Louvar Maria é proclamar as maravilhas de Deus
Série: As Ladainhas de Nossa Senhora
A Ladainha Lauretana prossegue:
Virgem louvável, rogai por nós.
Depois de chamar Maria de Virgem venerável, a Igreja a proclama Virgem louvável.
Mas por que louvamos Maria?
A resposta está no próprio Evangelho.
No Magnificat, ela profetiza:
“Todas as gerações me chamarão bem-aventurada.”
E imediatamente apresenta a razão:
“Porque o Todo-poderoso fez em mim grandes coisas.”
Aqui está o segredo de todo verdadeiro louvor mariano.
Louvamos Maria pelas maravilhas que Deus realizou nela.
O louvor começa em Deus
Maria nunca retém para si o louvor.
Seu Magnificat começa:
“Minha alma engrandece o Senhor.”
O centro é Deus.
O protagonista é Deus.
A iniciativa é de Deus.
Foi Ele quem olhou para sua humilde serva.
Foi Ele quem realizou grandes coisas.
Foi Ele quem manifestou sua misericórdia.
Foi Ele quem cumpriu suas promessas.
Maria recebe a graça e transforma a graça recebida em louvor.
Todas as gerações
Quando Maria diz:
“Todas as gerações me chamarão bem-aventurada”
não está procurando reconhecimento.
Está profetizando aquilo que a Igreja fará ao longo dos séculos.
Gerações de cristãos repetirão:
Ave, Maria.
Construirão igrejas.
Comporão hinos.
Pintarão imagens.
Celebrarão festas.
Rezarão o Rosário.
Cantarão o Magnificat.
Invocarão Nossa Senhora em suas alegrias e sofrimentos.
A profecia de Nazaré continua realizando-se.
O louvor não termina em Maria
Mas existe um critério fundamental.
Se nosso louvor a Maria termina nela, ainda não compreendemos plenamente sua missão.
Maria aponta sempre para além de si mesma.
Em Caná, diz:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
No Magnificat, diz:
“Minha alma engrandece o Senhor.”
A verdadeira devoção mariana possui sempre esse movimento:
Maria nos conduz a Cristo,
e com Maria glorificamos a Deus.
Louvar é recordar
Existe outra dimensão importante.
Louvar significa não esquecer aquilo que Deus realizou.
Nossa memória tende facilmente a conservar os problemas.
Lembramos das decepções.
Das dificuldades.
Das palavras que nos feriram.
Dos projetos que não deram certo.
Maria ensina outra forma de memória.
Ela olha sua história e reconhece:
“O Todo-poderoso fez em mim grandes coisas.”
Não nega as dificuldades.
Mas não permite que elas apaguem a memória da graça.
Uma comunidade que sabe louvar
Isso possui grande importância para nossas comunidades religiosas.
Podemos reunir-nos muitas vezes apenas para falar dos problemas.
O que precisa ser consertado.
Quem não cumpriu determinada tarefa.
O que está faltando.
O que não funcionou.
Tudo isso pode ser necessário.
Mas uma comunidade cristã precisa também perguntar:
O que Deus realizou entre nós?
Por quem precisamos agradecer?
Que sinais de graça apareceram?
Quem cresceu?
Que reconciliação aconteceu?
Que jovem avançou em seu discernimento?
Que serviço produziu frutos?
Que irmão permaneceu fiel silenciosamente?
Uma comunidade que sabe louvar não ignora seus problemas.
Recusa-se apenas a esquecer a graça.
Louvar o bem presente nos irmãos
Também podemos aprender a louvar a Deus pelo bem que encontramos nos outros.
Às vezes temos grande facilidade para perceber defeitos.
Mais dificuldade para reconhecer virtudes.
Maria nos ensina o olhar do Magnificat.
Podemos agradecer pelo irmão que serve silenciosamente.
Pelo idoso que perseverou durante décadas.
Pelo jovem que está amadurecendo.
Pelo irmão que sabe acolher.
Pelo que trabalha.
Pelo que reza.
Pelo que cuida.
Reconhecer o bem não é bajulação.
Quando feito com verdade, é gratidão pela graça de Deus agindo nas pessoas.
A humildade sabe receber elogios
Existe ainda uma lição delicada.
Maria sabe que todas as gerações a chamarão bem-aventurada.
E isso não destrói sua humildade.
Por quê?
Porque ela sabe de onde vem o bem.
A humildade cristã não exige que neguemos nossos dons.
Se alguém possui um dom, pode reconhecê-lo.
