Do dom de ser reunidos à tarefa de tornar-se irmãos
O que significa chamar alguém de frade?
Na vida cotidiana podemos usar essa palavra quase automaticamente.
Frei João.
Frei Pedro.
Frei Antônio.
Mas Frei Camille M. Jacques, OSM, em seu estudo “A fraternidade nas Constituições OSM”, convida-nos a redescobrir a força dessa palavra.
Frade significa irmão.
E isso não é apenas um título.
É um programa de vida.
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Uma palavra que revela uma identidade
As Constituições utilizam constantemente a palavra frade para designar os membros da Ordem.
Frei Camille recorda que o termo vem do latim frater: irmão.
Sua utilização difundiu-se especialmente entre as Ordens mendicantes surgidas na Idade Média.
A escolha dessa palavra expressava uma compreensão particular da vida religiosa.
Não simplesmente homens que moram juntos.
Mas:
irmãos.
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Uma espiritualidade mendicante da fraternidade
A tradição monástica valorizou profundamente a solidão como espaço de encontro com Deus.
As Ordens mendicantes colocaram uma ênfase particular também na dimensão:
comunitária e fraterna.
O irmão torna-se caminho de conformação a Cristo.
Não buscamos Deus apesar dos irmãos.
Também o buscamos através da vida com os irmãos.
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Antes de ser padre, somos frades
Essa constatação possui uma consequência importante.
Na Ordem, alguém pode receber ou não o ministério ordenado.
Isso depende da vocação e do serviço de cada um.
Mas todos possuem uma identidade comum:
frades.
Por isso, o título fundamental permanece aquele que expressa a fraternidade.
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Igualdade entre os irmãos
A Constituição 9 é muito clara:
todos somos e nos chamamos Servos; todos, enquanto irmãos, possuímos a mesma dignidade e somos iguais entre nós.
Essa afirmação toca diretamente a maneira como compreendemos autoridade, ministério, formação e relações comunitárias.
Há diferentes funções.
Há diferentes responsabilidades.
Há diferentes ministérios.
Mas não existem diferentes graus de dignidade fraterna.
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“Vós sois todos irmãos”
Frei Camille relaciona essa igualdade às palavras de Jesus:
“Vós sois todos irmãos.”
O fundamento último da fraternidade não é nossa simpatia.
Nem nossa origem.
Nem nossa formação.
Nem o fato de termos escolhido viver juntos.
Somos irmãos porque temos:
um mesmo Pai.
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Uma redação verdadeiramente comunitária
Há um aspecto histórico muito interessante no estudo.
As Constituições atuais nasceram do processo de renovação pedido pelo Concílio Vaticano II.
Frei Camille recorda que, entre 1965 e 1968, os frades foram amplamente consultados durante sua elaboração.
Frei Michel M. Sincerny chegou a falar de uma verdadeira:
“redação coletiva”.
Isso possui valor simbólico.
Uma legislação que coloca a fraternidade no centro foi também construída através de um amplo processo de participação dos irmãos.
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A comunhão fraterna é essencial
Frei Camille recupera uma afirmação decisiva de Frei Michel M. Sincerny:
sem comunhão fraterna não seríamos autênticos Servos de Maria.
A frase é forte.
A fraternidade não é um aspecto entre muitos.
Ela atravessa toda a vocação.
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A oração de Jesus
O primeiro fundamento é o próprio desejo de Cristo:
“Que sejam um.”
A comunhão dos irmãos encontra sua fonte na comunhão entre o Filho e o Pai.
Nossa fraternidade, portanto, possui dimensão teológica.
Quando os irmãos procuram tornar-se um, manifestam algo do mistério de Deus.
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Um só coração e uma só alma
O segundo grande modelo é a comunidade apostólica.
Os Atos dos Apóstolos descrevem os primeiros cristãos como:
“um só coração e uma só alma”.
