A Palavra de Deus nos convida, antes de tudo, a cultivar a memória. Não uma memória presa ao passado, mas uma memória viva, que reconhece a ação de Deus por meio daqueles que nos transmitiram a fé. "Lembrai-vos de vossos dirigentes, que vos pregaram a Palavra de Deus." A Igreja é edificada sobre o testemunho de homens e mulheres que acolheram o Evangelho e o viveram com fidelidade. Recordá-los é renovar em nós o desejo de seguir o mesmo caminho.
Em seguida, o autor da Carta aos Hebreus apresenta o fundamento dessa fidelidade: Jesus Cristo é o mesmo, ontem, hoje e por toda a eternidade. Enquanto tudo neste mundo passa e se transforma, Cristo permanece imutável. Sua misericórdia não diminui, sua Palavra não perde a força e seu amor jamais se esgota. É nessa certeza que repousa a esperança do discípulo.
Quando os desafios surgem, quando a cultura propõe caminhos distantes do Evangelho ou quando a própria fé é provada, o cristão encontra segurança não em suas próprias forças, mas na constância de Cristo. Ele continua conduzindo sua Igreja e sustentando aqueles que nele confiam.
Por isso, a exortação final é um convite ao discernimento: "Não vos deixeis enganar por qualquer espécie de doutrina estranha." A fidelidade não consiste em buscar novidades, mas em permanecer enraizado na Palavra de Deus, na comunhão da Igreja e no testemunho dos santos. A verdadeira novidade é sempre o próprio Cristo, que renova todas as coisas sem jamais deixar de ser quem é.
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