Maria no coração da comunidade dos discípulos
Série: As Ladainhas de Nossa Senhora
A Ladainha Lauretana nos convida a invocar:
Mãe da Igreja, rogai por nós.
Este título nos conduz para além da casa de Nazaré.
Leva-nos ao Calvário.
Leva-nos ao Cenáculo.
Leva-nos ao coração da comunidade dos discípulos de Jesus.
Maria, Mãe de Cristo, aparece também como Mãe da Igreja.
“Eis aí o teu filho”
No Calvário, enquanto Jesus entrega sua vida, Maria permanece junto à Cruz.
O Evangelho de João conserva um diálogo breve e profundamente significativo:
“Mulher, eis aí o teu filho.”
Depois, dirigindo-se ao discípulo:
“Eis aí a tua mãe.”
Naquela hora, Maria recebe uma nova missão materna.
O discípulo amado representa também aqueles que seguirão Jesus através dos tempos.
A Mãe de Cristo é entregue à comunidade dos discípulos.
E o discípulo a recebe.
Uma maternidade nascida junto à Cruz
Há algo profundamente servita nesse mistério.
A maternidade espiritual de Maria aparece no Evangelho precisamente no lugar da dor:
junto à Cruz.
Ela não recebe os discípulos como filhos em um momento de triunfo.
Recebe-os quando Jesus está crucificado.
Quando muitos fugiram.
Quando a comunidade parece desfeita.
Quando humanamente tudo parece perdido.
É ali que Jesus diz:
“Eis aí a tua mãe.”
A maternidade de Maria possui, portanto, a marca da compaixão.
Ela sabe permanecer junto aos filhos quando eles sofrem.
Mãe na ordem da graça
O Concílio Vaticano II oferece uma expressão particularmente bela.
Maria é nossa:
“mãe na ordem da graça.”
Isso significa que sua maternidade está inteiramente ligada à obra de Cristo.
Maria não substitui Jesus.
Não ocupa o lugar do único Salvador.
Ao contrário: sua missão materna existe em Cristo e por causa de Cristo.
Tudo aquilo que veneramos em Maria procede da graça de Deus e nos conduz novamente ao seu Filho.
Por isso, quanto mais autêntica é a devoção mariana, mais profundamente ela nos conduz ao Evangelho.
Uma mãe que permanece
O Concílio contempla a maternidade de Maria desde a Anunciação até a Cruz e afirma que essa missão materna continua.
Há uma palavra importante aqui:
permanecer.
Maria permanece.
Permanece quando o caminho é luminoso.
Permanece quando não compreende.
Permanece quando o Filho parte para sua missão.
Permanece quando cresce a oposição.
Permanece junto à Cruz.
E continuará presente entre os discípulos.
A maternidade cristã é também essa capacidade de permanecer.
Maria no Cenáculo
Depois da Ascensão de Jesus, encontramos Maria novamente.
Agora ela está com os Apóstolos.
A comunidade espera a vinda do Espírito Santo.
E Maria está no meio deles.
Não aparece comandando.
Não ocupa o lugar dos Apóstolos.
Não chama atenção para si.
Está com eles em oração.
Que bela imagem da Mãe da Igreja!
Maria está no coração da comunidade, ajudando-a silenciosamente a esperar o Espírito.
Uma Igreja com coração de mãe
Contemplar Maria como Mãe da Igreja também nos ajuda a compreender aquilo que a própria Igreja é chamada a ser.
A Igreja não pode ser somente instituição.
Não pode ser somente organização.
Não pode ser apenas administração, normas, estruturas e atividades.
Tudo isso pode ser necessário.
Mas a Igreja precisa possuir também um coração materno.
Um lugar onde alguém possa chegar ferido e ser acolhido.
Onde o pecador encontre um caminho de reconciliação.
Onde o jovem possa fazer perguntas.
Onde o idoso não seja abandonado.
Onde o pobre seja reconhecido como irmão.