E acrescentam:
ninguém considerava exclusivamente seu aquilo que possuía.
A comunhão espiritual torna-se também comunhão concreta.
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“Tudo em comum”
Essa expressão possui importância particular para a tradição mendicante.
Frei Camille chama atenção para a antiga expressão:
sine proprio — sem propriedade própria.
A pobreza evangélica não significa simplesmente carência.
Significa liberdade do apego egoístico e capacidade de:
partilhar.
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A Regra de Santo Agostinho
A Regra pede que os irmãos vivam:
unânimes na casa, com uma só alma e um só coração voltados para Deus.
A casa religiosa não deveria ser apenas residência comum.
Deveria tornar-se espaço de unidade.
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Os Sete primeiros Padres
A tradição servita oferece um terceiro grande modelo.
A Legenda de Origine apresenta os Sete profundamente unidos por:
amizade e vínculos de amor.
A fraternidade aparece, portanto, nas próprias origens da Ordem.
Antes de grandes estruturas.
Antes das obras.
Antes de muitas atividades.
Havia irmãos que desejavam permanecer unidos.
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Uma amizade que se torna vocação
A Legenda descreve de maneira muito intensa essa amizade.
Os Sete chegaram a experimentar grande dificuldade até mesmo quando precisavam permanecer separados.
Não precisamos reproduzir literalmente sua experiência.
Mas ela revela alguma coisa essencial:
a vocação servita não é concebida como caminho solitário.
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Comunhão de bens, aspirações e atividades
A Constituição 3 traduz esse ideal para nossa vida.
Unidos pela caridade e sustentados pela estima recíproca, colocamos em comum:
bens;
aspirações;
atividades.
E tomamos fraternalmente nossas decisões.
Isso é muito mais exigente do que simplesmente morar sob o mesmo teto.
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Colocar em comum as aspirações
Talvez seja relativamente simples colocar determinados bens materiais em comum.
Mais difícil é colocar em comum:
projetos;
sonhos;
preocupações;
esperanças;
dificuldades;
planos pastorais.
Uma verdadeira fraternidade precisa aprender também essa forma de partilha.
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A comunhão informa toda a vida
Segundo a apresentação das Constituições retomada por Frei Camille, a comunhão fraterna:
caracteriza nosso testemunho do Evangelho;
informa nosso estilo de vida;
marca nosso trabalho;
orienta nossa oração;
determina nossa forma de governo;
imprime caráter ao apostolado;
é espaço da pobreza evangélica;
é ambiente da obediência;
protege nossa consagração;
é indispensável à formação;
favorece o desenvolvimento integral da pessoa.
Quase nada fica fora dela.
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O prior: primeiro entre os irmãos
Também a autoridade precisa ser compreendida fraternamente.
Frei Camille chama atenção para a palavra:
prior.
Ela não significa, em primeiro lugar, alguém separado dos irmãos.
É o:
“primeiro entre os irmãos”.
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Primeiro a servir
A autoridade servita encontra no Capítulo uma dimensão fundamental.
O prior é chamado a ser o primeiro:
a realizar aquilo que foi discernido em comum;
a obedecer com humildade;
a servir com caridade.
Autoridade e fraternidade não deveriam opor-se.
A autoridade existe para servir à comunhão.
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Sustentar cada irmão
As Constituições atribuem ao prior tarefas profundamente humanas.
Sustentar cada frade em seu compromisso.
Considerar suas capacidades.
Ser solidário nas dificuldades.
Ajudá-lo a alcançar sua plenitude em Cristo.
Estar disponível para acolher e escutar.
Ter atenção particular aos enfermos e aos que necessitam de cuidado.
O governo começa pela atenção às pessoas.
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“Onde está teu irmão?”
Frei Camille escolhe uma pergunta bíblica particularmente forte:
“Onde está Abel, teu irmão?”
A fraternidade aparece pela primeira vez na Escritura dentro de uma tragédia.
