14/09/2026

Frei Octávio M. Lucietti, OSM

 

Trajetória de vida e necrológio


Frei Octávio M. Lucietti, OSM, frade presbítero da Ordem dos Servos de Maria, nasceu em Turvo, Santa Catarina, no dia 28 de outubro de 1934, filho de Fernando Lucietti e Carlota Piovezan Lucietti.


Desde jovem sentiu-se chamado à vida religiosa. Em 1949, ingressou no Seminário dos Servos de Maria, em Turvo, iniciando o caminho de formação que o conduziria à consagração religiosa e ao sacerdócio.


Formação e profissão religiosa


Em 1954, iniciou o noviciado em São Paulo.


Emitiu a primeira profissão religiosa em 12 de fevereiro de 1955.


Prosseguiu sua formação religiosa e acadêmica no Brasil e em Roma, tendo realizado estudos em Turvo, São Paulo, São José dos Campos e na Cidade Eterna.


A documentação administrativa registra sua profissão solene em Roma, no dia 1º de janeiro de 1958.


Recebeu posteriormente o diaconato e foi ordenado presbítero em Roma, em 29 de maio de 1961.


Começava então um longo ministério sacerdotal desenvolvido sobretudo nas comunidades da Ordem dos Servos de Maria no Brasil.


Uma vida a serviço da Igreja e da Ordem


Ao longo de sua vida religiosa e sacerdotal, Frei Octávio residiu e trabalhou em diferentes comunidades: Turvo, Rio de Janeiro, São Paulo, São José dos Campos, Sena Madureira, Rio Branco e Curitiba.


Exerceu diversos serviços pastorais e comunitários.


Foi coadjutor e vigário colaborador, professor, ecônomo e promotor vocacional.


Sua vida sacerdotal, porém, foi marcada particularmente pela proximidade com as pessoas.


Era dedicado às visitas às famílias e às comunidades, atento aos enfermos e aos que buscavam o sacramento da Reconciliação e sempre disponível para acompanhar as famílias nos momentos de luto.


Seu apostolado manifestava especial sensibilidade pelos mais humildes e pobres.


Um frade de temperamento amável


Os que conviveram com Frei Octávio conservaram a memória de um homem gentil e de temperamento amável.


Sua maneira de exercer o ministério não se caracterizava pela busca de grandes realizações ou de reconhecimento, mas pela presença cotidiana junto às pessoas.


Ao longo de décadas, sua vida foi sendo oferecida no serviço pastoral, na convivência fraterna e na disponibilidade às necessidades das comunidades às quais foi enviado.


Assim viveu sua vocação como Servo de Maria: no serviço simples, perseverante e próximo.


Os últimos anos


Nos últimos anos de sua vida, Frei Octávio pertenceu à comunidade dos Servos de Maria de São José dos Campos, São Paulo.


Mesmo com as limitações próprias da idade avançada, permaneceu unido à vida da comunidade religiosa e à Igreja local.


Depois de uma longa existência consagrada ao Senhor, sua saúde tornou-se progressivamente mais frágil.


Foi hospitalizado em São José dos Campos, apresentando graves problemas de saúde, particularmente de natureza respiratória e cardíaca.


Falecimento


Frei Octávio M. Lucietti faleceu em São José dos Campos, no dia 14 de abril de 2021, aos 86 anos de idade.


Encerrava uma caminhada iniciada no interior de Santa Catarina e desenvolvida durante mais de seis décadas de vida consagrada e ministério sacerdotal.


Na celebração de suas exéquias, sua existência foi recordada como uma vida oferecida no serviço à Igreja, à Ordem e especialmente às pessoas mais simples.


A homilia exequial conservada em seu arquivo recorda:


«“O nosso companheiro de viagem alcançou a meta que ele sempre procurou indicar com a sua vida. Está junto de Deus e viverá eternamente.”»


E, confiando o confrade à intercessão da Senhora das Dores:


«“Que a Virgem Mãe das Dores celebre o retorno à casa do Pai de mais um filho amado.”»


Frei Octávio M. Lucietti, OSM


Nascimento: 28 de outubro de 1934 — Turvo, Santa Catarina

Primeira profissão: 12 de fevereiro de 1955

Profissão solene: 1º de janeiro de 1958 — Roma

Ordenação presbiteral: 29 de maio de 1961 — Roma

Falecimento: 14 de abril de 2021 — São José dos Campos, São Paulo


Descanse em paz!


