Parte IV — Identidade servita, colaboração com a Ordem e conclusão
Por frei José M. Milanez, OSM
Turvo, janeiro de 2012
Nesta quarta e última parte do estudo de frei José M. Milanez, OSM, sobre os cinquenta anos da Província Brasileira, o autor recorda acontecimentos que marcaram a retomada da identidade servita: a publicação de obras de história e espiritualidade da Ordem, a difusão da devoção a São Peregrino, o surgimento das fraternidades da Ordem Secular, a colaboração dos frades brasileiros com o governo geral e outras jurisdições e, finalmente, apresenta uma proposta para o nome da Província.
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Outros aspectos e momentos importantes da Província nestes últimos anos
– Recuperação da nossa identidade servita, sobretudo através da tradução e publicação de várias obras de historia e espiritualidade da Ordem, como as Legendas (sobre a Origem da Ordem, de São Peregrino e São Filipe, dos beatos Joaquim e Francisco de Sena), livros litúrgicos (Liturgia das Horas OSM e Missal Próprio), devocionário (Livro de Oração), Biografia-Novena-Missa de São Peregrino, Biografia, Textos litúrgicos e Iconografia de Santo Antônio Maria Pucci, História dos Servos de Maria no Brasil, os primeiros dois volumes intitulados Fontes Histórico-Espirituais dos Servos de Maria. Ressalte-se também a difusão do culto a São Peregrino em nossas igrejas e na mídia.
– Em meados de 1988, o vice-provincial, frei João Messi, foi nomeado bispo auxiliar de Aracaju (SE), onde permaneceu até 1955, quando foi transferido para a diocese de Irecê (BA), e cinco anos depois para a diocese de Barra do Piraí-Volta Redonda (RJ). Hoje é bispo emérito.
– O capítulo provincial de 1991 decretou o fechamento da casa provincial da Rua Pierre Curie, em São Paulo²¹. A casa foi depois alugada e acabou sendo vendida em 2009. No mesmo ano de 1991 a cúria provincial foi transferida para o Rio de Janeiro.
– No mesmo ano de 1991, com a morte repentina do conselheiro geral, frei Marcos Aldrovandi, o conselho geral elegeu para substituí-lo nosso confrade frei José Milanez que, em agosto do mesmo ano, mudou-se para o convento de São Marcelo, em Roma, sede da cúria geral da Ordem.
– Ainda em 1991 foi inaugurado em São Paulo o atual prédio da Creche Nossa Senhora das Dores que foi mantida pela Ordem até 2008. Hoje sua gestão está a cargo de outra instituição e a Ordem recebe aluguel da Prefeitura Municipal.
> Nota da transcrição: o original traz literalmente “onde permaneceu até 1955” no trecho referente a frei João Messi. A data foi mantida nesta publicação para preservar a fidelidade ao documento original.
– De 1985 para cá, vinte e cinco frades chegaram à profissão solene e, a maioria, à ordenação²², oito saíram da Ordem²³ e sete voltaram para sua província de origem²⁴.
– Em 2005, a província fez uma tentativa de abertura de uma nova frente em um pequeno santuário situado em Florânia, na diocese de Caicó, Rio Grande do Norte. A experiência, iniciada em outubro de 2005, encerrou-se em dezembro de 2006. Não foi bem sucedida, talvez por não ter sido bem preparada através de consulta e conscientização dos frades e comunidades.
– No Capítulo Geral celebrado em Ariccia em 2007, foi a vez de frei Charlie Leitão de Souza ser eleito conselheiro geral. Por isso, ele também mudou-se para o convento de São Marcelo, em Roma, sede da cúria geral da Ordem.
– Em 2011 foi aberto o convento Sete Santos Fundadores, em Teresópolis, Rio de Janeiro, para ser sede do noviciado da província²⁵.
A Ordem Secular Servita
– Foi neste período que surgiram as primeiras fraternidades da Ordem Secular Servita, ligadas às nossas comunidades: em Curitiba, a Fraternidade Frei Egídio Muscini, fundada em 1989; em Turvo, a Fraternidade Nossa Senhora das Dores, fundada em 1991; em Rio Branco, a Fraternidade frei Antônio Venturoli, fundada em 2003; e em São José dos Campos, a Fraternidade São Peregrino, fundada em 2004.
Existe outra fraternidade, ligada à comunidade das Servas de Maria do Brasil de Jacarepaguá, Rio de Janeiro.
