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14/09/2026

Capítulo Geral 2025 Parte III

CCXV Capítulo Geral dos Servos de Maria — 2025

Parte III — Um novo governo e uma Ordem a caminho de 2033

Ariccia — novembro de 2025

A eleição de frei Sergio M. Ziliani, OSM, para o serviço de Prior Geral da Ordem dos Servos de Maria marcou uma passagem importante no CCXV Capítulo Geral.

Entretanto, a eleição não poderia ser considerada o ponto de chegada.

Um Capítulo Geral não existe simplesmente para escolher superiores.

Seu objetivo mais profundo é discernir como a Ordem poderá permanecer fiel ao Evangelho, às Constituições e ao carisma recebido dos primeiros Padres diante das circunstâncias concretas de cada época.

Em 2025, esse discernimento possuía uma característica especial.

Os Servos estavam a apenas alguns anos de 2033.

A caminho dos oitocentos anos

A tradição da Ordem situa suas origens em 1233.

Assim, 2033 apresenta-se como uma referência particularmente significativa: o oitavo centenário das origens dos Servos de Maria.

O aniversário, porém, não pode ser reduzido a uma comemoração histórica.

Oito séculos constituem antes de tudo uma responsabilidade.

Depois de tantas gerações de frades, monjas, religiosas, membros dos Institutos Seculares, da Ordem Secular e de outros grupos da Família Servita, permanece a pergunta:

O que significa ser Servo de Maria no século XXI?

Voltar às origens para continuar caminhando

Preparar um jubileu não significa simplesmente olhar para trás.

A memória cristã conduz ao futuro.

Recordar os Sete Santos Fundadores significa perguntar o que havia de essencial em sua experiência.

Eles procuraram Deus.

Escolheram a fraternidade.

Buscaram a reconciliação.

Acolheram Maria como inspiração de sua vida.

Colocaram-se a serviço.

Esses elementos continuam sendo mais importantes do que qualquer estrutura histórica criada posteriormente.

As estruturas podem mudar.

O carisma precisa continuar vivo.

Uma Ordem que precisa discernir suas estruturas

Ao longo de quase oito séculos, a Ordem criou Províncias, Vicariatos, Delegações, conventos, paróquias, santuários, escolas e outras formas de presença apostólica.

Muitas dessas estruturas produziram frutos extraordinários.

Mas nenhuma estrutura é eterna.

Quando as circunstâncias mudam, é necessário perguntar se determinada organização continua servindo à missão.

Isso exige coragem.

Fechar uma presença pode ser doloroso.

Reorganizar jurisdições pode tocar profundamente a história e a identidade de muitos frades.

Criar novas estruturas também exige discernimento.

O critério, entretanto, não pode ser simplesmente conservar aquilo que sempre existiu.

A pergunta precisa ser:

O que ajuda hoje os Servos de Maria a viver e testemunhar melhor seu carisma?

Do provincial ao internacional

Uma das grandes transformações experimentadas pela vida religiosa contemporânea é a necessidade crescente de colaboração internacional.

Durante muito tempo, diversas Províncias conseguiram organizar praticamente toda a própria vida: formação, governo, economia, estudos e apostolado.

Em muitas regiões, essa realidade mudou.

Isso torna cada vez mais necessária a colaboração.

Uma casa de formação pode servir a mais de uma jurisdição.

Um frade pode ser chamado a servir fora de seu país.

Uma comunidade pode tornar-se internacional.

Um projeto pode ser assumido conjuntamente.

O futuro provavelmente exigirá dos Servos uma consciência cada vez mais forte de que pertencem primeiro à Ordem, antes de pertencerem a determinada estrutura territorial.

As novas gerações

Ao mesmo tempo, algumas regiões da Ordem apresentam presença significativa de jovens em formação.

Isso constitui motivo de esperança.

Mas também uma responsabilidade enorme.

Uma Ordem não se renova apenas porque recebe novos candidatos.

Ela se renova quando consegue transmitir a esses jovens uma experiência autêntica do carisma.

