Com Maria, rever nossa vocação e nossa fraternidade
«“Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.”
(Lc 1,38)»
A vocação do Servo de Maria encontra na Virgem uma constante inspiração.
Contemplar Maria não significa apenas recordar seus privilégios ou multiplicar práticas devocionais. Significa permitir que suas atitudes evangélicas interroguem nossa maneira de viver.
Maria escuta.
Maria responde.
Maria parte para servir.
Maria percebe as necessidades.
Maria permanece junto à Cruz.
Maria reúne-se com a comunidade.
À luz dessas atitudes, podemos rever nossa própria vida.
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1. NAZARET — ESCUTAR
“Eis aqui a serva do Senhor”
Tudo começa pela escuta.
Antes de servir, Maria escuta.
Antes de partir, acolhe.
Antes de agir, deixa que a Palavra entre em sua vida.
Para o Servo de Maria, a escuta não é uma atitude secundária. Ela está na raiz da vocação.
Para refletir
Como está minha escuta de Deus?
Tenho reservado tempo verdadeiro para a Palavra?
A lectio divina faz parte de minha vida ou tornou-se ocasional?
Escuto a Palavra procurando converter minha vida ou apenas procurando algo para transmitir aos outros?
Consigo permanecer em silêncio diante de Deus?
Na fraternidade
Nós nos escutamos?
Quando um irmão fala, procuro verdadeiramente compreender o que ele está vivendo?
Há irmãos que deixamos de escutar?
Nossos Capítulos conventuais são espaços reais de discernimento ou apenas momentos administrativos?
Somos capazes de escutar opiniões diferentes das nossas?
Oração
Santa Maria, mulher da escuta,
ensine-nos a acolher a Palavra,
a escutar nossos irmãos
e a reconhecer a voz de Deus
nos acontecimentos de nossa vida.
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2. VISITAÇÃO — SERVIR
“Maria partiu apressadamente”
A Palavra acolhida coloca Maria a caminho.
Ela não permanece fechada na própria experiência espiritual.
Vai ao encontro de Isabel.
A espiritualidade torna-se serviço.
Para refletir
Minha vida religiosa tornou-me mais disponível?
Quando alguém precisa de mim, minha primeira reação é disponibilidade ou incômodo?
Sirvo somente quando me pedem?
Escolho os serviços que me agradam?
Tenho conservado a alegria de servir?
Na fraternidade
Quem está carregando mais peso em nossa comunidade?
Existem tarefas que sempre ficam para os mesmos irmãos?
Percebemos quando um irmão está cansado?
Sabemos ajudar antes que seja necessário pedir?
Uma pergunta simples
Quando foi a última vez que fiz algo por um irmão sem que ele precisasse pedir?
Oração
Santa Maria da Visitação,
dê-nos um coração disponível.
Liberte-nos da comodidade
e ensine-nos a reconhecer
quando um irmão necessita de nossa presença.
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3. MAGNIFICAT — OLHAR A HISTÓRIA COM OS OLHOS DE MARIA
“Minha alma engrandece o Senhor”
Maria não contempla somente sua própria história.
No Magnificat, ela contempla a ação de Deus na história do seu povo.
Reconhece a misericórdia divina.
Percebe os pequenos.
Recorda os pobres.
Espera a justiça de Deus.
Para refletir
Como estou olhando o mundo?
Apenas reclamo das mudanças do nosso tempo?
Consigo reconhecer sinais da ação de Deus?
Minha espiritualidade aproxima-me ou distancia-me dos sofrimentos das pessoas?
Conheço a realidade concreta daqueles a quem servimos?
Na fraternidade
Nossa comunidade conhece as necessidades das pessoas ao nosso redor?
Quais sofrimentos existem em nosso bairro, paróquia ou campo de missão?
Quais pessoas permanecem invisíveis para nós?
Pergunta fundamental
Que realidade humana deveria inquietar hoje um Servo de Maria?
Oração
Virgem do Magnificat,
dê-nos seus olhos.
Que saibamos reconhecer
a misericórdia de Deus na história
e escutar o clamor dos pequenos.
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4. CANÁ — PERCEBER
“Eles não têm vinho”
Maria percebe aquilo que falta.
Ninguém lhe pede.
Ela simplesmente vê.
Essa é uma das formas mais delicadas da compaixão.
Para refletir
Tenho olhos para perceber as necessidades?
Consigo reconhecer a tristeza escondida atrás do silêncio de um irmão?
Estou atento aos idosos, enfermos e irmãos mais frágeis?
Percebo os jovens que procuram orientação?
Na fraternidade
O que está faltando entre nós?
Mais diálogo?
Mais oração?
Mais alegria?
Mais silêncio?
Mais convivência?
Mais confiança?
Mais corresponsabilidade?
Mais perdão?
E ainda
Quem, entre nós, talvez esteja dizendo silenciosamente: “não tenho mais vinho”?
Oração
Nossa Senhora de Caná,
ensine-nos a perceber.
Dê-nos olhos atentos
e um coração delicado
para reconhecer aquilo que falta
na vida de nossos irmãos.
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5. CALVÁRIO — PERMANECER
“Junto à Cruz de Jesus estava sua Mãe”
Chegamos ao coração da espiritualidade servita.
Maria permanece.
Não pode retirar a Cruz.
