Roteiro para o Capítulo conventual
«“Teremos para com as criaturas somente relações de paz, misericórdia, justiça e amor construtivo.”
Constituições OSM, 299»
Finalidade
Este roteiro destina-se a ajudar uma comunidade dos Servos de Maria a examinar seu modo de relacionar-se com a criação e a assumir compromissos concretos de conversão ecológica.
Não se trata de uma fiscalização ambiental.
É um exercício de discernimento comunitário.
À luz da Palavra de Deus, das Constituições OSM e da Laudato si’, a comunidade pergunta se seu estilo de vida manifesta realmente os valores que professa:
pobreza, fraternidade, serviço, justiça, sobriedade e cuidado.
Pode ser realizado uma vez por ano no Capítulo conventual e retomado posteriormente para avaliação.
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1. Oração inicial
Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.
Deus Criador e Pai,
nós vos bendizemos pela obra de vossas mãos.
Recebemos de vós a terra,
a água, o ar, os animais, as plantas
e todos os bens necessários à vida.
Perdoai-nos quando transformamos o dom em posse,
a necessidade em consumo,
o uso em desperdício
e a responsabilidade em indiferença.
Enviai sobre nós vosso Espírito,
para que saibamos discernir juntos
como viver com maior simplicidade,
gratidão e responsabilidade.
À escola de Santa Maria,
humilde Serva do Senhor,
ensinai-nos a acolher e guardar a vida.
Fazei de nossa fraternidade
uma casa de paz, misericórdia, justiça
e amor construtivo para com todas as criaturas.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
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2. Escuta da Palavra
Gênesis 2,15
«“O Senhor Deus tomou o homem e colocou-o no jardim do Éden, para o cultivar e guardar.”»
Silêncio
Depois da leitura, mantenha-se um breve momento de silêncio.
Pergunta inicial
Como nossa comunidade está cultivando e guardando aquilo que Deus colocou sob nossa responsabilidade?
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3. Contemplação e espiritualidade
Antes de avaliar consumo e recursos, examinemos nosso olhar.
- Sabemos agradecer a Deus pela criação?
- Encontramos espaço para silêncio e contemplação?
- A beleza da criação ainda desperta em nós admiração?
- Nossa espiritualidade ajuda-nos a perceber que fazemos parte da criação e não estamos simplesmente acima dela?
- Monte Senário ainda nos fala como lugar de silêncio, criação, fraternidade e encontro com Deus?
- A questão ecológica aparece em nossa oração, formação e pregação?
Para discernir
Estamos formando apenas consumidores responsáveis ou verdadeiros contemplativos da criação?
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4. Pobreza e estilo de vida
A pobreza evangélica possui consequências concretas.
Perguntemo-nos:
- Nossa vida comunitária é sóbria?
- Compramos coisas de que realmente não precisamos?
- Conservamos objetos sem uso enquanto outras pessoas poderiam utilizá-los?
- Antes de substituir alguma coisa, procuramos consertá-la?
- Partilhamos bens?
- Escolhemos produtos duráveis quando possível?
- Existe alguma área de nossa vida em que o conforto se transformou em exigência?
- Nosso estilo de vida é coerente com aquilo que pregamos sobre pobreza?
Para discernir
O que poderíamos deixar de comprar sem prejudicar nossa vida e missão?
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5. Água
- Existem vazamentos?
- Torneiras e instalações sanitárias estão funcionando adequadamente?
- Evitamos deixar água correr desnecessariamente?
- Lavanderia e limpeza são realizadas com uso responsável?
- Jardins e hortas são irrigados de maneira adequada?
- Há possibilidade de reaproveitamento ou captação de água?
- Falamos sobre a importância da água nos ambientes pastorais?
Para decidir
Uma medida concreta para reduzir nosso consumo de água:
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6. Energia
- Apagamos luzes desnecessárias?
- Equipamentos permanecem ligados sem necessidade?
- Utilizamos adequadamente iluminação e ventilação naturais?
- Os aparelhos mais antigos consomem energia excessiva?
- Ar-condicionado e aquecimento são utilizados com sobriedade?
- Quando fazemos reformas, consideramos eficiência energética?
- Existe possibilidade realista de utilização de energia renovável?
