
corrige;
aceita ser corrigida;
e procura, junto com o Prior, a vontade de Deus.
A pergunta central será:
Nossa maneira de exercer e acolher a autoridade está construindo fraternidade?
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ORAÇÃO INICIAL
Senhor Jesus Cristo,
vós vos colocastes
no meio dos discípulos
como aquele que serve.
Purificai nossa maneira
de exercer a autoridade
e nossa maneira de obedecer.
A quem recebeu o serviço de presidir,
dai humildade para escutar,
sabedoria para discernir,
coragem para decidir
e caridade para cuidar.
Aos irmãos,
dai liberdade para falar,
humildade para escutar,
responsabilidade para colaborar
e generosidade para sustentar
aquele que recebeu o serviço da autoridade.
Livrai-nos:
do autoritarismo,
do individualismo,
da omissão,
da crítica sem diálogo
e da obediência sem responsabilidade.
Santa Maria,
Serva do Senhor,
ensinai-nos a dizer juntos:
“Eis-nos aqui.”
Amém.
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PARTE I — PARA QUEM PRESIDE
I. PRIMEIRO ENTRE OS IRMÃOS
1. Continuo sendo irmão?
A responsabilidade recebida não me separa da fraternidade.
Pergunto-me:
Sinto-me realmente irmão daqueles a quem presido?
Partilho a vida cotidiana?
Estou próximo?
Ou minha função criou distância?
Para responder
Minha autoridade aproxima-me ou afasta-me dos irmãos?
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2. O que significa para mim ser “primeiro”?
Primeiro em quê?
Em privilégios?
Em informações?
Em decisões?
Ou:
em responsabilidade?
em disponibilidade?
em cuidado?
em serviço?
Para responder
Em que preciso ser o primeiro a servir?
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II. CRISTO SERVO
3. Minha autoridade revela Cristo?
Jesus veio não para ser servido, mas para servir.
Pergunto-me:
Minha maneira de presidir manifesta algo de Cristo Servo?
As pessoas encontram em mim:
acolhida?
firmeza?
misericórdia?
verdade?
serviço?
Para responder
Que traço de Cristo Servo precisa crescer em mim?
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4. Sei lavar os pés?
Há serviços que ninguém percebe.
Pergunto-me:
Estou disposto a realizar também aquilo que não produz reconhecimento?
Ou minha função me afastou dos serviços simples?
Para discernir
Que serviço humilde preciso recuperar?
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III. PARTICIPAÇÃO E COLABORAÇÃO
5. Centralizo?
Pergunto-me:
Preciso controlar tudo?
Tenho dificuldade de delegar?
Refaço aquilo que os outros fizeram porque considero que somente meu modo está correto?
Para responder
O que estou segurando e poderia confiar a outro irmão?
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6. Faço os irmãos crescerem?
Uma boa autoridade não produz dependentes.
Produz irmãos:
responsáveis;
participativos;
capazes de assumir tarefas.
Para responder
Quem preciso encorajar a assumir maior responsabilidade?
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IV. CONHECER OS IRMÃOS
7. Conheço realmente meus irmãos?
Sei como estão?
Conheço suas dificuldades?
Percebo seus dons?
Reconheço seus limites?
Sei o que estão vivendo?
Para responder
Qual irmão preciso escutar com maior atenção?
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8. Trato todos exatamente da mesma maneira?
Igual dignidade não significa necessidades idênticas.
Pergunto-me:
Consigo considerar:
idade?
saúde?
história?
capacidades?
responsabilidades?
fragilidades?
Para discernir
Há alguém cuja situação preciso considerar de maneira mais cuidadosa?
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V. ESCUTAR
9. Minha porta está aberta?
Os irmãos sentem liberdade para procurar-me?
Ou precisam calcular:
meu humor?
meu tempo?
minha reação?
Para responder
Sou verdadeiramente acessível?
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10. Escuto antes de responder?
Enquanto o irmão fala:
estou ouvindo?
ou preparando minha resposta?
Para responder
O que preciso mudar em minha maneira de escutar?
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VI. OS IRMÃOS MAIS FRÁGEIS
11. Quem precisa mais de mim?
As Constituições pedem atenção especial a quem necessita de cuidado.
Pergunto-me:
Quem está:
doente?
cansado?
isolado?
desanimado?
envelhecendo?
em dificuldade vocacional?
Para responder
Quem necessita agora de minha presença mais do que de uma decisão?
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VII. CORRIGIR
12. Tenho coragem de corrigir?
Evitar toda correção não é necessariamente caridade.
Pergunto-me:
Adio conversas necessárias?
