Ave Maria, cheia de graça!

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24 de abril de 2014

SOMOS SERVOS ABRIL 2014












EDITORIAL
Q
ueridos irmãos, exultantes com a celebração do Mistério Pascal de Cristo, oferecemos aos nossos leitores o terceiro número da Revista “Somos Servos”, que vai se desenvolvendo a cada dia por meio das sugestões e observações recebidas no nosso email (somosservos@gmail.com), na web com o blog Somos Servos (www.somosservos.blogspot.com) e principalmente no encontro com tantos irmãos e irmãs.
Na celebração do Mistério Pascal de Cristo somos chamados a renovar a graça de nosso batismo, reconhecendo a adoção filial e a redenção oferecidas por Deus a todos os homens. O Mistério Pascal da Cruz e da Ressurreição de Cristo está no centro da Boa Nova que devemos anunciar ao mundo. Durante sua vida terrestre, Jesus anunciava este Mistério por seu ensinamento e o antecipava por seus actos. A Cruz é o único sacrifício de Cristo, "único mediador entre Deus e os homens"! Pelo facto da sua encarnação uniu a si mesmo todos os homens oferecendo-lhes a possibilidade de serem associados à sua morte e ressurreição. Por sua morte Jesus nos liberta do pecado, por sua Ressurreição Ele nos abre as portas de uma nova vida. Por isso, na Liturgia, a Igreja celebra principalmente o Mistério Pascal pelo qual Cristo realizou a obra da nossa salvação.
Nesta edição da nossa revista vamos evidenciar o Mistério Pascal de Cristo, referindo-nos principalmente às celebrações litúrgicas do Tríduo Pascal. Queremos viver com mais sensibilidade espiritual a celebração da Páscoa do Senhor, para a qual nos preparamos durante o tempo da Quaresma, conscientes de que o Mistério Pascal de Cristo é actualizado em nossa vida e na Liturgia pela efusão do Espírito Santo...
Desejamos a todos uma boa leitura!
Feliz Páscoa e um tempo pascal
na presença do Senhor Ressuscitado!

Escreva para somosservos@gmail.com e receba a revista em formato PDF
Versão ONLINE no Blog Somos Servos: www.somosservos.blogspot.com


MISSA CRISMAL
A
 Missa Crismal ou dos “Santos Óleos” acontece na Quinta-feira Santa, mas por motivos pastorais, esta celebração pode ser antecipada. A Missa Crismal reúne em torno do Bispo o clero da diocese (padres e diáconos) e todo o povo de Deus, ou ao menos uma boa representação das comunidades paroquiais que formam a diocese. Uma vez que esta missa caracteriza-se como uma grande acção de graças a Deus pela instituição do ministério sacerdotal na Igreja, nela, os padres presentes renovam as promessas sacerdotais.
Qual o significado do óleo? A palavra “Óleo” é de origem latina, “oleum”, derivada do grego “élaion”, que faz referência ao óleo extraído dos olivais (élaia). Este tem a finalidade de fazer brilhar o rosto (Sl 103,15) e é símbolo da alegria (Sl 44,8). Ser ungido pelo óleo significa a consagração de um ser a Deus, em vista da realeza, do sacerdócio ou de uma missão profética (Ex 29,7). O ungido por excelência é o Messias, o Cristo, que é o Rei, o Sumo Sacerdote e o Profeta. Até mesmo edifícios e objetos podem ser consagrados com a unção do óleo (Gn 28,18). Símbolo da alegria e da beleza, sinal de consagração, o óleo também alivia as dores e fortalece os cristãos, tornando-os mais ágeis e menos vulneráveis.
Quais são os óleos usados na Liturgia? Na Liturgia da Igreja evidenciam-se três óleos: Óleo dos ENFERMOS, dos CATECÚMENOS e do Santo CRISMA. Os dois primeiros Santos Óleos são abençoados, e o terceiro é consagrado pelo Bispo que celebra com todo o seu presbitério na Quinta-feira Santa pela manhã.
O Óleo dos Catecúmenos concede a força do Espírito Santo àqueles que serão batizados, para que possam como Cristo, serem fortalecidos contra o mal. Na falta deste óleo, outro poderá ser abençoado pelo padre antes de ser usado. O batizando é ungido com o óleo dos catecúmenos, no peito.
O Óleo dos Enfermos, que em caso de necessidade poderá ser abençoado pelo padre antes da unção do enfermo, é um sinal sensível utilizado na Unção dos Enfermos, que traz o conforto e a força do Espírito Santo para o doente no momento de seu sofrimento. O doente é ungido na fronte e na palma das mãos.
O Santo Crisma é um óleo perfumado, utilizado nas unções consecratórias: o batizado é ungido na fronte; na Confirmação é o símbolo principal da consagração, também na fronte; são ungidas as palmas das mãos do neo-sacerdote;  o novo bispo é ungido sobre a cabeça. Também é usado em outros ritos consecratórios, como na dedicação de uma Igreja, na consagração de um altar, quando o Santo Crisma é espalhado sobre o altar e sobre as cruzes de consagração que são colocadas nas paredes laterais das igrejas dedicadas (consagradas).  Os Santos Óleos, de modo particular o Santo Crisma, têm caráter sacramental.
Frei Gerson Junior, osm

A INSTITUIÇÃO DA EUCARISTIA
A
 Quinta-Feira Santa é o grande dia da instituição da Sagrada Eucaristia, dom do Céu para os homens; o dia da instituição do sacerdócio, nova prenda divina que assegura a presença real e actual do Sacrifício do Calvário em todos os tempos e lugares, tornando possível que nos apropriemos dos seus frutos.
Aproximava-se o momento em que Jesus vai oferecer a sua vida pelos homens. Tão grande era o seu amor, que na sua Sabedoria infinita encontrou o modo de ir e de ficar, ao mesmo tempo.
Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, não deixa um símbolo, mas uma realidade. Fica Ele mesmo. Embora vá para o Pai, permanece entre os homens. Sob as espécies do pão e do vinho consagrados está Ele, realmente presente, com o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a sua Divindade.
Na celebração da Instituição da Eucaristia, contemplamos Jesus que se coloca a serviço dos seus discípulos e nos dá mais uma prova de amor, nos deixando o memorial de sua paixão, morte e ressurreição.
Jesus antes de tomar a ceia com os seus apóstolos retira seu manto, toma consigo um jarro e uma toalha para lavar os pés de seus discípulos, e assim mostra que ninguém deve querer ser o maior ou aparecer mais que o outro, pois se o Mestre e Senhor que deveria ser servido está servindo, eles devem lavar os pés uns dos outros, lembrando que não é o servo maior que o seu Senhor.
Nesta celebração somos convidados a viver o mandamento do amor: “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado” ( Jo 15, 12).
Nesta mesma ceia, Jesus institui o ministério daqueles que nos propiciarão comer deste Corpo e beber deste Sangue: o Sacerdócio. É necessário rezar pelo Papa, pelos Bispos, pelos sacerdotes, e rogar que haja muitas vocações no mundo inteiro.
Neste dia, a celebração eucarística se encerra com a adoração eucarística; esse gesto se deve em solidariedade ao Senhor que sofre e padece no monte das oliveiras, soando sangue e se sentindo abandonado pelo Pai do Céu. É o nosso momento de nos fazermos presentes na vida do Senhor que nunca nos abandona.
Frei Percy M. Astopillo toro, osm

