Trajetória de vida
Frei Paolino M. Baldassarri, frade da Ordem dos Servos de Maria de votos solenes, presbítero, filho da Província São Peregrino do Brasil e membro da comunidade do Convento Nossa Senhora da Conceição, de Sena Madureira, Acre.
Paolino nasceu em Quinzano di Loiano, Bolonha, Itália, aos 2 de abril de 1926, filho de Arturo Baldassarri e de Angiolina Zanarini.
Ingressou na Ordem no aspirantado do Convento de Ronzano, Bolonha, onde cursou o ensino médio. Ingressou no noviciado em Montefano, província de Macerata, na região das Marcas, em 10 de outubro de 1946, vindo a emitir a primeira profissão dos votos em 12 de outubro de 1947.
Fez a profissão solene em 2 de dezembro de 1951, em São Paulo, Brasil, onde foi também ordenado diácono em 22 de dezembro de 1952 e presbítero em 22 de dezembro de 1953.
Ele e os confrades Giocondo Grotti, Pedro Leoni, João Cardinale e Ludovico Gati, depois de concluírem o curso de Filosofia no Estudantado Geral dos Dominicanos de Bolonha, formaram o primeiro grupo de professos enviados para o Brasil, em 1950, pela Província italiana da Romanha.
No Brasil estabeleceram-se no Convento Nossa Senhora das Dores, em São Paulo, e fizeram o curso de Teologia no Seminário Central do Ipiranga, da Arquidiocese de São Paulo.
Ordenado sacerdote em dezembro de 1953, Paulino passou o primeiro ano de seu ministério no Seminário Nossa Senhora das Dores, em Turvo, como professor de latim, italiano e outras disciplinas.
No ano seguinte foi transferido para o Acre, onde permaneceria por cerca de sessenta anos, até sua morte.
Brasileia, Boca do Acre e Sena Madureira
No Acre começou seu ministério em Brasileia, na fronteira com a Bolívia, onde permaneceu até 1962. Ali construiu a atual igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores e a casa paroquial.
Depois de passar o ano de 1963 em Sena Madureira, foi transferido para Boca do Acre, no Estado do Amazonas, na confluência dos rios Acre e Purus, onde permaneceu até o final de 1967.
Em 1968, finalmente, aportou em Sena Madureira, de onde nunca mais sairia definitivamente durante os 48 anos seguintes.
Homem dinâmico e ativo, animou intensamente a vida paroquial. Construiu cerca de cinquenta escolas nos seringais e ao longo dos rios e realizou, anualmente, longas desobrigas pelos rios Iaco, Purus, Macauã e Caeté, visitando seringais e famílias ribeirinhas.
Nessas viagens fazia catequese, ministrava os sacramentos, levava conforto aos pobres e aos doentes e convivia com comunidades indígenas.
Fundou cooperativas destinadas a ajudar seringueiros e posseiros a permanecer em suas terras e os defendeu diante das ameaças e perseguições provocadas pela expansão dos latifúndios e das pastagens.
Nos anos 1970 envolveu-se na criação e animação das Comunidades Eclesiais de Base.
Também se destacou pela defesa da floresta diante do desmatamento descontrolado.
A serviço dos pobres e doentes
Em Sena Madureira atendia diariamente numerosos doentes pobres, distribuindo gratuitamente remédios básicos.
Seu trabalho e dedicação foram reconhecidos também pela Universidade Federal do Acre, que lhe concedeu o título de Doutor Honoris Causa.
Publicou ainda um pequeno livro de receitas caseiras à base de ervas.
Nas festas populares e religiosas da comunidade era presença constante. Tornou-se particularmente conhecido por sua participação nos arraiais do mês de maio, nos quais atuava inclusive como leiloeiro.
Sua maior alegria, porém, parecia ser embarcar num batelão e partir ao encontro daqueles que viviam isolados na mata e ao longo dos rios.
Um missionário entre o povo
Frei Paolino era querido e estimado por sua simplicidade, pelo desapego das coisas materiais e pelo carinho com que acolhia as pessoas.
Sua figura tornou-se inconfundível: de baixa estatura, magro, habitualmente vestido com uma batina simples, olhos vivos e sorriso aberto.
Deixou sua família e sua pátria para fazer do Brasil — particularmente do Acre — sua nova terra.
Sua vida expressou de modo muito concreto o ideal missionário indicado pelas Constituições da Ordem dos Servos de Maria: tornar-se um com o povo ao qual se é enviado, compreendendo sua mentalidade e compartilhando seus problemas.
Falecimento
Frei Paolino faleceu no dia 8 de abril de 2016, às 14h20, no Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco — HUERB.
Tinha acabado de completar 90 anos de idade.
No final da tarde daquele mesmo dia, seu corpo foi trasladado para a Catedral Nossa Senhora de Nazaré, em Rio Branco, onde ficou exposto à visitação dos fiéis.
No dia 9 de abril, às 11 horas, foi celebrada Missa de corpo presente na Catedral, presidida pelo Prior Provincial, Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, e concelebrada pelos confrades Servos de Maria e sacerdotes diocesanos, com grande participação do povo.
À tarde, o corpo foi levado para Sena Madureira e colocado na Igreja Nossa Senhora da Conceição, onde Frei Paulino havia servido durante tantos anos.
Seguiram-se celebrações exequiais com expressiva presença dos fiéis.
Na segunda-feira, 11 de abril de 2016, depois da solene Missa Exequial, novamente presidida pelo Bispo Diocesano, seu corpo foi sepultado na capela da igreja matriz de Sena Madureira.
Terminava assim a peregrinação terrena de um dos missionários que marcaram profundamente a presença dos Servos de Maria no Acre.
Frei Paolino M. Baldassarri, OSM
2 de abril de 1926 – 8 de abril de 2016
Descanse em paz.
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