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15/09/2026

Frei Paulino M. Baldassarri, OSM — “É o amor à Nossa Senhora que nos ensina isso”

 

A espiritualidade mariana de um Servo de Maria que aprendeu a transformar devoção em serviço


Ao percorrermos as páginas de O prego e a medalha, de Frei Franco M. Azzalli, OSM, encontramos uma pequena frase de Frei Paulino M. Baldassarri que merece ser guardada.


Falando de seu compromisso com as pessoas e das iniciativas realizadas em favor das comunidades, Frei Paulino dizia:


“É o amor à Nossa Senhora que nos ensina isso.”


São poucas palavras, mas nelas podemos reconhecer algo essencial de sua identidade como Servo de Maria.


Amar Maria e servir seus filhos


Frei Paulino não separava espiritualidade e vida.


Sua devoção a Nossa Senhora não podia permanecer somente na oração ou nas práticas devocionais. O amor à Mãe de Jesus precisava transformar-se em atenção concreta às necessidades das pessoas.


Foi assim que viveu durante décadas na Amazônia.


Nas desobrigas, não se preocupava apenas com a celebração dos sacramentos. Levava catequese, medicamentos e orientação. Escutava as famílias. Visitava os enfermos. Procurava ajudar as comunidades a permanecerem em suas terras.


Quando percebeu que muitas famílias abandonavam o interior pela ausência de serviços essenciais, empenhou-se na construção de escolas.


Também incentivou cooperativas e associações destinadas à defesa dos direitos do povo.


É justamente nesse contexto que aparece sua afirmação:


“É o amor à Nossa Senhora que nos ensina isso.”


A frase revela uma espiritualidade profundamente concreta.


Maria ensina a servir.


Um Servo à escola de Maria


Para a tradição dos Servos de Maria, Maria não é somente objeto de devoção. Ela é presença inspiradora na vida do discípulo.


O Servo olha para Maria para aprender dela a permanecer junto de Cristo e junto daqueles pelos quais Cristo continua sofrendo.


Essa atitude ajuda a compreender a vida de Frei Paulino.


Ele foi enviado para uma região marcada pelas grandes distâncias, pela pobreza e pelo isolamento de numerosas comunidades. Poderia ter desenvolvido seu ministério permanecendo nos centros maiores e esperando que as pessoas viessem até ele.


Escolheu o caminho contrário.


Foi ao encontro delas.


Subiu rios.


Entrou na floresta.


Cavalgou durante horas.


Dormiu em redes.


Comeu com as famílias.


Escutou suas histórias.


Cuidou de seus enfermos.


Ensinou suas crianças.


Celebrou a fé.


Depois colocou novamente sua pequena bagagem no barco e continuou a viagem.


Há algo profundamente mariano nessa disponibilidade.


Maria também é apresentada pelo Evangelho como mulher que se põe a caminho. Depois de acolher a Palavra de Deus, vai ao encontro de Isabel (cf. Lc 1,39). Em Caná, percebe uma necessidade antes mesmo que lhe peçam alguma coisa (cf. Jo 2,1-11). E no Calvário permanece junto à Cruz do Filho (cf. Jo 19,25).


Acolher.


Perceber.


Aproximar-se.


Permanecer.


Servir.


Esses verbos ajudam também a compreender a missão de Frei Paulino.


Perto dos pobres


Uma carta sua, datada de 1º de setembro de 1997 e reproduzida em O prego e a medalha, permite perceber ainda melhor o fundamento de sua vida.


Nela, Frei Paulino pede oração para permanecer fiel à sua missão de pobreza e para estar sempre ao lado dos pobres, que, segundo ele, podiam ser esquecidos até mesmo nos ambientes religiosos e eclesiais.


Não era uma frase piedosa.


Era praticamente um programa de vida.


Sua pobreza pessoal dava credibilidade à sua proximidade com os pobres.


Quando morreu, o testemunho recolhido por Frei Franco recorda a extrema simplicidade de sua existência.


Frei Paulino não deixou grandes riquezas materiais.


Deixou algo diferente:


um povo que se lembrava de ter sido amado.


Maria junto às cruzes do povo


Para nós, Servos de Maria, essa experiência possui ainda outra dimensão.


A tradição da Ordem nos ensina a contemplar particularmente a presença da Mãe junto à Cruz.


Maria permanece.


Não pode retirar a dor do Filho, mas não o abandona.


Essa presença ajuda a compreender uma forma muito concreta de missão: nem sempre podemos eliminar imediatamente o sofrimento das pessoas, mas podemos decidir não deixá-las sozinhas.


Frei Paulino fez disso um modo de viver.


Estava perto do enfermo.


Da família pobre.


Da criança que precisava aprender.


Do ribeirinho isolado.


Do indígena que precisava ser defendido.


Da comunidade distante.


Da pessoa que precisava simplesmente ser escutada.


Seu apostolado parecia dizer continuamente:


“Estou aqui.”


Talvez seja justamente essa uma das formas mais belas de viver o carisma dos Servos de Maria.


Estar onde existem cruzes.


E permanecer.


Uma devoção que se torna missão


A frase de Frei Paulino continua, portanto, muito atual:


“É o amor à Nossa Senhora que nos ensina isso.”


Amar Nossa Senhora significa aprender com ela a reconhecer Cristo.


E reconhecer Cristo significa também encontrá-lo nos irmãos.


Por isso, a verdadeira devoção mariana nunca fecha o discípulo em si mesmo.


Ela o coloca a caminho.


Leva-o da oração ao serviço.


Do altar ao encontro.


Da contemplação à compaixão.


Da devoção à missão.


Frei Paulino percorreu esse caminho durante décadas pelos rios e florestas da Amazônia.


Servo de Maria por profissão religiosa, procurou tornar-se servo também na vida cotidiana.


E talvez esteja justamente aí uma das razões pelas quais sua memória permaneceu tão profundamente gravada no coração do povo.


O amor à Nossa Senhora lhe ensinou a amar os filhos dela.


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Fonte principal


AZZALLI, Frei Franco M., OSM. O prego e a medalha – Frei Paulino M. Baldassarri dos Servos de Maria (1926–2016). Traduzido do original italiano Il chiodo e la medaglia por Frei José M. Milanez, OSM. São José dos Campos, 2018.


Somos Servos — Memória, espiritualidade e testemunho da Ordem dos Servos de Maria

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