Um irmão matou outro.
E Deus pergunta pelo irmão.
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Somos guardiões uns dos outros?
Caino responde:
“Sou, por acaso, o guarda de meu irmão?”
Toda a tradição bíblica parece responder:
sim.
Somos responsáveis uns pelos outros.
Não no sentido de controlar.
Mas de:
cuidar;
servir;
consolar;
escutar;
aproximar-se.
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Quando um irmão cai
Essa responsabilidade aparece de maneira particularmente delicada nas Constituições.
Diante do irmão que erra, somos chamados a permanecer próximos com caridade.
Porque, recordam as Constituições, muitas vezes alguém cai também porque não foi suficientemente sustentado por nosso:
amor e compreensão.
Essa afirmação impede uma comunidade construída apenas sobre julgamento.
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Misericórdia
A fraternidade não pode existir sem misericórdia.
Todos caminhamos para a caridade perfeita carregando fragilidades.
Erramos.
Ferimos.
Somos feridos.
Por isso, as Constituições aplicam à vida comunitária as palavras de Jesus:
“Sede misericordiosos.”
“Perdoai.”
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Uma característica dos Servos
Frei Camille destaca que as próprias Constituições reconhecem a misericórdia como uma das:
características dos Servos.
E relacionam essa atitude ao exemplo da Mãe de Deus.
Assim, fraternidade e inspiração mariana encontram-se novamente.
Ser Servo de Maria deveria tornar-nos mais misericordiosos.
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Sem perdão não existe crescimento fraterno
O autor é muito claro:
não existe crescimento possível na comunhão fraterna sem perdão.
Uma comunidade pode manter:
horários;
reuniões;
orações;
refeições;
atividades.
E ainda assim permanecer profundamente dividida.
A fraternidade exige reconciliação.
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O diálogo fraterno e aberto
Outro elemento indispensável é o diálogo.
As Constituições falam de diálogo:
fraterno e aberto.
Frei Camille explica que dialogar significa saber:
comunicar;
escutar;
respeitar;
estimar.
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Falar sobre aquilo que nos está no coração
Comunicação fraterna não é simplesmente trocar informações práticas.
É conseguir partilhar:
aquilo em que acreditamos;
nossa fé frágil;
pensamentos;
sonhos;
preocupações;
aquilo que realmente nos importa.
Uma comunidade torna-se mais profunda quando os irmãos conseguem falar do que carregam no coração.
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Aprender a escutar
Mas diálogo exige também disciplina interior.
Escutar significa não rejeitar imediatamente aquilo que o outro diz.
Significa controlar a reação defensiva.
Fazer silêncio.
Permitir que uma perspectiva inesperada chegue até nós.
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A mesa comum
Entre as expressões concretas que alimentam a fraternidade, as Constituições destacam três.
A primeira é:
a mesa comum.
Comer juntos não é detalhe doméstico.
A mesa cria encontro.
Permite conversa.
Revela ausências.
Constrói memória.
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A oração litúrgica
A segunda é:
a oração litúrgica.
Os irmãos apresentam-se juntos diante de Deus.
Escutam a mesma Palavra.
Louvam com a mesma voz.
Intercedem pelas mesmas necessidades.
A oração comum recorda-nos continuamente que não fomos nós que inventamos a fraternidade.
Fomos reunidos pelo Senhor.
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O Capítulo
A terceira expressão é:
o Capítulo.
Ali a fraternidade torna-se:
escuta;
discernimento;
corresponsabilidade;
decisão.
Por isso, mesa, liturgia e Capítulo não deveriam ser vistos apenas como obrigações de calendário.
São lugares onde a fraternidade é alimentada.
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A vida comunitária como penitência
Há uma afirmação surpreendente das Constituições retomada pelo autor.
Para nós, Servos, a penitência consiste especialmente:
na caridade entendida como serviço recíproco e na experiência da vida comunitária assumida com compromisso sincero e generoso.
