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03/10/2026

Mãe de Misericórdia, rogai por nós

Maria nos conduz ao rosto misericordioso de Cristo

Série: As Ladainhas de Nossa Senhora

Depois de invocar Maria como Mãe da Igreja, a Ladainha Lauretana acrescenta:

Mãe de Misericórdia, rogai por nós.

Este título toca o coração da experiência cristã.

Mas precisamos compreendê-lo corretamente.

A fonte da misericórdia é Deus.

Jesus Cristo é a manifestação plena da misericórdia do Pai.

Maria é chamada Mãe de Misericórdia porque recebeu, gerou, acompanhou e ofereceu ao mundo Jesus Cristo, em quem a misericórdia divina se tornou próxima de nós.

A misericórdia tem um rosto

A fé cristã não fala da misericórdia apenas como uma ideia.

A misericórdia tornou-se próxima.

Falou.

Tocou os enfermos.

Sentou-se à mesa com pecadores.

Perdoou.

Acolheu.

Chorou.

Entregou sua vida.

Seu nome é:

Jesus Cristo.

Por isso, contemplar Maria como Mãe de Misericórdia significa contemplá-la inseparavelmente de seu Filho.

Nos braços de Maria está aquele que revelará ao mundo o coração misericordioso do Pai.

“Sua misericórdia se estende de geração em geração”

Maria conhece a misericórdia não apenas porque ouviu falar dela.

Ela fez experiência dela.

No Magnificat, canta:

“Sua misericórdia se estende de geração em geração.”

Maria lê sua própria história à luz da misericórdia de Deus.

O Senhor olhou para sua pequenez.

Fez nela grandes coisas.

Lembrou-se de sua misericórdia.

Cumpriu sua promessa.

Por isso, o Magnificat não é somente o cântico de Maria.

É o cântico de uma humanidade que descobre que Deus não se esqueceu dela.

Misericórdia não é indiferença

Às vezes confundimos misericórdia com tolerar qualquer coisa.

Mas a misericórdia de Deus é muito maior.

Deus não olha para nossa fragilidade e diz que ela não importa.

Ele entra nela para nos levantar.

Perdoa para transformar.

Acolhe para restaurar.

Procura aquele que se perdeu para reconduzi-lo à vida.

Por isso, misericórdia e conversão caminham juntas.

Quem experimenta verdadeiramente a misericórdia descobre que pode recomeçar.

Maria percebe a necessidade

Em Caná, Maria oferece uma bela imagem desse coração misericordioso.

Ela percebe uma necessidade antes mesmo que lhe peçam ajuda:

“Eles não têm mais vinho.”

É uma frase simples.

Mas revela um modo de olhar.

Enquanto outros talvez continuassem celebrando, Maria percebe que alguma coisa falta.

A misericórdia começa frequentemente assim:

perceber.

Perceber quem ficou sozinho.

Perceber quem está sofrendo.

Perceber o jovem que precisa conversar.

Perceber o idoso que necessita de atenção.

Perceber o irmão que se afastou silenciosamente.

Perceber uma família que atravessa dificuldades.

Antes de fazer grandes coisas, a misericórdia abre os olhos.

Maria junto à Cruz

Mas é novamente no Calvário que esta invocação adquire profundidade particular.

Maria está diante do Filho crucificado.

E ali escuta palavras extraordinárias:

“Pai, perdoa-lhes.”

A violência humana encontra uma resposta inesperada.

Perdão.

Maria permanece junto daquele que oferece misericórdia até aos que o crucificam.

Por isso, sua escola de misericórdia passa também pela Cruz.

Uma palavra profundamente servita

Para nós, Servos de Maria, isso possui um significado especial.

Contemplamos Maria junto às infinitas cruzes da humanidade.

Nossa devoção a Nossa Senhora das Dores não pode terminar na contemplação de suas lágrimas.

Precisa ensinar-nos a enxugar as lágrimas dos outros.

Se contemplamos Maria dolorosa, devemos aprender dela a aproximar-nos de quem sofre.

A devoção torna-se serviço.

A contemplação torna-se compaixão.

A oração torna-se presença.

Comunidades misericordiosas

Também nossas comunidades religiosas precisam fazer continuamente esta pergunta:

Quem encontra misericórdia entre nós?

