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15/09/2026

Frei Paulino M. Baldassarri, OSM — Da memória do povo à Causa de Beatificação


Da lembrança agradecida das comunidades amazônicas ao caminho oficial de discernimento da Igreja


Ao concluirmos nossa série dedicada a Frei Paulino M. Baldassarri, OSM (1926–2016), encontramos um novo capítulo de sua história.


Durante décadas, o missionário Servo de Maria percorreu rios e florestas da Amazônia, especialmente no Acre, colocando-se ao lado das comunidades mais pobres e isoladas.


Depois de sua morte, em 8 de abril de 2016, permaneceu algo que não podia ser encerrado num túmulo:


a memória de uma vida entregue.


Foi essa memória que Frei Franco M. Azzalli, OSM começou a recolher.


Dela nasceu o livro O prego e a medalha.


E, com o passar dos anos, aquela memória popular passou também a ser objeto do discernimento oficial da Igreja.


Primeiro, a memória do povo


O prego e a medalha possui uma característica importante.


Frei Franco esclarece desde o início que sua intenção não era apresentar uma biografia completa de Frei Paulino.


Queria sobretudo conservar aquilo que o povo dizia sobre ele.


As pessoas recordavam o missionário que chegava de barco.


O frade que dormia em redes.


O sacerdote que ensinava o catecismo.


O homem que distribuía medicamentos.


O religioso que ajudava na construção de escolas.


O defensor dos pobres.


O Servo de Maria que repetia:


“É o amor à Nossa Senhora que nos ensina isso.”


Assim, antes de existir um processo, existia uma memória.


Antes dos documentos oficiais, havia testemunhos.


Antes das investigações formais, havia um povo que continuava contando histórias sobre seu antigo missionário.


A Igreja começa a discernir


A estima popular por uma pessoa falecida não equivale, por si mesma, a uma declaração de santidade.


A Igreja procede com prudência.


Recordações precisam ser recolhidas.


Testemunhos são examinados.


Documentos são estudados.


A vida, as virtudes e a fama de santidade precisam ser investigadas segundo as normas próprias das Causas dos Santos.


É nesse horizonte que a memória de Frei Paulino passou do testemunho espontâneo do povo para um caminho formal de discernimento eclesial.


Atualmente, Frei Paulino é apresentado como Servo de Deus, e sua Causa de Beatificação e Canonização encontra-se em andamento.


Servo de Deus


O título Servo de Deus não significa que a Igreja já tenha declarado oficialmente que uma pessoa é santa ou beata.


É uma designação relacionada ao início do caminho canônico de uma Causa.


Por isso, quando falamos de Frei Paulino, é importante conservar a linguagem própria da Igreja.


Não antecipamos uma decisão que pertence à autoridade eclesial.


Rezamos.


Conhecemos sua vida.


Preservamos sua memória.


E aguardamos o discernimento da Igreja.


1926–2026: cem anos de seu nascimento


O ano de 2026 possui um significado especial.


Em 2 de abril, completaram-se cem anos do nascimento de Frei Paulino.


E em 8 de abril, dez anos de sua morte.


Sua terra natal, na região de Loiano, Itália, juntamente com a Igreja local e os Servos de Maria, promoveu diversas iniciativas para recordar sua vida e seu testemunho.


Não se trata simplesmente de recordar um personagem do passado.


Sua história continua interrogando o presente.


O que significa estar ao lado dos pobres?


Como anunciar o Evangelho em lugares esquecidos?


Como defender a dignidade das populações tradicionais?


Como cuidar da criação?


Como unir evangelização e promoção humana?


Frei Paulino procurou responder a essas perguntas não escrevendo grandes tratados, mas vivendo.


Uma vida que continua falando


Décadas antes de muitos temas se tornarem centrais no debate eclesial e social, Frei Paulino já vivia no coração da Amazônia questões que hoje reconhecemos imediatamente.


Defesa dos povos indígenas.


Preservação da floresta.


Educação.


Saúde.


Organização comunitária.


Dignidade dos pobres.


Evangelização das comunidades isoladas.


Mas seria insuficiente reduzi-lo a um ativista social.