A PAIXÃO DE CRISTO
Q
uantas perguntas surgem ao meditarmos sobre a Paixão de Cristo! Sobressai sempre de novo a pergunta: Onde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou? Nós não podemos perscrutar o segredo de Deus vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a juízes de Deus e da história. Porventura, nós não continuamos hoje, fazer Cristo sofrer a Paixão? Ainda continuamos crucificando a Cristo quando ao longo da história, inocentes sejam maltratados, condenados e mortos. Quando nós preferimos o sucesso à verdade, a nossa reputação à justiça. Quando as insígnias do poder trazidas pelos poderosos deste mundo é um insulto à verdade, à justiça e à dignidade do homem! Quando os nossos rituais e as nossas palavras, verdadeiramente, não passam de pomposas mentiras, uma caricatura do dever que nos incumbe por força do seu cargo. Nós hoje também contribuímos para que Cristo sofra em vez de completar o que falta na sua Paixão em nossa carne (cf Col 1,24), e prolongamos a sua Paixão.
A Paixão de Cristo não mostra somente o silêncio de Jesus como sua última palavra ao Pai, mas revela também que Deus fala por meio do silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da “distância” do Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra encarnada. Suspenso no madeiro da cruz, o sofrimento que lhe causou tal silêncio fê-lo lamentar: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” (Mc 15, 34; Mt 27, 46). A Paixão de Cristo é profundamente reveladora da situação do homem que reza: depois de ter ouvido e reconhecido a Palavra de Deus, devemos medir-nos também com o silêncio de Deus. Muitas vezes, na nossa oração, encontramo-nos diante desse silêncio, experimentamos quase um sentido de abandono, parece-nos que Deus não ouve e não responde. Mas este silêncio de Deus, como aconteceu também para Jesus, não marca a sua ausência. Na Bíblia, a experiência de Job é particularmente significativa.  Job, na sua relação com Deus, fala com Deus, clama a Deus; na sua oração, não obstante tudo, conserva intacta a sua fé e, no fim, descobre o valor da sua experiência e do silêncio de Deus. E assim, dirigindo-se ao Criador, conclui: «Eu tinha ouvido falar de ti, mas agora são os meus olhos que te vêem» (Jb 42, 5).
Diante da Paixão de Jesus, a nossa resposta é o silêncio da adoração. Assim nos entregamos a Ele, colocamo-nos em Suas mãos, pedindo-Lhe que nada, tanto na nossa vida como na nossa morte, possa nos separar jamais Dele (cf. Rm 8, 38-39). Durante a solene Vigília Pascal, “mãe de todas as vigílias”, este silêncio será rompido pelo cântico do “Aleluia”, que anuncia a ressurreição de Cristo e proclama a vitória da luz sobre as trevas, da vida sobre a morte. A Igreja rejubilará no encontro com o seu Senhor, entrando no dia da Páscoa que o Senhor inaugura, ressuscitado dos mortos.
Frei Jeremias M. Mugabe, osm

A HORA DE MARIA
A
 Hora de Maria é a etapa decisiva na fé de Maria onde é purificada com uma “aparente ausência” de Deus. No silêncio Ela espera a Ressurreição do Filho. Ela, que havia acolhido o Anjo na Anunciação agora diante desse silêncio, poderia, humanamente falando, interrogar-se: Então como irão cumprir-se aquelas palavras? De que modo reinará Ele sobre a casa de David? E como será possível não ter fim o seu reinado? Maria, porém, recorda a resposta que dera então depois de ter ouvido o anúncio do Anjo: “Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 38).
Ao pé da cruz, Maria padece o seu martírio no Espírito. Aquele martírio que aflige a alma com dores mais atrozes, do que o sofrimento do corpo. Ela seguiu Jesus, não apenas na alegria das consolações, mas também na angústia dos sofrimentos. Ela via o seu Filho, o mais belo entre os filhos dos homens, sem nenhuma aparência humana e sem dignidade. Contemplava o Santo dos Santos crucificado entre dois malfeitores, via a cabeça daquele que tudo sustenta, caída sobre o ombro. Via a face de Deus desfigurada, e sua beleza extinta. Grande foi a dor de Maria, ao receber nos seus braços o corpo de Jesus já morto. Grande foi Maria na dor, ao sepultar seu Filho e lentamente viu a pedra rolar o sepulcro.
Tudo parece ter chegado ao fim. Maria volta para casa, a desolação é total, sem marido e sem filho. Ela estava só!Iluminada pelo Espírito Santo, Maria não duvidava que seu Filho havia de Ressuscitar. Só a fé sustentava Maria, naquele momento tremendo. É mediante a fé Maria deposita a sua esperança no Senhor, aquele é capaz também de ressuscitar o seu Filho.
Maria, esperando a ressurreição, simboliza a humanidade inteira dos justos que esperam o Senhor, que é para eles a única esperança. Essa espera de Jesus ressuscitado por meio de Maria foi cheia de ansiedade, fascínio e tremor, pois Ela sendo uma pobre de Nazaré foi na obediência e no desenrolar dos acontecimentos que descobrir qual era a vontade de Deus na sua Vida. Deste modo na sua espera torna-se para nós modelo de perseverança.
Maria também hoje espera por nós como outrora esperou o seu Filho. Espera que nós também esperemos o seu Filho que há de se manifestar no fim da história, com uma fé que não esmorece, com uma fé viva, uma fé inquebrantável. Maria espera por nós e intercede por nós diante do seu Filho.
Queridos irmãos e irmãs, não caminhamos só temos diante de nós uma grande advogada, Maria conhece o sofrimento humano até as suas últimas conseqüências, deixemo-nos guiar por Maria, e trilhemos com Ela até ao encontro de Cristo Ressuscitado. 
Fr.Cosme M, osm e Postulante Wilson Wiliamo


