Parte III — A Província de 1985 até hoje: Esforço de Retomada
Por frei José M. Milanez, OSM
Turvo, janeiro de 2012
Prosseguindo a publicação do estudo histórico de frei José M. Milanez, OSM sobre os cinquenta anos da Província Brasileira dos Servos de Maria, chegamos a 1985, ano decisivo para a reorganização da Província.
Depois das dificuldades descritas na parte anterior, o Capítulo Provincial de 1985 procurou restabelecer a unidade entre as comunidades do Sul e do Acre e estabeleceu como prioridades a Formação-Vocações e a Presença da Ordem no Acre. Começava um esforço de retomada que também levaria a uma experiência de colaboração entre as jurisdições servitas do Cone Sul.
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A Província de 1985 até hoje
Esforço de Retomada
Em janeiro de 1985 celebrou-se o capítulo provincial eletivo. Reunido em Turvo sob a presidência do prior geral, frei Michel Sincerny, que veio acompanhado do conselheiro geral, frei Clemente Payá, o capítulo começou num clima bastante tenso.
Fora eleito prior provincial frei Antônio Venturoli, que não aceitou o cargo, uma vez que boa parte dos eleitores votara em branco: ele tinha recebido apenas um terço dos votos. Havia divisão no interior da província.
O prior geral, frei Michel Sincerny, aceitou a renúncia do frei Antônio e, antes de proceder à nova eleição, resolveu ouvir um por um todos os frades, a fim de buscar uma solução de consenso.
Feito isso, passou-se à eleição, resultando eleito no último escrutínio frei José Milanez, com um voto apenas a mais que seu concorrente¹³. Depois, foi eleito o vice-provincial, frei João Messi, e os conselheiros. Superada essa fase, o capítulo prosseguiu normalmente.
No final, ouvidos os relatórios e as propostas da equipe de animação, o capítulo assumiu duas prioridades para o triênio seguinte: Formação-Vocações e Presença da Ordem no Acre.
Além disso, ouvido o parecer dos frades do Acre e do próprio prior geral, e devido à situação crítica do Vicariato, que ficara reduzido a poucos frades, o capítulo provincial tomou a seguinte resolução:
> “As comunidades do sul e do Acre formarão uma única Província, ficando suprimido o estatuto jurídico do Vicariato do Acre”¹⁴.
O Conselho Geral ratificou a decisão¹⁵.
O Prior Geral, frei Miguel Sincerny, comentou a decisão tomada com estas palavras:
> “Com a supressão da estrutura jurídica do Vicariato, o Capítulo Provincial fez um primeiro passo positivo. [...] Tratava-se de uma decisão urgente que tinha por objetivo promover maior atenção e simpatia, retomar o diálogo franco e melhorar a vida comunitária”¹⁶.
A reorganização da presença no Acre
Quando o novo conselho provincial sentou-se para compor as comunidades constatou que no Acre haviam sobrado poucos frades: em Xapuri, José Carneiro de Lima (prestes a sair extra-claustra) e Aurélio Giangolini (prestes a voltar para a Itália)¹⁷; em Rio Branco, Peregrino Carneiro de Lima e André Ficarelli; e em Sena Madureira, Paulino Baldassarri.
Haviam acabado de ir-se os freis Otávio Destro (pediu dispensa dos votos e laicização), Cláudio Avallone e Luciano Masetti (voltaram para a Itália).
No início, foram enviados três frades ao Acre: Mário Scuppa, João Palmieri e, meses depois, o recém-ordenado frei Gílson Pescador. Em 1986, chegou frei Humberto Scalabrini.
De maneira que as comunidades do Acre, a partir de 1986, já estavam um pouco melhor: freis André Ficarelli, Humberto Scalabrini e Peregrino Carneiro de Lima em Rio Branco; freis João Palmieri e Gílson Pescador em Xapuri; freis Paulino Baldassarri e Mário Scuppa em Sena Madureira.
Depois veio a traumática saída da Ordem do frei Gílson Pescador, e frei João Palmieri foi para Sena Madureira, ficando a paróquia de Xapuri aos cuidados das Servas de Maria Reparadoras, com a assistência periódica dos frades de Rio Branco. O convento de Xapuri acabou suprimido em janeiro de 1987 e a paróquia devolvida à diocese.
Em 1986 a Prelazia do Acre e Purus foi erigida em Diocese de Rio Branco, mas a província assumiu o compromisso de continuar sua presença na nova diocese com duas comunidades a serviço de duas paróquias: Rio Branco e Sena Madureira.
Animação vocacional e formação
Remediada em parte a situação das comunidades do Acre, agora reduzidas a duas, a província concentrou sua atenção na animação vocacional e formação.
