“Até alcançarmos a perfeita estatura de Cristo” (cf. Ef 4,13)
A formação do Servo de Maria não termina com o noviciado, a profissão solene ou a ordenação. Ela acompanha toda a existência, porque seu objetivo último não é simplesmente preparar alguém para determinadas funções, mas conduzir cada irmão à conformação com Cristo.
Por isso, este exame não pergunta somente:
O que aprendi?
Pergunta sobretudo:
Que forma minha vida está assumindo?
Oração inicial
Senhor Jesus Cristo,
Servo obediente do Pai,
vós nos chamastes a seguir-vos
e a aprender de vós,
manso e humilde de coração.
Continuai formando-nos.
Dai-nos coragem para conhecer
a verdade de nós mesmos,
com nossas possibilidades e nossos limites.
Ensinai-nos a escutar antes de falar,
a compreender antes de agir,
a estudar sem cessar,
a servir sem procurar prestígio
e a construir fraternidade.
Livrai-nos de sermos consumidores
da comunidade.
Fazei-nos construtores.
Santa Maria,
humilde Serva do Senhor,
acompanhai nosso caminho,
até que Cristo tome forma em nós.
Amém.
1. Formar-se numa fraternidade apostólica
A formação acontece numa comunidade.
A fraternidade não é simplesmente o lugar onde moro durante minha formação. Ela própria me forma.
Perguntemo-nos:
Minha convivência com os irmãos está me tornando mais maduro?
Aceito ser formado também pelas diferenças, correções e necessidades da comunidade?
Coloco meus dons a serviço dos irmãos?
Ou espero principalmente que a comunidade corresponda às minhas necessidades?
Pergunta:
Estou sendo construtor ou consumidor de comunidade?
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2. Conhecer e aceitar a verdade de si
Frei Piergiorgio destaca a necessidade de cada irmão aceitar a verdade de seu ser, com suas possibilidades e seus limites.
Perguntemo-nos:
Conheço minhas capacidades?
Reconheço minhas fragilidades?
Sei receber uma observação sem imediatamente me defender?
Conheço minhas motivações mais profundas?
Consigo pedir ajuda?
Algo de mim que preciso aceitar e trabalhar:
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3. Interioridade, silêncio e solidão
A formação precisa ensinar também a permanecer consigo mesmo diante de Deus.
Perguntemo-nos:
Sei permanecer em silêncio?
Tenho momentos de interioridade?
Ou preciso constantemente de ruído, atividades, celular e companhia?
Consigo encontrar Deus na solidão?
Minha interioridade ajuda-me a amar melhor?
Pergunta:
O que aparece em mim quando finalmente faço silêncio?
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4. Amizade fraterna
A comunidade servita não deveria ser apenas funcional.
As Constituições valorizam a amizade fraterna e as amizades profundas capazes de enriquecer a personalidade e conduzir à caridade.
Perguntemo-nos:
Existe verdadeira amizade entre nós?
Sabemos conversar além dos assuntos administrativos?
Conhecemos as alegrias e sofrimentos dos irmãos?
Sabemos demonstrar estima e afeto?
Nossa comunidade possui calor humano?
O que poderia tornar nossa convivência mais fraterna?
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5. Escutar, compreender e agir
O estudo de Frei Piergiorgio conserva esta sequência:
escutar → compreender → agir.
Perguntemo-nos:
Escuto até o fim?
Ou preparo minha resposta enquanto o outro fala?
Procuro compreender o ponto de vista do irmão?
Nas decisões comunitárias, escutamos suficientemente antes de agir?
Nossa ação pastoral nasce de escuta verdadeira das pessoas?
Quem ou o que precisamos escutar melhor?
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6. Formação intelectual permanente
O estudo é apresentado como meio indispensável para a formação integral.
Perguntemo-nos:
Continuo estudando?
Leio?
Atualizo minha formação teológica?
Conheço a história e a espiritualidade da Ordem?
Procuro compreender as transformações culturais do nosso tempo?
Ou minha formação intelectual praticamente terminou com os estudos institucionais?
Área em que preciso atualizar-me:
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7. Falar a linguagem dos homens do nosso tempo
Estudar possui finalidade apostólica.
Precisamos ser capazes de falar a linguagem das pessoas de nosso tempo.
Perguntemo-nos:
Compreendo as perguntas que as pessoas fazem hoje?
Consigo anunciar o Evangelho numa linguagem compreensível?
Conheço suficientemente o ambiente cultural onde exerço minha missão?
Estou aberto ao diálogo com pessoas que pensam diferentemente de mim?
