Para exame pessoal e comunitário
Antes de perguntar o que faz um frade Servo de Maria, precisamos perguntar quem ele é.
Nossa identidade não nasce primeiramente do ministério exercido, do cargo recebido, dos estudos realizados ou da ordenação presbiteral. Somos, antes de tudo, irmãos chamados por Deus a seguir Cristo em comunhão fraterna, professando os conselhos evangélicos e colocando-nos a serviço de Deus e dos irmãos, inspirados constantemente em Maria, Mãe e Serva do Senhor.
Ser Servo de Maria é uma identidade que precisa ser escolhida e aprofundada todos os dias.
À luz dessa vocação, façamos nosso exame.
1. Antes de tudo, irmão
- Vivo realmente como irmão?
- Minha maneira de relacionar-me cria proximidade ou distância?
- Permito que os outros irmãos participem de minha vida?
- Interesso-me por aquilo que vivem?
- Sei pedir ajuda?
- Sei oferecer ajuda sem esperar que me peçam?
- Aqueles que convivem comigo encontram primeiro um irmão ou uma função?
2. Minha identidade
- Se retirassem de mim meu cargo, ministério e responsabilidades, eu continuaria sabendo quem sou?
- Minha identidade está fundamentada na vocação ou na função que desempenho?
- Preciso de títulos para sentir-me valorizado?
- Tenho liberdade para passar de um serviço importante para outro mais simples?
- Consigo alegrar-me quando outro irmão recebe uma responsabilidade que antes era minha?
- Minha segurança está em Deus ou na posição que ocupo?
3. Discípulo de Cristo
Antes de ser Servo, sou discípulo.
- Continuo aprendendo com Jesus?
- O Evangelho questiona minhas escolhas?
- Procuro conformar minha vida à maneira de Cristo?
- Sei colocar-me no último lugar?
- Estou disposto a lavar os pés dos irmãos?
- Minha autoridade, quando a exerço, possui forma de serviço?
- As pessoas conseguem perceber Cristo em minha maneira de agir?
4. Servo
Nosso próprio nome contém um programa de vida.
- Tenho espírito de serviço?
- Sirvo somente naquilo de que gosto?
- Como reajo diante dos trabalhos humildes?
- Percebo aquilo que precisa ser feito sem esperar uma ordem?
- Sei servir sem controlar?
- Procuro reconhecimento?
- Quando ninguém agradece, continuo servindo com a mesma disponibilidade?
5. Servo de Maria
Não somos simplesmente Servos. Somos Servos de Maria.
- O que essa expressão significa concretamente para mim?
- Maria inspira minha maneira de seguir Cristo?
- Aprendo dela a escuta?
- Aprendo dela a disponibilidade?
- Aprendo dela a humildade?
- Aprendo dela a compaixão?
- Minha devoção mariana produz atitudes concretas?
- Nossa identidade mariana é perceptível em nossa maneira de viver?
6. Homem de oração
- Minha relação com Deus sustenta minha vocação?
- Tenho vida de oração pessoal?
- Participo fielmente da oração comunitária?
- A Palavra de Deus alimenta minhas decisões?
- A Eucaristia está no centro de minha vida?
- Procuro Deus também nos períodos de aridez?
- Sou capaz de permanecer em silêncio diante dele?
7. Homem de comunhão
O frade não escolhe seus irmãos. Ele os recebe.
- Aceito os irmãos concretos que Deus colocou ao meu lado?
- Sei viver com diferenças?
- Tenho facilidade para criar grupos fechados?
- Existe alguém que estou excluindo interiormente?
- Falo diretamente com o irmão quando existe um problema?
- Sei pedir perdão?
- Sei recomeçar?
- Contribuo para a unidade ou alimento divisões?
8. Homem dos conselhos evangélicos
Minha profissão religiosa não pertence apenas ao passado.
- Como vivo hoje a pobreza?
- Como vivo a castidade consagrada?
- Como vivo a obediência?
- Meus votos continuam sendo expressão de amor e liberdade?
- Ou se transformaram apenas em obrigações jurídicas?
- Há áreas de minha vida que mantenho fora do discernimento?
- Renovo interiormente minha profissão?
9. Frei e ministério ordenado
Alguns frades recebem também o ministério presbiteral. Isso não elimina sua identidade religiosa e fraterna.
Se sou presbítero:
- Minha identidade de padre está obscurecendo minha identidade de frade?
- Continuo participando da vida comunitária?
- Minha agenda pastoral me distancia sistematicamente dos irmãos?
- Exerço o ministério sacerdotal segundo o carisma servita?
- Vivo a autoridade sacramental como serviço?
- Recordo que, dentro da fraternidade, continuo sendo irmão entre irmãos?
