Maria nos traz Jesus, nossa verdadeira alegria
Série: As Ladainhas de Nossa Senhora
A Ladainha Lauretana prossegue:
Causa da nossa alegria, rogai por nós.
É uma invocação luminosa.
Depois de contemplarmos Maria como Trono da Sabedoria, agora a Igreja nos convida a contemplá-la como Causa da nossa alegria.
Mas é necessário compreender bem essas palavras.
Maria não é a fonte última da alegria.
A fonte é Deus.
Nossa verdadeira alegria é Jesus Cristo.
Maria é chamada Causa da nossa alegria porque acolheu o Salvador, trouxe-o ao mundo e continua conduzindo os discípulos ao encontro dele.
“Alegra-te, cheia de graça”
A história de Maria no Evangelho começa com uma palavra de alegria:
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo.”
Antes de realizar qualquer coisa, Maria recebe uma notícia:
Deus está presente.
A alegria cristã começa aqui.
Não começa porque todos os problemas desapareceram.
Não começa porque conseguimos realizar nossos projetos.
Começa porque:
o Senhor está conosco.
Essa é a primeira alegria de Maria.
E deveria ser também a nossa.
A alegria tem um nome
Quando Isabel recebe Maria em sua casa, acontece algo extraordinário.
Maria traz Jesus em seu ventre.
E João Batista estremece de alegria no ventre de Isabel.
A presença de Cristo produz alegria.
Por isso podemos dizer que a alegria cristã possui um nome:
Jesus.
Não é apenas um sentimento agradável.
Não é euforia.
Não é ausência de sofrimento.
É a experiência profunda de saber que Deus entrou em nossa história e não nos abandonou.
Maria leva Jesus
Maria parte de Nazaré e vai ao encontro de Isabel.
Ela não chega sozinha.
Leva Cristo.
Talvez aqui esteja uma das imagens mais belas desta invocação.
Onde Maria chega, leva Jesus.
E onde Cristo é acolhido, nasce alegria.
Isso explica profundamente o título:
Causa da nossa alegria.
Maria é causa de nossa alegria porque nos oferece aquele que é nossa verdadeira alegria.
O Magnificat
Na casa de Isabel, Maria canta:
“Minha alma engrandece o Senhor e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.”
Maria é uma mulher alegre porque seu coração está centrado em Deus.
Ela não canta:
“Meu espírito se alegra porque minha vida será fácil.”
Não será.
Ainda haverá Belém.
A fuga para o Egito.
A profecia da espada.
A perda de Jesus no Templo.
E finalmente a Cruz.
Mesmo assim, Maria canta.
Porque a raiz de sua alegria está mais profunda que as circunstâncias.
Alegria não é ausência de sofrimento
Isso é particularmente importante.
Maria é ao mesmo tempo:
Causa da nossa alegria
e
Nossa Senhora das Dores.
Não existe contradição.
A mesma mulher que canta o Magnificat permanecerá junto à Cruz.
A alegria cristã não significa nunca chorar.
Não significa viver sem dificuldades.
Não significa esconder o sofrimento atrás de um sorriso.
A alegria cristã significa que, mesmo dentro da dor, existe uma esperança que a dor não consegue destruir.
A alegria que atravessa a Cruz
Para nós, Servos de Maria, isso possui uma profundidade especial.
Nossa espiritualidade contempla Maria junto à Cruz.
Conhecemos suas dores.
Mas a Cruz não é a última palavra.
Depois da Sexta-feira Santa vem a manhã da Ressurreição.
A Mãe das Dores pertence também ao mistério da alegria pascal.
Por isso, nossa espiritualidade não pode ser uma espiritualidade triste.
A compaixão cristã não termina no sofrimento.
Caminha para a esperança.
A alegria de servir
Existe outra característica importante.
Maria recebe a alegria da presença de Deus e imediatamente parte para servir Isabel.
A verdadeira alegria produz disponibilidade.
Quem encontrou Cristo não precisa viver fechado em si mesmo.