Que a memória de sua simplicidade, disponibilidade pastoral e fidelidade à vocação de Servo de Maria permaneça entre seus confrades e entre todos aqueles a quem serviu.


---


Nota documental


A reconstrução biográfica foi realizada a partir da documentação da Província São Peregrino da Ordem dos Servos de Maria, do documento referente ao falecimento de Frei Octávio e da homilia exequial conservada no arquivo de Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM.


A homilia registra a profissão solene como ocorrida em 1960. A documentação administrativa, confrontada com outro registro biográfico, indica 1º de janeiro de 1958, data adotada nesta trajetória biográfica. A redação da homilia, publicada separadamente, foi preservada como documento histórico.


Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria

Frei José Otávio M. Milanez, OSM


Trajetória de vida e necrológio


Frei José Otávio M. Milanez, OSM, frade presbítero da Ordem dos Servos de Maria, nasceu em Nova Veneza, Santa Catarina, no dia 4 de outubro de 1940, filho de Silvestro Milanez e Francisca Vitali Milanez.


Entre 1948 e 1951 frequentou a Escola Nossa Senhora do Caravaggio, onde realizou os estudos primários. De 1952 a 1956 completou o ensino fundamental e médio no Seminário dos Servos de Maria, em Turvo.


A documentação provincial registra seu ingresso no postulantado em 19 de fevereiro de 1952, no Seminário de Turvo.


Iniciou o noviciado em 25 de março de 1957, em São José dos Campos, e ali emitiu sua primeira profissão religiosa em 12 de abril de 1958.


Entre 1958 e 1960 cursou Filosofia em São José dos Campos, obtendo posteriormente o grau de Licenciado em Filosofia pela Universidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul.


Fez a profissão solene em 2 de agosto de 1962, em Turvo.


Estudos em Roma e ordenação sacerdotal


De 1962 a 1966 realizou os estudos de Teologia em Roma, obtendo o título de Licenciado em Teologia pela Pontifícia Faculdade Teológica Marianum.


Foi ordenado diácono em 28 de novembro de 1965, em Roma.


No dia 11 de abril de 1966, também em Roma, recebeu a ordenação sacerdotal.


Começava, assim, um longo ministério presbiteral e religioso inteiramente colocado a serviço da Igreja e da Ordem dos Servos de Maria.


Serviço à Ordem e à Província


Ao longo de sua vida religiosa, Frei José viveu nos conventos de Turvo, São José dos Campos, São Paulo, Rio Branco, Rio de Janeiro, Roma, Sena Madureira e Curitiba.


Exerceu numerosas funções na Província São Peregrino.


Foi animador vocacional entre 1966 e 1967 e professor entre 1968 e 1971.


Serviu ainda como secretário provincial, pároco, vigário paroquial, prior conventual, vice-provincial e prior provincial em diferentes períodos.


Em 1985, foi eleito Prior Provincial, num momento particularmente delicado da presença dos Servos de Maria no Acre.


Entre 1991 e 1995, serviu à Ordem em âmbito internacional como Conselheiro Geral, residindo em Roma.


Nos últimos anos de sua vida, residia no Convento Santa Maria dos Servos, em Curitiba, onde continuava exercendo a função de Secretário Provincial.


Pouco antes de sua morte, durante o Capítulo Provincial Eletivo de janeiro de 2020, participou ativamente dos trabalhos capitulares, exercendo também a função de secretário do Capítulo.


Guardião da memória da Ordem


Uma das características mais marcantes do ministério de Frei José foi seu amor pela história, pela espiritualidade e pela documentação da Ordem dos Servos de Maria.


Dedicou grande parte de sua vida ao estudo, à tradução, à revisão e à publicação de textos servitas.


Foi responsável por numerosas traduções de documentos da Ordem para a língua portuguesa e trabalhou intensamente na divulgação das fontes histórico-espirituais dos Servos de Maria.


Entre seus trabalhos encontram-se publicações sobre Nossa Senhora das Dores, São Peregrino Laziosi, Frei Egídio M. Muscini e numerosos textos litúrgicos, históricos e espirituais.


Participou também da elaboração da obra comemorativa Servos de Maria – 1º Centenário no Brasil, juntamente com Frei André M. Ficarelli e Frei Dilermando M. Ramos Vieira.


