Ecologia integral, conversão e cuidado da casa comum
A conversão ecológica começa por uma pergunta muito simples:
Como estou habitando a criação que Deus me confiou?
Não basta admirar a beleza da natureza.
Não basta concordar com a Laudato Si’.
Não basta reconhecer que existe uma crise ambiental.
A conversão acontece quando nossas convicções chegam:
à mesa;
ao consumo;
à água;
à energia;
aos resíduos;
aos deslocamentos;
ao orçamento;
às propriedades;
à pastoral;
e às escolhas cotidianas.
Por isso, façamos este exame em três círculos:
minha vida → nossa comunidade → nossa missão.
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ORAÇÃO INICIAL
Deus Criador,
nós vos bendizemos
pela terra que nos sustenta,
pela água que nos dá vida,
pelo ar que respiramos,
pelas plantas e pelos animais,
pela beleza e diversidade
de todas as criaturas.
Perdoai-nos quando recebemos vossos dons
sem gratidão,
quando utilizamos sem cuidar,
quando consumimos sem discernir,
quando desperdiçamos sem pensar
naqueles que possuem menos,
quando esquecemos
que também nós pertencemos à criação.
Dai-nos um coração contemplativo,
capaz de reconhecer vossa presença
na obra de vossas mãos.
Dai-nos também coragem
para mudar nossos hábitos.
Santa Maria,
mulher do Magnificat,
ensinai-nos a reconhecer os dons de Deus,
a estar atentos aos pequenos
e a servir a vida.
Amém.
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PRIMEIRO CÍRCULO — MINHA CONVERSÃO ECOLÓGICA
I. CONTEMPLAR
1. Ainda sei maravilhar-me?
A criação não é apenas cenário de nossa existência.
Pergunto-me:
Sei contemplar?
Percebo a beleza?
Agradeço?
Ou passo diante de tudo sem prestar atenção?
Para responder
Que aspecto da criação desperta mais facilmente minha gratidão a Deus?
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II. ÁGUA
2. Como utilizo a água?
Pergunto-me:
Deixo torneiras abertas desnecessariamente?
Percebo vazamentos e aviso?
Tomo cuidado no banho?
Desperdiço água na limpeza?
Minha avaliação
✓ responsável △ posso melhorar ! preciso mudar
Uma mudança:
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III. ENERGIA
3. Utilizo somente aquilo de que preciso?
Luzes.
Ar-condicionado.
Aquecimento.
Equipamentos.
Carregadores.
Para responder
Que hábito posso modificar imediatamente?
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IV. ALIMENTAÇÃO
4. Meu prato também possui consequências
Pergunto-me:
Desperdiço alimentos?
Sirvo-me além do necessário?
Considero a origem dos alimentos?
Estou disposto a rever hábitos de consumo?
Para responder
O que posso mudar em minha alimentação para torná-la mais sóbria e responsável?
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V. CONSUMO
5. Preciso realmente disso?
Antes de comprar, posso perguntar:
Preciso?
Já possuímos algo que serve?
Pode ser consertado?
Pode ser reutilizado?
Para discernir
Compro por necessidade ou também por impulso e comodidade?
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VI. DESCARTÁVEIS
6. A cultura do “usar e jogar fora”
Pergunto-me:
Quantos copos?
Garrafas?
Sacolas?
Embalagens?
Objetos descartáveis?
Para responder
Que descartável posso deixar de utilizar?
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VII. RESÍDUOS
7. Depois que jogo fora, para onde vai?
“Fora” não significa:
fora do planeta.
Pergunto-me:
Separo corretamente?
Conheço a destinação dos resíduos?
Reutilizo quando possível?
Uma mudança:
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VIII. MOBILIDADE
8. Como me desloco?
Nem todo deslocamento permite escolha.
Mas posso perguntar:
É possível caminhar?
Compartilhar veículo?
Organizar melhor as saídas?
Evitar deslocamentos desnecessários?
Para responder
Existe alguma mudança possível em minha mobilidade?
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IX. OS ANIMAIS
9. Como considero os outros seres vivos?
São apenas recursos?
Ou reconheço que pertencem também à criação de Deus?
Para discernir
Minha relação com os animais manifesta respeito pela vida?
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X. MEU COMPROMISSO
Depois deste primeiro círculo:
Qual hábito pessoal preciso converter?
