Contemplar com Maria o rosto de Cristo
Série: As Ladainhas de Nossa Senhora
A Ladainha Lauretana prossegue:
Rainha do Santíssimo Rosário, rogai por nós.
Talvez poucas orações estejam tão profundamente presentes na vida do povo cristão quanto o Rosário.
Está nas mãos dos idosos.
Nas famílias.
Nos hospitais.
Nas igrejas.
Nos conventos.
Nas peregrinações.
Nos velórios.
Nas mãos de quem atravessa uma provação.
E muitas vezes também no bolso de alguém que talvez nem saiba explicar toda a sua teologia, mas sabe que aquelas contas o ajudam a rezar.
Mas o que é realmente o Rosário?
À primeira vista, alguém poderia responder:
é uma oração a Nossa Senhora.
A resposta não está errada.
Mas é incompleta.
São João Paulo II ofereceu uma definição muito mais profunda:
rezar o Rosário é contemplar com Maria o rosto de Cristo.
Aqui está sua verdadeira chave.
O centro do Rosário é Jesus
Isso precisa ficar muito claro.
Embora o Rosário possua uma forma profundamente mariana, seu coração é:
Cristo.
Nascimento de Cristo.
Vida de Cristo.
Pregação de Cristo.
Paixão de Cristo.
Morte de Cristo.
Ressurreição de Cristo.
Glória de Cristo.
O Rosário é uma caminhada pelo Evangelho.
Maria não nos retém nela
Faz aquilo que sempre fez.
Conduz-nos ao Filho.
Em Caná disse:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Essa frase poderia estar espiritualmente no início de cada Rosário.
Maria parece dizer:
“Venha. Vamos olhar para Ele.”
A escola de Maria
São João Paulo II gostava de uma expressão muito bonita:
“escola de Maria.”
No Rosário entramos nessa escola.
E o que aprendemos?
A contemplar Jesus.
Maria conhece o rosto de Cristo
Ninguém contemplou Jesus como ela.
Primeiro, carregou-o em seu ventre.
Depois contemplou o rosto do recém-nascido em Belém.
Viu-o crescer em Nazaré.
Observou-o durante sua vida pública.
Esteve junto dele no Calvário.
Permaneceu com a Igreja depois da Ressurreição.
O Rosário é aprender o olhar de Maria
Um olhar de:
fé,
admiração,
pergunta,
dor,
esperança,
amor.
Não basta repetir Ave-Marias
Aqui encontramos uma questão importante.
É possível rezar muitas Ave-Marias e não rezar verdadeiramente o Rosário.
Porque o Rosário não é apenas repetição.
É:
repetição e contemplação.
As Ave-Marias criam um ritmo
Como os passos de uma peregrinação.
Uma depois da outra.
Enquanto os lábios rezam, o coração permanece diante do mistério.
“Ave Maria...”
E contemplamos Belém.
“Ave Maria...”
E contemplamos Jesus no Jordão.
“Ave Maria...”
E contemplamos o Calvário.
“Ave Maria...”
E contemplamos o túmulo vazio.
As palavras repetidas sustentam o olhar interior.
Repetição não significa vazio
Também repetimos palavras quando amamos.
Quantas vezes uma mãe diz ao filho:
“Eu amo você.”
A frase não perde necessariamente o sentido porque foi repetida.
Pode aprofundá-lo.
O nome de Jesus está no centro da Ave-Maria
Isso é particularmente bonito.
A primeira parte da oração caminha para um nome:
Jesus.
“Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco; bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre:
Jesus.”
O nome é o centro
Paulo VI observava que a repetição da Ave-Maria se torna louvor incessante a Cristo, porque é justamente Jesus que cada Ave-Maria recorda.
Assim, enquanto repetimos o nome de Maria, continuamente chegamos:
a Jesus.
O Rosário é bíblico
Às vezes alguém imagina que existe uma oposição entre Rosário e Escritura.
Não deveria existir.
O Rosário nasce do Evangelho.
A própria Ave-Maria começa na Escritura
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo.”
É a saudação do anjo.
Depois:
“Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.”