Se realizou um bom trabalho, pode alegrar-se.
Se recebeu um elogio, pode agradecer.
O problema começa quando pensamos que somos a origem absoluta daquilo que recebemos.
Maria ensina outra resposta:
“O Todo-poderoso fez em mim grandes coisas.”
Para nós, Servos de Maria
Esta invocação possui um significado especial para quem carrega o nome de Servo de Maria.
Nossa tradição é rica em louvores à Virgem.
Cantamos.
Celebramos suas festas.
Rezamos a Vigília de Nossa Senhora.
Contemplamos suas Dores.
Rezamos a Coroa.
Celebramos sua memória aos sábados.
Tudo isso é precioso.
Mas nosso louvor precisa tornar-se vida.
Não basta cantar:
“Virgem louvável.”
Precisamos viver de tal maneira que aquilo que louvamos em Maria também nos forme.
Louvar Maria imitando Maria
Louvamos sua fé.
Então sejamos homens de fé.
Louvamos sua humildade.
Então aprendamos a servir sem procurar o primeiro lugar.
Louvamos sua compaixão.
Então permaneçamos junto aos que sofrem.
Louvamos sua disponibilidade.
Então não fechemos nossa vida às necessidades dos irmãos.
Louvamos sua fidelidade.
Então permaneçamos fiéis também quando o caminho se torna difícil.
O louvor mais belo é aquele que se transforma em imitação.
O louvor em tempos difíceis
Maria canta o Magnificat antes de conhecer todos os acontecimentos que virão.
Ainda haverá Belém.
Egito.
A profecia de Simeão.
A perda de Jesus no Templo.
O Calvário.
Mesmo assim, canta.
Isso nos ensina que o louvor cristão não depende de uma vida sem problemas.
Podemos louvar também quando ainda existem perguntas.
Porque o fundamento do louvor não é:
“Tudo está acontecendo como eu gostaria.”
É:
“Deus permanece fiel.”
Uma espiritualidade do Magnificat
Talvez nós, Servos de Maria, possamos aprender a viver cada vez mais segundo a espiritualidade do Magnificat.
Reconhecer a grandeza de Deus.
Agradecer sua misericórdia.
Alegrar-nos porque Ele olha para os pequenos.
Confiar que não esquece suas promessas.
E perceber que a história pertence finalmente a Ele.
Maria canta porque sabe:
Deus está agindo.
Uma pergunta para o coração
Diante desta invocação podemos perguntar:
Tenho falado mais das dificuldades ou das maravilhas que Deus realiza?
Isso não significa esconder os problemas.
Significa impedir que eles ocupem todo o horizonte.
Talvez hoje seja bom recordar:
uma graça recebida,
uma pessoa que Deus colocou em nosso caminho,
uma oração atendida,
uma dificuldade superada,
uma vocação,
um irmão,
uma oportunidade de servir.
E dizer simplesmente:
“O Todo-poderoso fez em mim grandes coisas.”
Oração
Virgem louvável,
todas as gerações a proclamam bem-aventurada
porque o Todo-poderoso
fez em você grandes coisas.
Ensine-nos a transformar
nossa vida em Magnificat.
Quando enxergarmos somente problemas,
abra nossos olhos para a graça.
Quando esquecermos os dons recebidos,
devolva-nos a memória agradecida.
Ensine-nos a reconhecer
o bem presente em nossos irmãos
e a agradecer por ele.
Quando recebermos reconhecimento,
dê-nos a humildade de recordar
que todo dom procede de Deus.
Faça de nossas comunidades
lugares onde se saiba agradecer,
encorajar e louvar.
E a nós, Servos de Maria,
ensine que o melhor louvor
que podemos oferecer a você
é viver como discípulos de seu Filho,
com sua fé, sua humildade,
sua compaixão e sua fidelidade.
Com você queremos cantar:
“Minha alma engrandece o Senhor
e meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador.”
Virgem louvável, rogai por nós.
Para guardar no coração
Louvar Maria é reconhecer as maravilhas que Deus realizou nela e permitir que essas mesmas maravilhas inspirem nossa vida de discípulos.
Fontes
Sagrada Escritura, especialmente Lc 1,39-55; Jo 2,1-11.
Bento XVI, Homilia na Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, 15 de agosto de 2006.
Pietro Ansalone, SJ, Le Litanie Lauretane, segunda edição, Nápoles, 1858 — obra inspiradora da série.
Ladainha de Nossa Senhora — Ladainha Lauretana, formulário oficial em português da Santa Sé.
Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.
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