Trajetória de vida
Frei Tiago M. Coccolini, OSM, de nome de batismo Sigfrido Coccolini, foi um dos Servos de Maria italianos que dedicaram grande parte de sua vida religiosa e sacerdotal à missão da Ordem no Brasil. Sua longa trajetória passou por Santa Catarina, Rio de Janeiro e São José dos Campos, deixando marcas especialmente na evangelização, na educação, na promoção social e no acompanhamento dos mais necessitados.
Da Itália à vida religiosa
Frei Tiago nasceu em 15 de outubro de 1914, em Calderara di Reno, Bolonha, Itália, filho de Andrea Luigi Coccolini e Leonilde Bertolini.
Ingressou muito jovem na Ordem dos Servos de Maria. Iniciou o noviciado em 16 de outubro de 1929 e fez a primeira profissão religiosa em 17 de outubro de 1930. Emitiu a profissão solene em 6 de janeiro de 1936.
Foi ordenado sacerdote em 22 de maio de 1937.
Começava assim um ministério sacerdotal que se prolongaria por mais de seis décadas e que seria exercido, em grande parte, no Brasil.
Araranguá: evangelização e promoção humana
Um período particularmente significativo de seu ministério ocorreu em Araranguá, Santa Catarina, onde assumiu a Paróquia Nossa Senhora Mãe dos Homens em 18 de fevereiro de 1941, permanecendo à frente da comunidade até 12 de janeiro de 1952.
Ali Frei Tiago desenvolveu intensa atividade pastoral. Dedicou-se à organização da catequese, às missões populares e ao fortalecimento das associações religiosas, entre elas o Apostolado da Oração, a Congregação Mariana e as Filhas de Maria.
Sua preocupação pastoral ultrapassava os limites da igreja. Participou dos esforços em favor do Hospital Bom Pastor e procurou ampliar a presença de religiosas dedicadas à educação e às obras assistenciais.
Em documento de 16 de março de 1950, Frei Tiago, então Vigário Forâneo de Araranguá, solicitava a presença das Irmãs de Santa Catarina para colaborar em iniciativas como jardim de infância, colégio e outras atividades apostólicas.
Sua atuação mostra uma concepção de evangelização em que anúncio da fé, educação e promoção humana caminhavam juntos.
No Rio de Janeiro
Posteriormente Frei Tiago passou a servir no Rio de Janeiro.
Quando a igreja de Nossa Senhora das Dores, na Avenida Paulo de Frontin, foi elevada à condição de paróquia, em 15 de setembro de 1956, Frei Tiago M. Coccolini tornou-se seu primeiro pároco.
Também nessa comunidade participou da consolidação da presença dos Servos de Maria e da devoção a Nossa Senhora das Dores.
São José dos Campos
Outra etapa importante de sua vida ocorreu em São José dos Campos, onde seu nome permaneceu ligado à história da presença servita e da própria Diocese.
A documentação diocesana recorda-o também pelo nome civil, Sigfrido Maria Coccolini, identificando-o como Frei Tiago.
Em São José dos Campos, dedicou-se particularmente à Peregrinação de Leigos Cristãos (PLC) e à Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC), além do atendimento às Pequenas Missionárias de Maria Imaculada.
Essa atuação revela novamente uma constante de sua vida sacerdotal: a proximidade com pessoas e realidades que necessitavam não somente da assistência espiritual, mas também de acolhida, dignidade e esperança.
Uma vida entregue ao serviço
Os diferentes lugares pelos quais Frei Tiago passou revelam um religioso de grande disponibilidade missionária.
Paróquia, catequese, educação, assistência social, acompanhamento de leigos, cuidado pastoral e atenção aos presos fizeram parte de uma existência colocada a serviço da Igreja e da missão dos Servos de Maria.
Já idoso, durante uma viagem à Itália para visitar seus familiares, Frei Tiago faleceu repentinamente em Bolonha, em 17 de setembro de 1999.
Tinha 84 anos de idade, quase 69 anos de profissão religiosa e mais de 62 anos de sacerdócio.
Foi sepultado em sua terra natal.
Sua longa existência atravessou diferentes etapas da história dos Servos de Maria no Brasil. Frei Tiago pertenceu à geração de religiosos que ajudou a consolidar a presença da Ordem no país, trabalhando em comunidades muito diferentes e colocando seus dons a serviço da evangelização e dos mais necessitados.
Ao recordar sua memória, agradecemos ao Senhor pelo testemunho de um Servo de Maria que fez de sua longa vida sacerdotal um caminho de serviço à Igreja e aos irmãos.
Frei Tiago M. Coccolini, OSM
15 de outubro de 1914 – 17 de setembro de 1999
Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria
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