14/09/2026

Dom Moacyr M. Grechi, OSM

 


Servo de Maria, pastor da Amazônia e defensor dos pobres


Dom Moacyr M. Grechi, OSM foi uma das figuras mais significativas da presença dos Servos de Maria na Igreja da Amazônia. Religioso servita, missionário e bispo, fez de sua vida episcopal um serviço marcado pela proximidade com os pobres, pela defesa da dignidade humana e pelo compromisso com uma Igreja profundamente inserida na realidade amazônica.


Das raízes servitas ao sacerdócio


Moacyr Grechi nasceu em 19 de janeiro de 1936, em Turvo, Santa Catarina, filho de Urivalde Grechi e Eufêmia Pescador Grechi.


Abraçou a vida religiosa na Ordem dos Servos de Maria, na qual recebeu sua formação humana, espiritual e teológica.


Foi ordenado sacerdote em 29 de junho de 1961.


Sua vocação religiosa e sacerdotal logo se encontraria profundamente vinculada à missão da Igreja na Amazônia.


Pastor do Acre e Purus


Em 1972, Frei Moacyr foi nomeado Prelado do Acre e Purus.


Durante pouco mais de um ano conduziu aquela Igreja ainda como presbítero. Em 21 de outubro de 1973, recebeu a ordenação episcopal, como Bispo Titular de Vegesela da Numídia.


Escolheu como lema episcopal:


“O último de todos e o servo de todos.”


A frase sintetizaria profundamente seu modo de compreender o ministério episcopal.


Uma Igreja com rosto amazônico


O episcopado de Dom Moacyr coincidiu com um período decisivo para a Igreja na Amazônia.


Inspirado pelo Concílio Vaticano II, por Medellín e pelas orientações do Documento de Santarém de 1972, trabalhou para que a Igreja se aproximasse cada vez mais da vida concreta do povo.


Defendeu a formação dos agentes pastorais, incentivou as Comunidades Eclesiais de Base, apoiou a pastoral indigenista e procurou fazer da evangelização uma presença verdadeiramente encarnada na realidade amazônica.


Anos depois, ao recordar aquele período, afirmaria que o Documento de Santarém havia ajudado a definir o próprio rosto da Igreja na Amazônia.


Primeiro Bispo de Rio Branco


Quando a antiga circunscrição eclesiástica foi elevada à condição de Diocese de Rio Branco, em 1986, Dom Moacyr tornou-se seu primeiro bispo diocesano.


Sua ação pastoral não permaneceu restrita às estruturas eclesiásticas.


Colocou-se ao lado dos seringueiros, indígenas, trabalhadores rurais, pequenos agricultores e populações socialmente vulneráveis.


Participou da criação do Conselho Indigenista Missionário — CIMI e da Comissão Pastoral da Terra — CPT, que presidiu durante oito anos.


Sua atuação em defesa dos direitos humanos e dos mais pobres tornou-se uma das características mais conhecidas de seu episcopado.


Não raramente, essa postura profética provocou incompreensões, conflitos e até ameaças. Dom Moacyr, entretanto, permaneceu convencido de que a defesa da vida e da dignidade dos pobres fazia parte da própria missão evangelizadora da Igreja.


Das cruzes da Amazônia ao serviço da Igreja


Dom Moacyr exerceu também importantes responsabilidades na Igreja do Brasil.


Foi presidente do Regional Norte 1 da CNBB, integrou o Conselho Permanente da Conferência Episcopal e participou de diferentes comissões episcopais.


Entre 1995 e 2003, integrou a Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé.


Em 2007, participou como delegado da CNBB da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe, em Aparecida.


Permaneceu também profundamente ligado às Comunidades Eclesiais de Base, que considerava uma expressão concreta de uma Igreja próxima dos pequenos e capaz de unir fé, fraternidade e compromisso com a vida.


Arcebispo de Porto Velho


Em 29 de julho de 1998, Dom Moacyr foi nomeado Arcebispo de Porto Velho, Rondônia.


Começava uma nova etapa de sua missão amazônica.


Também ali continuou seu compromisso com os direitos humanos, a justiça social, as Comunidades Eclesiais de Base e a formação cristã.


Participou da criação da Faculdade Católica de Rondônia e da Comissão Justiça e Paz, continuando a incentivar iniciativas voltadas para a formação e para a promoção humana.


Permaneceu à frente da Arquidiocese até 30 de novembro de 2011, quando sua renúncia por motivo de idade foi aceita.


Servo de Maria


Por trás do bispo conhecido nacionalmente por sua atuação social permanecia sempre o frade Servo de Maria.


Sua identidade religiosa acompanhou toda a sua existência.


O amor à Virgem Maria, a sensibilidade diante do sofrimento humano e a disposição de permanecer junto às cruzes dos homens e mulheres de seu tempo expressavam de maneira concreta elementos fundamentais da espiritualidade servita.


Por isso, sua defesa dos pobres não pode ser separada de sua espiritualidade. Era consequência de uma fé que reconhecia Cristo particularmente presente nos crucificados da história.


A última passagem


Dom Moacyr faleceu em Porto Velho, no dia 17 de junho de 2019, aos 83 anos de idade.


Encontrava-se internado no Hospital 9 de Julho. Seu falecimento ocorreu às 19 horas, tendo sido registradas como causas choque séptico e broncoaspiração.


Seu corpo foi velado na Catedral Metropolitana de Porto Velho.


Na manhã de 19 de junho, foi celebrada a Missa das Exéquias, seguida do sepultamento.


A Igreja despedia-se de um pastor que havia dedicado quase meio século de episcopado à Amazônia.


Memória


Dom Moacyr M. Grechi permanece na história dos Servos de Maria e da Igreja brasileira como um pastor que procurou fazer do Evangelho uma presença concreta junto aos pobres.


Do Acre a Rondônia, sua vida esteve ligada às esperanças e sofrimentos dos povos amazônicos.


Foi frade, sacerdote, bispo e arcebispo. Mas o lema que escolheu para o episcopado talvez seja também a síntese mais simples de toda a sua caminhada:


“O último de todos e o servo de todos.”


Dom Frei Moacyr M. Grechi, OSM

19 de janeiro de 1936 – 17 de junho de 2019


Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria

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