14/09/2026

Capítulo Geral 2025 Parte I

CCXV Capítulo Geral dos Servos de Maria — 2025

Parte I — Ser Servos em um mundo polarizado

Ariccia — 9 a 30 de novembro de 2025

Seis anos depois do CCXIV Capítulo Geral, os Servos de Maria voltaram a reunir-se em Ariccia para celebrar o CCXV Capítulo Geral da Ordem dos Frades Servos de Maria.

O mundo encontrado pelos capitulares em 2025 era profundamente diferente daquele de 2019.

No Capítulo anterior, a Ordem havia escolhido como tema:

“Servos da esperança em um mundo que muda.”

A história mostrou rapidamente quanto aquele mundo realmente mudaria.

Pandemia, guerras, tensões internacionais, polarização política e social, novas formas de comunicação, dificuldades econômicas, transformações culturais e profundas mudanças na experiência religiosa marcaram os seis anos seguintes.

Diante dessa realidade, o CCXV Capítulo Geral escolheu como horizonte:

«“Ser Servos em um mundo polarizado: edificar aquilo que nos une, valorizando as diferenças individuais, sociais e culturais.”»

De 2019 a 2025

Poucos meses depois do encerramento do Capítulo de 2019, a pandemia da Covid-19 transformou radicalmente a vida cotidiana.

Também as comunidades religiosas foram atingidas.

Igrejas ficaram vazias durante determinados períodos.

Atividades pastorais foram interrompidas ou profundamente modificadas.

As relações pessoais passaram por novas dificuldades.

Muitos religiosos precisaram descobrir outras maneiras de manter contato com o povo e entre si.

Aquilo que, em Ariccia 2019, havia sido chamado de “mundo que muda” mostrava agora toda a velocidade de suas transformações.

Um mundo ferido pelas divisões

Quando os capitulares chegaram a Ariccia em novembro de 2025, outro fenômeno tornara-se particularmente evidente:

a polarização.

As sociedades pareciam cada vez mais divididas.

Posições políticas, culturais, religiosas e sociais frequentemente deixavam de ser oportunidades de diálogo para transformar-se em motivo de confronto.

O diferente corria o risco de deixar de ser considerado interlocutor para tornar-se adversário.

Nesse contexto, a pergunta do Capítulo adquiria grande força:

Como ser Servo num mundo polarizado?

Edificar aquilo que une

O tema capitular oferecia também uma resposta.

Edificar aquilo que une.

Não se tratava de eliminar as diferenças.

Muito menos de criar uma uniformidade artificial.

A proposta era outra:

construir comunhão valorizando as diferenças.

Essa perspectiva toca diretamente uma característica fundamental da espiritualidade servita.

Segundo a tradição da Ordem, os primeiros Padres escolheram uma vida de fraternidade.

Homens diferentes decidiram caminhar juntos.

Por isso, num mundo fragmentado, a fraternidade torna-se novamente uma forma concreta de testemunho.

Valorizar as diferenças

O tema do Capítulo fazia questão de especificar:

diferenças individuais, sociais e culturais.

A diferença não deveria ser simplesmente suportada.

Deveria ser reconhecida e valorizada.

Essa questão adquiria particular importância numa Ordem cada vez mais internacional.

A presença servita desenvolveu-se de maneira diferente nas diversas regiões do mundo.

Enquanto algumas antigas jurisdições experimentaram forte diminuição numérica, outras regiões, especialmente na Ásia e em partes da África, conheceram novos desenvolvimentos.

Isso modifica progressivamente a fisionomia da Ordem.

Uma Ordem que mudou

Sessenta anos antes, por ocasião do Capítulo Geral de 1965, a geografia servita apresentava uma configuração bastante diferente.

A presença europeia e particularmente italiana tinha um peso muito maior.

Ao longo das décadas, algumas jurisdições foram unificadas, outras desapareceram ou diminuíram, enquanto novas realidades se desenvolveram.

Na Ásia, por exemplo, cresceram as presenças na Índia e nas Filipinas e surgiram novos horizontes missionários.

Na África oriental, a presença servita desenvolveu-se a partir de Uganda, estendendo-se posteriormente a outras regiões.

A Ordem que chegava a Ariccia em 2025 era, portanto, muito mais claramente marcada pela diversidade de povos e culturas.

O desafio não é apenas numérico

A transformação da Ordem não pode ser compreendida apenas através das estatísticas.

O desafio é também cultural.

Quando frades provenientes de diferentes países passam a viver juntos, não basta possuir as mesmas Constituições.

É necessário aprender a compreender maneiras diferentes de pensar, comunicar, rezar, trabalhar e estabelecer relações.

Por isso, a interculturalidade torna-se uma questão profundamente espiritual.

A fraternidade precisa ser construída.

Dos Sete para o mundo

Essa realidade pode ser iluminada pela própria história das origens.

A Ordem não começou com um homem isolado.

Começou com uma fraternidade.

A tradição fala dos Sete Santos Fundadores.

Essa característica é extraordinariamente significativa.

No princípio dos Servos está um grupo.

Está uma experiência de comunhão.

Está a decisão de procurar Deus juntos.