É necessário formar homens capazes de rezar.

Capazes de viver em comunidade.

Capazes de escutar.

Capazes de trabalhar.

Capazes de dialogar com outras culturas.

Capazes de assumir responsabilidades.

E, sobretudo, capazes de servir.

Não basta formar sacerdotes

A identidade do Servo de Maria não pode ser reduzida ao ministério presbiteral.

Antes de ser sacerdote, quando chamado também a esse ministério, o religioso é frade Servo de Maria.

Sua primeira escola é a fraternidade.

Sua identidade nasce da profissão religiosa.

Por isso, a formação precisa ajudar cada candidato a compreender que não entra na Ordem simplesmente para exercer determinadas atividades pastorais.

Ele entra para compartilhar uma forma de vida evangélica.

O ministério nasce dessa vida.

Formação para a interculturalidade

Uma Ordem internacional precisa formar também para a interculturalidade.

O frade do futuro poderá ser chamado a viver durante muitos anos longe de seu país de origem.

Poderá trabalhar com irmãos de diferentes culturas.

Poderá receber uma missão numa realidade que não conhece.

Isso exige mais do que aprender outro idioma.

Exige capacidade interior de acolher o diferente.

De aprender.

De não considerar a própria cultura superior.

De perceber que nenhuma cultura esgota o Evangelho.

Nesse sentido, a internacionalidade pode tornar-se uma extraordinária escola de fraternidade.

O tema capitular torna-se programa

Aqui reaparece a força do horizonte escolhido para 2025:

edificar aquilo que nos une, valorizando as diferenças individuais, sociais e culturais.

Essa frase não se aplica apenas aos grandes conflitos da sociedade.

Aplica-se primeiro à própria Ordem.

Uma comunidade internacional que consegue viver como verdadeira fraternidade oferece uma resposta concreta à polarização.

Mostra que diferenças não precisam produzir inimigos.

Mostra que identidade não precisa significar fechamento.

Mostra que unidade não exige uniformidade.

O serviço da autoridade

Nesse contexto, o governo geral recebe uma missão particularmente delicada.

O Prior Geral e seus colaboradores precisam favorecer a comunhão entre realidades muito diferentes.

Não podem simplesmente administrar o presente.

Precisam ajudar a preparar o futuro.

Isso significa escutar as jurisdições.

Acompanhar processos de reorganização.

Favorecer a formação.

Promover colaboração.

Cuidar da fidelidade ao carisma.

E ajudar a Ordem a caminhar conjuntamente para 2033.

A autoridade religiosa encontra seu sentido quando se torna serviço de comunhão.

Frei Sergio e uma herança recebida

Frei Sergio M. Ziliani recebia também uma história que não começava em 2025.

Outros Priores Gerais haviam conduzido a Ordem em diferentes períodos, cada um enfrentando os desafios de seu tempo.

O novo Prior Geral recebia essa herança.

Mas precisava conduzi-la para uma etapa nova.

Essa continuidade é importante.

Na vida religiosa, renovação não significa começar sempre novamente.

Significa receber.

Discernir.

Purificar.

Desenvolver.

E transmitir.

Toda a Ordem é responsável

Nenhum Prior Geral poderá sozinho preparar a Ordem para 2033.

Nenhum Conselho Geral poderá sozinho renovar a vida servita.

A responsabilidade pertence a todos.

Cada convento.

Cada comunidade.

Cada Província.

Cada jurisdição.

Cada frade.

O Capítulo Geral pode indicar caminhos.

O governo pode acompanhar.

Mas a renovação acontece na vida cotidiana.

O Capítulo conventual

Talvez um dos lugares mais concretos onde o espírito de um Capítulo Geral precisa chegar seja justamente o Capítulo conventual.

É ali que uma comunidade pergunta:

Como estamos vivendo?

Como rezamos?

Como acolhemos?

Como administramos nossos bens?

Como realizamos nosso apostolado?

Como cuidamos uns dos outros?

Como testemunhamos a presença de Maria?