Deixo problemas crescerem para evitar desconforto?
Para responder
Que conversa fraterna não deveria mais adiar?
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13. Como corrijo?
Antes de falar:
Tenho certeza dos fatos?
Escutei o irmão?
Estou sereno?
Procuro o bem dele?
Escolhi o momento adequado?
Para guardar
Correção evangélica = verdade + caridade + possibilidade de recomeço.
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VIII. SER CORRIGIDO
14. Aceito observações?
Quando um irmão questiona minha decisão:
escuto?
defendo-me imediatamente?
fico ressentido?
considero-o desleal?
Para responder
Como reajo quando sou contrariado?
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15. O que não estou vendo?
Uma pergunta importante para quem preside:
“O que vocês estão vendo que eu não estou vendo?”
Para responder
De quem preciso pedir uma avaliação sincera?
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IX. O CAPÍTULO
16. Favoreço verdadeiro discernimento?
O Capítulo é espaço real de participação?
Ou chega às reuniões tudo praticamente decidido?
Para responder
Dou espaço suficiente para que os irmãos participem das decisões?
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17. E depois do Capítulo?
Acompanho as decisões?
Recordo os compromissos?
Ou a ata é arquivada e esquecida?
Para responder
Que decisão comunitária precisa ser retomada?
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X. PLENITUDE EM CRISTO
18. Para onde estou conduzindo meus irmãos?
A finalidade mais profunda não é produzir uma comunidade simplesmente eficiente.
É ajudar cada irmão a alcançar sua:
plenitude em Cristo.
Pergunto-me:
Minha autoridade ajuda os irmãos a:
amadurecer?
rezar?
servir?
desenvolver seus dons?
assumir responsabilidades?
crescer humanamente?
Para responder
Meu modo de presidir está fazendo meus irmãos crescerem?
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XI. O PODER
19. Onde o poder me tenta?
Assinale interiormente aquilo que merece atenção:
necessidade de controlar;
dificuldade de delegar;
resistência à crítica;
preferência por quem concorda comigo;
uso seletivo de informações;
necessidade de reconhecimento;
dificuldade de admitir erro.
Para responder
Qual dessas tentações preciso vigiar mais?
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XII. ENTREGAR O MANDATO
20. Consigo imaginar-me deixando de ser Prior?
Se meu mandato terminasse hoje:
sentiria que perdi minha identidade?
teria dificuldade de obedecer a outro?
tentaria continuar governando informalmente?
Para responder
Sou suficientemente livre para voltar simplesmente a ser irmão?
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PARTE II — PARA OS IRMÃOS
XIII. COLABORAÇÃO LEAL
21. Ajudo ou apenas espero?
Quando alguma coisa não funciona, penso imediatamente:
“O Prior deveria resolver”?
Ou pergunto:
“Como posso colaborar?”
Para responder
Que responsabilidade comunitária posso assumir melhor?
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22. Reconheço o peso do serviço?
Percebo que presidir uma comunidade exige:
tempo;
energia;
discernimento;
decisões difíceis;
acompanhamento;
responsabilidade?
Para responder
Sei demonstrar apoio e gratidão?
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XIV. FALAR COM, NÃO SOBRE
23. Quando discordo, o que faço?
Procuro diretamente o Prior?
Ou primeiro falo:
com outros irmãos?
com pessoas de fora?
com quem certamente concordará comigo?
Para guardar
Fraternidade madura fala com a pessoa antes de falar sobre a pessoa.
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24. Sei fazer uma observação fraterna?
Minha crítica oferece também:
fatos?
razões?
alternativas?
disponibilidade para colaborar?
Para responder
Minha crítica ajuda a construir ou apenas descarrega insatisfação?
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XV. OBEDIÊNCIA RESPONSÁVEL
25. Obedecer significa deixar de pensar?
Não.
Antes da decisão posso:
dialogar;
argumentar;
propor;
discernir.
Mas, depois de uma decisão legítima, preciso também perguntar:
Consigo colaborar lealmente mesmo quando minha proposta não prevaleceu?
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XVI. PARTICIPAÇÃO
26. Participo verdadeiramente?
Nos Capítulos:
falo?
escuto?
proponho?
assumo responsabilidades?
Ou permaneço silencioso e depois critico aquilo que foi decidido?
Para responder
Como posso participar mais responsavelmente da vida comunitária?
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XVII. O PRIOR TAMBÉM É UM IRMÃO
27. Permito que ele seja humano?
Quem preside:
cansa;
erra;
tem limitações;
pode precisar de ajuda.
