Até alcançarmos a perfeita estatura de Cristo
A partir do estudo de Frei Piergiorgio M. De Domenico, OSM
Formar um Servo de Maria não significa simplesmente prepará-lo para exercer determinadas funções.
Não significa apenas transmitir conhecimentos, ensinar normas, preparar para um ministério ou conduzir alguém até a profissão religiosa.
As Constituições apresentam a formação de maneira muito mais profunda.
Ela é:
“caminho para a santidade”.
E possui um horizonte:
“chegar à perfeita estatura de Cristo”.
Por isso, a formação nunca termina.
Acompanha o Servo de Maria durante toda a sua vida.
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1. FORMAR-SE NUMA FRATERNIDADE APOSTÓLICA
Frei Piergiorgio começa por uma afirmação fundamental das Constituições.
A formação acontece:
“em uma fraternidade apostólica segundo o espírito de nossa Ordem”.
Isso significa que ninguém se forma sozinho.
A comunidade não é apenas o lugar onde o formando reside enquanto recebe sua preparação.
A própria fraternidade é formativa.
As Constituições recordam a comunidade apostólica:
oração;
escuta da Palavra;
fração do Pão eucarístico;
partilha do pão conquistado pelo trabalho;
caridade;
estima recíproca;
comunhão dos bens;
comunhão das aspirações;
comunhão das atividades.
É nesse ambiente que se forma o Servo de Maria.
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2. LIBERTAR-SE DO EGOÍSMO
A vida comunitária possui uma função profundamente educativa.
Ela conduz progressivamente a pessoa para fora de si mesma.
O frade aprende que sua vida não gira apenas ao redor:
de suas necessidades;
de seus horários;
de suas preferências;
de seus projetos;
de suas opiniões.
Forma-se para uma:
“obediência responsável e ativa”.
Isso significa aprender a compreender as necessidades da comunidade e colocar a seu serviço:
energias;
capacidades;
tempo;
trabalho.
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3. OBEDIÊNCIA E DIÁLOGO
Essa obediência não é passividade.
As Constituições a colocam dentro de um:
“diálogo fraterno e aberto”.
Por isso, desde o noviciado, o frade precisa aprender a importância de um diálogo:
sincero;
aberto;
capaz de favorecer a compreensão;
capaz de remover aquilo que impede a comunhão.
Frei Piergiorgio destaca uma formulação constitucional particularmente importante:
é preciso adquirir uma verdadeira capacidade de diálogo para:
“saber escutar, compreender e agir”.
A ordem é significativa.
Primeiro:
escutar.
Depois:
compreender.
Somente então:
agir.
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4. A COMUNIDADE NÃO APAGA A PESSOA
A vida comum não deve mortificar a individualidade.
Ao contrário.
Segundo as Constituições, ela deve promover:
“os dons pessoais e as capacidades de cada um”.
Cada irmão possui dons.
Uma história.
Uma personalidade.
Possibilidades.
Limites.
A formação não procura fabricar pessoas iguais.
Procura ajudar cada frade a colocar aquilo que é a serviço da fraternidade e da missão.
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5. ACEITAR A VERDADE DE SI MESMO
Aqui aparece um dos elementos mais profundos do estudo.
Cada irmão é chamado a buscar aquilo que existe em si mesmo em sua relação:
com Deus;
consigo;
com os outros.
E precisa:
“aceitar a verdade de seu ser, com suas possibilidades e seus limites”.
Não existe formação verdadeira sem autoconhecimento.
O frade precisa conhecer:
suas forças;
suas fragilidades;
suas capacidades;
seus limites;
seus afetos;
suas motivações.
Não para permanecer fechado sobre si mesmo.
Mas para tornar-se livre.
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6. SOLIDÃO, SILÊNCIO E INTERIORIDADE
Frei Piergiorgio relaciona essa descoberta de si à tradição agostiniana da interioridade.
Desde o início da formação, considera fundamental aprender também:
a permanecer consigo mesmo na solidão e no silêncio.
A cela possui, nesse sentido, valor espiritual.
No silêncio, o frade aprende:
a conhecer-se;
a libertar-se do egoísmo;
a encontrar Deus;
a adquirir uma atitude de amor diante das criaturas.
A interioridade não é isolamento.
É caminho para a liberdade de amar.