Como servimos aos pobres?

Como recebemos os jovens?

Como envelhecemos juntos?

As grandes decisões da Ordem tornam-se reais quando chegam a perguntas como essas.

Maria, memória e profecia

No caminho para 2033, Maria permanece simultaneamente memória e profecia para os Servos.

Memória porque acompanha a história da Ordem desde suas origens.

Profecia porque continua apontando para aquilo que a Ordem precisa tornar-se.

Ela escuta a Palavra.

Coloca-se a caminho.

Serve.

Permanece junto à cruz.

Reúne-se em oração com a comunidade.

Nenhuma dessas atitudes perdeu atualidade.

Junto às cruzes do mundo

Uma Ordem que possui relação tão profunda com Nossa Senhora das Dores não pode ignorar as dores do mundo.

Guerras.

Migrações.

Pobreza.

Solidão.

Violência.

Famílias feridas.

Jovens sem perspectivas.

Idosos abandonados.

Crise ambiental.

Povos divididos.

A contemplação das Dores de Maria não é fuga devocional.

Ela ensina a permanecer.

O Servo é chamado a estar onde existem cruzes.

A reconciliação como missão

Num mundo polarizado, talvez uma das expressões mais fortes do carisma servita seja precisamente a reconciliação.

Criar pontes.

Aproximar pessoas.

Escutar posições diferentes.

Recusar a lógica do inimigo.

Construir paz.

Não significa permanecer indiferente diante da injustiça.

Significa buscar a verdade sem destruir a fraternidade.

Essa missão possui raízes profundas na própria memória das origens servitas.

2033 começa agora

O oitavo centenário não começará somente quando chegar o calendário de 2033.

Ele já está sendo preparado.

Cada decisão tomada hoje ajuda a determinar que Ordem celebrará aquela data.

Que comunidades existirão?

Como será a formação?

Quais serão as novas presenças?

Como estarão organizadas as jurisdições?

Que lugar terão os leigos e os diferentes ramos da Família Servita?

Como os Servos serão reconhecidos pela Igreja e pela sociedade?

Essas perguntas pertencem ao caminho iniciado antes do jubileu.

Transmitir o fogo

Depois de quase oito séculos, a tarefa não é simplesmente conservar uma instituição.

É transmitir um carisma.

Os primeiros Padres não nos deixaram apenas conventos, documentos ou tradições.

Deixaram uma maneira de procurar Deus juntos.

Uma maneira de viver como irmãos.

Uma maneira de olhar para Maria.

Uma maneira de servir.

É esse fogo que precisa chegar às próximas gerações.

Um novo sexênio

O CCXV Capítulo Geral confiava ao novo governo a responsabilidade de acompanhar essa etapa.

Mas a missão era compartilhada por todos.

O mundo está polarizado.

A Ordem é culturalmente diversa.

As estruturas estão mudando.

Novas gerações estão chegando.

O jubileu aproxima-se.

Diante de tudo isso, os Servos são chamados a fazer aquilo que está inscrito em seu próprio nome:

servir.

Servir à comunhão.

Servir à fraternidade.

Servir à reconciliação.

Servir à Igreja.

Servir aos pobres.

Servir à esperança.

E fazê-lo com Maria, a Serva do Senhor.

Assim, o caminho para 2033 não será simplesmente a contagem dos anos que faltam.

Será uma oportunidade de renovação.

Porque a melhor maneira de celebrar oitocentos anos de história é fazer com que o carisma recebido continue vivo.

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Fontes

ORDEM DOS SERVOS DE MARIA. Documentação e comunicações referentes ao CCXV Capítulo Geral, 2025.

ORDEM DOS SERVOS DE MARIA. Constituições e Diretório Geral da Ordem.

Documentação institucional da Ordem referente às jurisdições, formação, governo e colaboração internacional.

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Continua — Parte IV: o encerramento do CCXV Capítulo Geral, a missão confiada ao novo governo e a passagem de frei Gottfried M. Wolff para frei Sergio M. Ziliani.

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