A fraternidade possui também uma dimensão ascética.
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O irmão também me converte
Viver com outras pessoas revela limites que talvez permanecessem escondidos se estivéssemos sozinhos.
Impaciência.
Rigidez.
Egoísmo.
Necessidade de controle.
Dificuldade de perdoar.
Individualismo.
A fraternidade torna-se lugar de conversão.
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A comunidade é lugar de formação
Frei Camille insiste também na relação entre fraternidade e formação.
As Constituições afirmam que a experiência concreta da vida fraterna é base para a formação do Servo de Maria.
E a Ratio Institutionis sintetiza:
“o lugar privilegiado da formação é a comunidade”.
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Formamos pelo que somos
A formação não acontece apenas em aulas.
Os jovens observam:
como rezamos;
como falamos uns dos outros;
como resolvemos conflitos;
como tratamos os idosos;
como acolhemos;
como partilhamos;
como exercemos autoridade;
como trabalhamos.
A comunidade inteira forma.
Para o bem ou para o mal.
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O exemplo que deixamos
A Legenda de Origine contém uma responsabilidade impressionante.
Os primeiros Padres deixaram-nos um exemplo.
Nós também deveremos deixar exemplo aos que vierem depois.
E esses deverão transmiti-lo aos seguintes.
A fraternidade possui, portanto, uma dimensão:
geracional.
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Que comunidade deixaremos?
A pergunta não é somente:
que casas deixaremos?
que obras deixaremos?
que patrimônio deixaremos?
Existe uma pergunta ainda mais importante:
que maneira de ser irmãos deixaremos à próxima geração?
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A fraternidade não termina no convento
Até aqui poderíamos imaginar que fraternidade significa apenas a relação entre os frades.
Frei Camille mostra que as Constituições vão muito além.
A comunidade servita é enviada para:
estender sua fraternidade.
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Aos homens e mulheres divididos
A Constituição 74 contempla uma humanidade dividida por:
idade;
nação;
raça;
religião;
riqueza;
educação.
É justamente para dentro dessas divisões que somos enviados.
A fraternidade vivida dentro da casa deve tornar-se missão fora dela.
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Participar das esperanças e dores do mundo
A Ordem não permanece à margem da sociedade.
Insere-se nela.
Trabalha no mundo.
Participa de suas:
esperanças e dores.
A fraternidade possui, portanto, uma dimensão social.
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Agir juntos
Também o apostolado recebe forma fraterna.
Segundo a Constituição 75, a comunidade:
assume os compromissos apostólicos;
programa sua realização;
prefere o trabalho em equipe;
colabora com outras pessoas e instituições;
ajuda os frades a desenvolver seus dons;
prepara-os para a missão;
avalia periodicamente a autenticidade de sua vida e serviço.
A fraternidade torna-se método pastoral.
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Uma comunidade “contagiosa”
Frei Camille utiliza uma expressão muito sugestiva.
Nossas comunidades deveriam ser:
“contagiosas” de fraternidade.
As Constituições dizem que devem:
irradiar seu amor no mundo ao redor.
A fraternidade não deveria ficar presa dentro das paredes do convento.
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Paróquia e fraternidade
Quando uma comunidade assume responsabilidade paroquial, também ali o amor fraterno deve alargar-se.
O objetivo não é apenas administrar uma estrutura.
É suscitar ao redor dos frades:
uma comunidade de fé cada vez mais ampla.
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Religiosos e leigos juntos
A Constituição 83 insiste ainda na unidade da ação pastoral.
O trabalho torna-se eficaz quando nasce do contributo de:
todos — religiosos e leigos.
A fraternidade abre espaço à corresponsabilidade.
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Hospitalidade
Existe outro modo muito concreto de estender fraternidade:
acolher.
As Constituições veem no hóspede o Filho do Homem que se apresenta como peregrino.
