Formar-se para toda a vida
Para exame pessoal e comunitário
A formação do Servo de Maria não termina com a profissão solene, com os estudos acadêmicos ou com a ordenação presbiteral.
Somos homens em formação durante toda a vida.
Deus continua formando-nos por meio de sua Palavra, da liturgia, da fraternidade, das Constituições, da história da Ordem, do serviço apostólico, dos pobres, dos acontecimentos e até mesmo de nossas limitações.
Formar-se significa permitir que Cristo tome forma em nós.
Por isso, antes de perguntar quanto sabemos, devemos perguntar:
Continuamos disponíveis para aprender, mudar e crescer?
1. Ainda sou discípulo?
- Continuo considerando-me alguém em formação?
- Ou penso que minha idade e experiência já me dispensam de aprender?
- Tenho curiosidade espiritual e intelectual?
- Sei reconhecer aquilo que ainda não conheço?
- Aceito aprender com irmãos mais jovens?
- Aceito aprender com os mais idosos?
- Consigo dizer: “Eu estava errado”?
- O passar dos anos está tornando-me mais disponível ou mais rígido?
2. Formação humana
A graça não elimina nossa humanidade; trabalha nela.
- Conheço minhas qualidades?
- Conheço minhas fragilidades?
- Sei identificar minhas emoções?
- Como reajo à frustração?
- Como lido com críticas?
- Tenho maturidade para reconhecer quando preciso de ajuda?
- Cuido adequadamente de minha saúde física e psicológica?
- Sei descansar?
- Minha maneira de relacionar-me demonstra maturidade?
3. Formação espiritual
- Minha relação com Deus está crescendo?
- Tenho oração pessoal?
- Pratico a escuta da Palavra?
- Celebro a Eucaristia com profundidade?
- A Liturgia das Horas alimenta minha vida?
- Tenho acompanhamento espiritual?
- Faço revisão de vida?
- Existem áreas de minha existência que evito colocar diante de Deus?
4. Formação servita
- Conheço nossas Constituições?
- Leio-as apenas quando surge um problema jurídico?
- Conheço a Legenda de origine e as principais fontes da Ordem?
- Conheço suficientemente os Sete Primeiros Pais?
- Conheço nossos santos e beatos?
- Conheço a tradição mariana própria dos Servos?
- Aprofundo o significado de nossa fraternidade e serviço?
- Minha identidade servita tornou-se mais profunda ao longo dos anos?
5. Santa Maria, mestra de formação
Maria aprende a vontade de Deus escutando, guardando e discernindo.
- Tenho a mesma disponibilidade?
- Sei guardar acontecimentos no coração antes de julgá-los?
- Permito que Deus modifique meus projetos?
- Aprendo com Maria a escutar?
- Sua humildade ajuda-me a reconhecer que continuo aprendiz?
- Sua presença junto à Cruz forma em mim a compaixão?
6. Formação pela fraternidade
A comunidade é uma das principais escolas do frade.
- Permito que meus irmãos me formem?
- Escuto suas observações?
- Como recebo uma correção fraterna?
- Consigo reconhecer nos conflitos uma possibilidade de crescimento?
- Aprendo com as qualidades dos outros?
- Minha presença também ajuda os irmãos a crescer?
- Nossa comunidade é realmente um ambiente formativo?
7. Formação e correção fraterna
- Tenho liberdade para dizer a um irmão aquilo que pode ajudá-lo?
- Faço isso com caridade?
- Sei distinguir correção de crítica?
- Quando sou corrigido, escuto até o fim?
- Minha primeira reação é justificar-me?
- Agradeço quando alguém me ajuda a perceber algo que eu não via?
- Nossa comunidade possui confiança suficiente para a correção fraterna?
8. Formação intelectual
- Continuo estudando?
- Leio regularmente?
- Atualizo meus conhecimentos teológicos e pastorais?
- Procuro compreender as mudanças culturais?
- Tenho capacidade crítica diante das informações que recebo?
- Uso adequadamente os recursos digitais para minha formação?
- Minha preparação corresponde às responsabilidades que exerço?
- Estudo apenas aquilo de que gosto ou também aquilo de que minha missão necessita?
9. Formação pastoral
- Avalio minha maneira de exercer o ministério?
- Escuto as pessoas que sirvo?
- Estou aberto a novas metodologias pastorais?
- Conheço a realidade social do lugar onde vivo?
- Minha pastoral responde às necessidades atuais?
- Sei trabalhar em equipe?
- Aceito avaliações?
- Minha experiência pastoral está tornando-me mais próximo das pessoas?
10. Formação para a missão
- Estou preparado para servir em contextos diferentes?
- Tenho disponibilidade para aprender outro idioma, se necessário?
- Procuro compreender outras culturas?
- Tenho abertura para uma comunidade intercultural?
- Sei adaptar-me sem perder minha identidade?
- Estou disponível para missões que exijam sair de minha zona de conforto?
- Minha formação prepara-me para aquilo de que a Ordem necessita ou apenas para meus interesses?
11. Formação e responsabilidade pessoal
Nenhum formador pode substituir a responsabilidade do próprio frade.
- Assumo minha formação?
- Ou espero que outros organizem tudo?
- Tenho objetivos concretos de crescimento?
- Sei quais áreas de minha vida precisam de maior atenção?
- Procuro livros, cursos, acompanhamento e experiências que possam ajudar-me?
- Avalio periodicamente meu caminho?
- Sou protagonista responsável de minha formação?
12. Os formadores
Para aqueles que receberam diretamente o serviço da formação:
- Conheço verdadeiramente cada formando?