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7. AMIZADE FRATERNA
O ambiente dessa formação deve ser marcado por aquilo que as Constituições chamam de:
“amizade fraterna”.
Uma comunidade pode cumprir todos os horários e permanecer fria.
Pode funcionar corretamente e não possuir verdadeira amizade.
Para Santo Agostinho, recorda Frei Piergiorgio, seria inconcebível uma busca religiosa privada dessa dimensão profundamente humana.
A amizade introduz na comunidade:
abertura;
confiança;
liberdade;
afeição.
Sem isso, a vida comum corre o risco de tornar-se:
fria e muda.
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8. OS PRIMEIROS PAIS: FORMADOS PELA AMIZADE
A Legenda de Origine oferece uma imagem muito bela.
Foi a amizade que inspirou nossos primeiros Padres a abandonar as coisas terrenas e os ajudou a permanecer firmes em seu propósito.
Essa amizade levou-os a desejar:
viver juntos.
Não apenas numa unidade espiritual abstrata.
Mas numa unidade:
de vida concreta.
Sustentando-se mutuamente:
com bons exemplos;
com palavras;
com obras.
A amizade, portanto, pertence à própria memória carismática da Ordem.
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9. FORMAR PARA AMAR
A formação deve conduzir a uma compreensão correta do amor cristão.
Isso inclui uma avaliação positiva das necessidades afetivas.
O frade não é chamado a tornar-se afetivamente indiferente.
É chamado a amadurecer sua capacidade de amar.
As Constituições falam de:
“profundas amizades”
capazes de enriquecer a personalidade e conduzir à perfeição da caridade.
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10. ESTUDAR DURANTE TODA A VIDA
Outro eixo fundamental do texto é o estudo.
Frei Piergiorgio recorda uma afirmação muito clara das Constituições:
“a aplicação constante ao estudo” é um meio indispensável para a formação integral.
O estudo não pertence somente aos anos de formação inicial.
Também não se reduz à obtenção:
de diplomas;
títulos;
habilitações profissionais.
O Servo de Maria continua formando-se intelectualmente durante toda a vida.
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11. FALAR A LINGUAGEM DOS HOMENS DO NOSSO TEMPO
As Constituições oferecem uma finalidade extraordinariamente atual para o estudo.
O frade precisa tornar-se capaz de:
“falar a linguagem dos homens do seu tempo”.
Isso exige abertura:
às culturas;
às correntes de pensamento;
às religiões;
às experiências humanas;
ao ambiente onde a missão acontece.
Não estudamos para nos separar das pessoas.
Estudamos para:
compreendê-las melhor e servi-las melhor.
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12. TEOLOGIA, CULTURA E HISTÓRIA DA ORDEM
Frei Piergiorgio destaca três dimensões.
Formação teológica
Cada frade, conforme suas capacidades, precisa possuir adequada formação teológica.
Formação cultural
Seu desenvolvimento intelectual, cultural e técnico-científico deve permitir-lhe dialogar verdadeiramente com os contemporâneos.
Conhecimento da Ordem
Conhecer a história dos Servos de Maria:
fortalece a vocação;
favorece a inserção na Ordem;
torna consciente a identidade religiosa;
permite transmitir os valores espirituais da Família Servita.
Conhecer nossas raízes não significa viver voltados para trás.
Significa saber:
quem somos para compreender como servir hoje.
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13. ESTUDAR COMO MARIA ESCUTAVA
O estudo recebe ainda uma inspiração mariana.
Maria:
guardava no coração palavras e acontecimentos.
Assim também o Servo é chamado a unir:
estudo;
Palavra de Deus;
realidade;
discernimento.
A finalidade não é acumular informações.
É aprender a reconhecer os:
sinais dos tempos.
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II. AS RAÍZES BÍBLICAS DA FORMAÇÃO
Frei Piergiorgio identifica algumas passagens bíblicas fundamentais para compreender o caminho formativo servita.
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14. UM SÓ CORAÇÃO E UMA SÓ ALMA
A primeira é Atos 4,32-35.
A comunidade apostólica possuía:
“um só coração e uma só alma”.
Esse texto encontra-se também na raiz da Regra de Santo Agostinho.
Mas Frei Piergiorgio recorda a leitura agostiniana:
“uma só alma e um só coração orientados para Deus”.
A unidade não significa simplesmente convivência tranquila.