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Começarei quando: __________________
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SEGUNDO CÍRCULO — NOSSA COMUNIDADE
XI. ÁGUA
10. Sabemos quanto consumimos?
Nossa comunidade acompanha:
consumo?
vazamentos?
instalações?
possibilidades de economia?
Avaliação
✓ △ !
Providência:
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XII. ENERGIA
11. Nossa casa é eficiente?
Perguntemos:
Que tipo de iluminação utilizamos?
Equipamentos são eficientes?
Há desperdícios?
Energia solar ou outra fonte renovável seria viável?
Providência:
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XIII. ALIMENTAÇÃO
12. Nossa mesa é sustentável?
Existe:
desperdício?
excesso?
planejamento?
aproveitamento adequado?
Podemos favorecer alimentos:
locais;
sazonais;
menos impactantes?
Uma decisão possível:
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XIV. COMPRAS
13. Como compramos?
O preço é importante.
Mas não é o único critério.
Podemos considerar:
durabilidade;
necessidade;
origem;
embalagem;
impacto ambiental.
Para responder
Nossa política de compras poderia ser mais responsável?
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XV. PLÁSTICOS
14. Quanto plástico descartável entra em nossa casa?
Façamos um pequeno inventário:
garrafas;
copos;
sacolas;
embalagens;
produtos de limpeza.
O que podemos eliminar primeiro?
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XVI. RESÍDUOS
15. Existe um sistema claro?
Todos sabem:
o que separar?
onde colocar?
quando é recolhido?
qual é a destinação?
Avaliação
✓ △ !
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XVII. JARDINS E BIODIVERSIDADE
16. Nossas propriedades acolhem vida?
Podemos:
plantar árvores?
utilizar espécies locais?
cultivar flores para polinizadores?
criar uma pequena horta?
preservar áreas naturais?
Para discernir
Existe espaço para um “Jardim Laudato Si’”?
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XVIII. PATRIMÔNIO E TERRA
17. Como cuidamos daquilo que nos foi confiado?
Se possuímos terrenos, bosques ou áreas naturais:
estão protegidos?
são bem utilizados?
há degradação?
Providência necessária:
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XIX. ORÇAMENTO
18. A conversão ecológica chegou às contas?
É fácil dizer:
“precisamos cuidar da criação”.
Mas:
reservamos recursos?
planejamos melhorias?
investimos em eficiência?
Para responder
Que prioridade ecológica deveria entrar no próximo orçamento?
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XX. NOSSO ESTILO DE VIDA
19. O que uma pessoa perceberia ao visitar nossa casa?
Sobriedade?
Cuidado?
Desperdício?
Consumo?
Organização?
Pergunta comunitária
Nosso convento testemunha aquilo que pregamos sobre a criação?
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TERCEIRO CÍRCULO — NOSSA MISSÃO
XXI. PREGAÇÃO
20. Falamos sobre o cuidado da criação?
Não como assunto político ou moda passageira.
Mas como consequência:
da criação;
da fé;
da justiça;
da responsabilidade cristã.
Para responder
A ecologia integral aparece em nossa pregação?
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XXII. CATEQUESE E FORMAÇÃO
21. Formamos para o cuidado?
Crianças.
Jovens.
Adultos.
Postulantes.
Professos.
Leigos.
Para responder
Onde podemos inserir melhor a ecologia integral?
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XXIII. OS JOVENS
22. Escutamos sua sensibilidade?
Muitos jovens possuem forte preocupação ambiental.
Em vez de apenas ensinar, podemos também:
escutá-los.
Para discernir
Que iniciativa poderíamos desenvolver com os jovens?
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XXIV. TEMPO DA CRIAÇÃO
23. Celebramos?
Podemos integrar:
oração;
liturgia;
catequese;
formação;
ação concreta.
Uma proposta:
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XXV. OS POBRES
24. Percebemos a ligação?
Perguntemos:
Quem sofre primeiro quando falta água?
Quando há enchentes?
Quando as colheitas diminuem?
Quando alimentos encarecem?
Quando uma região se torna inabitável?
Para guardar
O cuidado da criação e o cuidado dos pobres pertencem à mesma responsabilidade.
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XXVI. INTERNACIONALIDADE DA ORDEM
25. Escutamos os irmãos de outras regiões?
A realidade ecológica experimentada em uma parte da Ordem pode ser muito diferente daquela vivida em outra.
Para responder
Conhecemos o impacto ambiental vivido por outras comunidades servitas?
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XXVII. COLABORAÇÃO
26. Precisamos fazer tudo sozinhos?
Não.
