Aprender com Maria a amar
Série: As Ladainhas de Nossa Senhora
A Ladainha Lauretana prossegue com uma invocação cheia de ternura:
Mãe digna de amor, rogai por nós.
Depois de contemplar Maria como Mãe imaculada, a Igreja nos convida a olhar para ela como mulher amada por Deus e digna do amor de seus filhos.
Mas esta invocação pode nos conduzir ainda mais longe.
Contemplar Maria como Mãe digna de amor significa também entrar em sua escola para aprender aquilo que talvez seja a tarefa mais importante da vida cristã:
amar.
Maria foi amada primeiro
Todo amor verdadeiro começa em Deus.
Antes de Maria amar, ela foi amada.
Antes de responder, foi chamada.
Antes de servir, recebeu a graça.
A Anunciação começa não com uma obra realizada por Maria, mas com a iniciativa divina:
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo.”
Maria descobre-se envolvida pelo amor de Deus.
E justamente porque se sabe amada, pode entregar-se.
Esse movimento também está no início de nossa vida espiritual:
Deus nos ama primeiro.
Nossa resposta nasce desse amor.
O amor coloca Maria a caminho
Depois da Anunciação, Maria não permanece fechada sobre o extraordinário acontecimento que acaba de viver.
Ela parte.
Vai ao encontro de Isabel.
O amor recebido transforma-se em serviço.
Isso nos oferece um critério muito simples para avaliar nossa espiritualidade.
Quanto mais verdadeiramente encontramos Deus, mais atentos deveríamos nos tornar às necessidades dos outros.
A experiência de Deus não fecha o coração.
Abre-o.
Amar é perceber
Em Caná, encontramos novamente esse coração atento.
Maria percebe:
“Eles não têm mais vinho.”
Ninguém lhe pede que intervenha.
Ela percebe.
Talvez aqui esteja uma das formas mais delicadas do amor.
Amar significa aprender a perceber.
Perceber quando alguém está cansado.
Quando um irmão está diferente.
Quando um idoso precisa de companhia.
Quando um jovem necessita ser escutado.
Quando alguém sorri, mas carrega sofrimento.
Quando uma comunidade precisa de reconciliação.
O amor verdadeiro desenvolve olhos atentos.
Amar não é possuir
Maria também nos ensina que amar não significa possuir.
Ela ama Jesus profundamente, mas não tenta impedir sua missão.
Chega o momento em que o Filho deixa Nazaré.
Maria precisa deixá-lo partir.
O amor materno torna-se também entrega.
Essa é uma lição difícil.
Às vezes dizemos que amamos quando, na verdade, queremos controlar.
Queremos decidir pelo outro.
Queremos que corresponda às nossas expectativas.
Queremos que permaneça próximo porque sua presença nos faz bem.
Maria ensina um amor diferente:
amar é desejar que o outro realize a vontade de Deus, mesmo quando isso exige de nós desapego.
Amar é permanecer
No Calvário, o amor de Maria assume outra forma.
Ela não pode resolver a situação.
Não pode impedir a Cruz.
Não pode retirar o sofrimento do Filho.
Pode fazer uma coisa:
permanecer.
E permanece.
Existem momentos em que amar significa agir.
Existem outros em que amar significa simplesmente não abandonar.
Junto a um enfermo.
Junto a um irmão idoso.
Junto a alguém que perdeu uma pessoa querida.
Junto a quem atravessa uma crise.
Nem sempre temos respostas.
Às vezes nossa presença é a resposta possível.
Maria ensina esse amor que permanece.
O amor não procura recompensa
Existe outra característica do amor de Maria.
Ela não aparece exigindo reconhecimento.
Não pede um lugar especial entre os discípulos.
Não reivindica privilégios.
Não transforma sua proximidade com Jesus em poder.
Serve.
E desaparece novamente no silêncio.
Isso toca diretamente nossa vida.
É relativamente fácil servir quando somos agradecidos.
Mais difícil é continuar servindo quando ninguém percebe.
Quando nosso nome não aparece.
Quando outro recebe o reconhecimento.
Quando aquilo que fazemos parece pequeno.
Maria nos ensina:
o amor verdadeiro não precisa continuamente ser recompensado para continuar amando.