Realidade contemporânea que preciso compreender melhor:
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8. “Aprendei de mim”
Uma antiga tradição constitucional servita colocava diante do mestre dos noviços a palavra de Jesus:
“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.”
A formação começa e termina em Cristo.
Perguntemo-nos:
Estou me tornando mais humilde?
Mais manso?
Mais disponível?
Ou os anos de formação e responsabilidade aumentaram minha necessidade de reconhecimento?
Minha maneira de exercer responsabilidades revela humildade?
9. Lavar os pés
Cristo veio para servir e dar a vida.
O art. 14 das Constituições traduz isso para nossa fraternidade:
“Servimo-nos fraternamente uns aos outros à imitação de Cristo.”
Perguntemo-nos:
Que serviços simples realizo na comunidade?
Percebo quando um irmão precisa de ajuda?
Aceito tarefas sem visibilidade?
Sei também deixar que os outros me sirvam?
De quem preciso aproximar-me concretamente para “lavar os pés”?
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10. Servir sem protagonismo
O Servo da humilde Serva do Senhor não pode organizar a vida em torno da busca de prestígio.
Perguntemo-nos:
Preciso ser reconhecido?
Fico frustrado quando outro recebe uma responsabilidade que eu desejava?
Consigo alegrar-me com os dons dos irmãos?
Sei trabalhar sem aparecer?
Minha missão está centrada no Evangelho ou em minha própria imagem?
Algo de que preciso desapegar-me:
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11. Construir comunidade
Frei Piergiorgio oferece uma expressão decisiva:
“Construtores, não apenas consumidores de comunidade.”
O consumidor pergunta:
“O que recebo?”
O construtor pergunta:
“O que posso oferecer?”
Perguntemo-nos:
Ajudo?
Aceito ser ajudado?
Sei substituir um irmão?
Aceito ser substituído?
Assumo responsabilidades comuns?
Estou presente nos momentos da comunidade?
O que estou efetivamente construindo?
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12. A fraternidade como anúncio
A beleza de viver juntos como irmãos é apresentada como anúncio credível do Evangelho.
Perguntemo-nos:
Quem convive conosco percebe que nos queremos bem?
Um jovem que permanecesse um mês em nossa casa encontraria alegria na vida fraterna?
Nossa comunidade desperta desejo de participar dessa forma de vida?
Ou nossa maneira de conviver contradiz nossa pastoral vocacional?
Que Evangelho nossa convivência está anunciando?
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13. Fraternidade intercultural
A formação deve preparar para encontrar pessoas de diferentes:
culturas;
idades;
nacionalidades;
sensibilidades;
experiências.
Perguntemo-nos:
Tenho curiosidade respeitosa pela cultura do outro?
Ou considero minha maneira de viver naturalmente superior?
Consigo adaptar-me?
Nossa unidade depende da uniformidade?
Diferença que preciso aprender a acolher melhor:
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Primeira verificação de Frei Piergiorgio: comunicar para crescer juntos
O autor termina seu estudo levando-nos a uma pergunta muito concreta:
Comunicamos verdadeiramente para crescer juntos?
Uma comunidade pode conversar muito e comunicar pouco.
Podemos falar de:
horários;
trabalho;
notícias;
problemas;
administração.
E nunca falar daquilo que existe de mais profundo.
Perguntemo-nos:
Partilhamos nossa experiência de fé?
Falamos de nossa vocação?
Partilhamos esperanças?
Dificuldades?
Aquilo que Deus está realizando em nós?
O Capítulo é lugar de comunicação verdadeira?
A mesa favorece encontro?
Nossos dispositivos digitais aproximam ou isolam?
Pergunta comunitária
O que não estamos conseguindo comunicar uns aos outros?
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Partilhar os bens do Espírito
Não colocamos em comum somente bens materiais.
Também existem:
bens do Espírito.
Uma experiência de Deus.
Uma descoberta.
Uma consolação.
Uma dificuldade vocacional.
Uma esperança.
Tudo isso pode tornar-se dom para os irmãos.
O que eu poderia partilhar mais com minha comunidade?
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Segunda verificação de Frei Piergiorgio: nossa pobreza é visível?
A segunda verificação final do autor refere-se à pobreza.
As Constituições apresentam três sinais concretos:
trabalho;
comunhão dos bens;
modesto teor de vida.
Trabalho
Trabalho com responsabilidade?
Colaboro também nos serviços simples e manuais?
Meu trabalho aproxima-me da condição cotidiana das pessoas?
Comunhão dos bens
Existe alguma coisa que considero exclusivamente “minha”?
Sou transparente na utilização dos bens?
Tenho dificuldade de colocar recursos em comum?