A VIGÍLIA PASCAL
A
 noite que brilha como o dia e a escuridão que é clara como a luz, assim podemos definir a solene celebração da Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias e  coração do ano litúrgico. É noite em que pela graça que recebemos em Cristo Novo Adão, nos levantamos da queda provocada pelo primeiro Adão. Ele que é o princípio e o fim da nossa história, iluminando todo o tempo, particularmente a cada ano da Salvação. Por isso mesmo a Igreja convida-nos a fazer memória da noite em que foram libertos os filhos de Israel do cativeiro do Egipto, passando a pé enxuto sobre o Mar Vermelho e a esperar em Vigília e oração a Ressurreição de Jesus Cristo Nosso Senhor que dá sentido a nossa fé.
A celebração da Vigília pascal respeita quatro momentos significativos:
O primeiro momento é a cerimônia da Luz. Esta cerimônia consiste na bênção do fogo, na preparação do círio e na proclamação do precónio pascal. O lume novo e o círio pascal simbolizam a luz da Páscoa, que é Cristo, luz do mundo. O texto do precónio afirma que “a luz de Cristo dissipa as trevas de todo o mundo”. A única Luz que faz brilhar a vida e aclara as trevas que nos dão medo no nosso dia a dia.
O segundo momento é a liturgia da Palavra que propõe sete leituras do Antigo Testamento, que nos recordam os grandes e importantes acontecimentos da história da salvação, e duas leituras do Novo Testamento que interpretam o mistério pascal de Cristo. Toda a escuta da Palavra é feita à luz do acontecimento-Cristo, simbolizado no círio pascal colocado junto ao Ambão ou perto do Altar.
O terceiro momento é a liturgia baptismal que é parte em que os catecúmenos fazem o seu Êxodo para uma Vida Nova por Cristo, com Cristo e em Cristo, das trevas para a Luz. Oportunidade para a celebração do Baptismo dos catecúmenos e para a renovação das promessas baptismais dos cristãos com as velas acesas nas mãos.
O quarto momento é a liturgia eucarística que é o momento culminante da Vigília, onde celebramos a vitória do verdadeiro cordeiro sobre o poder da morte.
Portanto, nesta solene liturgia celebramos a Ressurreição do nosso Salvador, “o centro da Boa-Nova que os apóstolos e a Igreja, na esteira deles, devem anunciar ao mundo” (CIC 571), o antegozo da Páscoa eterna.
Frei Lafim, osm e postulante Hermínio.

AS APARIÇÕES DO RESSUSCITADO
M
ediante o testemunho dos apóstolos, as aparições de Jesus após a sua morte, são evidências de facto que Cristo ressuscitou dos mortos. Os quatro evangelhos narram os episódios das aparições de Jesus cada um com o seu enfoque teológico e mistagógico.
Enfatizaremos aqui de forma sucinta três das aparições.
Segundo a narrativa do Evangelho de Mateus a primeira aparição, que Jesus realizou foi para as mulheres (Mt 28, 1-10), porém, nas  narrativas de Marcos (Mc 16, 9-10) e de João (Jo 20, 11-18) mencionam que Jesus apareceu primeiro e exclusivamente a Maria Madalena e Jesus a  envia para anunciar aos discípulos que Ele havia ressuscitado. Neste sentido Maria torna-se a primeira missionária, a anunciar o Cristo ressuscitado.
A aparição aos discípulos de Emaús, (Lc 24, 13-34) nos apresenta um profundo significado mistagógico do Cristo ressuscitado. Nesta aparição os discípulos realizam actos de amor, hospedam o homem desconhecido que lhes falava do Messias no percurso do caminho, partilham com ele em ceia fraterna o pouco alimento que dispunham e no partir o pão eles reconhecem o Senhor, e imediatamente vão anunciar à comunidade dos apóstolos reunida em Jerusalém. Assim a fração do pão na ceia dos discípulos de Emaús torna-se símbolo do Cristo ressuscitado.
Na aparição de Jesus aos onze, (Lc 24, 36-43) eles não o reconhecem e cogitam ser um fantasma. Então Jesus mostra-lhes as mãos e os pés, todavia eles ainda permanecem subjugados pela alegria e surpresos, e como se ainda não acreditassem, Jesus solicita algo para comer e eles lhe oferecem peixe, Jesus tomou e comeu a vista deles, então Jesus lhes abre a inteligência e eles reconhecem o ressuscitado. Jesus se dá a conhecer ao comer com os discípulos, mostrando que a vida brota onde se partilha, onde há colaboração a serviço da vida e onde acontece actos de amor.
Mediante as aparições do ressuscitado somos exortados nesta Páscoa a meditarmos e a vivermos os mistérios do Cristo ressuscitado, a repartimos e compartilharmos com os nossos irmãos os nossos dons, o nosso alimento, a nossa paz e a nossa alegria.
Os evangelhos narram o testemunho dos discípulos, e diante destes testemunhos é impossível interpretar a ressurreição de Cristo (e as aparições) fora da ordem física e não reconhecê-la como um facto histórico (cf. CIC. 643).
Frei Ivan M. Siqueira, osm

TESTEMUNHO VOCACIONAL
Q
uem sou eu? O que estou fazendo na vida religiosa? O mais importante é que Alguém me escolheu e eu escolhi a Ele, por isso estou aqui... Sabes por quê? Posso não saber explicar, mas escolhê-Lo faz-me um homem feliz, e desde que O escolhi senti a liberdade de optar por minha plena realização. Claro que para a sociedade cometi a maior loucura da minha vida, mas considero a coisa mais importante. Gostaria de apresentar-me.
Oi! Sou Dionísio António Manuel, tenho 26 anos de idade, nasci na cidade de Nampula-Moçambique. Sou o terceiro filho na família de sete irmãos. Cresci como qualquer criança do meu bairro. Nada de especial em mim dava a entender da minha futura escolha de consagrar-me a Deus. Tenho quatro anos de caminhada formativa com os frades Servos de Maria, seguindo Cristo a exemplo dos Sete santos fundadores desta amada Ordem.
Conheci os Servos de Maria através das irmãs Monjas Servas de Maria de Nampula, uma presença positiva naquela terra que me acompanharam espiritualmente antes do meu ingresso no convento Santa Maria dos Servos da Matola. Aproveito para agradecer as irmãs e os irmãos que me ajudaram a conhecer esta família. Agradeço em particular desde o íntimo do meu coração a cada uma e cada um, pois, na sua maneira simples de apresentar o estilo de vida dos frades, descobri que era aqui onde eu queria. Também agradeço ao saudoso frei Horácio, formador, com o qual tive o meu primeiro contacto e ao frei Custódio que acolheu de bom grato a notícia do meu ingresso, na altura prior da comunidade. Certamente não foram anos fáceis, mas nem difíceis, pois a cada dia que passa é uma oportunidade e uma aventura, na qual me dou conta do que quero.
Sim, ainda que pareça estranho, quero dizer que não escolhi ser consagrado, escolho a cada dia, pois “nesta caminhada as crises são comuns e quem não as tem, não é pessoa”, como alguém referiu um dia, e passar essas crises é normal lembrando que há dificuldades em todo ramo de trabalho e em todo tipo de vocação. A única forma de superar as crises vocacionais por mim encontradas é sem dúvida a oração.
Caro leitor, peço humildemente a sua oração para que eu possa ser fiel ao Senhor, também que reze para que o Senhor envie mais operários para a sua messe. Asseguro as minhas orações a todos os leitores desta revista “Somos Servos”, ainda que não os conheça. Com uma saudação muito cordial desde a cidade da Matola.
Frei Dionísio António Manuel,osm