Durante muitos anos foi responsável pelo Inter Nos, boletim informativo da Província São Peregrino, tornando-se um verdadeiro guardião da memória provincial.


Seu serviço de tradução era realizado com grande dedicação. Um confrade da Ordem chegou a recordar que dificilmente se encontraria outra pessoa que realizasse aquele trabalho com a mesma paixão.


A preocupação com a memória histórica


No Capítulo Provincial de janeiro de 2020, Frei José apresentou uma proposta particularmente significativa: a criação do ofício de Arquivista Provincial, que teria a missão de recolher, ordenar e catalogar a correspondência oficial, as fotografias históricas e a documentação da Província, além de manter atualizada a ficha individual de cada frade.


Poucos meses depois, a Província perderia justamente aquele confrade que durante tantos anos havia se dedicado à conservação de sua memória.


Servo de Maria e irmão


Frei José foi homem dinâmico e ativo.


Sua vida religiosa amadureceu na meditação da Palavra de Deus, na celebração cotidiana da Eucaristia e no serviço generoso aos irmãos.


Durante quase 62 anos de profissão religiosa, colocou seus dons a serviço da Igreja, da Província São Peregrino e de toda a Ordem dos Servos de Maria.


Seu ministério se desenvolveu em diferentes regiões do Brasil e também em Roma, abrangendo o trabalho pastoral, a formação, o governo da Ordem, o ensino, a tradução, a liturgia, a história e a conservação da memória institucional.


Permaneceu fiel à sua vocação de Servo de Maria, demonstrando até os últimos dias profundo amor pela Ordem.


Falecimento


Frei José Otávio M. Milanez faleceu no dia 7 de março de 2020, aos 79 anos de idade.


Na ocasião de sua morte exercia ainda o ofício de Secretário Provincial.


No dia seguinte, 8 de março de 2020, realizou-se em Turvo, Santa Catarina, a despedida do confrade.


Durante a Missa de corpo presente, Frei José foi recordado como religioso e sacerdote amadurecido pela meditação da Palavra de Deus, pela celebração diária da Eucaristia e pelo serviço sempre generoso aos irmãos.


Recordou-se também sua fidelidade à vocação de Servo de Maria e o profundo amor que demonstrou pela Ordem durante toda a sua existência.


Após as celebrações exequiais, seu corpo foi sepultado em Turvo.


Encerrava-se uma existência de quase oitenta anos, dos quais mais de seis décadas dedicadas à vida religiosa e ao serviço da Igreja.


Frei José Otávio M. Milanez, OSM

4 de outubro de 1940 – 7 de março de 2020


Primeira profissão: 12 de abril de 1958

Profissão solene: 2 de agosto de 1962

Ordenação sacerdotal: 11 de abril de 1966


Descanse em paz!


Que seu exemplo de fidelidade, serviço, estudo e amor à Ordem permaneça vivo entre nós.


---


Nota documental


Texto elaborado principalmente a partir da documentação publicada no Inter Nos 328/2020, boletim da Província São Peregrino dos Servos de Maria, que conserva a ficha biográfica de Frei José Otávio M. Milanez e a homilia pronunciada em suas exéquias.


A Homilia Exequial de Frei José Otávio M. Milanez, OSM, de autoria de Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, é conservada e publicada separadamente como documento próprio.


Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria

Frei Paolino M. Baldassarri, OSM

 

Trajetória de vida e necrológio


Frei Paolino M. Baldassarri, OSM, frade de votos solenes e presbítero da Ordem dos Servos de Maria, filho da Província São Peregrino do Brasil e membro da comunidade do Convento Nossa Senhora da Conceição, de Sena Madureira, Acre, nasceu em Quinzano di Loiano, Bolonha, Itália, no dia 2 de abril de 1926, filho de Arturo Baldassarri e Angiolina Zanarini.


Ingressou na Ordem no aspirantado do Convento de Ronzano, Bolonha, onde cursou o ensino médio. Iniciou o noviciado em Montefano, província de Macerata, na região das Marcas, em 10 de outubro de 1946, emitindo a primeira profissão dos votos em 12 de outubro de 1947.


Fez a profissão solene em 2 de dezembro de 1951, em São Paulo, Brasil, onde foi também ordenado diácono em 22 de dezembro de 1952 e presbítero em 22 de dezembro de 1953.