É possível cumprir perfeitamente os horários e ferir os irmãos.

É possível rezar juntos e conservar ressentimentos.

É possível celebrar a Eucaristia e recusar o perdão.

É possível falar de fraternidade e formar pequenos grupos fechados.

É possível exigir compreensão para nossas próprias fragilidades e ser implacáveis com as fragilidades dos outros.

Maria, Mãe de Misericórdia, convida-nos a outro caminho.

A comunidade religiosa deve ser lugar onde seja possível:

pedir perdão,
oferecer perdão,
recomeçar.

Misericórdia e formação

Isso possui importância particular na formação dos jovens.

Formar não significa procurar pessoas que nunca erram.

Significa ajudar pessoas reais a crescer.

É necessário corrigir.

É necessário exigir.

É necessário discernir.

Mas tudo isso deve acontecer dentro de uma relação marcada pela verdade e pela misericórdia.

A misericórdia não elimina a exigência.

Impede que a exigência destrua a pessoa.

Maria nos ensina a acreditar que Deus ainda pode realizar alguma coisa naquele que está caminhando.

Misericórdia para conosco

Existe ainda uma forma de misericórdia que às vezes esquecemos.

Precisamos aprender a receber a misericórdia de Deus também sobre nossa própria história.

Todos carregamos limites.

Erros.

Decisões que hoje tomaríamos de maneira diferente.

Palavras que gostaríamos de retirar.

Omissões.

Pecados.

A fé cristã não nos pede para fingir que nada aconteceu.

Convida-nos a entregar tudo à misericórdia.

Deus pode escrever também sobre linhas tortas.

Pode transformar feridas em lugares de compaixão.

Pode fazer da experiência do perdão uma escola para aprendermos a perdoar.

“Rogai por nós”

Por isso dizemos:

Mãe de Misericórdia, rogai por nós.

Rogai para que não tenhamos medo de voltar para Deus.

Rogai para que nossas comunidades saibam acolher.

Rogai para que nossa palavra não condene precipitadamente.

Rogai para que saibamos corrigir sem humilhar.

Rogai para que consigamos perdoar.

Rogai para que não desistamos facilmente uns dos outros.

Uma pergunta para o coração

Esta invocação pode tornar-se um verdadeiro exame de consciência:

Existe alguém de quem estou recusando misericórdia?

Talvez alguém que me decepcionou.

Talvez um irmão com quem tenho dificuldade.

Talvez alguém cujo erro continuo recordando anos depois.

Talvez a pessoa de quem eu precise ter misericórdia seja eu mesmo.

Maria nos conduz ao Filho.

E diante de Cristo descobrimos novamente:

a misericórdia é maior do que nosso pecado.

Oração

Mãe de Misericórdia,
você acolheu em seu ventre
Jesus Cristo, rosto misericordioso do Pai.

Ensine-nos a perceber
as necessidades dos irmãos
como você percebeu em Caná.

Quando alguém errar,
livre-nos da condenação apressada.

Quando formos feridos,
ensine-nos o difícil caminho do perdão.

Quando nós mesmos cairmos,
não permita que o desânimo
nos afaste da misericórdia de Deus.

Faça de nossas comunidades
casas onde a verdade seja dita com caridade,
a correção seja acompanhada de respeito
e sempre exista espaço para recomeçar.

A nós, Servos de Maria,
ensine especialmente a permanecer
junto às cruzes de nossos irmãos,
transformando devoção em compaixão
e compaixão em serviço.

Mãe de Misericórdia, rogai por nós.


Para guardar no coração

Quem contempla a Mãe de Misericórdia aprende a reconhecer no sofrimento do outro um chamado à proximidade, ao perdão e ao serviço.


Fontes

Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Carta sobre as invocações Mater misericordiae, Mater spei e Solacium migrantium, 20 de junho de 2020.

Papa Francisco, Misericordiae Vultus, especialmente n. 24.

Pietro Ansalone, SJ, Le Litanie Lauretane, segunda edição, organizada pelo Pe. Raffaele Nicolella, Nápoles: Tipografia de F. Ferrante, 1858 — obra inspiradora da série.

Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.

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