Frei João Messi, animador vocacional, iniciou um trabalho paciente com candidatos que se apresentavam aqui e acolá, e frei Humberto Scalabrini fez os primeiros passos para atrair vocações acreanas.
Diversificou-se o trabalho de animação vocacional, de tal forma que, a partir de então, boa parte dos postulantes, noviços e professos provinham do Acre e de outras procedências e não mais apenas do seminário de Turvo.
Além disso, elaborou-se um Plano de Formação Inicial e passou-se a dar mais atenção à etapa do postulantado e pré-noviciado e aos encontros periódicos de formadores e formandos.
A colaboração entre as jurisdições do Cone Sul
Nesse mesmo período, foram iniciados os contatos com as outras jurisdições do Cone Sul (presença recíproca nos capítulos, visitas mútuas, reuniões, envio do primeiro professo — frei Valdir Borges — a Santiago do Chile, etc.), buscando encontrar caminhos de colaboração, principalmente no campo da formação inicial e permanente.
Em janeiro de 1990, com a celebração do primeiro capítulo regional, presidido pelo prior geral, frei Hubert Moons, acompanhado do prior provincial vêneto, frei Clemente Nadalet, iniciou-se o processo de integração das três jurisdições do Cone Sul: Província do Brasil, Vicariato Rioplatense e Vicariato do Chile-Bolívia.
Desde então até 2003 foram realizados cinco capítulos regionais, reuniões anuais conjuntas dos três conselhos, vários encontros de formadores, cursos de história e espiritualidade e outros encontros para formandos, reuniões de priores e párocos e encontros de formação permanente.
Foram abertas duas comunidades interjurisdicionais de formação: o noviciado de Fátima, na Argentina, e o professado de Peñalolén, em Santiago do Chile. Por elas passaram um bom número de frades nossos¹⁸.
📷 FOTO — inserir aqui
Primeiro Capítulo Regional — Fátima, Argentina, janeiro de 1990.
A fotografia histórica reproduzida no documento registra o primeiro Capítulo Regional, marco do processo de integração entre as jurisdições servitas do Cone Sul.
Entre outras vantagens dessa colaboração, hoje vários frades da nossa província falam mais ou menos bem o idioma espanhol. Lamentavelmente, tudo acabou, e algumas tentativas posteriores para reatar relações não surtiram efeito.
Em 2003, o capítulo provincial decidiu abrir um professado no Brasil¹⁹ e, com isso, deu-se por encerrada a experiência do professado interjuridicional de Peñalolén, em Santiago do Chile.
A partir daí nosso professado funcionou provisoriamente em Curitiba, mas, passados poucos anos, a província voltou a enviar seus professos-teólogos para a comunidade internacional de formação Santo Aleixo, de Roma, onde estão até hoje.
Em 2006 foi dissolvida também a comunidade do noviciado interjurisdicional de Fátima, Argentina²⁰.
Notas
13. Cf. Inter Nos 159/1985, p. 17.
14. J. MILANEZ, Vida Interna da Província, in Inter Nos — edição-extra, 164/1985, p. 6.
15. Cf. Acta Ordinis Servorum Beatae Mariae Virginis, 51, 194, Roma 1985, p. 91.
16. M. SINCERNY, Aos Confrades da Província do Brasil, in Inter Nos 165/1985, p. 7-8.
17. Note-se que frei Aurélio esteve duas vezes no Brasil: de 1968 a 1973, em Rio Branco, como pároco de Santa Inês; e de 1983 a 1985 em Xapuri.
18. Como formadores: Dionísio Mandaio, Mário Cardiga, René Luis Pontel, Valdir Borges, João Carlos Ribeiro, Joacir Borges e Paulo Sergio Angeloni. Como formandos: Rinaldo Stecanela Oliveira, Valdir Borges, Charlie Leitão de Souza, Dilermando Ramos Vieira, Wilson da Silva Bruno, José Rosa Alves, Carlos Paula de Moraes, Pedro Lucietti, Antônio Eugênio Chemim, Renã Barros de Lima, Agnaldo Costa dos Santos, Neivan Sasso e outros que saíram da Ordem.
19. Cf. Inter Nos 268/2003, p. 53.
20. Cf. Inter Nos 285/2006, p. 73.
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Fonte
MILANEZ, José M., OSM. Texto comemorativo dos cinquenta anos da Província Brasileira dos Servos de Maria. Turvo, janeiro de 2012.
Transcrição do documento histórico original. Publicação em partes pelo Somos Servos.
Continua — Parte IV: identidade servita, acontecimentos recentes, colaboração com a Ordem, conclusão e bibliografia.
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