Modesto teor de vida
Minha maneira de:
vestir;
viajar;
comprar;
alimentar-me;
utilizar tecnologia;
organizar meus espaços
é coerente com uma vida religiosa pobre e sóbria?
Pergunta comunitária
Uma pessoa que observasse nossa maneira de viver perceberia que professamos pobreza?
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14. Pobreza que abre os olhos
Para Frei Piergiorgio, a pobreza deve abrir-nos às necessidades humanas.
Perguntemo-nos:
Conhecemos os pobres ao nosso redor?
Nossa comunidade pratica hospitalidade?
Partilhamos?
Somos sensíveis aos migrantes, enfermos, idosos, abandonados e vítimas de injustiça?
Nossa espiritualidade aproxima-nos do sofrimento humano?
Quem está esperando concretamente nossa proximidade?
---
15. Revisão da formação permanente
Utilizemos:
✓ — presente e saudável
△ — precisa crescer
! — atenção prioritária
Dimensão| Avaliação
Autoconhecimento| ____
Interioridade e silêncio| ____
Amizade fraterna| ____
Capacidade de diálogo| ____
Escutar, compreender e agir| ____
Estudo e atualização| ____
Conhecimento da Ordem| ____
Humildade| ____
Serviço recíproco| ____
Ausência de protagonismo| ____
Construção da comunidade| ____
Fraternidade como testemunho| ____
Comunicação profunda| ____
Uso dos meios digitais| ____
Trabalho| ____
Comunhão dos bens| ____
Sobriedade de vida| ____
Proximidade dos pobres| ____
16. Três decisões
Não escolhamos muitas.
1. Para minha formação permanente
---
2. Para nossa vida fraterna
---
3. Para nosso testemunho de pobreza e serviço
---
17. A pergunta diante do lava-pés
Depois de todos esses critérios, podemos deixar de lado por alguns instantes os formulários.
Contemplemos Jesus ajoelhado diante dos discípulos.
Água.
Bacia.
Toalha.
Pés.
E uma pergunta:
Depois de tantos anos de formação, aprendi a lavar os pés?
Se aprendi:
a escutar;
a conhecer-me;
a pedir ajuda;
a estudar;
a dialogar;
a servir;
a desaparecer quando necessário;
a alegrar-me com os dons dos irmãos;
a partilhar;
a viver sobriamente;
a aproximar-me dos pobres,
então minha formação continua produzindo fruto.
Oração final
Senhor Jesus,
vós nos chamastes não apenas
a aprender coisas sobre vós,
mas a tomar vossa forma.
Continuai formando-nos.
Ensinai-nos a conhecer
e aceitar a verdade de nós mesmos.
Dai-nos interioridade sem isolamento,
amizade sem possessividade,
estudo sem vaidade,
autoridade sem protagonismo,
serviço sem busca de reconhecimento,
pobreza sem aparência
e fraternidade sem fingimento.
Ensinai-nos a escutar,
compreender
e somente depois agir.
Livrai-nos de consumir a comunidade.
Fazei-nos construtores.
Quando buscarmos prestígio,
recordai-nos a bacia e a toalha.
Quando quisermos ser servidos,
mostrai-nos vossos pés cansados
e vossas mãos servindo.
Santa Maria,
humilde Serva do Senhor,
ensinai-nos a guardar a Palavra,
a discernir os acontecimentos
e a servir sem ocupar o centro.
Que nossa formação dure toda a vida,
até que, pela graça de Deus,
alcancemos juntos
a perfeita estatura de Cristo.
Amém.
Para guardar
A formação é caminho para a santidade.
Conhecer-se é aceitar possibilidades e limites.
A comunidade é escola de amor.
Primeiro escutar, depois compreender, então agir.
O estudo acompanha toda a vida.
Formar-se é aprender a servir.
Somos construtores, não consumidores de comunidade.
Comunicar para crescer juntos.
Trabalho, comunhão dos bens e modesto teor de vida tornam visível nossa pobreza.
E a pergunta:
Depois de tantos anos de formação, aprendi a lavar os pés?
---
Fonte principal: Frei Piergiorgio M. De Domenico, OSM, La formazione del frate nelle Costituzioni OSM.
Estrutura: exame elaborado a partir dos critérios formativos desenvolvidos pelo autor e culminando nas duas verificações que ele propõe na conclusão: comunicação para crescer juntos e testemunho concreto da pobreza.
XXII — A formação do Servo de Maria
Até alcançarmos a perfeita estatura de Cristo
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Formados na fraternidade. Livres para amar. Atentos para escutar. Preparados para servir. Até que Cristo tome forma em nós.
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