É tensão comum:
para Deus.
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15. O CALOR DO CORAÇÃO
A interpretação agostiniana coloca particular ênfase no coração.
Uma comunidade precisa possuir:
calor humano.
Sem humanidade, a vida fraterna perde sua capacidade de atrair.
Formar para a fraternidade significa, portanto, formar também para:
gentileza;
proximidade;
amizade;
afeição;
cuidado.
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16. CRISTO SERVO
O segundo grande texto é Marcos 10,45:
“O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a própria vida.”
Frei Piergiorgio chama atenção para algo importante.
Servir significa:
dar a vida.
Portanto, a formação do Servo de Maria é:
“um esforço contínuo para conformar-se a Cristo, que veio para servir e dar a vida pelos homens”.
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17. FORMAR-SE PARA LAVAR OS PÉS
No momento da entrega, Jesus realiza um gesto desconcertante:
lava os pés dos discípulos.
As Constituições não citam explicitamente essa cena, observa Frei Piergiorgio, mas seu eco aparece por toda parte.
O artigo 14 afirma:
“Servimo-nos fraternamente uns aos outros à imitação de Cristo.”
Aqui existe uma imagem extraordinariamente concreta da formação.
Formar um Servo significa formar alguém disposto a:
lavar os pés.
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18. LAVAR OS PÉS HOJE
Esse gesto acontece quando aprendemos:
a estimar;
a perdoar;
a compreender;
a ajudar;
a carregar os pesos;
a perceber as necessidades.
Uma comunidade servita deveria poder perguntar:
Sabemos lavar os pés uns dos outros?
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19. “APRENDEI DE MIM”
Frei Piergiorgio recupera então uma fonte muito antiga da Ordem.
Nas Constitutiones antiquae, redigidas por volta de 1295, encontra-se uma citação evangélica que deveria acompanhar o mestre dos noviços:
“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.”
O mestre deveria ensinar aos jovens:
a humildade do coração e do corpo.
Essa palavra marca, segundo o autor:
o início e o término da formação do Servo de Santa Maria.
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20. CONTRA O PROTAGONISMO
Aqui a consequência é direta.
O Servo da:
“humilde Serva do Senhor”
não pode organizar sua existência em torno:
do protagonismo;
do sucesso pessoal;
da busca de prestígio;
do desejo de sobressair às custas dos outros.
Sua alegria deve ser:
estar entre os irmãos;
amar;
estimar;
carregar os pesos uns dos outros.
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21. A PERFEITA ESTATURA DE CRISTO
Finalmente, Frei Piergiorgio destaca Efésios 4,13.
Essa passagem aparece repetidamente nas Constituições.
O horizonte é:
“chegar à perfeita estatura de Cristo”.
O prior ajuda os irmãos nessa direção.
O frade conduz o povo nessa direção.
Os princípios da formação acompanham o irmão durante toda a vida nessa direção.
E o epílogo das Constituições retorna à mesma imagem.
Cristo é:
a medida da formação.
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III. A FORMAÇÃO À LUZ DA IGREJA
Frei Piergiorgio confronta então as Constituições com o Magistério contemporâneo sobre a vida consagrada.
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22. ASSUMIR A FORMA DE CRISTO
A vida consagrada procura reproduzir, tanto quanto possível:
a forma de vida assumida pelo Filho de Deus.
Formação é, portanto:
conformação.
Não simplesmente aprender sobre Cristo.
Mas deixar que Cristo dê progressivamente:
forma à nossa existência.
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23. UMA EXISTÊNCIA TRANSFIGURADA
A vida consagrada é chamada a tornar visível aquilo que Deus pode realizar na fragilidade humana.
Mais do que pelas palavras, isso acontece mediante:
uma existência transformada.
A formação não pode limitar-se ao conhecimento.
Precisa alcançar:
hábitos;
afetos;
relações;
escolhas;
uso dos bens;
maneira de servir;
maneira de exercer autoridade.
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24. A COMUNIDADE COMO “SCHOLA AMORIS”
Frei Piergiorgio utiliza uma expressão importante do Magistério:
a comunidade é uma schola amoris — escola de amor.
Nela aprendemos a amar irmãos reais.
Não irmãos imaginários.
Pessoas com:
fraquezas;
feridas;
problemas;
limitações.