A alegria recebida torna-se serviço.
Talvez possamos dizer:
Maria leva alegria porque leva Jesus e porque se coloca a serviço.
Isso também pode acontecer conosco.
Ser causa de alegria
Esta invocação pode transformar-se numa pergunta muito concreta:
Minha presença é causa de alegria para os outros?
Não significa que precisamos estar sempre sorrindo.
Mas quando entramos numa comunidade, o ambiente se torna mais fraterno ou mais pesado?
Quando participamos de uma reunião, ajudamos a construir ou apenas reclamamos?
Quando encontramos um jovem, transmitimos esperança?
Quando estamos com um idoso, oferecemos atenção?
Quando alguém está sofrendo, nossa presença consola?
Todos podemos, de alguma maneira, tornar-nos portadores da alegria de Cristo.
A alegria na vida religiosa
Às vezes existe o risco de nossa vida religiosa tornar-se excessivamente funcional.
Horários.
Reuniões.
Administração.
Pastoral.
Contas.
Manutenção.
Compromissos.
Tudo isso é necessário.
Mas podemos realizar muitas coisas e perder a alegria da vocação.
Então precisamos voltar à pergunta fundamental:
Por que estamos aqui?
Porque um dia encontramos Cristo.
Porque fomos chamados.
Porque descobrimos que valia a pena entregar a vida.
Recuperar a alegria do primeiro chamado
Talvez depois de muitos anos precisemos pedir novamente:
Senhor, devolva-me a alegria de pertencer a você.
Não necessariamente o entusiasmo do começo.
A alegria madura é diferente.
É mais silenciosa.
Conhece dificuldades.
Conhece limites.
Já atravessou decepções.
Mas continua dizendo:
“Vale a pena permanecer.”
Essa alegria é preciosa.
Uma comunidade alegre
Também nossas comunidades deveriam perguntar:
Somos uma comunidade onde existe alegria?
Há espaço para rir juntos?
Celebrar aniversários?
Agradecer?
Reconhecer o bem?
Acolher alguém com satisfação?
Celebrar as conquistas dos jovens?
Recordar com gratidão a história dos idosos?
A fraternidade não é feita apenas de reuniões e normas.
Também precisa de festa.
A alegria dos idosos
Um irmão idoso pode ser uma extraordinária testemunha de alegria.
Mesmo quando já não consegue realizar muitas atividades, pode oferecer:
um sorriso,
uma bênção,
uma história,
uma palavra de esperança,
uma presença serena.
Às vezes encontramos pessoas que atravessaram enormes dificuldades e conservaram uma profunda paz.
Elas nos ensinam que a alegria não depende simplesmente das circunstâncias.
A alegria dos jovens
Os jovens em formação também precisam encontrar comunidades onde seja possível perceber:
estes homens são felizes por terem entregado a vida a Deus.
Isso não significa esconder nossos problemas.
Os jovens percebem rapidamente quando uma realidade é artificial.
Mas uma comunidade pode ter dificuldades e, mesmo assim, possuir alegria.
Porque sabe por quem vive.
A alegria e o serviço pastoral
Também nossa evangelização depende disso.
É difícil anunciar o Evangelho como Boa-Nova se parecemos continuamente pessoas derrotadas.
Francisco recordou muitas vezes que o encontro com Jesus produz alegria e que os discípulos são chamados a comunicar essa alegria.
Evangelizar é, em certo sentido, dizer:
“Encontramos uma esperança que vale a pena conhecer.”
Não confundir alegria com prazer
Existe ainda uma distinção necessária.
O prazer passa.
A alegria cristã pode permanecer.
Um bom almoço produz prazer.
Uma viagem pode produzir prazer.
Uma conquista produz satisfação.
Tudo isso pode ser bom.
Mas nenhuma dessas coisas consegue sustentar uma vida inteira.
A alegria profunda nasce de saber:
sou amado por Deus, pertenço a Cristo e minha vida possui um sentido.