É a saudação de Isabel.
E os mistérios são acontecimentos do Evangelho
Anunciação.
Visitação.
Nascimento.
Batismo.
Transfiguração.
Eucaristia.
Paixão.
Ressurreição.
Pentecostes.
O Rosário coloca-nos continuamente dentro da história da salvação.
Por isso pode ser muito útil anunciar um pequeno texto bíblico antes de cada mistério
Uma frase.
Alguns versículos.
Não precisa ser longo.
A Palavra abre a cena.
Depois o silêncio permite contemplá-la.
Palavra e silêncio
Talvez tenhamos perdido um pouco o silêncio na recitação do Rosário.
Às vezes rezamos tão rapidamente que mal conseguimos perceber qual mistério estamos contemplando.
Não é uma corrida
O objetivo não é terminar depressa.
O Rosário precisa respirar.
Anunciar o mistério
Ler uma breve passagem bíblica.
Fazer alguns instantes de silêncio.
Então começar o Pai-Nosso.
Esse pequeno gesto pode mudar completamente a oração.
O silêncio também reza
São João Paulo II recordava que o silêncio favorece a contemplação.
Depois de escutar a Palavra, precisamos permitir que ela desça ao coração.
Os mistérios gozosos
Neles contemplamos o mistério de Deus que se faz pequeno.
Anunciação.
Visitação.
Nascimento de Jesus.
Apresentação.
Encontro de Jesus no Templo.
Deus entra numa família
Numa casa.
Numa gravidez.
Numa viagem.
Numa criança.
O extraordinário entra no cotidiano.
Os mistérios luminosos
João Paulo II propôs esses mistérios para tornar ainda mais explícita a contemplação da vida pública de Jesus.
Batismo no Jordão.
Caná.
Anúncio do Reino.
Transfiguração.
Instituição da Eucaristia.
Maria diz novamente
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Os mistérios luminosos colocam-nos na escola do Mestre.
Os mistérios dolorosos
Aqui entramos num território particularmente caro à espiritualidade servita.
Getsêmani.
Flagelação.
Coroação de espinhos.
Caminho da Cruz.
Crucifixão.
Aqui Maria nos ensina a permanecer
Não fugir da dor de Cristo.
Não desviar o olhar.
Não transformar a Cruz numa ideia abstrata.
Para nós, Servos de Maria
Talvez rezemos esses mistérios com uma sensibilidade particular.
Porque nossa vocação nos coloca espiritualmente junto à Mãe aos pés da Cruz.
Mas o Rosário não termina na Cruz
Chegam os mistérios gloriosos.
Ressurreição.
Ascensão.
Pentecostes.
Assunção.
Coroação de Maria.
A última palavra é a glória
Isso é profundamente cristão.
A dor existe.
A Cruz existe.
A morte existe.
Mas:
Cristo ressuscitou.
O Rosário é uma escola de esperança
Percorremos a vida de Cristo sabendo onde a história termina.
Na vitória de Deus.
O Rosário e nossa vida
Existe ainda outra dimensão muito bonita.
Enquanto contemplamos os mistérios de Cristo, começamos a perceber nossa própria história dentro deles.
Há dias gozosos
Nascimento.
Encontro.
Gratidão.
Alegria.
Há dias luminosos
Quando compreendemos alguma coisa.
Quando uma palavra de Deus ilumina o caminho.
Quando uma vocação se torna mais clara.
Há dias dolorosos
Doença.
Perda.
Fracasso.
Solidão.
Cruz.
E existem sinais de glória
Reconciliação.
Conversão.
Recomeço.
Esperança.
Vida que renasce.
Nossa vida pode entrar no Rosário
Não para substituir os mistérios de Cristo.
Mas para ser iluminada por eles.
Levar as pessoas para os mistérios
Quando rezamos, podemos colocar dentro do Rosário:
um irmão enfermo,
uma família,
um jovem em discernimento,
uma comunidade em dificuldade,
uma pessoa falecida,
uma intenção da Igreja.
Assim o Rosário torna-se intercessão
Contemplamos Cristo e levamos a Ele o mundo.