O mundo polarizado oferece, portanto, aos Servos uma oportunidade particular de recuperar uma das dimensões mais antigas de seu carisma:

ser homens de comunhão.

O caminho entre dois Capítulos

O CCXV Capítulo não surgiu isoladamente.

Ele recebeu o caminho realizado desde 2019.

O Capítulo anterior havia falado de esperança.

Agora era necessário perguntar como essa esperança poderia tornar-se comunhão num mundo dividido.

Existe, assim, uma continuidade muito significativa:

2019 — Servos da esperança em um mundo que muda.

2025 — Servos chamados a edificar aquilo que une em um mundo polarizado.

A esperança precisa tornar-se fraternidade.

Um sexênio inesperado

Provavelmente poucos capitulares presentes em 2019 poderiam imaginar tudo aquilo que aconteceria durante os seis anos seguintes.

A pandemia constituiu apenas uma parte dessa história.

O cenário internacional tornou-se progressivamente marcado por guerras e conflitos.

A violência continuou atingindo populações inteiras.

A desigualdade social permaneceu.

Novas tecnologias modificaram profundamente a comunicação.

As redes sociais ampliaram extraordinariamente as possibilidades de encontro, mas também contribuíram para novas formas de agressividade e divisão.

Nesse ambiente, falar de fraternidade deixava de ser uma reflexão abstrata.

Tornava-se urgência.

Fraternidade como missão

Os Servos de Maria possuem uma tradição que pode oferecer uma resposta significativa.

A fraternidade não é somente uma organização prática da vida conventual.

Ela pertence ao carisma.

O frade não escolhe simplesmente morar com outras pessoas.

Ele escolhe procurar Deus com os irmãos.

Isso exige escuta.

Paciência.

Reconciliação.

Perdão.

Capacidade de aceitar diferenças.

E disposição para colocar o bem comum acima do interesse individual.

Quando isso acontece, a comunidade religiosa torna-se sinal.

Maria, mulher de comunhão

Também aqui Maria permanece como inspiração.

A Serva do Senhor não vive para si mesma.

Depois da Anunciação, coloca-se a caminho para encontrar Isabel.

Em Caná, percebe a necessidade dos outros.

No Calvário, permanece junto ao Filho.

No Cenáculo, está em oração com os discípulos.

Maria aparece constantemente em relação.

Ela acolhe.

Serve.

Permanece.

Reúne.

Por isso, para os Servos de Maria, construir comunhão não é algo separado de sua inspiração mariana.

Um horizonte maior: 2033

O Capítulo de 2025 encontrava-se ainda diante de uma data particularmente significativa.

A Ordem aproximava-se de 2033, ano tradicionalmente relacionado ao oitavo centenário de suas origens.

O caminho até esse jubileu não poderia limitar-se à preparação de comemorações.

A proximidade dos oitocentos anos colocava uma pergunta muito mais profunda:

Que Ordem queremos entregar às próximas gerações?

Celebrar as origens exige voltar ao espírito das origens.

Não conservar cinzas, mas transmitir um carisma

Uma instituição com séculos de história pode cair na tentação de olhar apenas para trás.

Mas a memória cristã não funciona assim.

Recordamos para compreender quem somos.

E compreendemos quem somos para continuar caminhando.

Os Sete Fundadores não receberam dos antepassados uma estrutura pronta chamada Ordem dos Servos de Maria.

Eles tiveram coragem para iniciar um caminho.

Talvez seja justamente essa coragem que seus filhos precisam continuamente recuperar.

O CCXV começa

Foi nesse horizonte que os frades chegaram a Ariccia.

Traziam consigo as realidades de suas jurisdições.

Suas esperanças.

Suas dificuldades.

As experiências dos seis anos anteriores.

E também as perguntas sobre o futuro.

Durante aquelas semanas seria necessário rezar, escutar relatórios, avaliar o sexênio, trabalhar em grupos, discernir propostas e tomar decisões.

Haveria também uma responsabilidade fundamental:

eleger o governo que conduziria a Ordem no novo sexênio.

Mas antes de qualquer eleição ou decisão administrativa permanecia a pergunta essencial:

«Como podemos ser Servos neste mundo?»

A resposta indicada pelo próprio tema do Capítulo começava pela fraternidade:

«Edificar aquilo que nos une, valorizando as diferenças individuais, sociais e culturais.»

Num mundo dividido, os Servos eram novamente chamados a fazer aquilo que seus primeiros Padres haviam procurado realizar oito séculos antes:

viver como irmãos.

E assim começava o CCXV Capítulo Geral da Ordem dos Servos de Maria.

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Fonte

ORDEM DOS SERVOS DE MARIA. Documentação preparatória do CCXV Capítulo Geral, Ariccia, 2025.

Tema: “Ser Servos em um mundo polarizado: edificar aquilo que nos une, valorizando as diferenças individuais, sociais e culturais.”

Período: 9–30 de novembro de 2025.

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Continua — Parte II: os primeiros dias do CCXV Capítulo Geral, a vida dos capitulares em Ariccia e o caminho que conduziu à eleição de frei Sergio M. Ziliani como Prior Geral.

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