Se não sou presbítero:
- Reconheço plenamente a dignidade de minha vocação de irmão?
- Sinto necessidade de comparar minha vocação com o ministério ordenado?
- A comunidade reconhece concretamente a igualdade fundamental entre os irmãos?
10. Homem em formação
- Ainda aceito ser formado?
- Leio e estudo?
- Conheço nossas Constituições?
- Conheço a história da Ordem?
- Procuro aprofundar a espiritualidade servita?
- Aceito uma correção?
- Tenho acompanhamento espiritual?
- Consigo reconhecer minhas limitações?
- Estou crescendo humana e espiritualmente ou apenas acumulando anos de profissão?
11. Homem disponível
- Posso ser enviado?
- Tenho liberdade diante dos lugares e serviços?
- Há comunidades para as quais eu me recusaria a ir?
- Há trabalhos que considero indignos de minha preparação?
- Consigo adaptar-me a novas realidades?
- Estou disponível às necessidades da Ordem ou apenas às minhas preferências?
- Minha idade e experiência aumentaram minha disponibilidade ou meu apego?
12. Homem próximo das cruzes humanas
A identidade servita conduz-nos para perto do sofrimento.
- Conheço as dores das pessoas que servimos?
- Aproximo-me dos enfermos?
- Dos pobres?
- Dos idosos?
- Dos enlutados?
- Dos migrantes?
- Dos jovens desorientados?
- Sei permanecer quando não posso resolver o problema?
- Minha vida religiosa tornou-me mais compassivo?
13. Homem simples
- Meu estilo de vida corresponde à profissão que fiz?
- Preciso de muitas coisas para viver bem?
- Como utilizo dinheiro e bens?
- Cuido das coisas comuns?
- Tenho apego excessivo a objetos pessoais?
- Meu modo de vestir, viajar, consumir e utilizar tecnologia manifesta sobriedade?
- Sei distinguir necessidade de desejo?
14. Homem de alegria
A vocação não elimina dificuldades, mas deve conservar a alegria profunda de pertencer ao Senhor.
- Sou feliz como Servo de Maria?
- Minha maneira de falar da Ordem transmite gratidão?
- Vivo reclamando?
- Consigo reconhecer os dons recebidos?
- Celebro a vocação dos outros?
- Minha presença traz esperança?
- Um jovem que convivesse comigo perceberia que vale a pena entregar a vida a Deus?
15. O frade que os outros encontram
Perguntemo-nos:
Que frade meus irmãos encontram em mim?
Que frade os pobres encontram?
Que frade os jovens encontram?
Que frade os funcionários e colaboradores encontram?
Que frade os fiéis encontram?
Que frade Deus encontra quando estou sozinho diante dele?
A distância entre essas respostas pode revelar aspectos importantes de nossa vida.
Para o diálogo comunitário
Depois de um momento de silêncio, a comunidade pode refletir:
Quais características identificam um verdadeiro frade Servo de Maria?
Quais delas aparecem claramente em nossa comunidade?
Quais estão enfraquecidas?
Nossa vida cotidiana manifesta suficientemente a identidade servita?
O que um jovem aprenderia sobre ser Servo de Maria simplesmente observando nossa maneira de viver?
Um exame em cinco palavras
Podemos resumir nossa identidade em cinco palavras:
DISCÍPULO — sigo Cristo?
IRMÃO — construo fraternidade?
SERVO — coloco-me a serviço?
MARIANO — deixo-me inspirar por Santa Maria?
TESTEMUNHA — minha vida anuncia o Evangelho?
Cada irmão pode escolher a palavra que mais precisa ser aprofundada neste momento.
Compromisso
Cada irmão complete pessoalmente:
Para ser mais autenticamente Servo de Maria, preciso...
Não é necessário escolher muitas coisas. Escolha uma atitude concreta.
A comunidade pode também perguntar:
Que característica servita queremos tornar mais visível em nossa vida comum durante este período?
E assumir um compromisso correspondente.
Oração final
Senhor Jesus Cristo,
que nos chamastes a seguir-vos,
renovai em nós a graça da vocação.
Fazei-nos discípulos atentos à vossa Palavra,
irmãos capazes de comunhão
e servos disponíveis às necessidades dos outros.
Livrai-nos da busca de títulos,
do apego às funções
e de toda forma de individualismo.
Santa Maria,
Mãe e Serva do Senhor,
ensinai-nos vosso modo de seguir Cristo.
Dai-nos vossa escuta,
vossa disponibilidade,
vossa humildade
e vossa compaixão.
Que sejamos reconhecidos
não pelo lugar que ocupamos,
mas pela maneira como amamos,
vivemos como irmãos
e servimos.
Senhor, fazei-nos cada dia
mais verdadeiramente
Servos de Santa Maria. Amém.
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