Podemos colaborar com:
paróquias;
escolas;
universidades;
outras comunidades religiosas;
outras Igrejas cristãs;
outras religiões;
organizações locais;
especialistas.
Uma parceria possível:
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XXVIII. AVALIAÇÃO COMUNITÁRIA
Use:
✓ — estamos avançando
△ — precisamos melhorar
! — precisamos agir
Dimensão| Avaliação
Consumo de água| ____
Consumo de energia| ____
Eficiência energética| ____
Energias renováveis| ____
Desperdício de alimentos| ____
Alimentação responsável| ____
Compras conscientes| ____
Redução de plásticos| ____
Separação de resíduos| ____
Reutilização| ____
Biodiversidade| ____
Jardins e áreas verdes| ____
Cuidado dos terrenos| ____
Mobilidade| ____
Formação ecológica| ____
Pastoral| ____
Tempo da Criação| ____
Envolvimento dos jovens| ____
Solidariedade com os pobres| ____
Parcerias| ____
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XXIX. NÃO ESCOLHER TUDO
Depois deste exame, talvez descubramos:
dez;
quinze;
vinte coisas
que poderiam melhorar.
Não tentemos realizar tudo ao mesmo tempo.
Escolhamos:
uma prioridade.
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XXX. NOSSO COMPROMISSO
O que faremos?
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Por quê?
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Responsável:
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Quando começaremos?
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Que recursos serão necessários?
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Como mediremos o resultado?
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Quando avaliaremos?
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XXXI. A PERGUNTA DO MAGNIFICAT
Maria reconhece:
o dom de Deus;
sua misericórdia;
a dignidade dos pequenos;
a transformação das relações injustas.
Perguntemos:
Nossa maneira de habitar a criação é compatível com o Magnificat que rezamos?
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XXXII. A PERGUNTA FINAL
Não basta dizer:
“Amamos a natureza.”
Não basta afirmar:
“Concordamos com a Laudato Si’.”
Não basta plantar uma árvore uma vez.
A conversão precisa tornar-se:
estilo de vida.
Por isso:
Se dizemos que amamos a criação, que ações concretas demonstram esse amor?
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ORAÇÃO FINAL
Deus de toda a criação,
nós vos agradecemos
pela casa comum
que colocastes em nossas mãos.
Perdoai-nos
quando agimos como proprietários absolutos
daquilo que recebemos como dom.
Ensinai-nos:
a cultivar e guardar;
a utilizar e preservar;
a produzir sem destruir;
a consumir sem desperdiçar;
a desenvolver sem excluir;
a contemplar e agradecer.
Dai-nos coragem
para transformar pequenas escolhas
em hábitos novos.
Que nossas comunidades sejam:
lugares de sobriedade,
escolas de gratidão,
espaços de biodiversidade,
testemunhas de justiça
e casas onde toda criatura
seja recebida com respeito.
Santa Maria,
mulher do Magnificat,
Serva do Senhor,
ensinai-nos a reconhecer
as grandes coisas que Deus realiza
e a permanecer atentos
aos pequenos e vulneráveis.
Que, seguindo vosso exemplo,
possamos manter com todas as criaturas
relações de:
paz, misericórdia, justiça
e amor construtivo.
Amém.
PARA GUARDAR
Contemplar antes de consumir.
Cultivar e guardar.
Utilizar sem desperdiçar.
Produzir sem destruir.
Comprar com discernimento.
Partilhar com justiça.
Proteger a biodiversidade.
Cuidar da água.
Reduzir resíduos.
Rever a energia que utilizamos.
Escutar os pobres.
Envolver os jovens.
Transformar convicções em hábitos.
Tudo está interligado.
E a pergunta do XXXII:
Se dizemos que amamos a criação, que ações concretas demonstram esse amor?
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Fonte principal: Frei John M. Pawlikowski, OSM, PhD, com a colaboração de Frei Martin M. Lintner, OSM, Laudato Si and the Constitutions and Charism of the Friar Servants of Mary, setembro de 2021.
Em diálogo com: Constituições da Ordem dos Servos de Maria, especialmente o art. 299.
XXXII — Servos e guardiões da criação
Ecologia integral, conversão e cuidado da casa comum
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Contemplar com gratidão.
Cultivar sem destruir.
Usar sem desperdiçar.
Guardar sem possuir.
Partilhar com justiça.
Servir também é cuidar.
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