Uma palavra para a vida religiosa
Para nós, religiosos, esta invocação é particularmente exigente.
Podemos viver juntos e não aprender a amar uns aos outros.
Podemos compartilhar a mesma mesa, a mesma capela e a mesma missão, mas conservar distâncias interiores.
A fraternidade não acontece automaticamente porque moramos na mesma casa.
Precisa ser construída.
Com paciência.
Com escuta.
Com perdão.
Com respeito.
Com pequenos gestos cotidianos.
Com a decisão de não desistir facilmente do irmão.
Ser digno de amor e tornar o outro digno de atenção
Maria nos ensina ainda uma delicadeza importante.
Toda pessoa possui uma dignidade que não depende de sua utilidade.
O irmão idoso continua digno de amor quando já não pode trabalhar.
O jovem continua digno de respeito enquanto está aprendendo.
O irmão difícil não perde sua dignidade porque possui limitações.
O pobre não precisa demonstrar que merece nossa ajuda.
O enfermo não precisa ser produtivo para justificar nosso cuidado.
O amor cristão começa reconhecendo:
esta pessoa é amada por Deus.
Servos de Maria: servos do amor
Para um Servo de Maria, esta invocação deveria tornar-se um programa de vida.
Servir Maria significa aprender dela a amar Cristo.
E amar Cristo significa reconhecê-lo nos irmãos.
Nos pobres.
Nos enfermos.
Nos jovens.
Nos idosos.
Nos migrantes.
Naquele irmão com quem é difícil conviver.
Talvez o verdadeiro teste de nossa devoção mariana não seja quantas orações dirigimos a Nossa Senhora.
Talvez seja também:
quanto o modo de Maria amar está aparecendo em nossa maneira de tratar as pessoas.
Uma comunidade amável
Existe uma pergunta que nossas comunidades poderiam fazer:
É bom viver conosco?
Não apenas:
Rezamos?
Trabalhamos?
Cumprimos nossos compromissos?
Mas:
Existe gentileza?
Sabemos agradecer?
Sabemos pedir desculpas?
Percebemos quando alguém precisa de ajuda?
Celebramos as alegrias dos irmãos?
Cuidamos dos idosos?
Temos paciência com quem está começando?
O amor cristão aparece frequentemente em coisas muito pequenas.
Uma palavra.
Um gesto.
Uma cadeira aproximada.
Uma visita.
Uma mensagem.
Uma escuta sem pressa.
Uma pergunta para o coração
Diante desta invocação, podemos perguntar:
As pessoas que convivem comigo conseguem perceber que são amadas?
Porque podemos amar interiormente e nunca demonstrar.
Podemos presumir que o outro “já sabe”.
Maria nos convida a um amor concreto.
Um amor que se transforma em presença.
Serviço.
Respeito.
Paciência.
Ternura.
Oração
Mãe digna de amor,
você foi amada por Deus
e transformou o amor recebido
em entrega e serviço.
Ensine-nos a amar como você.
Dê-nos olhos atentos
para perceber as necessidades dos irmãos.
Livre nosso amor da posse,
do interesse e da busca de reconhecimento.
Ensine-nos a permanecer
quando não pudermos resolver o sofrimento do outro.
Faça de nossas comunidades
lugares onde cada pessoa
possa sentir-se acolhida e respeitada.
Dê-nos paciência com as fragilidades,
ternura com os que sofrem,
respeito pelos jovens
e cuidado pelos idosos.
E a nós, Servos de Maria,
conceda a graça de compreender
que não podemos verdadeiramente servir você
sem aprender a amar aqueles
que Deus coloca em nosso caminho.
Mãe digna de amor, rogai por nós.
Para guardar no coração
A verdadeira devoção a Maria amadurece quando começamos a amar Deus e os irmãos com um coração mais paciente, gratuito e atento.
Fontes
São João Paulo II, celebração na conclusão do mês mariano, 31 de maio de 1979.
Pietro Ansalone, SJ, Le Litanie Lauretane, segunda edição, organizada pelo Pe. Raffaele Nicolella, Nápoles: Tipografia de F. Ferrante, 1858 — obra inspiradora da série.
Ladainha de Nossa Senhora — Ladainha Lauretana, formulário oficial em português da Santa Sé.
Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.
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