A hospitalidade torna-se:
serviço;
comunhão;
encontro com Cristo.
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Especialmente os mais humildes
O acolhimento não deveria selecionar apenas pessoas agradáveis ou importantes.
As Constituições pedem:
acolher todos, especialmente os mais humildes.
E acrescentam:
escutá-los com participação fraterna.
Novamente aparece a escuta.
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A fraternidade é anúncio
Chegamos então a um dos pontos mais fortes do estudo.
Qual é nosso primeiro anúncio do Evangelho?
Antes das palavras, responde Frei Camille:
a própria testemunha de vida fraterna.
Jesus disse:
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns pelos outros.”
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Amar e ser amado
A Boa-Nova torna-se visível quando alguém encontra uma comunidade em que as pessoas:
se respeitam;
se ajudam;
perdoam;
rezam juntas;
partilham;
acolhem;
trabalham em comunhão.
A fraternidade é uma forma de querigma vivido.
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Uma fraternidade maior
As Constituições lembram ainda que a comunhão entre os irmãos cria relações entre as próprias comunidades.
Assim nasce:
uma fraternidade mais ampla.
Convento.
Província.
Ordem.
Família Servita.
Igreja.
Humanidade.
A fraternidade possui círculos que continuamente se alargam.
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“Cada homem é meu irmão”
Frei Camille situa essa espiritualidade também dentro do Magistério.
Recorda São João XXIII e seu desejo de que os povos se reconhecessem irmãos.
Recorda São Paulo VI e a mensagem:
“Cada homem é meu irmão.”
E chega à Fratelli tutti do Papa Francisco.
A fraternidade servita participa de uma vocação humana muito maior.
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Paz e fraternidade
São Paulo VI relacionava a verdadeira paz com:
justiça;
dignidade humana;
igualdade;
fraternidade.
Não existe paz duradoura quando o outro deixa de ser reconhecido como irmão.
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Uma fraternidade sem fronteiras
A Fratelli tutti amplia ainda mais essa perspectiva.
Fraternidade significa atravessar barreiras geográficas e sociais.
Caminhar junto:
aos pobres;
abandonados;
enfermos;
descartados;
últimos.
A fraternidade cristã não escolhe apenas irmãos semelhantes a nós.
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O Servo de Maria diante do irmão
Ao final de seu estudo, Frei Camille não oferece apenas uma teoria.
Apresenta perguntas concretas de revisão.
Elas merecem tornar-se exame de consciência.
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Aceito a pessoa?
Aceito os outros ou, em nome dos princípios, esqueço a pessoa?
É possível defender coisas corretas de maneira pouco fraterna.
A verdade cristã nunca nos autoriza a desprezar a pessoa.
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Que atmosfera ajudo a criar?
Colaboro para que exista na comunidade uma atmosfera fraterna?
Cada irmão contribui para o clima da casa.
Com palavras.
Silêncios.
Gestos.
Disponibilidade.
Humor.
Rigidez.
Acolhida.
---
Meus gestos são gratuitos?
Meus gestos expressam gratuidade, solidariedade, encorajamento e verdadeira estima?
Fraternidade não vive apenas de grandes decisões.
É construída nos pequenos gestos repetidos.
---
Como recebo o julgamento dos outros?
Comporto-me com maturidade diante do julgamento alheio?
Uma comunidade fraterna precisa aprender também a receber:
correção;
observação;
discordância.
Nem toda crítica é rejeição.
---
Estou disponível?
Torno-me disponível às necessidades da comunidade?
Fraternidade custa tempo.
Interrompe planos.
Pede serviço.
Exige flexibilidade.
---
Sou responsável pela comunhão?
Assumo responsabilidade por criar comunhão e promover diálogo?
É fácil perceber aquilo que os outros deveriam fazer.
A pergunta de Frei Camille retorna a cada um:
e eu?
---
Interesso-me pela Província e pela Ordem?