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25. A COMUNIDADE IDEAL NÃO EXISTE
Essa afirmação merece ser escutada.
A comunidade ideal não existe.
Santo Agostinho sabia disso.
A Regra não foi escrita para uma comunidade de perfeitos.
A fraternidade é também comunidade:
de frágeis;
feridos;
vulneráveis.
Nela, ajudamo-nos mutuamente a curar-nos no amor de Cristo.
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26. SEMPRE É TEMPO DE CONSTRUIR FRATERNIDADE
Desde a formação inicial, é preciso compreender:
sempre é tempo de construir fraternidade.
Os conflitos não podem ser completamente evitados.
Mas podemos aprender:
a enfrentá-los;
a perdoar;
a reconciliar;
a servir.
Para os Servos, recordam as Constituições, a penitência consiste especialmente:
na caridade entendida como serviço recíproco e na experiência da vida comunitária vivida com sincero e generoso compromisso.
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27. OS VOTOS COMO TESTEMUNHO
Castidade, pobreza e obediência não possuem apenas dimensão ascética individual.
Elas dizem algo ao mundo.
Castidade
Mostra que o amor pode tornar-se verdadeiro dom de si.
Pobreza
Contesta a idolatria da posse e testemunha:
sobriedade;
partilha;
liberdade;
solidariedade.
Obediência
Mostra que verdadeira liberdade e obediência à vontade de Deus não são contraditórias.
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28. UMA “TERAPIA ESPIRITUAL” PARA A HUMANIDADE
A vida consagrada, quando coerente com o Evangelho, torna-se uma espécie de:
“terapia espiritual” para a humanidade.
Não porque os religiosos sejam superiores.
Mas porque uma existência livre dos ídolos pode recordar que existe outra maneira de viver.
Os primeiros Padres deixaram a cidade e foram ao monte não para desprezar o mundo.
Segundo a Legenda de Origine, fizeram-no:
“para edificar o povo”
e para:
“despertar o mundo”.
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29. OS JOVENS QUEREM VER ALGO DIFERENTE
Frei Piergiorgio recupera uma afirmação particularmente provocadora de Vita consecrata:
“Os jovens não se deixam enganar.”
Quando se aproximam da vida consagrada, querem encontrar:
aquilo que não encontram em outro lugar.
Isso coloca uma pergunta formativa decisiva:
Nossa vida oferece realmente alguma novidade evangélica?
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30. ESTUDO COMO RENOVAÇÃO
O autor volta ao estudo.
O compromisso intelectual não pode diminuir.
A falta de estudo pode produzir:
superficialidade;
improvisação;
sentimento de inferioridade cultural;
fragilidade apostólica.
Estudar é também:
dialogar;
discernir;
contemplar;
buscar Deus na complexidade do mundo contemporâneo.
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IV. A METODOLOGIA DO SERVIÇO APOSTÓLICO
Como deve servir alguém formado segundo o carisma dos Servos?
Frei Piergiorgio responde a partir da própria fraternidade.
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31. O APOSTOLADO RECEBE A FORMA DA FRATERNIDADE
As Constituições afirmam que quem vive verdadeiramente a fraternidade compreende sua influência sobre o apostolado.
Aprende:
colaboração;
flexibilidade;
criatividade.
Aquilo que caracteriza nossa vida comum deve caracterizar também nossa missão.
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32. CONSTRUTORES, NÃO CONSUMIDORES
Aqui encontramos uma das expressões mais importantes do estudo.
Desde o início é preciso formar:
“construtores e não apenas consumidores de comunidade”.
O consumidor pergunta:
O que a comunidade me oferece?
O construtor pergunta:
O que posso oferecer para que esta comunidade cresça?
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33. AJUDAR E SER AJUDADO
Construir comunidade significa aprender:
a ajudar;
a ser ajudado;
a substituir;
a ser substituído;
a oferecer dons;
a receber os dons dos outros.
A maturidade não consiste em não precisar de ninguém.
Consiste também em saber:
receber.
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34. SEM PRESTÍGIO NEM PRIVILÉGIO
O serviço apostólico do Servo deve acontecer:
“na simplicidade evangélica, evitando a busca de prestígio e privilégio”.
Isso toca diretamente nossas motivações.
Podemos servir e, secretamente, procurar:
reconhecimento;
posição;
poder;
visibilidade.
A formação precisa purificar essas motivações.
