14/09/2026

Capítulo Geral 2025 Parte II

CCXV Capítulo Geral dos Servos de Maria — 2025

Parte II — De muitas nações, uma só fraternidade

Ariccia — novembro de 2025

O CCXV Capítulo Geral da Ordem dos Frades Servos de Maria entrou progressivamente no coração de seus trabalhos.

Depois da chegada dos capitulares e dos primeiros momentos de organização, oração e convivência, começava uma experiência característica de todo Capítulo Geral: homens provenientes de diferentes partes do mundo deveriam transformar suas muitas experiências numa única busca.

Não estavam reunidos apenas representantes de jurisdições.

Estavam reunidos irmãos.

E isso tinha significado especial num Capítulo que havia escolhido refletir justamente sobre como ser Servos em um mundo polarizado.

O Capítulo começa pela escuta

Antes de decidir o futuro, era necessário escutar.

Escutar a realidade da Ordem.

Escutar as jurisdições.

Escutar as dificuldades.

Escutar os sinais de esperança.

Escutar também aquilo que não havia funcionado durante o sexênio anterior.

Um Capítulo Geral não pode discernir verdadeiramente se começa pelas respostas.

Precisa começar pelas perguntas.

Cada realidade servita chegava a Ariccia trazendo sua própria história.

Em algumas regiões, a preocupação principal era a diminuição e o envelhecimento dos frades.

Em outras, o crescimento das vocações colocava desafios relacionados à formação, às estruturas e à preparação de formadores.

Em algumas jurisdições, era necessário pensar na reorganização das presenças.

Em outras, tornava-se necessário preparar os jovens frades para assumirem responsabilidades que durante muito tempo haviam dependido de religiosos provenientes de outros países.

E tudo isso precisava ser colocado sobre uma mesma mesa.

Uma geografia servita em transformação

A Ordem dos Servos de Maria de 2025 já não possuía exatamente a mesma configuração daquela conhecida algumas décadas antes.

Sua presença internacional continuava a transformar-se.

As antigas jurisdições europeias carregavam uma história extraordinariamente rica e permaneciam guardiãs de lugares fundamentais para a memória da Ordem.

Ao mesmo tempo, outras regiões apresentavam novas possibilidades de desenvolvimento.

Isso criava uma pergunta inevitável:

como reorganizar a Ordem sem perder sua unidade?

A resposta não poderia ser apenas administrativa.

Era necessária uma nova compreensão da colaboração entre as jurisdições.

A Ordem é maior do que cada Província

Um Capítulo Geral recorda aos frades uma verdade muito simples:

nenhuma Província é a Ordem inteira.

Nenhum Vicariato é a Ordem inteira.

Nenhuma Delegação é a Ordem inteira.

Nenhuma cultura pode identificar-se sozinha com o carisma dos Servos de Maria.

O carisma é recebido por todos.

Essa consciência é particularmente importante quando os recursos humanos e econômicos não estão igualmente distribuídos.

Algumas partes da Ordem podem possuir longa experiência institucional, mas poucos religiosos jovens.

Outras podem possuir muitas vocações, mas precisar de maior preparação acadêmica, formativa ou administrativa.

A resposta servita não pode ser a competição.

Precisa ser a comunhão.

Colaboração entre jurisdições

A colaboração deixa então de ser apenas uma possibilidade conveniente.

Torna-se uma necessidade.

Formação comum.

Casas internacionais.

Intercâmbio de frades.

Preparação de formadores.

Estudos especializados.

Serviço missionário.

Sustentabilidade econômica.

Preservação de lugares históricos.

Todas essas questões ultrapassam cada vez mais os limites de uma única jurisdição.

O futuro exige aprender a pensar como Ordem.

O desafio da formação

Entre as questões decisivas encontra-se a formação.

Receber vocações é uma graça.

Mas é também uma enorme responsabilidade.

O objetivo da formação não é simplesmente aumentar o número dos frades.