CRÔNICAS E NOTÍCIAS ECLESIAIS
Dia 01 de Abril - chegada do frei João Carlos M. Ribeiro (servo de Maria da província São Peregrino – Brasil/Moçambique) para incorporar-se na comunidade Santa Maria dos Servos.
Dia 06 de Abril - via sacra dos religiosos nas irmãs de Nossa Senhora dos desamparados, com a presença de Dom Francisco Chimoio, Arcebispo de Maputo.
Dia 11 de Abril - Festa de Nossa Senhora ao Pé da Cruz com a celebração Eucarística na Paróquia São Gabriel Arcanjo.
Dia 13 de Abril  - domingo de ramos e dia mundial da juventude.
Dia 16 de Abril  - frei Charlie viaja para Chókwé para passar a semana santa e a festa da Páscoa com as irmãs Servas de Maria de vida contemplativa (monjas).
Dia 17 de Abril – quinta feira santa, dia do sacerdote; missa crismal na Sé Catedral de Maputo pela manhã e de tarde a instituição da Eucaristia (última ceia).
Dia 18 de Abril - Sexta feira santa - ofício de leituras e laudes na Paróquia São Gabriel Arcanjo pela manhã. Pelas 15 horas celebração da paixão do Senhor.
Dia 19 de Abril - Sábado santo – ofício de leituras e laudes na Paróquia São Gabriel Arcanjo. Pela noite celebração da Vigília Pascal (19h início).
Dia 20 de Abril – Ressurreição do Senhor (Páscoa).
Dia 25 de Abril – festa de São Marcos Evangelista.
Dia 27 de Abril – canonização em Roma dos Beatos João Paulo II e João XXIII. No mesmo dia comemora-se o 150º aniversário de fundação das Irmãs do Amor de Deus. Ainda no mesmo dia haverá convívio dos formandos da Matola na casa dos Irmãos Maristas.
Dia 04 de Maio – Festa de São Peregrino Laziozi, Patrono contra o mal do Câncer (para os servos de Maria e os lugares que lhe têm por padroeiro).
Dias 17/18 de Maio - peregrinação ao Santuário de Nossa Senhora de Fátima de Namaacha.
Frei Lafim, osm.
Somos Servos da Virgem Gloriosa!
Movidos pelo Espírito comprometemo-nos, como nossos primeiros Pais, a testemunhar o Evangelho em comunhão fraterna e a colocar-nos a serviço de Deus e do homem, inspirando-nos constantemente em Maria, Mãe e Serva do Senhor (Const. 1)
Somos chamados a estar aos pés das infinitas cruzes da humanidade para levar conforto e cooperação redentora
(Const. 319)

Entre em contacto connosco e seja você também um Servo de Maria:
Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola / servosmc@gmail.com
826756357 - 847704141

16 de março de 2014

SOMOS SERVOS MARÇO 2014

Somos Servos
Revista OSM – Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola





A FRATERNIDADE SERVITA
O PADRE E O FREI
NOSSA SENHORA DA ANUNCIAÇÃO
AS TENTAÇÕES DE JESUS
TESTEMUNHO VOCACIONAL
UM OLHAR SOBRE AS NOVAS IGREJAS EM MOÇAMBIQUE
TEMOS SEDE DE UMA SOCIEDADE MAIS HUMANA
CRÔNICAS E NOTÍCIAS ECLESIAIS
OS FORMANDOS DA COMUNIDADE SANTA MARIA DOS SERVOS


Número 2 – Março de 2014 

EDITORIAL

Q
ueridos irmãos leitores, com alegria publicamos o segundo número da Revista OSM – Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola, intitulada “Somos Servos”. Uma revista que foi muito bem acolhida pelos nossos irmãos e amigos da Ordem dos Servos de Maria e das igrejas locais onde nos encontramos. Agradecemos a todos o apoio e o incentivo recebidos, esperando corresponder às vossas expectativas.
Na quarta-feira de Cinzas Deus nos convidou exortando-nos por meio da oração mais intensa, da prática do Jejum e da Esmola a nos preparar para o encontro com o Senhor Ressuscitado, Aquele que venceu a morte e nos mostrou a todos o caminho da salvação. Procuremos, pois, ir ao encontro do Senhor, com os corações rasgados e totalmente dispostos a acolhê-Lo em nossa vida, na pessoa dos nossos irmãos e irmãs. Assim o nosso jejum e a nossa esmola serão de facto agradáveis ao Senhor nosso Deus.
No texto inspirador da mensagem do papa Francisco para a Quaresma, “Fez-Se pobre, para nos enriquecer com a sua pobreza” (cf. 2 Cor 8, 9), se intui a perspectiva de um encontro singular na história da humanidade: o encontro da natureza divina com a natureza humana no evento da encarnação do Filho de Deus, que abre de um modo definitivo o cenário conclusivo da história de salvação. Somos todos atingidos por este encontro, que marca a nossa vida profundamente, pois nos revela aquilo que somos, como criaturas diante do seu Criador, e nos aponta o sentido pleno da nossa existência, isto é, o encontro definitivo com o nosso Deus!

Nesta edição vamos apresentar o carisma dos Servos de Maria; no âmbito da vida Consagrada, a distinção entre Padre e frei; aproveitando a espiritualidade da Quaresma, um artigo sobre as tentações de Jesus, entre outras reflexões. Recordaremos a celebração da Anunciação do Senhor por meio de Nossa Senhora da Anunciação. O testemunho vocacional desde mês será feito pelo noviço Percy, de origem peruana e faremos a apresentação dos nossos formandos. Ademais acenaremos nas crônicas eclesiais os momentos mais significativos que celebramos e celebraremos neste período de preparação para a celebração da Páscoa do Senhor. Desejamos a todos uma boa leitura e um tempo quaresmal profícuo!