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35. O APOSTOLADO COMEÇA PELA ESCUTA
Frei Piergiorgio insiste especialmente neste ponto.
O apostolado não consiste apenas em:
fazer;
celebrar;
confessar;
falar;
pregar;
ensinar.
Antes disso existe:
escutar.
Escutar a Palavra.
Escutar o irmão.
Escutar as pessoas.
Escutar a realidade.
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36. MARIA NO MEIO DA COMUNIDADE
Aqui aparece novamente Nossa Senhora.
No Cenáculo, Maria está:
entre os Apóstolos;
entre as mulheres;
entre os irmãos de Jesus.
Frei Piergiorgio observa que ela não aparece ali desempenhando uma função específica.
Sua missão é também:
presença silenciosa e acolhedora.
Essa presença ensina algo decisivo para nosso apostolado.
Nem todo serviço precisa ser protagonismo.
Às vezes, servir significa:
estar.
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37. SENTAR-SE E ESCUTAR
O texto recupera de Fratelli tutti a imagem de:
sentar-se para escutar o outro.
Num mundo acelerado, frequentemente começamos a responder antes que a outra pessoa termine de falar.
A formação servita precisa contrariar essa cultura da surdez.
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38. ACOLHER ESPECIALMENTE OS HUMILDES
As Constituições são muito concretas:
os frades devem acolher todos,
“especialmente os mais humildes, escutando-os com fraterna participação”.
A capacidade de escutar não é acessória.
É expressão do amor de Cristo.
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39. UMA FORMAÇÃO PERSONALIZADA
Frei Piergiorgio recorda também que formação eficaz não pode ser simplesmente:
uma proposta igual para todos.
A pessoa precisa ser acompanhada concretamente.
Formador e formando caminham:
lado a lado.
Em:
confiança;
esperança;
diálogo.
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V. FRATERNIDADE: ANÚNCIO SEM PALAVRAS
A última grande parte do estudo leva-nos novamente à comunidade.
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40. NOSSO ANÚNCIO É VIDA
Frei Piergiorgio afirma:
“Nosso anúncio não necessita de palavras: quer ser anúncio de vida.”
As Constituições apresentam os Servos como comunidade enviada a prolongar na história:
a presença ativa da Mãe de Jesus.
E a estender sua fraternidade aos homens e mulheres de hoje.
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41. ESTENDER A FRATERNIDADE
O mundo está dividido:
por idade;
nação;
raça;
religião;
riqueza;
educação.
A Ordem, como comunidade de irmãos em Cristo, é enviada a:
estender sua fraternidade.
A fraternidade vivida dentro da casa precisa irradiar-se.
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42. A BELEZA DE VIVER COMO IRMÃOS
Frei Piergiorgio chega a uma síntese muito forte:
a beleza de viver fraternalmente juntos é o anúncio mais credível do Evangelho.
A comunhão fraterna já é:
apostolado.
Jesus deixou como sinal:
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
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43. VOCAÇÕES: MOSTRAR A ALEGRIA DA FRATERNIDADE
Isso possui consequência direta para a pastoral vocacional.
Aos jovens devemos transmitir:
o sentido da fraternidade e da alegria cristã que nasce de nossa vida.
Não basta falar sobre vocação.
É preciso mostrar:
irmãos que cuidam uns dos outros;
que se encorajam;
que se acompanham;
que gostam de viver juntos.
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44. UMA FAMÍLIA MAIOR
A fraternidade servita não termina nos frades.
As Constituições recordam:
religiosas;
Institutos Seculares;
Ordem Secular;
grupos leigos;
outras expressões da Família Servita.
Todos participam, de modos diferentes, do mesmo ideal.
O desafio é aprofundar uma comunhão:
mais envolvente;
mais concreta;
mais solidária.
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45. UMA FRATERNIDADE INTERCULTURAL
Hoje existe ainda outro desafio.
Comunidades e famílias religiosas tornam-se cada vez mais internacionais.
Por isso, a Família Servita pode tornar-se:
laboratório de hospitalidade solidária.
Culturas diferentes não precisam ser apagadas.
Precisam encontrar-se.
O objetivo não é uniformidade cultural.
É:
conversão comum ao Evangelho.
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VI. DUAS VERIFICAÇÕES PARA NOSSAS COMUNIDADES
Frei Piergiorgio encerra o estudo propondo duas pistas concretas de verificação.
