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01/10/2026

XXIX Exame - A Colegialidade na vida dos Servos de Maria



Participar, discernir e decidir fraternamente

XXIX — A colegialidade na vida dos Servos de Maria

A colegialidade não pode ser avaliada apenas perguntando:

“Todos tiveram direito a voto?”

É preciso ir mais fundo.

Perguntar:

Todos puderam participar?

Escutamos uns aos outros?

Procuramos juntos o bem comum?

Buscamos consenso?

Assumimos juntos aquilo que decidimos?

E sobretudo:

Nossas decisões nascem da fraternidade e fazem crescer a fraternidade?

---

ORAÇÃO INICIAL

Senhor Jesus,

vós nos chamastes
não para caminhar isoladamente,
mas para viver como irmãos.

Dai-nos liberdade para falar
e humildade para escutar.

Livrai-nos da necessidade de vencer,
do medo de discordar,
da passividade diante do bem comum
e da tentação de impor aos outros
nossa própria vontade.

Ensinai-nos a procurar juntos
aquilo que corresponde ao Evangelho.

Que nossas decisões
não produzam vencedores e vencidos,

mas irmãos corresponsáveis.

Dai-nos um só coração
e uma só alma voltados para vós.

Santa Maria,
Serva do Senhor,

ensinai-nos a escutar a Palavra,
acolher o Espírito
e caminhar juntos.

Amém.

---

I. PARTICIPAR

1. Sinto-me responsável pela comunidade?

A colegialidade começa quando cada irmão compreende:

“A vida desta comunidade também é responsabilidade minha.”

Pergunto-me:

Participo?

Proponho?

Assumo tarefas?

Interesso-me pelos assuntos comuns?

Ou espero que Prior e Conselho resolvam tudo?

Para responder

Em que aspecto da vida comum preciso assumir maior responsabilidade?

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2. Participar é mais que estar presente

Posso estar fisicamente num Capítulo e não participar verdadeiramente.

Pergunto-me:

Preparo-me?

Conheço os assuntos?

Escuto?

Contribuo?

Ou permaneço silencioso e depois critico aquilo que foi decidido?

Para responder

Como é minha participação nos Capítulos?

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II. FALAR COM LIBERDADE

3. Consigo expressar aquilo que penso?

Uma fraternidade precisa permitir que seus membros falem.

Pergunto-me:

Sinto liberdade para apresentar uma opinião diferente?

Tenho medo da reação dos outros?

Evito falar para não criar dificuldades?

Para discernir

O que preciso aprender a dizer com maior liberdade e caridade?

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4. Minha palavra procura o bem comum?

Liberdade não significa dizer tudo de qualquer maneira.

Antes de falar, posso perguntar:

É verdade?

É necessário?

É o momento adequado?

Ajuda a comunidade?

Para responder

Minha maneira de falar constrói ou simplesmente descarrega minha insatisfação?

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III. ESCUTAR

5. Escuto para compreender?

Quando outro irmão fala:

procuro compreender?

ou imediatamente preparo minha resposta?

Para responder

Consigo admitir que outro irmão talvez perceba algo que eu não percebi?

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6. Quem fala menos também é ouvido?

Algumas pessoas ocupam naturalmente mais espaço.

Outras quase nunca falam.

Perguntemo-nos:

Nossa comunidade cria condições para que os mais tímidos também se expressem?

Para discernir

Quem precisamos escutar melhor?

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IV. O BEM COMUM

7. “Meu” ou “nosso”?

Santo Agostinho pede que o trabalho seja realizado para o bem comum.

Pergunto-me:

Defendo:

meu trabalho?

meu horário?

meu espaço?

meu apostolado?

minha preferência?

Ou consigo perguntar:

O que é melhor para a fraternidade?

Para responder

Onde preciso passar do “meu” para o “nosso”?

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V. O CAPÍTULO

8. Decidimos no lugar certo?

Nem toda conversa é decisão.

Perguntemo-nos:

Assuntos comunitários importantes são realmente levados ao Capítulo?

Ou algumas decisões acontecem:

à mesa?

nos corredores?

em pequenos grupos?

quando algum irmão está ausente?

Para responder

Que assunto precisa voltar ao espaço próprio do Capítulo?

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9. Todos recebem as informações necessárias?

Não existe participação real sem informação.

Perguntemo-nos:

Os irmãos recebem antecipadamente aquilo que precisam saber?