A FRATERNIDADE SERVITA

Três elementos caracterizam as comunidades da Ordem dos Servos de Maria:
1. O serviço: É um aspecto essencial do carisma a Ordem dos servos de Maria, que tem as suas raízes, mais profundas na Sagrada Escritura. Para concretizar seu ideal de serviço, os Servos de Maria inspiram se primeiramente no exemplo de Cristo, que encarna a figura do “Servo do Senhor”, (Is 42,1-7. 49,19), que veio para servir e dar a vida em resgate de muitos (Mc 10,45) e que se colocou no meio dos discípulos como aquele que serve (Lc 22,27; Jo 13,3- 17) e, em segundo lugar na humilde atitude de Santa Virgem Maria que, convidada por Deus para colaborar no projeto salvífico da Encarnação do Verbo, declarou se Serva do Senhor (Lc 1,38). Servir é acolher os irmãos, especialmente os mais humildes, é dar assistência aos idosos, enfermos e aos necessitados. Servir é empenhar-se para manter diante de todas as criaturas, atitudes de paz, de misericórdia, de justiça e de amor construtivo.
2. Fraternidade: Nas nossas Constituições enfatizam claramente a importância da comunhão fraterna em nossa vida. A oração de Jesus ao Pai para que seus discípulos sejam como Ele e o Pai que são um só (Jo  17,11), o testemunho da primeira comunidade cristã na qual, os nossos   Sete Primeiros Pais transmitido pela Legenda de Origine Ordinis, fazem  da comunhão fraterna um aspecto essencial da nossa vida. Portanto, sem ela, não seriamos autênticos Servos de Maria. A comunhão fraterna caracteriza o nosso modo de testemunhar o Evangelho. Dá forma ao nosso estilo de vida, ao trabalho e a oração. Determina o estilo do governo da Ordem, confere uma marca peculiar ao nosso serviço apostólico. E o campo que testemunhamos a pobreza Evangélica e vivemos o nosso compromisso da obediência a Palavra de Deus e as decisões comunitárias. Por fim, a comunhão fraterna é o clima indispensável para a formação de um Frade Servo de Maria e para o crescimento integral da sua personalidade.
3. Dimensão Mariana: A dedicação total a Virgem Santa Maria, ʺrefúgio especial, e Senhora própria dos seus Servos”, outro elemento essencial para vida Ordem, que tem suas raízes no acto praticado pelos Sete Primeiros Pais no inicio do seu caminho Espiritual. Os Sete decidiram colocar-se humildemente a si mesmo e aos seus corações, com toda devoção, aos pés da Rainha do Céu, a Gloriosa Virgem Santa Maria para que ela, como Medianeira e Advogada, os reconciliasse a Ele. A iconografia dos Servos de Maria aparece com freqüência a Imagem da Mãe da Misericórdia que acolhe os seus servos e os protege de todo mal  físico e espiritual, interpretando lhe a Graça e Misericórdia (Cf. Site da OSM – www.servidimaria.net). 
Frei Cosme,osm e postulante Wilson Wiliam

O PADRE E O FREI

A
ssim como a medicina, a advocacia, a política, possuem uma linguagem e terminologia próprias, assim também acontece no universo da religião. Há gente que pergunta com frequência sobre a diferença entre padre e frei.
É variado e abrangente o leque do que chamamos de vocação: vocação à vida, vocação cristã, vocação sacerdotal, vocação religiosa, vocação matrimonial, como também as vocações ás diversas profissões. Neste escrito vamos compreender a diferença entre padre e frei. A vocação sacerdotal e vocação religiosa são completas em si mesmas. Quem abraçou as duas é padre e frei, quem abraçou uma das duas, ou é padre ou frei. Exemplo: O Padre Gilberto é só padre, o Frei Chico é padre e frei. Nada de status.  
Quem é o padre: É aquele que recebeu o sacramento da Ordem, em força do qual torna-se o dispensador dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e Penitência. Ele é chamado de "diocesano", porque está ligado diretamente a um bispo diocesano, a quem deve plena obediência. No ocidente, por lei eclesiástica, assume livremente o celibato, renunciando ao matrimônio. Para exercer o ministério, o candidato deve está preparado, por este motivo deve cursar Filosofia e Teologia. O padre diocesano não tem a obrigatoriedade de morar com outros irmãos de ministério.
Quem é o frade: Frei é uma palavra que vem do Latim “Frater” que significa “irmão”. Entre si e perante os outros, os frades se chamam de “frei”, uma abreviação de frade.   É aquele que professa numa comunidade religiosa os conselhos evangélicos, ou seja, os votos de castidade (equivalente ao celibato), obediência (aos seus superiores) e pobreza (não pode possuir bens no seu nome). A comunidade religiosa é uma forma mais radical de observar os conselhos evangélicos. É uma forma de vida que vem desde os primórdios do cristianismo para testemunhar a fraternidade, o serviço e a oração. Depois de concluir todas as etapas da formação, professa os primeiros votos. É a partir da profissão dos votos que o candidato é acolhido entre os frades. O frade vive em comunidade juntamente com os outros confrades, seguindo o carisma do instituto. É uma obrigatoriedade viver em comunidade. A finalidade primeira das comunidades era de ser constituída somente de “irmãos”, mas diante das necessidades da Igreja, viu-se necessário preparar também os frades para o presbitério. Na comunidade religiosa, o frade tem a livre decisão de se tornar presbítero ou não.
Ambos estilos de vida estão empenhados pela causa do Reino de Deus. Eles possuem a missão de transmitir a todos a mensagem do Reino e a testemunhá-la.
Frei Gerson, osm