- Escuto antes de avaliar?
- Acompanho ou apenas supervisiono?
- Sei distinguir personalidade de problema vocacional?
- Respeito os diferentes ritmos de crescimento?
- Dou exemplo daquilo que ensino?
- Trabalho em comunhão com a comunidade formativa?
- Procuro também minha própria formação como formador?
13. A comunidade formadora
A formação nunca é tarefa exclusiva do mestre ou responsável.
- Nossa comunidade sabe que todos formam pelo exemplo?
- Aquilo que ensinamos aos jovens corresponde àquilo que vivemos?
- Eles encontram entre nós oração?
- Fraternidade?
- Diálogo?
- Simplicidade?
- Trabalho?
- Alegria?
- Conseguimos incluir os jovens na vida comunitária sem antecipar etapas?
- Damos testemunho de uma vida religiosa que merece ser escolhida?
14. Formação inicial
Quando convivemos com aspirantes, postulantes, noviços ou professos temporários:
- Respeitamos o objetivo próprio de cada etapa?
- Evitamos pressa?
- O discernimento é verdadeiro?
- Sabemos reconhecer sinais positivos?
- Temos coragem de reconhecer dificuldades sérias?
- Colocamos a qualidade vocacional acima da preocupação com números?
- Acompanhamos a pessoa concreta e não um modelo idealizado?
15. Formação permanente
A profissão solene não significa que a formação terminou.
Perguntemo-nos:
- O que aprendi no último ano?
- Que aspecto de minha personalidade amadureceu?
- Que aspecto de minha espiritualidade aprofundou-se?
- Que livro ou curso realmente me ajudou?
- Que correção aceitei?
- Que hábito mudei?
- Que nova capacidade desenvolvi?
Se não conseguimos identificar nada, precisamos perguntar se nossa formação permanente está realmente acontecendo.
16. Formação nas diferentes idades
Cada etapa da vida possui sua própria tarefa formativa.
Na juventude: aprender, integrar, discernir e consolidar.
Na maturidade: aprofundar, servir, assumir responsabilidades e transmitir.
Na velhice: simplificar, testemunhar, entregar, acompanhar e preparar-se para o encontro definitivo com o Senhor.
- Estou acolhendo a etapa que atualmente vivo?
- Ou tento permanecer numa fase que já passou?
- O que Deus deseja formar em mim nesta idade concreta?
17. Formação nas crises
Também as crises podem tornar-se lugares de formação.
- Como enfrento períodos de dificuldade?
- Procuro ajuda?
- Consigo falar sobre aquilo que vivo?
- Interpreto toda crise como fracasso?
- Sei reconhecer que determinadas crises podem purificar motivações e aprofundar a vocação?
- Nossa comunidade acompanha os irmãos em dificuldade ou tende a isolá-los?
18. Formação e mundo digital
- Utilizo a tecnologia para aprender?
- Sei selecionar fontes confiáveis?
- Meu consumo de informações está formando ou fragmentando minha atenção?
- Leio textos mais longos ou apenas conteúdos rápidos?
- Tenho capacidade de concentração?
- A tecnologia está substituindo estudo, silêncio e reflexão?
- Sei desligar-me para poder pensar?
19. Formação para servir
A finalidade da formação não é produzir especialistas fechados em si mesmos.
- Aquilo que aprendo torna-me mais disponível?
- Meu conhecimento está a serviço dos irmãos?
- Partilho aquilo que sei?
- Ajudo na formação dos outros?
- Minha formação aproxima-me dos pobres e das necessidades humanas?
- Quanto mais estudo, torno-me mais humilde?
Para o diálogo comunitário
A comunidade pode refletir:
Em que nossa comunidade está formando bem seus membros?
Em que aspectos precisamos crescer?
Que oportunidades de formação permanente temos utilizado?
Que necessidades formativas concretas percebemos hoje?
Como podemos tornar nossa própria vida comunitária mais formativa?
Um pequeno projeto pessoal de formação
Cada irmão escolha uma área prioritária:
Humana
Espiritual
Servita
Intelectual
Pastoral
Missionária
Depois responda:
Onde estou?
Onde preciso crescer?
Que meio concreto utilizarei?
Quando avaliarei meu progresso?
Compromisso comunitário
A comunidade escolha uma iniciativa possível para o período seguinte:
- leitura comunitária das Constituições;
- estudo de uma fonte servita;
- encontro mensal de formação;
- lectio divina;
- formação pastoral;
- estudo de língua;
- atualização teológica;
- aprofundamento da espiritualidade mariana;
- formação sobre vida fraterna;
- acompanhamento dos jovens em formação.
O importante é que a formação deixe de ser apenas intenção e se transforme em processo concreto.
Oração final
Senhor Jesus Cristo,
Mestre e caminho de nossa vida,
não permitais que deixemos de ser discípulos.
Dai-nos humildade para aprender,
coragem para mudar
e perseverança para crescer.
Formai nossa inteligência,
nosso coração,
nossa liberdade
e nossas relações.
Fazei de nossas comunidades
verdadeiras escolas de Evangelho.
Santa Maria,
mulher que escutava
e guardava todas as coisas no coração,
ensinai-nos a permanecer abertos
à ação formadora do Espírito.
Acompanhai os jovens
que iniciam o caminho servita,
os irmãos que assumem responsabilidades,
os formadores,
os que atravessam crises
e aqueles que, depois de muitos anos de profissão,
continuam aprendendo a servir.
Que nunca consideremos terminada nossa formação
até que Cristo esteja plenamente formado em nós.
Santa Maria, nossa Senhora,
formai em nós um coração de Servos. Amém.
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