Caná: Maria cuida da alegria dos outros
Nas bodas de Caná, Maria percebe:
“Eles não têm mais vinho.”
Uma festa corre o risco de terminar em constrangimento.
Maria percebe.
Intercede.
E aponta para Cristo:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Também aqui ela aparece ligada à alegria.
Mas novamente não ocupa o centro.
É Jesus quem realiza o sinal.
Maria conduz a Ele.
A alegria verdadeira nos conduz a Cristo
Esse é o critério.
Uma devoção mariana saudável não nos deixa simplesmente emocionados com Maria.
Conduz-nos a Jesus.
Se depois de rezar o Rosário desejamos conhecer mais Cristo, a oração produziu fruto.
Se depois de contemplar Nossa Senhora desejamos servir melhor, produziu fruto.
Se depois de celebrar suas festas crescemos em esperança, produziu fruto.
Maria sempre nos diz:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Servos da alegria
Para nós, Servos de Maria, esta invocação pode tornar-se também uma missão.
Somos chamados a estar junto às dores humanas.
Mas não para aumentar a tristeza.
Estamos junto às dores para servir à esperança.
Junto ao enfermo.
Junto ao idoso.
Junto ao pobre.
Junto ao migrante.
Junto ao jovem que procura seu caminho.
Junto a quem perdeu alguém.
Nossa presença deveria dizer silenciosamente:
“A dor existe, mas Deus não abandonou você.”
Uma pergunta para o coração
Diante desta invocação podemos perguntar:
Onde está a fonte da minha alegria?
No reconhecimento?
No sucesso?
Na função que exerço?
Na aprovação dos outros?
Tudo isso pode desaparecer.
Maria nos aponta para uma fonte que permanece:
“Meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.”
E podemos fazer outra pergunta:
As pessoas que convivem comigo encontram em mim alguma razão para esperar?
Oração
Causa da nossa alegria,
você acolheu Jesus
e o trouxe ao mundo.
Ensine-nos a procurar nele
a fonte verdadeira de nossa alegria.
Quando a rotina pesar,
recorde-nos a beleza de nossa vocação.
Quando as dificuldades nos desanimarem,
ensine-nos a cantar o Magnificat
mesmo antes de todas as respostas chegarem.
Quando encontrarmos pessoas feridas,
faça de nossa presença
um sinal de esperança.
Dê alegria aos nossos jovens,
serenidade aos nossos idosos
e gratidão às nossas comunidades.
Livre-nos de uma vida religiosa
marcada apenas por reclamações,
cansaço e obrigações.
Faça-nos recordar
que fomos chamados por amor
e enviados para servir.
A nós, Servos de Maria,
ensine a permanecer junto às dores
sem perder a esperança da Ressurreição.
Que, como você na casa de Isabel,
possamos levar Cristo conosco.
E que nossa presença ajude alguém
a reencontrar a alegria,
não porque tenhamos respostas para tudo,
mas porque conhecemos aquele
que permanece conosco em tudo.
Com você queremos cantar:
“Minha alma engrandece o Senhor
e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.”
Causa da nossa alegria, rogai por nós.
Para guardar no coração
Maria é Causa da nossa alegria porque nos traz Jesus. E quem acolhe Cristo descobre uma alegria capaz não de eliminar todas as dores, mas de atravessá-las com esperança.
Fontes
Sagrada Escritura, especialmente Lc 1,28.39-47; Lc 2,10-11; Jo 2,1-11; Jo 19,25-27.
São João Paulo II, Homilia na Paróquia romana de Santa Maria Causa Nostrae Laetitiae, 25 de fevereiro de 1996.
Papa Francisco, Mensagem para o Dia Mundial das Missões de 2014.
Pietro Ansalone, SJ, Le Litanie Lauretane, segunda edição, Nápoles, 1858 — obra inspiradora da série.
Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário: sua colaboração edificará tantas almas sedentas de Deus e nos fará cada vez mais servos uns dos outros.