O Rosário e a paz
A tradição da Igreja relaciona profundamente o Rosário à oração pela paz.
Isso não é acidental.
Quem contempla Cristo deveria tornar-se pessoa de paz.
Não basta rezar pela paz
É preciso permitir que a oração nos torne pacíficos.
Na maneira de falar.
De discutir.
De responder.
De conviver.
O primeiro lugar onde precisamos construir a paz talvez seja perto
Nossa casa.
Nossa comunidade.
Nossa família.
É contraditório terminar um Rosário e imediatamente alimentar uma briga
A oração precisa entrar na vida.
O Rosário deve produzir caridade
São João Paulo II insistia nisso.
Como contemplar o Menino de Belém e permanecer indiferente às crianças que sofrem?
Como contemplar Cristo carregando a Cruz e não reconhecer os irmãos esmagados pelo sofrimento?
A contemplação conduz à compaixão
Esse ponto é profundamente servita.
Contemplamos.
Depois servimos.
Maria contemplativa é Maria servidora
Depois da Anunciação, parte para Isabel.
Depois de receber a Palavra, coloca-se a caminho.
Um Rosário verdadeiramente rezado deveria colocar-nos a caminho
Talvez para visitar alguém.
Telefonar.
Perdoar.
Ajudar.
Escutar.
A oração não nos retira da realidade
Devolve-nos a ela com um coração diferente.
O Rosário na vida religiosa
Para nós religiosos, existe uma tentação.
Como rezamos muitas vezes, determinadas orações podem tornar-se automáticas.
Os lábios sabem tudo.
O coração talvez esteja longe.
Isso também pode acontecer com o Rosário
Sabemos a sequência.
Sabemos os mistérios.
Sabemos todas as palavras.
E justamente por isso precisamos continuamente:
reaprender a rezá-lo.
Não simplesmente recitar
Contemplar.
Uma dezena bem rezada pode ser mais fecunda que muitas palavras ditas sem atenção
Não precisamos transformar o Rosário numa obrigação pesada.
Precisamos redescobri-lo como espaço de encontro.
Uma palavra para os jovens em formação
Talvez alguns tenham recebido o Rosário na família.
Outros talvez estejam descobrindo essa oração agora.
Não o tratem apenas como uma prática antiga que pertence a outra geração.
Descubram sua estrutura interior.
O Rosário ensina concentração
Num tempo de distração permanente, permanecer vinte ou trinta minutos diante dos mistérios de Cristo já é uma verdadeira escola espiritual.
Nosso mundo fragmenta a atenção
Uma notificação.
Uma mensagem.
Uma imagem.
Outro vídeo.
Outra informação.
O coração vai sendo puxado para muitas direções.
O Rosário recolhe
Uma conta.
Uma oração.
Um mistério.
Um nome:
Jesus.
Talvez seja justamente por isso tão atual
Sua simplicidade ajuda a recuperar presença.
Segurar o terço
Existe também uma dimensão corporal.
Os dedos percorrem as contas.
A respiração encontra um ritmo.
A voz reza.
O corpo participa.
A oração cristã envolve a pessoa inteira
Não somos apenas inteligência.
O gesto também pode ajudar o coração a recolher-se.
Uma palavra para nossos irmãos idosos
Quantas vezes o Rosário acompanha a velhice.
Talvez a visão diminua.
A leitura se torne difícil.
A memória já não guarde textos longos.
Mas as Ave-Marias permanecem.
O corpo lembra aquilo que o coração rezou durante anos
As mãos encontram as contas.
Uma depois da outra.
Talvez devagar.
Existe uma beleza enorme nisso
Uma vida inteira vai cabendo dentro de um terço.
Pessoas.
Lugares.
Missões.
Irmãos.
Mortos.
Alegrias.
Dores.
Tudo passa pelas mãos e é entregue a Deus.
Uma palavra para os enfermos
Quando faltam forças para orações longas, uma dezena pode bastar.
Talvez até uma única Ave-Maria.
Deus não mede a oração pela quantidade.
