Trajetória de vida
Frei Antônio M. Venturoli, OSM, de nome de batismo Pietro Venturoli, pertenceu à geração de Servos de Maria italianos que, no período posterior à Segunda Guerra Mundial, vieram ao Brasil para fortalecer a missão da Ordem e particularmente a Igreja do Acre.
Religioso, sacerdote, missionário e formador, sua trajetória esteve ligada tanto à evangelização amazônica quanto à formação das novas gerações de Servos de Maria no Brasil.
Infância e vocação
Nasceu em 8 de dezembro de 1926, em Budrio, na província de Bolonha, Itália, filho de Enrico Venturoli e Adalgisa Cenacchi.
Ainda jovem ingressou na Ordem dos Servos de Maria.
Iniciou o noviciado em 16 de setembro de 1943 e fez a primeira profissão religiosa em 17 de setembro de 1944. Emitiu a profissão solene em 10 de outubro de 1948.
Foi ordenado diácono em 8 de dezembro de 1950 e recebeu a ordenação sacerdotal em 24 de março de 1951.
Mais tarde completaria também sua formação acadêmica, obtendo Licenciatura em Filosofia, registrada em 1970.
Missionário no Acre
Em 1952, apenas um ano depois da ordenação sacerdotal, Frei Antônio chegou ao Brasil.
Foi logo destinado à missão do Acre, assumindo serviço na Paróquia de Brasiléia.
Começava assim uma longa ligação com a Igreja acreana, construída sobre o trabalho missionário dos Servos de Maria desde 1920.
Naqueles anos, a missão exigia grande disponibilidade. As distâncias eram enormes, os meios de transporte limitados e grande parte da população vivia dispersa em seringais, colônias e pequenas comunidades.
Frei Antônio integrou aquela geração de religiosos que colocou sua juventude sacerdotal a serviço dessa realidade.
Sua presença no Acre permaneceu tão marcante que, muitos anos depois de sua morte, os leigos servitas de Rio Branco escolheriam seu nome para identificar uma de suas fraternidades.
Formador de novas gerações
Uma dimensão particularmente significativa de sua vida foi o trabalho de formação religiosa.
Em 1973, Frei Antônio Venturoli foi mestre de noviços no grande noviciado instalado junto à comunidade da Imaculada Conceição, em Rio Branco.
O grupo reunia doze jovens provenientes de diferentes países da América Latina: brasileiros, chilenos e colombianos.
Sua missão já não consistia somente em anunciar o Evangelho diretamente ao povo, mas também em transmitir às novas gerações a espiritualidade e a forma de vida dos Servos de Maria.
Essa responsabilidade formativa revela a confiança que a Ordem depositava em sua experiência humana, religiosa e sacerdotal.
De Rio Branco a Curitiba
Na segunda metade da década de 1970, a Província Brasileira começou a reorganizar suas casas de formação.
Em 12 de fevereiro de 1977, chegaram a Curitiba os primeiros materiais e religiosos destinados à implantação da nova comunidade formativa.
Poucos dias depois, em 15 de fevereiro, foi formalmente aberto o noviciado.
Entre os religiosos de profissão solene presentes nesse início encontrava-se Frei Antônio Venturoli, ao lado do Prior Provincial Frei Francisco Carnimeo e do mestre de noviços Frei Mário Cardiga.
Frei Antônio participava, portanto, também desta nova etapa da história formativa da Província.
O convento definitivo de Curitiba, posteriormente denominado Convento Santa Maria dos Servos, seria inaugurado em 1979 e se tornaria uma das principais casas de formação dos Servos de Maria no Brasil.
Serviço à Província
Frei Antônio exerceu também responsabilidades no governo da Província.
Durante o Capítulo Provincial de 1985, celebrado em Turvo e presidido pelo Prior Geral Frei Michel Sincerny, foi eleito Prior Provincial.
As circunstâncias da eleição, contudo, mostravam uma divisão entre os capitulares. Frei Antônio recebera aproximadamente um terço dos votos, enquanto muitos haviam votado em branco.
Por esse motivo, preferiu não aceitar o cargo.
O Prior Geral acolheu sua renúncia e, depois de ouvir individualmente os religiosos capitulares, procedeu-se a uma nova eleição.
O episódio testemunha não apenas a confiança depositada em Frei Antônio pelos confrades, mas também sua liberdade diante do exercício da autoridade.
Posteriormente exerceu ainda o serviço de Conselheiro Provincial.
Os últimos anos no Acre
Frei Antônio permaneceu profundamente ligado à missão acreana também nos últimos anos de sua vida.
Em 1991, em Rio Branco, Acre, exerceu o serviço de mestre de noviciado. Entre os jovens que acompanhou naquele período estava Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, que conserva a memória pessoal de Frei Antônio como seu mestre de noviciado.
Depois daquele período formativo, Frei Antônio continuou pertencendo à comunidade de Rio Branco, permanecendo no Acre praticamente até o final de sua vida.
Os últimos dias
Em outubro de 1997, Frei Antônio deixou Rio Branco e viajou para São Paulo, onde deveria participar de uma reunião do Conselho Provincial, do qual fazia parte.
Durante a viagem já apresentava sinais do que se revelou ser um início de infarto. Ao chegar a São Paulo, seu estado de saúde exigiu cuidados médicos e ele foi internado, permanecendo no hospital por alguns dias.
Depois de receber alta, retornou ao Convento dos Servos de Maria em São Paulo.
Ali, porém, sofreu novo infarto e veio a falecer no dia 12 de outubro de 1997, aos 70 anos de idade.
Seu corpo foi levado para São José dos Campos, onde foi sepultado no jazigo dos frades Servos de Maria.
Encerrava-se assim uma vida de mais de 53 anos de profissão religiosa e 46 anos de sacerdócio, grande parte dela oferecida à missão dos Servos de Maria no Brasil e, de maneira particular, à Igreja do Acre.
A última viagem de Frei Antônio, portanto, não representou uma transferência de comunidade. Ele deixou o Acre para cumprir mais uma vez um serviço à Província, como membro do Conselho Provincial. A enfermidade manifestada durante a viagem transformou aquele compromisso fraterno em sua última jornada.
Uma memória que permaneceu no Acre
A presença de Frei Antônio permaneceu viva entre aqueles que conviveram com ele e receberam seu acompanhamento religioso e sacerdotal.
Essa memória ganhou também uma expressão concreta quando uma fraternidade da Ordem Secular dos Servos de Maria de Rio Branco recebeu o nome de Fraternidade Frei Antônio Venturoli, OSSM.
Missionário, formador e servidor da Província, Frei Antônio pertence à geração de religiosos que dedicou grande parte da própria existência à consolidação da presença dos Servos de Maria no Brasil.
Sua trajetória passou pela Itália, Brasiléia, Rio Branco, Curitiba e outras comunidades da Província, mas foi sobretudo o Acre que marcou sua vida missionária e seus últimos anos.
Frei Antônio M. Venturoli, OSM
8 de dezembro de 1926 – 12 de outubro de 1997
Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria
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