Participar, discernir e decidir fraternamente
XXIX — A colegialidade na vida dos Servos de Maria
A colegialidade não pode ser avaliada apenas perguntando:
“Todos tiveram direito a voto?”
É preciso ir mais fundo.
Perguntar:
Todos puderam participar?
Escutamos uns aos outros?
Procuramos juntos o bem comum?
Buscamos consenso?
Assumimos juntos aquilo que decidimos?
E sobretudo:
Nossas decisões nascem da fraternidade e fazem crescer a fraternidade?
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ORAÇÃO INICIAL
Senhor Jesus,
vós nos chamastes
não para caminhar isoladamente,
mas para viver como irmãos.
Dai-nos liberdade para falar
e humildade para escutar.
Livrai-nos da necessidade de vencer,
do medo de discordar,
da passividade diante do bem comum
e da tentação de impor aos outros
nossa própria vontade.
Ensinai-nos a procurar juntos
aquilo que corresponde ao Evangelho.
Que nossas decisões
não produzam vencedores e vencidos,
mas irmãos corresponsáveis.
Dai-nos um só coração
e uma só alma voltados para vós.
Santa Maria,
Serva do Senhor,
ensinai-nos a escutar a Palavra,
acolher o Espírito
e caminhar juntos.
Amém.
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I. PARTICIPAR
1. Sinto-me responsável pela comunidade?
A colegialidade começa quando cada irmão compreende:
“A vida desta comunidade também é responsabilidade minha.”
Pergunto-me:
Participo?
Proponho?
Assumo tarefas?
Interesso-me pelos assuntos comuns?
Ou espero que Prior e Conselho resolvam tudo?
Para responder
Em que aspecto da vida comum preciso assumir maior responsabilidade?
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2. Participar é mais que estar presente
Posso estar fisicamente num Capítulo e não participar verdadeiramente.
Pergunto-me:
Preparo-me?
Conheço os assuntos?
Escuto?
Contribuo?
Ou permaneço silencioso e depois critico aquilo que foi decidido?
Para responder
Como é minha participação nos Capítulos?
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II. FALAR COM LIBERDADE
3. Consigo expressar aquilo que penso?
Uma fraternidade precisa permitir que seus membros falem.
Pergunto-me:
Sinto liberdade para apresentar uma opinião diferente?
Tenho medo da reação dos outros?
Evito falar para não criar dificuldades?
Para discernir
O que preciso aprender a dizer com maior liberdade e caridade?
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4. Minha palavra procura o bem comum?
Liberdade não significa dizer tudo de qualquer maneira.
Antes de falar, posso perguntar:
É verdade?
É necessário?
É o momento adequado?
Ajuda a comunidade?
Para responder
Minha maneira de falar constrói ou simplesmente descarrega minha insatisfação?
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III. ESCUTAR
5. Escuto para compreender?
Quando outro irmão fala:
procuro compreender?
ou imediatamente preparo minha resposta?
Para responder
Consigo admitir que outro irmão talvez perceba algo que eu não percebi?
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6. Quem fala menos também é ouvido?
Algumas pessoas ocupam naturalmente mais espaço.
Outras quase nunca falam.
Perguntemo-nos:
Nossa comunidade cria condições para que os mais tímidos também se expressem?
Para discernir
Quem precisamos escutar melhor?
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IV. O BEM COMUM
7. “Meu” ou “nosso”?
Santo Agostinho pede que o trabalho seja realizado para o bem comum.
Pergunto-me:
Defendo:
meu trabalho?
meu horário?
meu espaço?
meu apostolado?
minha preferência?
Ou consigo perguntar:
O que é melhor para a fraternidade?
Para responder
Onde preciso passar do “meu” para o “nosso”?
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V. O CAPÍTULO
8. Decidimos no lugar certo?
Nem toda conversa é decisão.
Perguntemo-nos:
Assuntos comunitários importantes são realmente levados ao Capítulo?
Ou algumas decisões acontecem:
à mesa?
nos corredores?
em pequenos grupos?
quando algum irmão está ausente?
Para responder
Que assunto precisa voltar ao espaço próprio do Capítulo?
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9. Todos recebem as informações necessárias?
Não existe participação real sem informação.
Perguntemo-nos:
Os irmãos recebem antecipadamente aquilo que precisam saber?
Há transparência?
Para discernir
Nossa comunicação favorece verdadeira participação?
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VI. CONSENSO
10. Queremos discernir ou vencer?
Antes de uma decisão, pergunto-me:
Quero compreender?
Ou quero convencer?
Para responder
Quando discordamos, procuramos uma solução comum ou formamos lados?