Onde quem perdeu a esperança encontre alguém disposto a permanecer ao seu lado.
Uma palavra para nossas comunidades
Isso vale também para nossas comunidades religiosas.
Um convento pode estar perfeitamente organizado e ainda assim não ser acolhedor.
Pode cumprir horários e perder a fraternidade.
Pode realizar muitas atividades pastorais e deixar de perceber o irmão que sofre dentro da própria casa.
Maria, Mãe da Igreja, nos pergunta:
Nossa comunidade possui coração de mãe?
Quem chega encontra acolhida?
Os jovens encontram acompanhamento?
Os idosos encontram cuidado?
Os irmãos conseguem falar de suas dificuldades?
Existe espaço para escuta?
Existe misericórdia?
Mãe da Igreja e Serva do Senhor
Há ainda algo muito importante.
Aquela que chamamos Mãe da Igreja continua sendo aquela que se apresentou como:
“a serva do Senhor.”
Maternidade e serviço não se separam em Maria.
Ela cuida servindo.
Serve cuidando.
Talvez aqui esteja uma das expressões mais bonitas da espiritualidade dos Servos de Maria.
Ser servo não significa simplesmente executar tarefas.
Significa aprender a cuidar.
Aos pés das cruzes de hoje
Se Maria se tornou particularmente próxima dos discípulos junto à Cruz, os Servos de Maria também são chamados a reconhecê-la junto às cruzes de nosso tempo.
Onde existe sofrimento, ali somos chamados a estar.
Junto aos enfermos.
Junto aos enlutados.
Junto às famílias feridas.
Junto aos pobres.
Junto aos migrantes.
Junto aos idosos.
Junto aos jovens que procuram sentido para a vida.
Junto aos irmãos que atravessam crises.
Nem sempre poderemos resolver seus problemas.
Maria também não retirou Jesus da Cruz.
Mas permaneceu.
Às vezes, o primeiro serviço cristão é justamente:
não abandonar.
Receber Maria em nossa casa
O Evangelho diz que, depois das palavras de Jesus, o discípulo recebeu Maria consigo.
Essa palavra pode tornar-se também uma pergunta espiritual:
Eu recebi Maria em minha vida?
Não apenas uma imagem.
Não apenas uma devoção.
Não apenas uma oração ocasional.
Receber Maria significa também acolher seu modo de viver.
Sua escuta.
Sua disponibilidade.
Sua compaixão.
Sua fidelidade.
Seu silêncio.
Sua capacidade de permanecer.
Oração
Mãe da Igreja,
Jesus nos confiou a você
quando permanecia sobre a Cruz.
Receba também nossa comunidade
entre seus filhos.
Ensine-nos a ser Igreja
de portas abertas e coração materno.
Faça-nos atentos aos jovens,
próximos dos idosos,
acolhedores com os pobres
e compassivos com os que sofrem.
Quando nossas comunidades
se tornarem apenas estruturas,
devolva-nos a fraternidade.
Quando estivermos divididos,
reúna-nos novamente em torno de Cristo.
Quando tivermos medo do futuro,
permaneça conosco em oração
como permaneceu com os discípulos
à espera do Espírito Santo.
E ensine especialmente a nós,
Servos de Maria,
que servir significa também cuidar,
acolher e permanecer.
Mãe da Igreja, rogai por nós.
Para guardar no coração
A Igreja aprende de Maria que ser mãe significa acolher, cuidar e permanecer junto aos filhos, especialmente quando chega a hora da Cruz.
Fontes
Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen gentium, especialmente nn. 58 e 61-63.
Pietro Ansalone, SJ, Le Litanie Lauretane, segunda edição, organizada pelo Pe. Raffaele Nicolella, Nápoles: Tipografia de F. Ferrante, 1858 — obra inspiradora desta série.
Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário: sua colaboração edificará tantas almas sedentas de Deus e nos fará cada vez mais servos uns dos outros.