Maria permanece próxima
Como esteve junto à Cruz.
Uma palavra para os sacerdotes
Precisamos ensinar o povo a rezar o Rosário, não apenas pedir que o reze.
Explicar os mistérios.
Relacioná-los com a Escritura.
Criar pequenos espaços de silêncio.
Evitar a pressa.
A piedade popular merece formação
Não para complicá-la.
Mas para revelar a riqueza que já existe nela.
O povo de Deus possui uma profunda sabedoria de oração
Às vezes uma pessoa simples que percorre lentamente as contas do Rosário compreende contemplativamente algo que muitos livros não conseguem transmitir.
Mas também precisamos evitar superstição
O terço não é amuleto.
Não possui poder mágico.
Não substitui conversão.
Não substitui os sacramentos.
Não substitui a Eucaristia.
É oração
E toda oração cristã vive da relação com Deus.
Rosário e Liturgia
Também não devemos colocá-los em competição.
A Liturgia, especialmente a Eucaristia, ocupa lugar próprio e central na vida da Igreja.
O Rosário pertence aos exercícios de piedade.
Mas podem alimentar-se mutuamente
O Rosário pode preparar o coração para a Liturgia.
E a Liturgia pode dar profundidade bíblica e pascal ao Rosário.
Paulo VI insistiu nisso
A verdadeira devoção mariana deve permanecer em harmonia com a Liturgia e conduzir o fiel para o mistério de Cristo.
Para nós, Servos de Maria
Isso é especialmente importante.
Nossa tradição mariana precisa ser:
bíblica,
litúrgica,
cristocêntrica
e eclesial.
Maria nunca separada de Cristo
Maria nunca separada da Igreja.
Maria nunca separada da Palavra.
Maria nunca separada do mistério pascal.
O Rosário e Nossa Senhora das Dores
Existe ainda uma afinidade profunda com nossa espiritualidade.
No Rosário, aprendemos a contemplar os acontecimentos da vida de Cristo:
com Maria.
Isso é muito próximo da intuição servita.
Estar com Maria diante do mistério de Cristo
Em Belém.
Em Caná.
No caminho.
No Calvário.
Na esperança da Ressurreição.
A Coroa das Sete Dores e o Rosário não competem
São formas diferentes de oração mariana.
A Coroa conduz-nos particularmente à compaixão com a Mãe dolorosa.
O Rosário percorre de maneira mais ampla os mistérios da vida de Cristo.
Ambas podem formar um coração contemplativo
E um coração contemplativo deveria tornar-se:
compassivo.
O Rosário missionário
Existe também uma dimensão missionária.
Quem contempla Cristo começa a desejar que outros o conheçam.
Maria recebeu Cristo e o levou
Primeiro a Isabel.
Depois aos pastores.
Aos magos.
E, de algum modo, à Igreja inteira.
Contemplação e missão pertencem uma à outra
O verdadeiro contemplativo não fecha os olhos para o mundo.
Aprende a vê-lo com os olhos de Cristo.
O Rosário pode transformar nosso olhar
Talvez esta seja uma das graças mais importantes.
Não simplesmente terminar cinquenta Ave-Marias.
Mas sair da oração:
vendo diferente.
Ver Cristo no irmão
No pobre.
No enfermo.
No jovem.
No idoso.
No migrante.
Na pessoa difícil.
O Rosário e nossas comunidades
Talvez possamos perguntar:
Como rezamos juntos?
Rapidamente?
Por obrigação?
Ou existe espaço para verdadeira oração?
A oração comunitária forma a fraternidade
Quando irmãos colocam juntos suas intenções diante de Deus, algo pode mudar também na maneira como olham uns para os outros.
É difícil rezar sinceramente por alguém e continuar desejando-lhe mal
A intercessão pode desarmar o coração.
O Rosário pela comunidade
Podemos colocar em cada mistério:
os jovens em formação,
os idosos,
os enfermos,
as vocações,
as missões,
os irmãos que atravessam dificuldades.
O Rosário pela Ordem
Pelos Servos de Maria em todos os países.
Pelas monjas.