Missionário no Brasil


Frei Paolino fez parte do primeiro grupo de professos enviados ao Brasil, em 1950, pela Província italiana da Romanha. Com ele vieram os confrades Giocondo Grotti, Pedro Leoni, João Cardinale e Ludovico Gati.


Depois de concluírem o curso de Filosofia no Estudantado Geral dos Dominicanos de Bolonha, estabeleceram-se no Convento Nossa Senhora das Dores, em São Paulo, e realizaram os estudos de Teologia no Seminário Central do Ipiranga, da Arquidiocese de São Paulo.


Ordenado sacerdote em dezembro de 1953, Frei Paolino passou o primeiro ano de seu ministério no Seminário Nossa Senhora das Dores, em Turvo, onde foi professor de latim, italiano e outras disciplinas.


No ano seguinte, foi transferido para o Acre, terra à qual dedicaria praticamente toda a sua vida missionária.


Brasileia e Boca do Acre


No Acre começou seu ministério em Brasileia, na fronteira com a Bolívia, onde permaneceu até 1962. Ali construiu a atual igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores e a casa paroquial.


Sua personalidade prática e espontânea ficou registrada também em episódios pitorescos. Conta-se que, durante a construção da igreja, ele mesmo subiu ao andaime para desenhar o relógio no alto da torre, mas esqueceu o número 11. Na construção da casa paroquial, somente depois da retirada dos andaimes percebeu-se que faltava uma escada de acesso ao segundo piso, sendo necessário improvisar uma escada em espiral.


Depois de passar o ano de 1963 em Sena Madureira, foi transferido para Boca do Acre, no Estado do Amazonas, na confluência dos rios Acre e Purus, onde permaneceu até o final de 1967.


Também desse período ficou um episódio característico. Ao preparar um grupo de cantores para a celebração do Natal, Frei Paolino colocou o harmônio e o coral sobre um palanque na igreja. Durante o canto, o palanque desabou, levando ao chão o frade, os cantores e o instrumento. Frei Paolino se machucou bastante e precisou usar durante alguns meses um colete no tórax.


Quarenta e oito anos em Sena Madureira


Em 1968, finalmente, Frei Paolino chegou a Sena Madureira, onde permaneceria pelos 48 anos seguintes.


Ali seu nome se confundiria com a própria história da comunidade e da missão dos Servos de Maria.


Homem dinâmico e ativo, animou intensamente a vida paroquial. Construiu cerca de cinquenta escolas nos seringais e ao longo dos rios e realizou anualmente longas desobrigas pelos rios Iaco, Purus, Macauã e Caeté.


Visitava seringais, famílias ribeirinhas e comunidades isoladas; fazia catequese, ministrava os sacramentos e levava conforto aos pobres e aos doentes. Conviveu também com comunidades indígenas.


Fundou cooperativas destinadas a ajudar seringueiros e posseiros a permanecer em suas terras, defendendo-os diante das ameaças e perseguições dos latifundiários que adquiriam os seringais para transformá-los em grandes áreas de pastagem.


Nos anos 1970, participou da criação e animação das Comunidades Eclesiais de Base.


Também se empenhou vigorosamente na defesa da floresta diante do desmatamento descontrolado.


O missionário dos pobres e dos doentes


Em Sena Madureira, Frei Paolino atendia diariamente dezenas de pessoas pobres e doentes, distribuindo gratuitamente medicamentos básicos.


Seu trabalho recebeu reconhecimento público, tendo-lhe sido concedido o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre.


Publicou também um pequeno livro com receitas caseiras à base de ervas.


Era presença marcante nos arraiais do mês de maio, que animava inclusive como leiloeiro.


Sua maior alegria, porém, era embarcar num batelão e partir pelos rios para visitar aqueles que viviam isolados na mata e nas comunidades ribeirinhas.


Um Servo de Maria entre o povo


Frei Paolino era querido, amado e estimado por todos.


Sua simplicidade, seu desapego das coisas materiais, o carinho com que atendia as pessoas, seus olhos brilhantes e seu sorriso aberto cativavam quem se encontrasse com ele.


Sua figura tornou-se inconfundível: baixinho, magro, quase sempre vestido com uma batina simples.