Pergunto-me:
Exijo dele aquilo que não exigiria de outro irmão?
Para responder
Sei acolher também a fragilidade daquele que preside?
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XVIII. REZAR POR QUEM PRESIDE
28. Rezo pelo Prior?
É fácil comentar decisões.
Mais exigente é apresentar diante de Deus aquele que precisa tomá-las.
Compromisso
Incluirei de modo consciente quem preside nossa comunidade em minha oração?
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PARTE III — PRIOR E IRMÃOS JUNTOS
XIX. NOSSA RELAÇÃO COM A AUTORIDADE
Avaliem juntos:
Dimensão| ✓ / △ / !
Confiança| ____
Diálogo| ____
Escuta| ____
Participação| ____
Delegação| ____
Responsabilidade| ____
Correção fraterna| ____
Acolhida das correções| ____
Transparência| ____
Colaboração| ____
Cuidado dos frágeis| ____
Fidelidade às decisões| ____
Vida espiritual| ____
Comunhão| ____
✓ — fruto visível
△ — precisa amadurecer
! — requer atenção
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XX. TRÊS PERGUNTAS PARA O PRIOR
1. O que preciso fazer menos para que meus irmãos participem mais?
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2. A quem preciso escutar melhor?
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3. Onde preciso servir com maior humildade?
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XXI. TRÊS PERGUNTAS PARA OS IRMÃOS
1. Em que preciso colaborar mais?
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2. O que preciso dizer diretamente ao Prior, com caridade?
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3. Como posso ajudá-lo a exercer melhor seu serviço?
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XXII. UMA DECISÃO COMUM
Depois da partilha, não escolhamos muitas resoluções.
Completem juntos:
Para que nossa autoridade seja mais fraterna e nosso modo de obedecer mais responsável, decidimos:
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XXIII. A PERGUNTA FINAL
Ao Prior:
Minha maneira de exercer a autoridade ajuda meus irmãos a crescerem em liberdade, responsabilidade e plenitude em Cristo?
Aos irmãos:
Minha maneira de acolher a autoridade ajuda meu irmão Prior a servir bem?
A todos:
Nossa maneira de exercer e acolher a autoridade está construindo fraternidade?
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ORAÇÃO FINAL
Senhor Jesus,
vós lavastes os pés dos discípulos
e nos ensinastes
que o primeiro deve tornar-se servidor.
Olhai para nossas comunidades.
A quem recebeu a responsabilidade de presidir,
dai um coração de irmão.
Que saiba escutar
antes de responder,
discernir
antes de decidir,
servir
antes de exigir,
e amar
mesmo quando precisar corrigir.
Dai-lhe humildade
para reconhecer seus limites
e liberdade para receber
a palavra dos irmãos.
A nós todos,
dai responsabilidade
para participar,
lealdade
para colaborar,
coragem
para falar com verdade
e humildade
para acolher as decisões comuns.
Livrai-nos
da vontade de dominar
e também da comodidade
de deixar toda responsabilidade aos outros.
Santa Maria,
Serva do Senhor,
ensinai-nos vosso Fiat.
Em Caná, ensinai-nos
a perceber as necessidades.
No Cenáculo, ensinai-nos
a permanecer juntos.
Junto à Cruz, ensinai-nos
a não abandonar os irmãos
quando servir se torna difícil.
Que aquele que preside
seja verdadeiramente:
o primeiro a servir.
E que todos nós
sejamos verdadeiramente:
irmãos.
Amém.
PARA GUARDAR
O Prior é primeiro entre os irmãos.
Sua autoridade é serviço de amor.
Cristo Servo é o modelo.
Presidir não significa fazer tudo.
Escutar também é governar.
Corrigir é serviço; aceitar correção também.
A autoridade deve favorecer o crescimento dos irmãos.
Os irmãos têm responsabilidade de colaboração leal.
Falar diretamente é mais fraterno do que falar pelas costas.
O mandato passa; a fraternidade permanece.
Maria ensina a perceber as necessidades e a conduzir todos a Cristo.
E a pergunta do XXVIII:
Nossa maneira de exercer e acolher a autoridade está construindo fraternidade?
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Fonte principal: Frei Clodovis M. Boff, OSM, estudo sobre O Prior, comentário aos arts. 43–51 das Constituições da Ordem dos Servos de Maria.
XXVIII — O Prior na comunidade dos Servos de Maria
Primeiro entre os irmãos, chamado a servir por amor
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Autoridade como serviço.
Obediência como responsabilidade.
Correção como fraternidade.
Cristo como modelo.
Maria como Serva.
E todos, irmãos.
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