Pelas irmãs.
Pela Ordem Secular.
Pelos grupos leigos.
Pelos jovens.
Pelas vocações.
Uma família reunida em oração
Talvez pessoas em continentes diferentes estejam segurando as mesmas contas e pronunciando:
Ave Maria.
Há beleza nessa comunhão.
Outubro e o Rosário
A tradição católica dedica particularmente o mês de outubro ao Rosário.
Mas ele não pertence apenas a outubro.
Pode acompanhar toda a vida.
Há um Rosário para cada estação
Na alegria.
Na dúvida.
Na doença.
Na viagem.
Na espera.
Na gratidão.
No luto.
Algumas vezes teremos muita concentração
Outras vezes pouca.
Ainda assim podemos permanecer.
A distração não precisa transformar-se em desânimo
Percebemos que a mente se afastou.
Voltamos.
Uma conta.
Uma Ave-Maria.
O mistério.
Jesus.
Recomeçar também faz parte da oração
Quantas vezes for necessário.
O Rosário e o nome de Jesus
Talvez possamos fazer um exercício simples.
Em cada Ave-Maria, pronunciar o nome:
Jesus
com particular atenção.
Ele está no centro
Isso impede que a oração se torne simplesmente repetição sonora.
Maria entrega-nos o nome do Filho
E nós permanecemos ali.
Jesus.
Uma pergunta para o coração
Diante desta invocação podemos perguntar:
Eu rezo o Rosário ou apenas o recito?
Outra pergunta
Quando termino o Rosário, conheço um pouco mais o rosto de Cristo?
E ainda
Minha oração está me tornando mais compassivo?
Porque contemplação sem caridade permanece incompleta.
Um modo simples de renovar o Rosário
Antes de cada mistério:
1. Anunciar o mistério.
2. Ler uma breve passagem bíblica.
3. Fazer alguns instantes de silêncio.
4. Rezar lentamente.
5. Apresentar uma intenção.
Isso já pode transformar profundamente a experiência.
Não precisamos acrescentar muitas coisas
Às vezes enriquecer a oração significa simplificar.
Dar espaço.
Respirar.
Escutar.
Maria guarda as coisas no coração
O Evangelho repete essa imagem.
Maria:
guardava e meditava.
Talvez seja essa a melhor definição do espírito do Rosário.
Guardar
Não deixar a Palavra passar superficialmente.
Meditar
Voltar a ela.
Olhá-la de diferentes ângulos.
Permitir que entre na vida.
O Rosário forma memória cristã
Num mundo em que esquecemos rapidamente, ele nos faz recordar continuamente:
Jesus nasceu.
Jesus anunciou o Reino.
Jesus morreu.
Jesus ressuscitou.
Jesus está vivo.
Nossa fé possui memória
E essa memória sustenta a esperança.
Para nossa Família Servita
Podemos pedir à Rainha do Santíssimo Rosário que faça de nossas comunidades verdadeiras escolas de contemplação.
Não apenas casas de atividade.
Precisamos trabalhar
Estudar.
Administrar.
Pregar.
Acolher.
Formar.
Mas precisamos também:
olhar para Cristo.
Caso contrário podemos falar muito sobre Ele e passar pouco tempo com Ele
O Rosário devolve-nos ao essencial.
Maria diz
“Olhe para meu Filho.”
E depois
“Faça tudo o que Ele disser.”
A contemplação torna-se obediência.
A oração torna-se vida.
A devoção torna-se serviço.
Oração
Rainha do Santíssimo Rosário,
Mãe de Jesus
e mulher contemplativa,
ensine-nos a olhar para seu Filho.
Quando nossas palavras
se tornarem automáticas,
devolva-nos ao mistério.
Quando nossa mente
estiver dispersa,
recolha nosso coração.
Quando tivermos pressa,
ensine-nos a permanecer.
Que cada Ave-Maria
nos conduza ao nome de Jesus.
Que cada mistério
abra diante de nós
uma página do Evangelho.
Ensine-nos a contemplar
com você o rosto de Cristo.