NOSSA SENHORA DA ANUNCIAÇÃO

N
o dia 25 de Março vamos celebrar a Solenidade da Anunciação na qual Nossa Senhora é escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador. Trata-se do primeiro dos mistérios mais sublimes e importantes da história da salvação: a chegada do Messias, profetizada séculos antes no Antigo Testamento.
 A Festa da Anunciação do Anjo à Virgem Maria (Lc 1, 26-38) é comemorada desde o século V no Oriente e a partir do século VI no Ocidente, onde a celebração ocorre nove meses antes do Natal e só é transferida quando coincide com a semana santa.
A visita do Anjo Gabriel à Virgem Maria se dá em Nazaré, Cidade da Galileia e marca o início de toda uma trajetória que cumpriria as profecias do Antigo Testamento, e daria ao mundo um novo caminho, trazendo-lhe a salvação.
Ali nasceu também a oração que estaria para sempre na boca e no coração de todos os cristãos: a Ave-maria.  “Alegra-te ó cheia de graça o Senhor está contigo” (Lc 1, 28). É com esta nobre saudação que Maria recebe o anúncio de que Ela é a escolhida por Deus para ser a Mãe do Salvador.
Ao perguntar como poderia ficar grávida, se não conhecia homem algum, recebeu do Anjo Gabriel a explicação de que seria fecundada pelo Espírito Santo, por graças do Criador. Sua resposta foi tão simples e humilde como sua vida de fé: “Eis-me aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra” ( Lc 1, 38). Com esta resposta, Maria aceitou a dignidade e a honra da maternidade divina, mas ao mesmo tempo também os sofrimentos, os sacrifícios que a Ela estavam ligados. Declarou-se pronta a cumprir a vontade de Deus em tudo como sua serva, num voto de total entrega a vontade de Deus.
Maria aceitou sua parte na missão que lhe fora solicitado, demonstrando toda confiança em Deus e em seus desígnios, para o cumprimento da profecia e mostrou porque foi a escolhida para ser instrumento Divino nos acontecimentos que iriam mudar o destino da humanidade.
Maria é a fonte geradora da Graça da Salvação, pois é por seu intermédio que recebemos a própria Palavra de Deus personificada na pessoa do Salvador. Portanto, na Anunciação, Maria acolhe a divindade em si mesma, Deus  que na origem do mundo criou todas as coisas com sua Palavra, desta vez escolheu  uma  humilde serva,  para  realizar a encarnação do Verbo Redentor da humanidade.
Frei Ivan, osm e postulante Hermínio Cidade 

AS TENTAÇÕES DE JESUS
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 evangelista são Mateus apresenta-nos três tentações feitas a Jesus no deserto. Este mundo é também um deserto e a nossa vida é uma contínua quaresma, onde todos nós somos provados como uma forma de purificação para melhor recebermos a recompensa que o Pai nos preparou.
Quando o demónio soube que Jesus teve fome, dirigiu-lhe a primeira tentação: “se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães!” (Mt 4,3). Aqui Jesus é tentado de falsificar a própria missão, para realizar uma actividade que busque satisfazer as necessidades imediatas, para certificar o seu poder e a sua relação com o Pai diante do demónio. Mas como Jesus é a sabedoria personificada e o seu projecto era o Reino de Deus, encontrou uma brecha para catequizar o demónio: “A Escritura diz não só do pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus”. Os homens na sua maioria não resistem tentação como esta porque se deixam escravizar pelo seu corpo enquanto já foi dito: “buscai o Reino de Deus e a sua Justiça...” (Mt 7,33).
A segunda tentação obrigava a Jesus tentar o Senhor seu Deus como é o normal de muitos pedirem sinal da parte de Deus para alimentar a sua fé.  Mas não deve ser por um milagre que podemos crer na existência de Deus e no seu poder. Pois a sua existência e o seu poder tampouco dependem de nós. Pelo contrário nós é que dependemos d’Ele em tudo. Ele é, e a nossa fé nada diminui e nada aumenta em Deus. Foi por isso que Jesus responde ao demónio dizendo: “a Escritura também diz ‘não tente o Senhor teu Deus” (Mt 4,7). Essas respostas de Jesus podem ser de certa forma uma verdadeira surpresa para nós, porque em tentações de gênero temos caído quando orgulhosamente queremos provar aos outros que temos poder de fazer isto ou aquilo para alcançarmos a fama.
Por último, o demónio pede que Jesus lhe adore prometendo uma remuneração (todos os reinos do mundo e as suas riquezas) e Jesus expulsa o demónio “vai-te satanás” e introduz-lhe a catequese sobre os mandamentos da lei de Deus: “adorarás o Senhor teu Deus e somente a Ele servirás” (Mt 4,10). Reflitamos sobre aquelas vezes que substituímos o lugar de Deus pelos nossos chefes porque esses podem nos promover no serviço; as vezes que conjugamos o verbo adorar para os nossos amigos porque nos deram uma rosa ou um telemóvel. Não estaríamos a fazer tal pessoa nosso Deus? Portanto, se nos sentimos fracos, ao menos recitemos em todo o tempo e lugar a oração que o Senhor nos ensinou: “não nos deixeis cair em tentação”, ou ainda o conselho do Doutor da graça (Santo Agostinho) quando diz: “leia a Sagrada Escritura mesmo que não compreenda, o diabo foge”. E que nós também não tentemos os outros.
Frei Dionisio, osm


TESTEMUNHO VOCACIONAL
C
aríssimos amigos, desejo-vos uma boa caminhada quaresmal rumo a Páscoa da Ressurreição do Senhor. Chamo-me Percy Astopillo Toro, nascido aos 5 de Setembro de 1982, natural de Huallccay, Churcampa Huancavelica, de nacionalidade Peruana. Meus pais chamam-se Ceferino Astopillo Murillo e Teofila Toro Bizarro. Tenho sete irmãos.
Neste momento, Deus me concedeu a oportunidade de estar longe do meu país, porém, estou feliz comigo mesmo, por estar a viver esta experiência ímpar da minha vida na qual sou convidado a aprofundar o meu chamado a Servir aos irmãos, a estilo de Maria na Ordem dos Servos de Maria. Ordem esta que me permitiu entrar em contacto com as outras comunidades, de modo particular com a comunidade de Matola, desfrutando de um clima caloroso e da maravilhosa alegria do povo moçambicano. Vejo nisso a vontade de Deus, de facto, é isso que quero. 
Conheci a Ordem dos Servos de Maria em Lima, na Paróquia de Virgen del Rosario Manchay em 2004. O que mais me encantou nos frades foi o estilo de vida simples, e pela devoção Mariana que nutre a vida da Ordem. Depois de um longo tempo de conhecimento e aprofundamento da vontade de Deus na minha vida, em 2011 pedi para fazer uma experiência com os frades que aceitaram o meu pedido e me enviaram para a comunidade de Postulantado dos frades Servos em Bolívia na cidade de Cochabamba onde frequentei o Seminário Señor de los Compadres. Em 2013 fui admitido ao pré-noviciado. Neste período que estive em Cochabamba pude conhecer melhor a Ordem, tive contacto com as diversas pessoas de diferentes países, com diversos institutos religiosos, isso enriqueceu muito a minha visão sobre a vida religiosa.
Em 2014 tive a oportunidade de conhecer a Província dos frades do Brasil, onde estive preparando-me para a viagem a Moçambique na Comunidade de Matola. Depois de muitas lutas consegui o visto para entrar no território moçambicano. No dia 09 de Fevereiro de 2014 cheguei pela primeira vez em Moçambique, meu primeiro contacto com o amado povo africano. No dia 10 de Fevereiro tivemos o rito de entrada no noviciado na presença do Provincial do Brasil, um rito simples, mas cheio de significado espiritual. Posso dizer que estou feliz apesar do calor que é muito intenso para mim! O povo moçambicano me marca bastante pela sua alegria e sua forma de estar na celebração litúrgica, viva e animada.
Agradeço a Deus e a minha Província Santa María de los Andes e a todas as comunidades dos frades, por tudo que me concedem, que Deus lhes abençoe. Desejo a todos os fiéis uma feliz Páscoa da Ressurreição do Senhor, que nos preparemos santamente com a frequente participação na Eucaristia a fim de que vivamos intensamente este mistério da nossa salvação. Estamos unidos em oração com Maria Mãe de Jesus e nossa Mãe.
Frei Percy, osm