Foi verdadeiramente um missionário.


Deixou sua família e sua pátria e fez do Brasil — particularmente do Acre — sua nova terra.


Sua vida concretizou de maneira singular o ideal missionário expresso nas Constituições da Ordem dos Servos de Maria: à imitação de Cristo, fazer-se um com o povo ao qual se é enviado, adotando seu idioma, compreendendo sua mentalidade e compartilhando seus problemas.


Falecimento e exéquias


Frei Paolino faleceu no dia 8 de abril de 2016, às 14h20, no Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco — HUERB.


Havia completado 90 anos de idade apenas seis dias antes.


Sua morte representou uma grande perda para a Ordem dos Servos de Maria, para a Igreja no Acre e, particularmente, para o povo de Sena Madureira, ao qual havia dedicado grande parte de sua existência.


No final da tarde do dia 8 de abril, seu corpo foi trasladado para a Catedral Nossa Senhora de Nazaré, em Rio Branco, onde ficou exposto à visitação pública.


No dia 9 de abril, às 11 horas, foi celebrada Missa de corpo presente na Catedral, presidida pelo Prior Provincial, Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, e concelebrada pelos confrades Servos de Maria e sacerdotes diocesanos, com grande participação dos fiéis.


À tarde do mesmo dia, seu corpo foi trasladado para Sena Madureira e colocado na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, onde havia exercido seu ministério durante tantos anos.


Seguiram-se as celebrações exequiais e a despedida de um povo que aprendera a reconhecer naquele frade simples um pastor, missionário, amigo e servidor.


Na segunda-feira, 11 de abril de 2016, dia do sepultamento, foi celebrada a solene Missa Exequial, presidida pelo bispo diocesano, Dom Joaquín Pertíñez Fernández, OAR.


Após a celebração, Frei Paolino foi sepultado na capela da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira, comunidade à qual havia dedicado grande parte de sua vida e de seu ministério.


Encerrava-se uma longa existência missionária, marcada por mais de seis décadas de presença na Amazônia e por 48 anos de serviço em Sena Madureira.


Frei Paolino M. Baldassarri, OSM

2 de abril de 1926 – 8 de abril de 2016


Descanse em paz!


Como prescrevem as Constituições da Ordem dos Servos de Maria, manifestemos nosso amor pelo irmão falecido, implorando para ele a misericórdia do Senhor.


---


Nota documental


Texto elaborado a partir da trajetória de vida de Frei Paolino M. Baldassarri, redigida por Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, em abril de 2016, e do necrológio publicado pela Província São Peregrino da Ordem dos Servos de Maria, com correções e complementações relativas às exéquias e ao local do sepultamento.


A homilia exequial de Frei Paolino M. Baldassarri, OSM, proferida por Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, é conservada e publicada separadamente como documento próprio.


Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria

Frei Paolino M. Baldassarri, OSM

 


Trajetória de vida


Frei Paolino M. Baldassarri, frade da Ordem dos Servos de Maria de votos solenes, presbítero, filho da Província São Peregrino do Brasil e membro da comunidade do Convento Nossa Senhora da Conceição, de Sena Madureira, Acre.


Paolino nasceu em Quinzano di Loiano, Bolonha, Itália, aos 2 de abril de 1926, filho de Arturo Baldassarri e de Angiolina Zanarini.


Ingressou na Ordem no aspirantado do Convento de Ronzano, Bolonha, onde cursou o ensino médio. Ingressou no noviciado em Montefano, província de Macerata, na região das Marcas, em 10 de outubro de 1946, vindo a emitir a primeira profissão dos votos em 12 de outubro de 1947.


Fez a profissão solene em 2 de dezembro de 1951, em São Paulo, Brasil, onde foi também ordenado diácono em 22 de dezembro de 1952 e presbítero em 22 de dezembro de 1953.


Ele e os confrades Giocondo Grotti, Pedro Leoni, João Cardinale e Ludovico Gati, depois de concluírem o curso de Filosofia no Estudantado Geral dos Dominicanos de Bolonha, formaram o primeiro grupo de professos enviados para o Brasil, em 1950, pela Província italiana da Romanha.


No Brasil estabeleceram-se no Convento Nossa Senhora das Dores, em São Paulo, e fizeram o curso de Teologia no Seminário Central do Ipiranga, da Arquidiocese de São Paulo.