É significativo que, depois de falar longamente sobre formação, ele não termine examinando currículos ou programas.
Termina examinando:
comunicação
e
pobreza.
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46. PRIMEIRA VERIFICAÇÃO: COMUNICAMOS PARA CRESCER JUNTOS?
Somos irmãos reunidos em comunidade.
Mas para sermos verdadeiramente irmãos precisamos:
conhecer-nos.
Isso exige assumir todos os dias:
a dificuldade;
e a alegria
de:
“comunicar para crescer juntos”.
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47. NÃO APENAS ASSUNTOS SUPERFICIAIS
Uma comunidade pode conversar muito e comunicar pouco.
Podemos falar sobre:
horários;
trabalho;
notícias;
problemas administrativos;
assuntos externos.
E raramente compartilhar:
fé;
vocação;
esperanças;
fragilidades;
experiência espiritual.
Frei Piergiorgio alerta para o perigo de uma comunicação comunitária reduzida a assuntos marginais.
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48. PARTILHAR OS BENS DO ESPÍRITO
A verdadeira comunhão nasce também quando colocamos em comum:
os dons do Espírito.
Aquilo que Deus realiza em mim não pertence apenas a mim.
Pode tornar-se dom para meus irmãos.
Quanto mais central e vital é aquilo que compartilhamos, mais profundo pode tornar-se o vínculo fraterno.
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49. OS LUGARES DA COMUNICAÇÃO
As Constituições indicam espaços concretos:
o Capítulo;
a mesa comum;
o encontro cotidiano;
a convivência entre diferentes idades e personalidades.
Até as tensões inevitáveis podem tornar-se:
ocasiões de enriquecimento recíproco.
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50. E NOSSOS MEIOS DIGITAIS?
Frei Piergiorgio inclui ainda uma questão muito atual.
Os meios de comunicação condicionam a comunicação interna das comunidades.
Por isso, seu uso precisa tornar-se objeto de:
formação;
discernimento;
verificação;
programação comunitária.
Podemos estar todos na mesma sala e, ao mesmo tempo, cada um completamente ausente no próprio dispositivo.
A pergunta permanece:
nossos meios de comunicação estão favorecendo ou empobrecendo nossa comunicação fraterna?
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51. SEGUNDA VERIFICAÇÃO: NOSSA POBREZA É VISÍVEL?
A segunda pista conclusiva é a pobreza.
As Constituições indicam três sinais:
trabalho;
comunhão dos bens;
modesto teor de vida.
Não basta professar pobreza.
Ela precisa adquirir forma concreta.
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52. O TRABALHO
Com o trabalho cotidiano participamos da condição comum da humanidade.
Frei Piergiorgio recorda inclusive o valor do trabalho manual:
formativo;
fraterno;
expressão de pobreza;
meio para compreender as condições de vida da maioria das pessoas.
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53. COMUNHÃO DOS BENS
A pobreza não é simplesmente possuir pouco individualmente.
Existe também:
comunhão.
Aquilo que recebemos e aquilo que produzimos entra numa lógica de partilha.
Isso liberta interiormente e educa contra a apropriação.
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54. UM MODESTO TEOR DE VIDA
As Constituições pedem um estilo simples.
A sobriedade aproxima-nos daqueles que servimos.
Num mundo marcado pelo consumo, essa simplicidade pode tornar-se:
testemunho profético.
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55. POBREZA QUE ABRE ÀS NECESSIDADES HUMANAS
Para o Servo, pobreza significa chegar a:
“abrir a si mesmo e os outros a todas as necessidades humanas”.
Por isso, a comunidade:
privilegia os pobres e necessitados;
promove a justiça;
pratica hospitalidade;
partilha.
A pobreza evangélica abre os olhos.
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56. SANTIDADE E JUSTIÇA NÃO PODEM SER SEPARADAS
Frei Piergiorgio encerra citando Gaudete et exsultate.
Existe um perigo duplo.
De um lado:
transformar o cristianismo apenas em ação social, desligada da relação com Deus.
De outro:
pretender uma espiritualidade que ignora a injustiça e o sofrimento humano.
As duas dimensões pertencem uma à outra.
O amor de Deus conduz ao irmão.
E o irmão necessitado remete-nos novamente a Deus.