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UM OLHAR SOBRE AS NOVAS IGREJAS EM MOÇAMBIQUE
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ontava-me o meu amigo Lenquequé sobre a sua experiência no mercado de Zimpeto em busca de um alimento que sempre via os seus vizinhos consumir frequentemente, mas ele ainda não tinha provado. As cebolas. Quando chegou no mercado, viu muitas variedades de cebolas: as cebolas grandes de origem sul africana, cebolas vermelhas de Gorongosa, cebolinhas de Malema e mais, pelo que criou-lhe um dilema na escolha da melhor cebola. O que ele sabia era de que todas eram cebolas e comestíveis. Fez muitas voltas no interior do mercado, mas não se precipitou em comprar alguma variedade sob o risco de se arrepender mais tarde. Como um homem prudente, decidiu voltar para casa e perguntar na vizinhança que tipo de cebola poderia ele comprar. Chegado a casa dirigiu-se ao senhor Nhanfumo que desde sua infância gostou de cebolas. Lenquequé apresentou a sua inquietação ao velho Nhamfumo, e este recomendou a comprar as cebolinhas de Malema embora pequenas. E assim Lenquequé começou a gostar das cebolas de Malema.
Esse dilema, que passou Lenquequé, experimentam também muitos moçambicanos que querem pela primeira vez professar a sua fé, sobretudo na religião cristã. Hoje em Moçambique, vemos a presença de muitas instituições religiosas e até outras que não sabemos qual é a sua doutrina e tampouco compreendemos o seu objectivo. Creio que se fossem empresas, ninguém estaria desempregado.
Quando passamos em cada rua principalmente nas cidades, vemos aí: Igreja evangélica do céu; Igreja do poder de Deus, Igreja internacional dos milagres de Deus, Igreja Assembleia de Deus Africana, Igreja do Jesus da cruz e muitas outras, que se eu for a citar não poderei terminar. De entre essas não conseguimos ver qual é a verdadeira ou por outra qual delas nos mostrará o Caminho, a Verdade e a Vida (Jesus). Pois se formos a perguntar a cada membro de cada Igreja, receberemos um enxame de respostas. Uns poderão dizer: “aqui se invoca o Deus vivo; operamos milagres porque o pastor fala a língua de Deus; outros dizem: aqui é onde está a mão de Deus; outros aqui o milagre é algo natural e outros ainda vão dizer esta Igreja é mãe e os milagres não dependem dos pastores, mas sim, da fé da própria pessoa”. Justamente o que quer entrar pela primeira vez enfrentará um dilema forte. Isto me recorda o trecho da Sagrada Escritura que diz: “acautelai-vos para que ninguém vos iluda. Surgirão muitos em meu nome, dizendo: Sou eu. E seduzirão a muitos” (Mt 13, 5-6).
De certa forma estas igrejas parece terem algo em comum, difundir a mensagem de Cristo, mas o que nos resta saber é: com qual finalidade fazem essa difusão do evangelho? Por outra parte se contradizem entre si, porque umas dizem que invocam o Deus vivo, como se as outras igrejas invocassem um Deus morto. Outras igrejas têm presente à mão de Deus, razão pela qual operam milagres, como se Deus fosse corrupto e que apenas agrada uma parte de seus filhos. De vez em quando tenho me questionado: se essas Igrejas operam milagres, como cura dos doentes, então porque não visitam os hospitais para curar todos doentes que provocam engarrafamento naquelas instituições? Porque não ressuscitam os mortos como Jesus ressuscitara Lázaro? Talvez seja como quando alguém me disse que os milagres acontecem consoantes a quantia do dízimo que cada um dá. Se for o caso, então porque não convidam o governo para pagar o dízimo apropriado para todos os doentes.
São igrejas provenientes de países desenvolvidos por uma rejeição, mas quando chegam a Moçambique são bem vindas como se fossem empresas que oferecem oportunidades aos desempregados. Apenas para confundir a escolha certa de muitos.
Pena dos moçambicanos que um dia, quando descobrirem a Igreja fundada por Cristo e edificada sob o fundamento dos apóstolos, sentirão a necessidade de repetir as palavras de Santo Agostinho: “tarde vos amei beleza tão antiga, mas sempre nova. Eu vos procurava fora enquanto habitáveis dentro de mim”. 
Frei Lafim, osm