É ajudar homens concretos a discernirem se realmente são chamados por Deus à vida dos Servos de Maria.

Isso exige tempo.

Acompanhamento.

Vida comunitária.

Estudo.

Oração.

Conhecimento do carisma.

Maturidade humana e espiritual.

E bons formadores.

Por isso, onde surgem novas vocações, cresce também a responsabilidade de preparar aqueles que deverão acompanhá-las.

Formar Servos

A pergunta fundamental não é apenas:

quantos candidatos temos?

A pergunta é:

que Servos estamos formando?

Um jovem pode conhecer a história da Ordem e ainda não ter aprendido a viver como irmão.

Pode conhecer as Constituições e ainda precisar aprender a servir.

Pode possuir excelente formação acadêmica e ainda precisar crescer na escuta.

A formação servita precisa alcançar toda a pessoa.

Porque o futuro da Ordem dependerá muito mais da qualidade evangélica dos frades do que simplesmente de sua quantidade.

Diversidade cultural dentro da formação

A internacionalização da Ordem coloca ainda outro desafio.

Os modelos formativos não podem simplesmente ignorar as culturas.

Um candidato chega com sua língua, sua família, sua história, seus valores e sua maneira de compreender as relações humanas.

A formação precisa ajudá-lo a integrar tudo isso na vida religiosa.

Não se trata de apagar sua cultura para transformá-lo num religioso de outra cultura.

Trata-se de permitir que o Evangelho e o carisma servita iluminem e transformem aquilo que ele é.

Assim, a diversidade torna-se riqueza para toda a comunidade.

A fraternidade posta à prova

É relativamente fácil falar de fraternidade quando todos pensam da mesma maneira.

O verdadeiro desafio começa quando aparecem as diferenças.

E um Capítulo Geral conhece bem essa experiência.

Os capitulares podem ter compreensões diferentes sobre estruturas, prioridades, formação, economia, missão e governo.

O discernimento não elimina essas diferenças.

Procura transformá-las em diálogo.

Nesse sentido, o próprio Capítulo deveria viver aquilo que propunha ao mundo:

edificar aquilo que une, valorizando as diferenças.

Discernir sem criar vencedores e vencidos

Num mundo polarizado, frequentemente pensamos em categorias de vitória e derrota.

Alguém precisa ganhar.

Alguém precisa perder.

A lógica capitular deveria ser diferente.

O objetivo do discernimento religioso não é derrotar outra posição.

É procurar aquilo que melhor corresponde ao bem comum e à vontade de Deus.

Isso exige uma liberdade interior muito grande.

Às vezes significa defender uma convicção.

Outras vezes significa reconhecer que a proposta de outro irmão responde melhor às necessidades da Ordem.

Também isso é serviço.

O momento das eleições

Entre as responsabilidades mais importantes de um Capítulo Geral está a escolha daqueles que receberão o serviço da autoridade.

Na tradição religiosa, governar não deveria significar adquirir poder.

Significa receber uma responsabilidade.

O Prior Geral não é proprietário da Ordem.

É um irmão colocado a serviço dos irmãos.

Por isso, a eleição precisa ser precedida pela oração e pelo discernimento.

É necessário perguntar não simplesmente quem possui maior prestígio, mas quem pode ajudar a Ordem a caminhar naquele determinado momento de sua história.

Frei Sergio M. Ziliani, OSM

No decorrer do CCXV Capítulo Geral, os capitulares confiaram esse serviço a frei Sergio M. Ziliani, OSM.

Sua eleição como Prior Geral da Ordem dos Servos de Maria abria uma nova etapa na história recente da Ordem.

Frei Sergio não era desconhecido na vida servita.

Ao longo dos anos havia exercido diferentes responsabilidades e participado de organismos de colaboração da Ordem.

Agora recebia uma missão que ultrapassava qualquer jurisdição particular:

servir à comunhão de toda a Ordem.