Nos mistérios gozosos,
dê-nos gratidão
pelo Deus que se fez pequeno.
Nos mistérios luminosos,
faça-nos discípulos
atentos à Palavra do Mestre.
Nos mistérios dolorosos,
ensine-nos a permanecer
junto à Cruz
e junto aos crucificados
de nosso tempo.
Nos mistérios gloriosos,
renove em nós
a esperança da Ressurreição.
Aos jovens em formação,
dê gosto pela oração
e capacidade de silêncio.
Aos formadores,
ensine a transmitir
não apenas práticas de piedade,
mas uma verdadeira
experiência de encontro com Cristo.
Aos sacerdotes,
dê sabedoria para ajudar
o povo de Deus
a descobrir a riqueza bíblica
e contemplativa do Rosário.
Aos nossos irmãos idosos,
permaneça próxima
quando suas mãos
percorrerem lentamente
as contas que talvez tenham
acompanhado uma vida inteira.
Aos enfermos,
faça de cada Ave-Maria
um lugar de repouso
no coração de Deus.
Às famílias,
dê a graça de encontrarem
na oração comum
força para permanecer unidas.
Às nossas comunidades,
ensine-nos a rezar juntos
sem pressa e sem rotina.
A nós, Servos de Maria,
conceda um coração contemplativo
e compassivo.
Que saibamos olhar
para Cristo com você
e olhar para as dores humanas
com os olhos de Cristo.
Que nossa devoção mariana
seja sempre bíblica,
litúrgica,
eclesial
e profundamente cristocêntrica.
Quando segurarmos o terço,
recorde-nos que não temos
nas mãos um amuleto,
mas um caminho de oração.
Quando pronunciarmos seu nome,
leve-nos ao nome de Jesus.
Quando contemplarmos Jesus,
ensine-nos a reconhecê-lo
também nos irmãos.
E quando chegarmos
à última Ave-Maria de nossa vida,
permaneça conosco,
como tantas vezes pedimos:
“Santa Maria, Mãe de Deus,
rogai por nós, pecadores,
agora e na hora de nossa morte.”
Que então, depois de tantas vezes
termos contemplado com você
o rosto de Cristo nos mistérios,
possamos finalmente contemplá-lo
face a face.
Rainha do Santíssimo Rosário,
rogai por nós.
Para guardar no coração
Rezar o Rosário é contemplar com Maria o rosto de Cristo. As Ave-Marias dão ritmo à oração, mas Jesus permanece no centro: contemplamos seus mistérios para aprender seus sentimentos e, depois, reconhecê-lo e servi-lo nos irmãos.
Um modo simples de rezar melhor o Rosário
Em cada mistério:
Anuncie o mistério → escute uma breve passagem da Palavra de Deus → permaneça alguns instantes em silêncio → reze lentamente → apresente uma intenção concreta.
E, em cada Ave-Maria, procure pronunciar conscientemente o nome que está no centro da oração:
Jesus.
Fontes
Sagrada Escritura, especialmente Lc 1,26-56; Lc 2,1-52; Jo 2,1-11; Jo 19,25-27; At 1,14; Fl 2,5-11.
São Paulo VI, Exortação Apostólica Marialis Cultus, especialmente nn. 42-55, sobre o Rosário como oração evangélica, contemplativa e de orientação profundamente cristológica.
São João Paulo II, Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae, 16 de outubro de 2002, especialmente nn. 1, 3, 9-18 e 29-35, sobre o Rosário como contemplação do rosto de Cristo na escola de Maria.
São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, nn. 19-23, sobre os mistérios gozosos, luminosos, dolorosos e gloriosos.
São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, n. 30, sobre a proclamação de uma passagem bíblica como auxílio à contemplação de cada mistério.
São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, n. 31, sobre o valor do silêncio na oração contemplativa.
São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, nn. 40-41, sobre o Rosário como oração pela paz e pela família.
Tradição espiritual da Ordem dos Servos de Maria, na contemplação de Cristo com Maria e na compaixão junto às dores humanas.
Ladainha Lauretana, invocação Regina Sacratissimi Rosarii.
Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.
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