Parte I — “Eis a Serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua Palavra”
Pietralba / Maria Weissenstein — 13 de setembro a 2 de outubro de 2013
Em setembro de 2013, os frades da Ordem dos Servos de Maria reuniram-se no convento de Pietralba / Maria Weissenstein, para a celebração do CCXIII Capítulo Geral da Ordem.
O Capítulo foi convocado sob a inspiração das palavras de Maria na Anunciação:
«“Eis a Serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).»
A escolha desse lema colocava diante dos Servos de Maria a figura da Virgem de Nazaré como modelo de escuta, disponibilidade e serviço. O Capítulo deveria constituir não somente um momento jurídico e administrativo da Ordem, mas também um intenso exercício de fraternidade e de revisão da fidelidade dos frades ao Evangelho e ao próprio carisma.
Um momento intenso de fraternidade
O Instrumentum Laboris, preparado para o Capítulo, apresenta a Ordem dos Servos de Maria como uma comunidade de homens reunidos em nome do Senhor e constantemente inspirados por Santa Maria.
Nessa perspectiva, o CCXIII Capítulo Geral deveria ser vivido como um “momento intenso de fraternidade” e como ocasião para rever o compromisso evangélico da Ordem.
O encontro de 2013 colocava-se em continuidade com o Capítulo Geral de 2007, cujo tema havia sido:
«“E, deixando tudo, seguiram-no” (Lc 5,11).»
O Capítulo de 2007 concentrara particularmente sua atenção na pobreza evangélica. O documento preparatório de 2013 recordava que a pobreza faz parte da história, da identidade e do carisma dos Servos de Maria e precisa ser vivida tanto pessoal quanto comunitariamente.
Essa fidelidade deveria tornar-se concreta por meio da comunhão dos bens, sobriedade, solidariedade e trabalho.
Identidade e carisma dos Servos de Maria
Entre as questões consideradas fundamentais para o futuro da Ordem estava o aprofundamento da própria identidade e do carisma servita.
O documento recordava as palavras de Jesus:
«“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,35).»
A partir delas, o Capítulo era chamado a enfrentar uma pergunta fundamental:
«E nós, frades Servos de Maria, por que somos reconhecidos?»
Não bastava possuir uma história secular, estruturas, conventos e instituições. Era necessário perguntar o que efetivamente identificava os Servos de Maria diante da Igreja e do mundo contemporâneo.
Maria, a Serva
A resposta começava pela própria identidade expressa no nome da Ordem.
Maria define-se diante do anúncio do anjo como “a Serva”.
Contemplando-a e escutando suas palavras, os Servos de Maria reconhecem-se nessa mesma condição de servos: homens chamados a acolher o projeto de Deus, colocando a seu serviço o coração, a inteligência e toda a existência.
Ser servo significa, portanto, ultrapassar uma vida centrada em si mesmo.
A vocação do Servo de Maria insere o frade numa realidade maior: a comunidade, a Igreja, a família humana e a própria criação.
Por isso, o serviço não pode ser entendido simplesmente como uma atividade realizada ocasionalmente. Ele pertence à identidade do frade.
Cristo é o Servo que veio não para ser servido, mas para servir. Maria é a Serva que responde ao chamado de Deus colocando-se inteiramente à disposição de sua Palavra.
O Servo de Maria encontra nesses dois modelos a medida de sua própria vocação.
O indivíduo e a comunidade
Outra questão importante apresentada à reflexão capitular dizia respeito à relação entre o desenvolvimento pessoal de cada frade e a construção da comunidade.
O problema surge quando o crescimento individual se transforma em finalidade fechada em si mesma e deixa de procurar o bem comum.
A tradição cristã oferece dois critérios fundamentais.
São Paulo ensina que os diferentes dons e carismas recebidos por cada pessoa são destinados à edificação de todos.
Santo Agostinho, por sua vez, recorda na Regra a necessidade de colocar as coisas comuns antes das próprias.
Para uma Ordem cuja tradição coloca a fraternidade entre os elementos essenciais de sua identidade, essa questão assumia particular importância.
A realização pessoal do frade não deveria acontecer à custa da comunidade. Ao contrário, os dons pessoais deveriam enriquecer a vida fraterna e contribuir para a missão comum.
Os pequenos e grandes “sim”
O lema do Capítulo conduzia novamente a Maria.
Seu “faça-se” não deveria permanecer apenas como uma frase contemplada no episódio da Anunciação. Tornava-se proposta concreta para a vida de cada Servo de Maria.
Também o frade é chamado a pronunciar, ao longo de sua existência, muitos pequenos e grandes “sim”.
São respostas dadas a Deus na vida comunitária, nos ministérios recebidos, na missão, nas mudanças de comunidade, no serviço aos irmãos e nas diferentes circunstâncias da vida religiosa.
Diante dessas exigências, o Servo não deveria deixar-se dominar pelo desânimo nem pelo medo de não estar à altura das responsabilidades recebidas.
O convite era permanecer firme no serviço:
a Deus, ao carisma, à comunidade e ao homem de hoje.
Um Capítulo voltado para o futuro
O Instrumentum Laboris havia sido elaborado a partir de uma ampla consulta realizada na Ordem e das relações apresentadas pelas diferentes jurisdições.
Por isso, as questões levadas ao Capítulo não eram apenas reflexões teóricas. Expressavam preocupações concretas dos frades sobre o presente e o futuro da Ordem.
Identidade, carisma, fraternidade, pobreza, obediência, serviço, formação e missão convergiam para uma pergunta essencial:
Como ser verdadeiramente Servos de Maria no mundo de hoje?
A resposta não poderia ser encontrada simplesmente em novas estruturas.
Era necessário voltar ao Evangelho, à inspiração dos primeiros Padres e, de modo especial, àquela que desde as origens ocupa um lugar singular na vida da Ordem: Santa Maria, Serva do Senhor.
Seu “sim” continuava indicando aos seus Servos o caminho:
«“Eis a Serva do Senhor: faça-se em mim segundo a tua Palavra.”»
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Fonte
Ordem dos Servos de Maria. Instrumentum Laboris — CCXIII Capítulo Geral da Ordem dos Servos de Maria. Pietralba / Maria Weissenstein, 2013.
Documento preparatório elaborado a partir da consulta realizada entre os frades e das relações apresentadas ao Capítulo Geral.
Continua — Parte II: o CCXIII Capítulo Geral em Pietralba, os trabalhos capitulares, as decisões e o novo governo da Ordem.
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