De irmão a irmão

A figura do Prior Geral precisa ser compreendida dentro da espiritualidade servita.

Ele é, antes de tudo, um frade.

Um irmão entre irmãos.

Sua autoridade existe para favorecer a fidelidade ao Evangelho, às Constituições e ao carisma da Ordem.

Precisa acompanhar as jurisdições.

Promover a comunhão.

Escutar.

Discernir.

Encorajar.

E, quando necessário, ajudar a tomar decisões difíceis.

Num período de profundas transformações, esse serviço torna-se particularmente exigente.

Receber uma Ordem em mudança

O novo Prior Geral recebia uma Ordem que carregava quase oito séculos de história, mas que precisava preparar-se para um futuro novo.

Algumas estruturas provavelmente precisariam ser revistas.

A colaboração internacional deveria crescer.

As jurisdições mais jovens precisariam assumir responsabilidades cada vez maiores.

As presenças históricas deveriam discernir como preservar o essencial mesmo diante da redução numérica.

E toda a Ordem deveria continuar preparando-se para 2033.

O oitavo centenário aproximava-se.

O governo como serviço de unidade

O tema capitular oferecia também uma chave para compreender o novo governo:

edificar aquilo que nos une.

Essa seria uma das grandes responsabilidades do Prior Geral e de seus colaboradores.

Unir não significa uniformizar.

A Ordem continuará italiana, brasileira, mexicana, indiana, filipina, africana, norte-americana e presente em tantas outras culturas.

A unidade não elimina essas identidades.

Ela permite que todas se reconheçam numa identidade maior:

somos Servos de Maria.

Maria no centro

No meio das discussões sobre estruturas, eleições e futuro, permanece aquela que dá nome à Ordem.

Maria.

Ela não é um elemento decorativo da identidade servita.

É inspiração.

A Serva do Senhor ensina uma autoridade que não domina.

Ensina uma presença que não busca protagonismo.

Ensina uma escuta que conduz ao serviço.

Seu “faça-se” permanece como escola para qualquer frade chamado a assumir uma responsabilidade.

Um novo sexênio começa

A eleição de um novo Prior Geral não encerrava os trabalhos.

Ao contrário.

Era necessário continuar discernindo.

O Capítulo ainda precisava transformar suas reflexões em orientações capazes de acompanhar a Ordem.

E o novo governo precisaria posteriormente ajudar as comunidades a receber aquilo que fosse decidido.

Porque a eleição de pessoas é apenas uma parte de um Capítulo.

O verdadeiro objetivo continua sendo a renovação da vida.

Uma responsabilidade compartilhada

Seria um erro imaginar que o futuro da Ordem passava agora exclusivamente para as mãos do Prior Geral.

O futuro dos Servos de Maria pertence à responsabilidade de todos.

Do frade mais jovem ao mais idoso.

Dos superiores aos irmãos sem cargos de governo.

Dos formadores aos estudantes.

Das antigas às novas jurisdições.

Cada Servo participa da construção da Ordem que chegará a 2033.

A eleição de frei Sergio M. Ziliani representava, portanto, não somente o início de um novo governo.

Representava também um convite para toda a Ordem renovar sua disponibilidade.

Num mundo polarizado, os Servos eram chamados a mostrar que diferenças podem conviver.

Que irmãos podem discernir juntos.

Que culturas podem encontrar-se.

Que a autoridade pode ser serviço.

E que a fraternidade ainda é possível.

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Fonte

ORDEM DOS SERVOS DE MARIA. Comunicações e documentação relativas ao CCXV Capítulo Geral, 2025.

Documentação da Cúria Geral e comunicações referentes ao Capítulo e ao novo governo da Ordem.

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Continua — Parte III: as decisões do CCXV Capítulo Geral, o novo governo, as estruturas da Ordem e o caminho dos Servos de Maria rumo ao jubileu de 2033.

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