Há transparência?

Para discernir

Nossa comunicação favorece verdadeira participação?

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VI. CONSENSO

10. Queremos discernir ou vencer?

Antes de uma decisão, pergunto-me:

Quero compreender?

Ou quero convencer?

Para responder

Quando discordamos, procuramos uma solução comum ou formamos lados?

---

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11. Buscamos consenso?

Nem sempre será possível unanimidade.

Mas antes da votação:

conversamos suficientemente?

ouvimos as razões?

procuramos convergências?

Para responder

Em nossas decisões, chegamos rápido demais à votação?

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VII. MAIORIA E MINORIA

12. Como tratamos quem pensa diferente?

Depois de uma votação:

a maioria comemora?

a minoria fica ressentida?

Ou todos procuram assumir a decisão?

Para discernir

Sabemos continuar irmãos depois de discordar?

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13. Sei perder uma votação?

Pergunto-me:

Quando minha proposta não prevalece:

afasto-me?

critico?

deixo que os outros executem?

Ou colaboro lealmente?

Para responder

Consigo transformar minha participação em corresponsabilidade?

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VIII. AUTORIDADE E COLEGIALIDADE

14. Quem preside favorece participação?

Àquele que exerce autoridade:

Suscito interesse?

Escuto?

Forneço informações?

Busco consenso?

Delego?

Ou centralizo?

Para responder

Minha maneira de presidir aumenta ou diminui a participação?

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15. Os irmãos colaboram?

Aos demais:

Respondemos à abertura de quem preside?

Ou queremos participação sem assumir responsabilidade?

Para responder

O que esperamos da autoridade que nós mesmos poderíamos assumir?

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IX. NEM TUDO É DECIDIDO POR TODOS

16. Respeitamos as competências?

Colegiaridade não significa que todos precisem decidir tudo.

Existem responsabilidades próprias:

do Prior;

do Conselho;

do Capítulo.

Perguntemo-nos:

Conhecemos essas competências?

Respeitamos os diferentes níveis de responsabilidade?

Para discernir

Confundimos alguma vez participação com ausência de autoridade?

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X. DEPOIS DA DECISÃO

17. O que acontece depois?

Uma decisão não termina quando a votação acaba.

Perguntemo-nos:

Quem fará?

Quando?

Como?

Quem acompanhará?

Quando será avaliada?

Para responder

Nossas decisões transformam-se realmente em ações?

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18. Assumimos juntos?

Uma decisão comunitária não pertence apenas a quem votou a favor.

Para responder

Somos capazes de dizer: “Foi nossa decisão”?

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XI. COLABORAÇÃO ENTRE COMUNIDADES

19. Nosso horizonte termina em nosso convento?

Perguntemo-nos:

Interessamo-nos pelas outras comunidades?

Partilhamos pessoas, recursos e experiências quando necessário?

Para responder

Onde poderíamos colaborar mais com outra comunidade?

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20. Aceitamos algum sacrifício pelo bem maior?

Colaboração real pode custar.

Tempo.

Pessoas.

Recursos.

Mudanças.

Para discernir

Estamos dispostos a renunciar a alguma comodidade pelo bem da Província ou da Ordem?

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XII. LEIGOS E MISSÃO

21. Nossos colaboradores participam?

Quando leigos trabalham conosco:

apenas executam?

ou também são escutados na programação do serviço?

Para responder

Onde poderíamos criar maior corresponsabilidade com os leigos?

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XIII. CONFLITOS

22. Como enfrentamos as tensões?

Toda fraternidade conhece divergências.

Perguntemo-nos:

Evitamos?

Explodimos?

Formamos grupos?

Ou dialogamos?

Para responder

Que tensão precisa ser enfrentada fraternalmente?

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23. O conflito nos enriquece?

As diferenças podem revelar aspectos que ninguém sozinho percebe.

Para discernir

O que a opinião diferente de meu irmão pode estar ensinando à comunidade?

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XIV. A REGRA DE SANTO AGOSTINHO

24. Um só coração voltado para Deus

Nossa unidade não significa pensar todos da mesma maneira.

Significa procurar juntos:

Deus.

Para responder

Nossas decisões começam realmente pela busca da vontade de Deus?

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25. Homens livres sob a graça

A obediência religiosa não deveria produzir homens passivos.

Deveria formar homens:

livres;

responsáveis;

capazes de discernir;

dispostos a servir.