A fraternidade não termina na casa onde moro.
O autor conclui perguntando também se nos interessamos pela vida:
da Província e da Ordem.
Uma comunidade fechada em si mesma ainda não vive toda a amplitude da fraternidade servita.
---
“Onde está teu irmão?”
Podemos voltar agora à pergunta inicial da Escritura.
Onde está teu irmão?
Está ao meu lado na mesa.
Está comigo no coro.
Está no Capítulo.
Está enfermo no quarto.
Está trabalhando longe.
Está envelhecendo.
Está enfrentando uma crise.
Está alegre.
Está cansado.
Está em outra comunidade.
Está em outra Província.
Está entre os pobres.
Está à porta de nossa casa.
Está numa cultura diferente.
Está entre aqueles com quem discordamos.
---
A resposta servita
Diante da pergunta de Deus, o Servo de Maria não pode responder:
“Não sei. Sou acaso responsável por meu irmão?”
Nossa vocação responde:
sim.
Sou irmão.
Sou chamado a cuidar.
E também preciso permitir que meus irmãos cuidem de mim.
---
Fraternidade: dom e tarefa
Ninguém fabrica sozinho uma fraternidade.
Somos reunidos no nome do Senhor.
Esse é o dom.
Mas todos os dias precisamos:
acolher;
escutar;
partilhar;
servir;
dialogar;
perdoar;
discernir;
trabalhar juntos;
rezar juntos;
sentar-nos à mesma mesa;
recomeçar.
Essa é a tarefa.
---
Servos porque irmãos
Talvez uma das grandes contribuições do estudo de Frei Camille seja recordar algo muito simples.
Antes de nossas funções,
somos irmãos.
Antes dos títulos,
somos irmãos.
Antes das responsabilidades,
somos irmãos.
Antes das diferenças entre ordenados e não ordenados,
somos irmãos.
E justamente como irmãos somos enviados.
Para que aquilo que procuramos viver dentro de nossas comunidades possa alcançar o mundo.
Assim, a fraternidade deixa de ser somente uma característica interna da Ordem.
Torna-se:
testemunho do Evangelho;
escola de misericórdia;
forma de governo;
caminho de formação;
método de missão;
serviço à reconciliação;
e anúncio de que, em Cristo, todos somos irmãos.
---
Para guardar
Um só coração e uma só alma.
Vós sois todos irmãos.
Onde está teu irmão?
Estender nossa fraternidade.
Quatro expressões.
Um único caminho.
Tornar-nos, cada dia, aquilo que nosso próprio nome já diz: irmãos.
---
Fonte principal: Frei Camille M. Jacques, OSM, La fraternità nelle Costituzioni O.S.M.
Fontes servitas trabalhadas pelo autor: Constituições OSM; Regra de Santo Agostinho; Legenda de Origine Ordinis; Chamados a servir por amor com Santa Maria — Ratio Institutionis OSM.
Eixos bíblicos principais: Gn 4,9; At 2,42-47; At 4,32-35; Mt 23,8-9; Jo 13,34-35; Jo 17,11.20-21; Lc 10,25-37.
Magistério destacado pelo autor: Vaticano II, especialmente Perfectae caritatis e Lumen gentium; São João XXIII, Pacem in terris; São Paulo VI, Cada homem é meu irmão; A vida fraterna em comunidade — Congregavit nos in unum Christi amor; São João Paulo II, Vita consecrata; Francisco, Fratelli tutti.
Constituições OSM particularmente trabalhadas: 1, 2, 3, 5, 9, 43, 47, 48, 52, 56, 64, 68, 71, 74, 75, 79, 82, 83, 89, 108, 121 e 141.
Segundo Ciclo — O Servo de Maria no mundo
XIX — A fraternidade na vida dos Servos de Maria
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Reunidos como irmãos. Formados como irmãos. Enviados para estender a fraternidade.
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