Para decidir
Uma medida concreta para diminuir nosso consumo de energia:
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7. Alimentação
Nossa mesa também pertence à espiritualidade da Casa Comum.
- Desperdiçamos alimentos?
- Planejamos adequadamente as compras?
- Reaproveitamos alimentos com segurança?
- Nossa alimentação é sóbria?
- Conhecemos, quando possível, a procedência dos alimentos?
- Podemos valorizar produtores locais?
- Consumimos produtos excessivamente industrializados ou embalados?
- Nossa alimentação considera também seus impactos ambientais?
- Poderíamos estabelecer algum dia de alimentação mais simples como expressão de sobriedade e penitência?
Para discernir
O que nossa mesa revela sobre nossa pobreza e gratidão?
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8. Resíduos e plástico
- Utilizamos copos, pratos, talheres ou garrafas descartáveis quando existem alternativas?
- Separamos adequadamente os resíduos?
- Conhecemos o sistema de reciclagem disponível em nossa região?
- Reutilizamos materiais?
- Há excesso de embalagens em nossas compras?
- Eventos paroquiais e comunitários produzem grande quantidade de lixo?
- Poderíamos reduzir o uso de papel?
- Pilhas, baterias, eletrônicos e outros resíduos especiais recebem destinação adequada?
Para decidir
Um descartável que eliminaremos ou reduziremos significativamente:
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9. Transporte
- Utilizamos veículos de maneira racional?
- Podemos organizar melhor os deslocamentos?
- Há viagens que poderiam ser evitadas?
- Quando adequado, podemos compartilhar o veículo?
- Caminhada, bicicleta ou transporte coletivo são possibilidades reais em algumas situações?
- Ao substituir um veículo, consideramos também consumo e impacto ambiental?
Para discernir
Existe alguma mudança simples que possa reduzir nossos deslocamentos desnecessários?
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10. Jardim, terra e biodiversidade
Se a comunidade possui terreno:
- Como ele é cuidado?
- Existem árvores?
- Há plantas nativas?
- Podemos favorecer pássaros, insetos polinizadores e outras formas de vida?
- Utilizamos produtos químicos desnecessariamente?
- Existe espaço para uma pequena horta?
- Poderíamos criar um Jardim Laudato si’?
- O jardim pode tornar-se também lugar de oração e formação?
Se a comunidade não possui terreno:
- Podemos cultivar plantas em vasos?
- Apoiar alguma iniciativa local?
- Adotar uma pequena área ou projeto ambiental?
Para decidir
O que podemos fazer para aumentar a presença e o cuidado da vida ao nosso redor?
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11. Os animais
A conversão ecológica alcança também nossa relação com os outros seres vivos.
- Tratamos os animais com respeito?
- Evitamos causar sofrimento desnecessário?
- Nossas escolhas de consumo levam minimamente em consideração o bem-estar animal?
- Quando encontramos animais ou outras pequenas formas de vida, nossa reação espontânea é sempre eliminar aquilo que nos incomoda?
- Conseguimos distinguir necessidade de simples conveniência?
Para discernir
Possuir poder sobre outra criatura significa necessariamente ter o direito de destruí-la?
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12. O grito dos pobres
Ecologia integral não significa cuidar das plantas enquanto esquecemos as pessoas.
Perguntemo-nos:
- Quem sofre mais com os problemas ambientais em nossa região?
- Existem famílias atingidas por enchentes, poluição, falta de saneamento ou insegurança alimentar?
- Conhecemos essas realidades?
- Nossa pastoral está próxima delas?
- Nossa comunidade ajuda apenas nas emergências ou procura também compreender suas causas?
- Escutamos povos e comunidades cuja sobrevivência depende diretamente da terra e da água?
- Nossa ação social e nossa preocupação ambiental estão integradas?
Para discernir
Que cruz socioambiental existe perto de nós diante da qual, como Maria, somos chamados a permanecer?
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13. Pastoral e evangelização
- Pregamos alguma vez sobre o cuidado da criação?
- A catequese aborda o tema?
- Nossos jovens encontram oportunidades concretas de participação?
- A Família Servita pode ser envolvida?
- A Ordem Secular pode colaborar?
- Celebramos ou conhecemos o Tempo da Criação?
- Podemos realizar alguma ação conjunta com outras comunidades cristãs?
- Há possibilidades de colaboração inter-religiosa?