Para responder

Nossa vida comunitária está formando liberdade responsável?

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XV. AVALIAÇÃO DA COLEGIALIDADE

Use:

✓ — vivemos bem
△ — precisamos crescer
! — necessita mudança

Dimensão| Avaliação
Informação antes das decisões| ____
Liberdade para falar| ____
Escuta verdadeira| ____
Participação de todos| ____
Atenção aos mais silenciosos| ____
Busca do bem comum| ____
Uso adequado do Capítulo| ____
Busca de consenso| ____
Respeito às opiniões minoritárias| ____
Clareza das competências| ____
Colaboração depois das decisões| ____
Avaliação das decisões tomadas| ____
Cooperação entre comunidades| ____
Participação dos leigos| ____
Manejo fraterno dos conflitos| ____

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XVI. TRÊS CONVERSÕES

Da autoridade

Precisamos passar de:

---

para:

---

---

Dos irmãos

Precisamos passar de:

---

para:

---

---

Da comunidade

Precisamos passar de:

---

para:

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XVII. UMA DECISÃO CONCRETA

Depois deste exame, não escolhamos muitas resoluções.

Perguntemos:

O que podemos mudar concretamente em nossa maneira de tomar decisões?

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Responsável: ______________________

Prazo: ____________________________

Quando avaliaremos: _______________

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XVIII. A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE

Não perguntemos apenas:

Seguimos corretamente o procedimento?

Perguntemos:

Todos puderam participar?

Escutamos de verdade?

Procuramos o bem comum?

Respeitamos as competências?

Buscamos consenso?

Assumimos juntos aquilo que decidimos?

E finalmente:

Depois desta decisão, somos mais irmãos?

---

ORAÇÃO FINAL

Senhor Jesus,

vós pedistes ao Pai
que vossos discípulos fossem um.

Fazei de nossas comunidades
verdadeiras escolas de fraternidade.

Quando precisarmos falar,

dai-nos liberdade e caridade.

Quando precisarmos escutar,

dai-nos silêncio interior e humildade.

Quando discordarmos,

livrai-nos da necessidade de vencer.

Quando decidirmos,

fazei-nos procurar o bem comum.

Quando nossa proposta não prevalecer,

dai-nos maturidade
para continuar colaborando.

Quando exercermos autoridade,

ensinai-nos a servir.

Quando participarmos,

livrai-nos da passividade.

Quando surgirem conflitos,

não permitais que abandonemos o irmão.

Santa Maria,

Mãe e Serva do Senhor,

ensinai-nos a acolher a Palavra,

a escutar o Espírito

e a construir comunhão.

Fazei que nossas diferenças
não se transformem em divisão,

mas se tornem riqueza
colocada a serviço da fraternidade.

Que possamos viver,

segundo o espírito de Santo Agostinho,

unânimes na casa,
com uma só mente
e um só coração voltados para Deus.

E que caminhemos,

não como escravos submetidos à lei,

mas como:

homens livres sob a graça.

Amém.

PARA GUARDAR

A colegialidade não é simplesmente votar.

Participar é direito e responsabilidade.

O processo de decisão também constrói ou destrói fraternidade.

O Capítulo protege a participação.

O consenso deve ser buscado antes da simples contagem de votos.

A maioria não deve transformar a minoria em derrotada.

Nem tudo precisa ser decidido por todos.

Autoridade pessoal e colegialidade podem servir juntas ao bem comum.

Depois de participar da decisão, somos responsáveis por realizá-la.

A colaboração ultrapassa os limites do próprio convento.

Os leigos também podem participar responsavelmente da missão.

Os conflitos podem tornar-se ocasião de crescimento.

Santo Agostinho aponta para um só coração voltado para Deus.

E o critério definitivo:

A colegialidade é caminho. A fraternidade é o objetivo.

Pergunta do XXIX:

Nossas decisões nascem da fraternidade e fazem crescer a fraternidade?

---

Fonte principal: Frei Bruno Zanirato, OSM, La collegialità nelle Costituzioni, texto revisto e integrado em 19 de junho de 2022.

XXIX — A colegialidade na vida dos Servos de Maria
Participar, discernir e decidir fraternamente

SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA

Falar com liberdade.
Escutar com humildade.
Discernir o bem comum.
Decidir fraternamente.
Assumir juntos.
Caminhar como irmãos.

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