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57. O ESTRANGEIRO, O POBRE E O HÓSPEDE
A santidade não pode ignorar:
o pobre;
o migrante;
o estrangeiro;
o abandonado;
o enfermo;
o idoso;
as vítimas de exploração;
aqueles que são descartados.
A formação do Servo precisa criar uma sensibilidade capaz de reconhecer:
Cristo naquele que necessita ser acolhido.
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CONCLUSÃO — FORMAR CRISTO EM NÓS
Depois de percorrer o estudo de Frei Piergiorgio M. De Domenico, podemos compreender melhor o que significa formar um Servo de Maria.
Não basta formar:
um bom administrador;
um bom pregador;
um bom liturgista;
um bom estudante;
um bom agente pastoral.
Todas essas capacidades podem ser importantes.
Mas o horizonte é maior:
A PERFEITA ESTATURA DE CRISTO.
A formação acontece quando aprendemos:
a conhecer e aceitar a verdade de nós mesmos;
a permanecer em silêncio;
a cultivar amizades profundas;
a dialogar;
a escutar antes de agir;
a estudar durante toda a vida;
a lavar os pés;
a servir sem procurar prestígio;
a construir comunidade;
a acolher culturas diferentes;
a partilhar os bens do Espírito;
a viver sobriamente;
a aproximar-nos dos pobres;
a fazer de nossa própria existência um anúncio.
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CONSTRUTORES, NÃO CONSUMIDORES
Talvez essa expressão sintetize grande parte do estudo.
Não somos chamados a consumir:
comunidade;
formação;
Igreja;
Ordem;
apostolado.
Somos chamados a:
construir.
Construir a própria pessoa.
Construir fraternidade.
Construir comunhão.
Construir pontes.
Construir uma cultura de escuta.
Construir justiça.
Construir esperança.
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E APRENDER A LAVAR OS PÉS
Mas existe uma imagem ainda mais simples.
Jesus ajoelha-se.
Toma a água.
Toma a toalha.
Lava os pés dos discípulos.
Depois diz:
“Dei-vos o exemplo para que, como eu fiz, também vós façais.”
Talvez toda formação servita possa ser examinada diante dessa cena.
Depois de tantos anos de formação:
sabemos lavar os pés?
Sabemos servir?
Sabemos escutar?
Sabemos pedir perdão?
Sabemos deixar que outro nos ajude?
Sabemos desaparecer para que o irmão cresça?
Sabemos dar a vida?
Se aprendemos isso, começamos verdadeiramente a compreender nosso nome:
SERVOS.
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PARA GUARDAR
A formação é caminho para a santidade.
Seu horizonte é a perfeita estatura de Cristo.
Forma-se o Servo numa fraternidade apostólica.
Conhecer-se significa aceitar possibilidades e limites.
A amizade fraterna faz parte da formação.
O estudo acompanha toda a vida.
Precisamos falar a linguagem dos homens do nosso tempo.
Primeiro escutar, depois compreender, então agir.
Somos formados para servir e dar a vida.
A comunidade é uma escola de amor.
Precisamos ser construtores, não consumidores de comunidade.
A beleza da fraternidade é anúncio do Evangelho.
Comunicar para crescer juntos.
Trabalho, comunhão dos bens e modesto teor de vida tornam visível nossa pobreza.
E, acima de tudo:
“APRENDEI DE MIM, PORQUE SOU MANSO E HUMILDE DE CORAÇÃO.”
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Fonte principal: Frei Piergiorgio M. De Domenico, OSM, La formazione del frate nelle Costituzioni OSM.
Arquitetura preservada do estudo: ideais-guia da formação; referências bíblicas; Magistério da Igreja; metodologia pastoral; anúncio e testemunho; conclusão com duas verificações — comunicação e testemunho de pobreza.
Referências constitucionais especialmente trabalhadas pelo autor: Constituições OSM, particularmente arts. 3, 10, 14, 24, 31, 43, 46, 52–53, 57, 71, 73–80, 89, 92, 95–97, 104–109, 111, 114–118, 129, 138, 140–142, 151–153 e 299.
XXII — A formação do Servo de Maria
Até alcançarmos a perfeita estatura de Cristo
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Formados na fraternidade.
Livres para amar.
Atentos para escutar.
Preparados para servir.
Até que Cristo tome forma em nós.
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