Ordenado sacerdote em dezembro de 1953, Paulino passou o primeiro ano de seu ministério no Seminário Nossa Senhora das Dores, em Turvo, como professor de latim, italiano e outras disciplinas.


No ano seguinte foi transferido para o Acre, onde permaneceria por cerca de sessenta anos, até sua morte.


Brasileia, Boca do Acre e Sena Madureira


No Acre começou seu ministério em Brasileia, na fronteira com a Bolívia, onde permaneceu até 1962. Ali construiu a atual igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores e a casa paroquial.


Depois de passar o ano de 1963 em Sena Madureira, foi transferido para Boca do Acre, no Estado do Amazonas, na confluência dos rios Acre e Purus, onde permaneceu até o final de 1967.


Em 1968, finalmente, aportou em Sena Madureira, de onde nunca mais sairia definitivamente durante os 48 anos seguintes.


Homem dinâmico e ativo, animou intensamente a vida paroquial. Construiu cerca de cinquenta escolas nos seringais e ao longo dos rios e realizou, anualmente, longas desobrigas pelos rios Iaco, Purus, Macauã e Caeté, visitando seringais e famílias ribeirinhas.


Nessas viagens fazia catequese, ministrava os sacramentos, levava conforto aos pobres e aos doentes e convivia com comunidades indígenas.


Fundou cooperativas destinadas a ajudar seringueiros e posseiros a permanecer em suas terras e os defendeu diante das ameaças e perseguições provocadas pela expansão dos latifúndios e das pastagens.


Nos anos 1970 envolveu-se na criação e animação das Comunidades Eclesiais de Base.


Também se destacou pela defesa da floresta diante do desmatamento descontrolado.


A serviço dos pobres e doentes


Em Sena Madureira atendia diariamente numerosos doentes pobres, distribuindo gratuitamente remédios básicos.


Seu trabalho e dedicação foram reconhecidos também pela Universidade Federal do Acre, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa.


Publicou ainda um pequeno livro de receitas caseiras à base de ervas.


Nas festas populares e religiosas da comunidade era presença constante. Tornou-se particularmente conhecido por sua participação nos arraiais do mês de maio, nos quais atuava inclusive como leiloeiro.


Sua maior alegria, porém, parecia ser embarcar num batelão e partir ao encontro daqueles que viviam isolados na mata e ao longo dos rios.


Um missionário entre o povo


Frei Paolino era querido e estimado por sua simplicidade, pelo desapego das coisas materiais e pelo carinho com que acolhia as pessoas.


Sua figura tornou-se inconfundível: de baixa estatura, magro, habitualmente vestido com uma batina simples, olhos vivos e sorriso aberto.


Deixou sua família e sua pátria para fazer do Brasil — particularmente do Acre — sua nova terra.


Sua vida expressou de modo muito concreto o ideal missionário indicado pelas Constituições da Ordem dos Servos de Maria: tornar-se um com o povo ao qual se é enviado, compreendendo sua mentalidade e compartilhando seus problemas.


Falecimento


Frei Paolino faleceu no dia 8 de abril de 2016, às 14h20, no Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco — HUERB.


Tinha acabado de completar 90 anos de idade.


No final da tarde daquele mesmo dia, seu corpo foi trasladado para a Catedral Nossa Senhora de Nazaré, em Rio Branco, onde ficou exposto à visitação dos fiéis.


No dia 9 de abril, às 11 horas, foi celebrada Missa de corpo presente na Catedral, presidida pelo Prior Provincial, Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, e concelebrada pelos confrades Servos de Maria e sacerdotes diocesanos, com grande participação do povo.


À tarde, o corpo foi levado para Sena Madureira e colocado na Igreja Nossa Senhora da Conceição, onde Frei Paulino havia servido durante tantos anos.


Seguiram-se celebrações exequiais com expressiva presença dos fiéis.


Na segunda-feira, 11 de abril de 2016, depois da solene Missa Exequial, novamente presidida pelo Bispo Diocesano, seu corpo foi sepultado na capela da igreja matriz de Sena Madureira.


Terminava assim a peregrinação terrena de um dos missionários que marcaram profundamente a presença dos Servos de Maria no Acre.


Frei Paolino M. Baldassarri, OSM

2 de abril de 1926 – 8 de abril de 2016


Descanse em paz.



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