14/09/2026

Frei Paolino M. Baldassarri, OSM

 

Trajetória de vida e necrológio


Frei Paolino M. Baldassarri, OSM, frade de votos solenes e presbítero da Ordem dos Servos de Maria, filho da Província São Peregrino do Brasil e membro da comunidade do Convento Nossa Senhora da Conceição, de Sena Madureira, Acre, nasceu em Quinzano di Loiano, Bolonha, Itália, no dia 2 de abril de 1926, filho de Arturo Baldassarri e Angiolina Zanarini.


Ingressou na Ordem no aspirantado do Convento de Ronzano, Bolonha, onde cursou o ensino médio. Iniciou o noviciado em Montefano, província de Macerata, na região das Marcas, em 10 de outubro de 1946, emitindo a primeira profissão dos votos em 12 de outubro de 1947.


Fez a profissão solene em 2 de dezembro de 1951, em São Paulo, Brasil, onde foi também ordenado diácono em 22 de dezembro de 1952 e presbítero em 22 de dezembro de 1953.


Missionário no Brasil


Frei Paolino fez parte do primeiro grupo de professos enviados ao Brasil, em 1950, pela Província italiana da Romanha. Com ele vieram os confrades Giocondo Grotti, Pedro Leoni, João Cardinale e Ludovico Gati.


Depois de concluírem o curso de Filosofia no Estudantado Geral dos Dominicanos de Bolonha, estabeleceram-se no Convento Nossa Senhora das Dores, em São Paulo, e realizaram os estudos de Teologia no Seminário Central do Ipiranga, da Arquidiocese de São Paulo.


Ordenado sacerdote em dezembro de 1953, Frei Paolino passou o primeiro ano de seu ministério no Seminário Nossa Senhora das Dores, em Turvo, onde foi professor de latim, italiano e outras disciplinas.


No ano seguinte, foi transferido para o Acre, terra à qual dedicaria praticamente toda a sua vida missionária.


Brasileia e Boca do Acre


No Acre começou seu ministério em Brasileia, na fronteira com a Bolívia, onde permaneceu até 1962. Ali construiu a atual igreja dedicada a Nossa Senhora das Dores e a casa paroquial.


Sua personalidade prática e espontânea ficou registrada também em episódios pitorescos. Conta-se que, durante a construção da igreja, ele mesmo subiu ao andaime para desenhar o relógio no alto da torre, mas esqueceu o número 11. Na construção da casa paroquial, somente depois da retirada dos andaimes percebeu-se que faltava uma escada de acesso ao segundo piso, sendo necessário improvisar uma escada em espiral.


Depois de passar o ano de 1963 em Sena Madureira, foi transferido para Boca do Acre, no Estado do Amazonas, na confluência dos rios Acre e Purus, onde permaneceu até o final de 1967.


Também desse período ficou um episódio característico. Ao preparar um grupo de cantores para a celebração do Natal, Frei Paolino colocou o harmônio e o coral sobre um palanque na igreja. Durante o canto, o palanque desabou, levando ao chão o frade, os cantores e o instrumento. Frei Paolino se machucou bastante e precisou usar durante alguns meses um colete no tórax.


Quarenta e oito anos em Sena Madureira


Em 1968, finalmente, Frei Paolino chegou a Sena Madureira, onde permaneceria pelos 48 anos seguintes.


Ali seu nome se confundiria com a própria história da comunidade e da missão dos Servos de Maria.


Homem dinâmico e ativo, animou intensamente a vida paroquial. Construiu cerca de cinquenta escolas nos seringais e ao longo dos rios e realizou anualmente longas desobrigas pelos rios Iaco, Purus, Macauã e Caeté.


Visitava seringais, famílias ribeirinhas e comunidades isoladas; fazia catequese, ministrava os sacramentos e levava conforto aos pobres e aos doentes. Conviveu também com comunidades indígenas.


Fundou cooperativas destinadas a ajudar seringueiros e posseiros a permanecer em suas terras, defendendo-os diante das ameaças e perseguições dos latifundiários que adquiriam os seringais para transformá-los em grandes áreas de pastagem.