TEMOS SEDE DE UMA SOCIEDADE MAIS HUMANA


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os séculos passados alguém disse que “o homem é um animal social por natureza”, e foi aplaudido por assim concluir porque em justificativa mostrava a necessidade que o homem tinha de viver em sociedade. Para a felicidade do homem, a sociedade era indispensável. Até em algumas partes do mundo, houve a necessidade da assinatura de um contrato social. O ser humano por si não era suficiente, e não contar com ajuda do seu semelhante supunha-se ser Absoluto (Deus) ou um irracional. Isso exaltava a relação “eu e tu”, onde o eu dependia do “tu” e vice versa.
Hoje, embora com muitos especialistas em ética, muitos religiosos que proclamam dia a dia a vivência dos valores evangélicos, nota-se com muito brilho o rompimento da relação “eu e tu”, e uma abstinência cruel do temor a Deus e isto, gera uma constante onda de criminalidades (abortos; violência; consumo de drogas; abuso sexual; etc). Será que foi esta a sociedade que Deus quis criar para os seus filhos muito amados?
Não matar. É uma máxima que todos conhecemos sem precisar de uma catequese sobre os mandamentos da lei de Deus, pois a vida é um dom gratuito de Deus e um direito para cada ser humano, seja ele branco ou negro, rico ou pobre e independentemente de seu gênero, pelo que ninguém tem o direito de tirar-lhe a vida. Mas em nossa sociedade, matar e praticar outros males parece um direito para alguns que em seus corações respiram violência por causa do dinheiro. O que tira a tranquilidade na sociedade. Pois, por ser religioso ou pertencer um partido político, ter emprego e até o ser um simples pobre desocupado, pode ser motivo suficiente para ser dado fim a sua vida. Os cidadãos constroem suas casas com portas de grades, edificam muros e põem garrafas quebradas por cima deles ou ferros bem afiados, não que tenham medo dos animais ferozes, mas por medo de seus semelhantes. Outros electrificam os muros e os que têm um pouco de condição, procuram outros homens para estarem de vigilância vinte e quatros horas por dia. Mesmo assim a tranquilidade não reside no coração dos donos. O homem continua sendo “lobo do outro homem” como outrora salientou Tomas Hobbes. Afinal de contas onde reside a imagem e semelhança de Deus?
Vemos alguns homens a buscarem uma convivência com os animais ferozes, porque parece mais fácil fazer isso, do que tornar mais humana a nossa sociedade. A confiança rompeu-se entre os humanos. Muitos até revestem-se de uma face piedosa, enquanto são mais ferozes que os selvagens. Fazer um favor a alguém pode ser causa do martírio de quem o fez. Nos tempos já idos, quando pouco a pouco se desenvolvia a maldade no mundo, um pensador reduziu a dignidade do homem para um simples selvagem nessas palavras: “outrora éreis macacos e agora sois muito mais macacos que os próprios macacos”. Há quem pode dizer o mesmo para o nosso tempo.
Clamamos por uma sociedade mais humana que respeite a Deus e a dignidade da pessoa humana. Uma sociedade em que a felicidade do homem deve provir dessa relação com o Absoluto e com o próximo. Esta é tarefa de todos começando por mim e por ti.
Os ecticistas que desempenhem a sua função da melhor forma e os homens de Deus que rezem sem cessar pela perfeição dos homens todos e pela conservação da bondade reconhecida por Deus após a criação do ser humano.
Frei Lafim, osm

CRÔNICAS E NOTÍCIAS ECLESIAIS


ü  Dia 5 de Março, às 16:30 o Santo Papa presidiu o Statio e a procissão penitencial, a partir da Igreja de Santo Anselmo. Às 17 horas, na basílica de Santa Sabina, na colina do Aventino, como manda a tradição, o Papa Francisco presidiu a Missa de abertura da Quaresma, com a bênção e imposição das Cinzas. No angelus da Quarta-Feira de Cinzas, o Bispo de Roma disse que o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, é coração do mistério da nossa salvação. A Quaresma nos prepara para este momento tão importante, por isto é um tempo “forte”, um ponto de reviravolta que pode favorecer em cada um de nós a mudança, a conversão. Todos nós temos necessidade de melhorar, de mudar para melhor. A Quaresma nos ajuda e assim saímos dos hábitos cansados e do preguiçoso costume ao mal que nos engana. No tempo quaresmal, a Igreja nos dirige dois importantes convites: adotar uma consciência mais viva da obra redentora de Cristo; viver com mais empenho o próprio Baptismo.
ü  Dia 7 de Março, na Paróquia São Gabriel Arcanjo da Matola ocorreu a cerimônia da Instituição dos 40 ministros da Esperança e da Eucaristia, cerimônia esta que foi presidida pelo Senhor Arcebispo Dom Francisco Chimoio.
ü  Dia 8 de Março, celebramos 20 anos da Inauguração do Lar Nova Esperança, nesta festividade contamos com a presença da Mamã Verônica. O Lar Nova Esperança, como bem enfatizou frei José, pela sua natureza se destina a acolher crianças órfãs, a fim de fazer brilhar neles a Esperança que brilha da Luz de Cristo. 
ü  Os religiosos da Matola se prepararam para a quaresma com um retiro na casa dos Servos de Maria no dia 8 de Março. Frei Charlie orientou o retiro enfatizando a quaresma como um encontro com Senhor! No dia 16 os formandos da Matola também dedicarão o dia para o retiro quaresmal.
ü  Dia 9 de Março, I domingo da Quaresma, ocorreram os Exercícios Espirituais do Papa com a Cúria Romana, numa Casa de Retiros de Ariccia, até à sexta-feira seguinte, 14 de Março.
ü  Dia 12 de Março celebramos o primeiro aniversário da eleição do Papa Francisco. Oremos por Ele e pela Igreja!
ü  Dia 16 de Março, II domingo da Quaresma, Papa Francisco realiza, de tarde, uma visita pastoral à paróquia romana de “Santa Maria da Oração”.
ü  Dia 13 de Abril, Domingo de Ramos, a partir das 9.30, na praça de São Pedro, bênção e procissão dos Ramos, seguida da Missa correspondente.

frei Jeremias, osm

OS FORMANDOS DA COMUNIDADE SANTA MARIA DOS SERVOS

N
a comunidade Santa Maria dos Servos temos a presença dos seguintes formandos em três etapas de formação inicial segundo o plano de Formação da Província São Peregrino (Brasil – Moçambique):
·         quatro aspirantes - Domingos Gravata, Inácio Armando, João Orlando e Manuel Gregório, que cursam o propedêutico no Seminário Cristo Rei;
·         sete postulantes: Bernardo Acácio, Camilo Cossa, Carlos Rafael, Gonçalves Sebastião, Herminio Cidade, Manuelinho José Moreira e Wilson Wiliam, que freqüentam os cursos de Filosofia e Ética, Educação de Infância e Acção social, no Instituto Superior Maria Mãe de África;
·         e um candidato ao pré-noviciado: Hanereque Mário, que frequenta o terceiro ano de Filosofia no Seminário Filosófico Interdiocesano Santo Agostinho.
Todos eles exercem actividades pastorais nas comunidades da Paróquia São Gabriel Arcanjo da Matola e demonstram muito interesse em servir ao povo de Deus na Vida Consagrada e Sacerdotal. Rezemos pela perseverança de cada um deles e, na medida do possível, colaboremos com a formação dos mesmos.


Somos Servos da Virgem Gloriosa!

Movidos pelo Espírito comprometemo-nos, como nossos primeiros Pais, a testemunhar o Evangelho em comunhão fraterna e a colocar-nos a serviço de Deus e do homem, inspirando-nos constantemente em Maria, Mãe e Serva do Senhor (Const. 1)


Somos chamados a estar aos pés das infinitas cruzes da humanidade para levar conforto e cooperação redentora
(Const. 319)

Entre em contacto connosco e seja você também um Servo de Maria:

Comunidade Santa Maria dos Servos – Matola servosmc@gmail.com
826756357 - 847704141


Revista Somos Servos Junho 2014

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