- Nossa preocupação ecológica aparece apenas em ocasiões especiais ou começa a fazer parte de nossa pastoral?
Para decidir
Uma iniciativa pastoral para o próximo período:
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14. Administração e economia
O orçamento também revela nossas prioridades.
- Nas compras, consideramos apenas o menor preço?
- Levamos em conta durabilidade e necessidade?
- Nossas reformas consideram eficiência e sustentabilidade?
- Existe desperdício provocado por falta de manutenção?
- O planejamento econômico poderia incluir alguma melhoria ambiental?
- Nossas decisões financeiras são coerentes com a pobreza que professamos?
Para discernir
Como unir responsabilidade econômica, pobreza evangélica e responsabilidade ambiental?
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15. Formação
- Conhecemos a Laudato si’?
- Os frades em formação recebem elementos de ecologia integral?
- A formação permanente aborda essas questões?
- Conhecemos o que nossas próprias Constituições oferecem sobre nossa relação com as criaturas?
- Conseguimos relacionar ecologia com pobreza, fraternidade, justiça e serviço?
Para decidir
Um tema que estudaremos juntos durante o próximo ano:
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16. O exame do artigo 299
Agora, retomemos o critério das Constituições.
Paz
Nossa comunidade vive sem violência desnecessária contra a criação?
Misericórdia
Sabemos perceber e acolher a vulnerabilidade das criaturas e das pessoas atingidas pela degradação ambiental?
Justiça
Assumimos nossa parcela de responsabilidade pelas consequências ambientais de nosso estilo de vida?
Amor construtivo
Estamos apenas evitando fazer mal ou estamos também cuidando, restaurando e fazendo crescer?
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17. Três compromissos comunitários
Depois do diálogo, não se escolha uma longa lista.
A comunidade deverá discernir três compromissos possíveis, concretos e verificáveis.
Compromisso 1
O que faremos:
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Quem acompanhará:
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Quando será avaliado:
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Compromisso 2
O que faremos:
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Quem acompanhará:
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Quando será avaliado:
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Compromisso 3
O que faremos:
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Quem acompanhará:
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Quando será avaliado:
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18. Avaliação
Na data estabelecida, o Capítulo retomará os três compromissos.
Para cada um, perguntará:
Foi realizado?
Que resultado produziu?
Que dificuldade encontramos?
O compromisso deve continuar?
Precisa ser modificado?
Qual será o passo seguinte?
A avaliação não procura culpados.
Procura conversão.
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19. Síntese comunitária
Ao final, cada irmão pode responder brevemente:
Uma coisa pela qual agradeço:
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Uma coisa que reconheço que precisamos mudar:
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Uma atitude pessoal que assumirei:
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20. Oração conclusiva
Ó Deus, Pai de todos,
nós vos agradecemos por este momento
de escuta, discernimento e fraternidade.
Recebei aquilo que reconhecemos,
nossas limitações
e os compromissos que assumimos.
Não permitais que nossas decisões
permaneçam apenas escritas.
Dai-nos perseverança
para transformar pequenos gestos
em um novo estilo de vida.
Fazei-nos pobres sem tristeza,
sóbrios sem dureza,
responsáveis sem orgulho
e contemplativos sem fugir das dores do mundo.
Santa Maria,
Mãe e Serva do Senhor,
ensinai-nos a guardar a vida,
a perceber as necessidades antes que nos sejam pedidas
e a permanecer junto às cruzes da humanidade e da criação.
Como Servos, queremos habitar esta Casa Comum
em fraternidade com todos,
mantendo para com as criaturas
relações de paz, misericórdia, justiça
e amor construtivo.
Por Cristo, nosso Senhor.
Amém.
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Para uso comunitário
Periodicidade sugerida: anual.
Âmbito: Capítulo conventual, comunidade formativa ou outra comunidade da Família Servita, com as adaptações necessárias.
Método: oração → escuta → exame → discernimento → três compromissos → avaliação.
Texto orientador: Constituições OSM, art. 299.
Aprofundamento: XIII — Laudato si’ e o carisma dos Servos de Maria; 12 compromissos Laudato si’ para uma comunidade servita; Laudato si’, especialmente nn. 216–221.
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Da contemplação à conversão. Da conversão ao cuidado.
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