“Santa Maria, rogai por nós.”
Entre as orações mais queridas da tradição católica encontra-se a Ladainha Lauretana, na qual a Igreja contempla a Virgem Maria através de uma sucessão de nomes, imagens e títulos.
Mãe de Cristo.
Mãe da divina graça.
Virgem prudentíssima.
Espelho de justiça.
Sede da sabedoria.
Rosa mística.
Torre de Davi.
Arca da Aliança.
Estrela da manhã.
Saúde dos enfermos.
Refúgio dos pecadores.
Consoladora dos aflitos.
Auxílio dos cristãos.
Rainha dos Apóstolos.
Rainha dos Mártires.
Rainha de todos os Santos.
Cada invocação é pequena em palavras, mas rica em significado.
Por isso, o Somos Servos inicia uma série dedicada às Ladainhas de Nossa Senhora, tomando como ponto de partida uma antiga obra de espiritualidade mariana: Le Litanie Lauretane, do jesuíta Pe. Pietro Ansalone, na segunda edição organizada pelo sacerdote Raffaele Nicolella e publicada em Nápoles, em 1858.
Pensar, falar e escrever sobre Maria
Logo na introdução, Ansalone revela o espírito com que escreveu sua obra. Ele deseja manter o pensamento, a palavra e a escrita voltados para a Virgem Maria.
Não se trata simplesmente de acumular elogios.
Contemplar Maria deve conduzir a alma para Deus.
O autor apresenta a devoção mariana como uma realidade que envolve toda a pessoa: os olhos, a língua, a mente e o coração. Louvar Maria torna-se, assim, exercício de vida espiritual.
Recordando uma expressão atribuída a São Boaventura, ele convida a alma a louvar continuamente a Rainha e a conservar sua lembrança ao longo da vida.
As Ladainhas como respiração da alma
Uma das imagens mais belas empregadas na obra é a da respiração.
Ansalone apresenta cada invocação da Ladainha como uma espécie de “respiro”.
Assim como não podemos viver sem respirar, a alma cristã é chamada a permanecer continuamente aberta à graça de Deus.
As invocações dirigidas a Maria tornam-se pequenos atos de contemplação:
Santa Maria — rogai por nós.
Mãe de Cristo — rogai por nós.
Mãe da divina graça — rogai por nós.
Refúgio dos pecadores — rogai por nós.
Consoladora dos aflitos — rogai por nós.
Cada título permite deter o coração por alguns instantes diante do mistério que Deus realizou na Virgem.
Uma “eco” de louvores
O autor utiliza ainda outra imagem sugestiva.
As muitas invocações da Ladainha seriam como uma eco multiplicada de louvores.
Uma invocação sucede à outra e, pouco a pouco, vai se formando uma verdadeira contemplação da Virgem.
Nenhum título, isoladamente, pretende dizer tudo sobre Maria.
Cada um ilumina um aspecto de sua vocação e de sua relação com Cristo e com a Igreja.
Por isso repetimos:
rogai por nós.
A repetição não é pobreza de palavras.
É perseverança da oração.
É o coração que retorna continuamente à mesma confiança.
Tudo começa em Deus
Existe, porém, um detalhe fundamental.
A Ladainha não começa diretamente com Maria.
Começa com:
Senhor, tende piedade de nós.
Cristo, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós.
Depois invocamos o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
Somente então começam as invocações marianas.
Essa estrutura indica a orientação profunda da verdadeira devoção à Virgem: tudo procede de Deus e tudo conduz a Deus.
Maria não ocupa o lugar de Cristo.
Ela é contemplada precisamente porque Deus realizou nela maravilhas e porque nela resplandece a obra da graça.
E tudo termina em Cristo
Há ainda um movimento muito significativo.
Depois de percorrer os títulos de Nossa Senhora, a Ladainha retorna diretamente a Cristo:
Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo...
É como se toda a oração formasse um grande caminho espiritual:
Cristo → Maria → Cristo.
Partimos do Senhor, contemplamos aquilo que sua graça realizou na Virgem e retornamos ao Cordeiro de Deus.
Essa estrutura protege e ilumina toda autêntica espiritualidade mariana.
Quanto mais profundamente conhecemos Maria, mais claramente somos conduzidos ao seu Filho.
Maria contemplada pela Igreja
Nas próximas publicações do Somos Servos, percorreremos pouco a pouco as invocações da Ladainha.
Não faremos simplesmente uma tradução literal de uma obra do século XIX.
Tomaremos seus comentários como testemunho da tradição espiritual, procurando apresentar cada título em linguagem acessível e em perspectiva bíblica, teológica e espiritual.
Será um caminho de contemplação.
Uma invocação de cada vez.
Um título de cada vez.
Um pequeno “respiro” de oração de cada vez.
Para nós, Servos de Maria, esse caminho possui ainda um significado particular.
Nossa vocação nos coloca aos pés da Mãe do Senhor para aprender dela a escuta da Palavra, a disponibilidade ao Espírito, o serviço, a compaixão e a fidelidade junto à Cruz.
Por isso, ao iniciarmos esta série, fazemos nossa a oração repetida por tantas gerações de cristãos:
Santa Maria, rogai por nós.
Santa Mãe de Deus, rogai por nós.
Santa Virgem das Virgens, rogai por nós.
E ensina-nos a fazer aquilo que você fez em toda a sua vida:
servir ao Senhor.
Fonte histórica
Pietro Ansalone, SJ, Le Litanie Lauretane, segunda edição, organizada pelo Pe. Raffaele Nicolella, Nápoles: Tipografia de F. Ferrante, 1858.
Somos Servos — Espiritualidade e presença dos Servos de Maria.
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