Frei Paulino era antes de tudo religioso e missionário.


Sua ação nascia de sua fé.


Sua proximidade dos pobres estava ligada à sua compreensão do Evangelho.


E sua identidade de Servo de Maria acompanhou sua longa existência missionária.


“Ser pobre e estar sempre ao lado dos pobres”


Entre as palavras conservadas de Frei Paulino, uma passagem de uma carta de 1º de setembro de 1997 resume admiravelmente sua opção de vida.


Ele pedia orações para permanecer fiel à missão de ser pobre e permanecer ao lado dos pobres.


Essa frase adquire um significado ainda maior quando contemplamos toda a sua trajetória.


Não era um ideal para o futuro.


Era a descrição do caminho que já procurava percorrer.


Durante anos.


Durante décadas.


Até a velhice.


Até os últimos dias.


Frei Franco e a preservação dessa memória


Neste percurso, merece também ser reconhecido o trabalho de Frei Franco M. Azzalli, OSM.


Ao recolher os testemunhos que deram origem a O prego e a medalha, Frei Franco ajudou a impedir que muitas recordações desaparecessem com o passar do tempo.


O que inicialmente poderia parecer apenas um pequeno livro de homenagem revelou-se também um precioso testemunho da memória existente em torno de Frei Paulino.


Hoje, Frei Franco está igualmente ligado ao trabalho desenvolvido em torno da Causa.


Existe, portanto, uma bela continuidade:


escutar o povo, conservar a memória, reunir os testemunhos, estudar a vida e permitir que a Igreja faça seu discernimento.


Da Amazônia para a Igreja


Frei Paulino nasceu na Itália.


Tornou-se Servo de Maria.


Foi enviado como missionário.


E encontrou na Amazônia brasileira o lugar de sua entrega.


Ali permaneceu por mais de sessenta anos.


Sua vida acabou unindo dois mundos geograficamente distantes:


Loiano e Sena Madureira.


A montanha italiana de onde partiu e os rios amazônicos onde viveu.


Hoje esses dois lugares encontram-se novamente unidos pela memória do mesmo missionário.


A última palavra permanece com a Igreja


Ao falar da Causa de Beatificação de Frei Paulino, o Somos Servos deseja conservar uma atitude de respeito e comunhão eclesial.


Não pretendemos antecipar qualquer pronunciamento.


Apresentamos sua história.


Conservamos sua memória.


Divulgamos seu testemunho.


E acompanhamos com oração o caminho da Causa.


Se um dia a Igreja reconhecer oficialmente a heroicidade de suas virtudes e, posteriormente, os demais elementos requeridos para uma beatificação, receberemos esse discernimento com alegria.


Enquanto isso, uma coisa já podemos fazer:


deixar que sua vida nos interrogue.


Frei Paulino atravessou rios para chegar às pessoas.


E nós: quais distâncias estamos dispostos a atravessar para encontrar nossos irmãos?


Ele permaneceu junto aos pobres.


E nós: de quem estamos nos aproximando?


Ele dizia que o amor a Nossa Senhora lhe ensinava a servir.


E nós, Servos e Servas de Maria: o que estamos aprendendo de nossa Mãe?


Talvez seja essa a melhor maneira de concluir esta série.


Não apenas olhando para Frei Paulino.


Mas permitindo que seu testemunho nos coloque novamente a caminho.


Servo de Deus Frei Paulino M. Baldassarri, OSM (1926–2016).


Uma vida entre Maria, os pobres e a Amazônia.


---


Fonte principal da série


AZZALLI, Frei Franco M., OSM. O prego e a medalha – Frei Paulino M. Baldassarri dos Servos de Maria (1926–2016). Traduzido do original italiano Il chiodo e la medaglia por Frei José M. Milanez, OSM. São José dos Campos, 2018.


Atualização histórica


Em 2026, no centenário do nascimento e décimo aniversário da morte de Frei Paulino, celebrações e iniciativas foram realizadas na região de Loiano e em Bolonha para recordar o missionário e acompanhar o caminho de sua Causa de Beatificação e Canonização.


Somos Servos — Memória, espiritualidade e testemunho da Ordem dos Servos de Maria

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