A colaboração da Província com a Ordem
– Registre-se também a colaboração prestada por nossa província à Ordem e a outras províncias. Além dos três conselheios gerais (frei André Ficarelli de 1971 a 1977; frei José Milanez, de 1991 a 1995; e frei Charlie Leitão de Souza (de 2007 a...), a província colaborou também com o governo central da Ordem: cedeu frei Dilermando Ramos Vieira para a Comunidade de Estudos da Faculdade Marianum e liberou frei Clodovis Boff para ministrar cursos na mesma Faculdade; cedeu frei Wílson da Silva Bruno como membro da comunidade de Monte Senário; cedeu frei João Carlos Ribeiro por um ano para ser vice-mestre do Noviciado da Conferência Europeia em Monte Senário e liberou frei Dionísio Mandaio por seis meses para prestar serviços na mesma comunidade.
A província colaborou também com a fundação moçambicana da Província Espanhola através dos serviços prestados em Moçambique no passado por frei Mário Nunes Cardiga e hoje por frei Joacir Borges.
Priores provinciais
– Governaram a província neste período os seguintes priores provinciais: freis José Milanez (1985-1987 / 1988-1990 / 1997-1999), Nivaldo Machado (1991-1993 / 1994-1996 / 2009-2011), Jorge Borges (2000-2002 / 2003-2005), Joacir Borges (2006-2008).
Frades falecidos
– Faleceram neste período os freis Dionísio Testi (†1986), Jerônimo Amigoni (†1990), Peregrino Carneiro de Lima (†1992), José Carneiro de Lima (†1996), Antônio Venturoli (†1997), Tiago Coccolini (†1999), Agostinho Poli (†2001), Francisco Carnimeo (†2004), João Palmieri (†2005), Mário Scuppa (†2007).
– Foram incorporados à província brasileira nestes anos os freis Cláudio Avallone (da Província do Piemonte e Romanha) e René Luis Pontel Torres (da Província Lombardo-Vêneta). Frei José Rodrigo Trejo León, que ficou vários anos em Sena Madureira, voltou definitivamente para a Província Mexicana no início de 2011.
Conclusão
Essas são algumas informações sobre a história dos cinquenta anos da nossa província, à qual queremos agora dar um nome.
Sugiro que se chame “Província Brasileira de São Peregrino”, também para resgatar o primeiro nome que os Servos de Maria deram à Prelazia do Alto Acre e Purus quando a receberam da Santa Sé e para valorizar a crescente difusão do culto a este santo da Ordem em nossas igrejas e comunidades.
Bibliografia
Esses da dados foram tirados principalmente destas fontes:
– JOSÉ M. MILANEZ, Os Servos de Maria no Brasil. Setenta Anos de História (1919-1979), in Studi Storici dell’Ordine dei Servi di Maria, vol. XL, fasc. I-II (53), Roma 1990, p. 155-172; o mesmo texto foi publicado como apêndice da edição em língua portuguesa do livro de VINCENZO BENASSI – ODIR J. DIAS – FAUSTINO M. FAUSTINI, Breve História da Ordem dos Servos de Maria, Roma, 1990, p. 263-290.
– DILERMANDO RAMOS VIEIRA, Os Servos de Maria no Brasil, trad. frei José M. Milanez, São José dos Campos 2009.
– Inter Nos. Boletim informativo dos Servos de Maria no Brasil.
Turvo, janeiro de 2012
frei José M. Milanez, osm
Notas
21. Cf. Inter Nos 199/1991, p. 28.
22. Gílson Pescador, Jorge Borges, Alécio Azevedo, João Carlos Ribeiro, Paulo Sérgio de Faria, Marcos Roberto Huk, Rinaldo Stecanela Oliveira, Mauro Sergio Ferreira da Cruz, Paulo Sergio Angeloni, Pedro Alves Pires (diácono), Gílson de Lima Freitas, Valdir Borges, Márcio Roberto Salvaro, César Candiotto, Charlie Leitão de Souza, Dilermando Ramos Vieira, Wílson da Silva Bruno, Antônio Eugênio Chemim, Carlos Paula de Moraes, José Rosa Alves, Pedro Lucietti, Agnaldo Costa dos Santos, Neivan Sasso, Oldair José Gonçalves, Fábio Luiz Ribeiro.
23. Gílson Pescador, Paulo Sérgio de Faria, Pedro Alves Pires, César Candiotto, Mauro Sérgio Ferreira da Cruz, Márcio Roberto Salvaro, Caio de Oliveira (extra-claustra), Neivan Sasso (extra-claustra).
24. João Ibatici, Aurélio Giangolini, Humberto Scalabrini, Bruno Reverberi, José Rodrigo Trejo León, Heitor Turrini e, recentemente, Cláudio Avallone.
25. Cf. Inter Nos 307/2011, p. 64-68.
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Fonte
MILANEZ, José M., OSM. Texto sobre os cinquenta anos da Província Brasileira dos Servos de Maria. Turvo, janeiro de 2012.
Com esta quarta parte, o Somos Servos conclui a publicação integral deste documento histórico de frei José M. Milanez, OSM.
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