Não consegue impedir o sofrimento do Filho.
Mas não abandona.
Essa presença silenciosa torna-se para os Servos uma imagem condutora.
Somos chamados a estar com Maria junto às inúmeras situações nas quais nossos irmãos experimentam sofrimento.
Para refletir
Como reajo diante do sofrimento?
Aproximo-me ou fujo?
Sei permanecer quando não tenho respostas?
Consigo acompanhar alguém sem tentar explicar tudo?
Tenho paciência com a fragilidade dos outros?
As cruzes dentro da comunidade
Também existem cruzes em nossas próprias fraternidades.
Envelhecimento.
Doença.
Cansaço.
Solidão.
Incompreensões.
Fracassos.
Conflitos.
Limitações pessoais.
Pergunta decisiva
Qual cruz de um irmão estou sendo chamado a ajudar a carregar?
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AS INFINITAS CRUZES
Nossa espiritualidade não termina dentro do convento.
Existem cruzes espalhadas pelo mundo.
Pobreza.
Violência.
Migração.
Abandono.
Doença.
Solidão.
Dependência.
Luto.
Fome.
Conflitos familiares.
Jovens sem horizonte.
Idosos esquecidos.
Pessoas que perderam a esperança.
Não podemos estar fisicamente diante de todas elas.
Mas uma comunidade servita precisa perguntar:
junto a quais cruzes Deus está nos pedindo que permaneçamos hoje?
Oração
Santa Maria junto à Cruz,
ensine-nos a permanecer.
Quando não pudermos retirar a dor,
que não abandonemos quem sofre.
Faça de nós homens de compaixão
e servidores da esperança.
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6. CENÁCULO — CONSTRUIR COMUNHÃO
“Todos perseveravam unidos em oração, com Maria”
Depois da Cruz, encontramos Maria entre os discípulos.
Ela permanece no meio da comunidade.
A mulher do Calvário é também a mulher do Cenáculo.
Para refletir
Sou construtor de comunhão?
Minha presença aproxima ou divide?
Como falo dos irmãos quando eles não estão presentes?
Se existe conflito, procuro reconciliação?
Se cometi uma injustiça, sei pedir perdão?
Se fui ferido, sou capaz de iniciar um caminho de perdão?
Na fraternidade
Existem conflitos que estamos simplesmente adiando?
Há conversas que precisam acontecer?
Há alguém que precisa pedir perdão?
Há alguém que precisa ser novamente acolhido?
Uma pergunta exigente
Se todos os irmãos tivessem minhas atitudes, nossa comunidade seria mais fraterna?
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OS SETE E NOSSA FRATERNIDADE
Nossos primeiros Padres escolheram viver juntos.
A tradição servita recorda sua profunda amizade e concórdia.
Não eram homens idênticos.
Tornaram-se irmãos.
Também nós não escolhemos necessariamente aqueles com quem viveremos.
Mas podemos escolher:
acolher;
respeitar;
escutar;
perdoar;
servir;
recomeçar.
A fraternidade é graça.
Mas também é tarefa.
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SETE PERGUNTAS PARA UM CAPÍTULO CONVENTUAL
Ao final, a comunidade pode permanecer alguns minutos em silêncio diante destas perguntas:
1. O que Deus está dizendo atualmente à nossa comunidade?
2. Quem, entre nós, precisa ser mais escutado?
3. Onde nossa fraternidade precisa crescer?
4. Qual necessidade estamos vendo, mas ainda não enfrentamos?
5. Qual sofrimento humano ao nosso redor pede uma resposta de nossa comunidade?
6. Existe alguma reconciliação que precisamos iniciar?
7. O que Maria nos diria hoje se entrasse em nosso Capítulo conventual?
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EXAME PESSOAL
Posso concluir perguntando diante de Deus:
Tenho escutado como Maria?
Tenho servido como Maria?
Tenho olhado a história como Maria?
Tenho percebido como Maria?
Tenho permanecido junto à Cruz como Maria?
Tenho construído comunhão como Maria?
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ORAÇÃO FINAL
Santa Maria, Mãe e Serva do Senhor,
imagem condutora de nossa vida,
olhe para esta fraternidade
que deseja servir seu Filho.
Ensine-nos a escutar a Palavra
com o coração disponível de Nazaré.
Coloque-nos a caminho,
como você partiu para servir Isabel.
Dê-nos os olhos do Magnificat,
capazes de reconhecer a misericórdia de Deus
e o sofrimento dos pequenos.
Dê-nos a delicadeza de Caná,
para perceber aquilo que falta
antes mesmo que nossos irmãos precisem pedir.
Conduza-nos ao Calvário.
Diante das infinitas cruzes
onde Cristo continua sofrendo em seus irmãos,
ensine-nos a não fugir.
Quando não pudermos retirar a cruz,
ensine-nos a permanecer.
E reúna-nos no Cenáculo,
para que nossa fraternidade seja
casa de oração,
lugar de reconciliação,
escola de comunhão
e sinal de esperança.
Faça de nós verdadeiramente
irmãos servos,
homens de misericórdia,
construtores de justiça,
ministros da unidade e da paz.
Santa Maria,
Virgem Gloriosa,
Mãe e Serva do Senhor,
caminhe conosco
e ensine-nos a servir.
Amém.
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