Nos anos 1970, participou da criação e animação das Comunidades Eclesiais de Base.


Também se empenhou vigorosamente na defesa da floresta diante do desmatamento descontrolado.


O missionário dos pobres e dos doentes


Em Sena Madureira, Frei Paolino atendia diariamente dezenas de pessoas pobres e doentes, distribuindo gratuitamente medicamentos básicos.


Seu trabalho recebeu reconhecimento público, tendo-lhe sido concedido o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Acre.


Publicou também um pequeno livro com receitas caseiras à base de ervas.


Era presença marcante nos arraiais do mês de maio, que animava inclusive como leiloeiro.


Sua maior alegria, porém, era embarcar num batelão e partir pelos rios para visitar aqueles que viviam isolados na mata e nas comunidades ribeirinhas.


Um Servo de Maria entre o povo


Frei Paolino era querido, amado e estimado por todos.


Sua simplicidade, seu desapego das coisas materiais, o carinho com que atendia as pessoas, seus olhos brilhantes e seu sorriso aberto cativavam quem se encontrasse com ele.


Sua figura tornou-se inconfundível: baixinho, magro, quase sempre vestido com uma batina simples.


Foi verdadeiramente um missionário.


Deixou sua família e sua pátria e fez do Brasil — particularmente do Acre — sua nova terra.


Sua vida concretizou de maneira singular o ideal missionário expresso nas Constituições da Ordem dos Servos de Maria: à imitação de Cristo, fazer-se um com o povo ao qual se é enviado, adotando seu idioma, compreendendo sua mentalidade e compartilhando seus problemas.


Falecimento e exéquias


Frei Paolino faleceu no dia 8 de abril de 2016, às 14h20, no Hospital de Urgências e Emergências de Rio Branco — HUERB.


Havia completado 90 anos de idade apenas seis dias antes.


Sua morte representou uma grande perda para a Ordem dos Servos de Maria, para a Igreja no Acre e, particularmente, para o povo de Sena Madureira, ao qual havia dedicado grande parte de sua existência.


No final da tarde do dia 8 de abril, seu corpo foi trasladado para a Catedral Nossa Senhora de Nazaré, em Rio Branco, onde ficou exposto à visitação pública.


No dia 9 de abril, às 11 horas, foi celebrada Missa de corpo presente na Catedral, presidida pelo Prior Provincial, Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, e concelebrada pelos confrades Servos de Maria e sacerdotes diocesanos, com grande participação dos fiéis.


À tarde do mesmo dia, seu corpo foi trasladado para Sena Madureira e colocado na Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, onde havia exercido seu ministério durante tantos anos.


Seguiram-se as celebrações exequiais e a despedida de um povo que aprendera a reconhecer naquele frade simples um pastor, missionário, amigo e servidor.


Na segunda-feira, 11 de abril de 2016, dia do sepultamento, foi celebrada a solene Missa Exequial, presidida pelo bispo diocesano, Dom Joaquín Pertíñez Fernández, OAR.


Após a celebração, Frei Paolino foi sepultado na capela da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição, em Sena Madureira, comunidade à qual havia dedicado grande parte de sua vida e de seu ministério.


Encerrava-se uma longa existência missionária, marcada por mais de seis décadas de presença na Amazônia e por 48 anos de serviço em Sena Madureira.


Frei Paolino M. Baldassarri, OSM

2 de abril de 1926 – 8 de abril de 2016


Descanse em paz!


Como prescrevem as Constituições da Ordem dos Servos de Maria, manifestemos nosso amor pelo irmão falecido, implorando para ele a misericórdia do Senhor.


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Nota documental


Texto elaborado a partir da trajetória de vida de Frei Paolino M. Baldassarri, redigida por Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, em abril de 2016, e do necrológio publicado pela Província São Peregrino da Ordem dos Servos de Maria, com correções e complementações relativas às exéquias e ao local do sepultamento.


A homilia exequial de Frei Paolino M. Baldassarri, OSM, proferida por Frei Charlie M. Leitão de Souza, OSM, é conservada e publicada separadamente como documento próprio.


Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria

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