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11. Buscamos consenso?
Nem sempre será possível unanimidade.
Mas antes da votação:
conversamos suficientemente?
ouvimos as razões?
procuramos convergências?
Para responder
Em nossas decisões, chegamos rápido demais à votação?
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VII. MAIORIA E MINORIA
12. Como tratamos quem pensa diferente?
Depois de uma votação:
a maioria comemora?
a minoria fica ressentida?
Ou todos procuram assumir a decisão?
Para discernir
Sabemos continuar irmãos depois de discordar?
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13. Sei perder uma votação?
Pergunto-me:
Quando minha proposta não prevalece:
afasto-me?
critico?
deixo que os outros executem?
Ou colaboro lealmente?
Para responder
Consigo transformar minha participação em corresponsabilidade?
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VIII. AUTORIDADE E COLEGIALIDADE
14. Quem preside favorece participação?
Àquele que exerce autoridade:
Suscito interesse?
Escuto?
Forneço informações?
Busco consenso?
Delego?
Ou centralizo?
Para responder
Minha maneira de presidir aumenta ou diminui a participação?
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15. Os irmãos colaboram?
Aos demais:
Respondemos à abertura de quem preside?
Ou queremos participação sem assumir responsabilidade?
Para responder
O que esperamos da autoridade que nós mesmos poderíamos assumir?
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IX. NEM TUDO É DECIDIDO POR TODOS
16. Respeitamos as competências?
Colegiaridade não significa que todos precisem decidir tudo.
Existem responsabilidades próprias:
do Prior;
do Conselho;
do Capítulo.
Perguntemo-nos:
Conhecemos essas competências?
Respeitamos os diferentes níveis de responsabilidade?
Para discernir
Confundimos alguma vez participação com ausência de autoridade?
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X. DEPOIS DA DECISÃO
17. O que acontece depois?
Uma decisão não termina quando a votação acaba.
Perguntemo-nos:
Quem fará?
Quando?
Como?
Quem acompanhará?
Quando será avaliada?
Para responder
Nossas decisões transformam-se realmente em ações?
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18. Assumimos juntos?
Uma decisão comunitária não pertence apenas a quem votou a favor.
Para responder
Somos capazes de dizer: “Foi nossa decisão”?
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XI. COLABORAÇÃO ENTRE COMUNIDADES
19. Nosso horizonte termina em nosso convento?
Perguntemo-nos:
Interessamo-nos pelas outras comunidades?
Partilhamos pessoas, recursos e experiências quando necessário?
Para responder
Onde poderíamos colaborar mais com outra comunidade?
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20. Aceitamos algum sacrifício pelo bem maior?
Colaboração real pode custar.
Tempo.
Pessoas.
Recursos.
Mudanças.
Para discernir
Estamos dispostos a renunciar a alguma comodidade pelo bem da Província ou da Ordem?
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XII. LEIGOS E MISSÃO
21. Nossos colaboradores participam?
Quando leigos trabalham conosco:
apenas executam?
ou também são escutados na programação do serviço?
Para responder
Onde poderíamos criar maior corresponsabilidade com os leigos?
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XIII. CONFLITOS
22. Como enfrentamos as tensões?
Toda fraternidade conhece divergências.
Perguntemo-nos:
Evitamos?
Explodimos?
Formamos grupos?
Ou dialogamos?
Para responder
Que tensão precisa ser enfrentada fraternalmente?
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23. O conflito nos enriquece?
As diferenças podem revelar aspectos que ninguém sozinho percebe.
Para discernir
O que a opinião diferente de meu irmão pode estar ensinando à comunidade?
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XIV. A REGRA DE SANTO AGOSTINHO
24. Um só coração voltado para Deus
Nossa unidade não significa pensar todos da mesma maneira.
Significa procurar juntos:
Deus.
Para responder
Nossas decisões começam realmente pela busca da vontade de Deus?
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25. Homens livres sob a graça
A obediência religiosa não deveria produzir homens passivos.
Deveria formar homens:
livres;
responsáveis;
capazes de discernir;
dispostos a servir.
Para responder
Nossa vida comunitária está formando liberdade responsável?
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XV. AVALIAÇÃO DA COLEGIALIDADE
Use:
✓ — vivemos bem
△ — precisamos crescer
! — necessita mudança
Dimensão| Avaliação
Informação antes das decisões| ____
Liberdade para falar| ____
Escuta verdadeira| ____
Participação de todos| ____
Atenção aos mais silenciosos| ____
Busca do bem comum| ____
Uso adequado do Capítulo| ____
Busca de consenso| ____
Respeito às opiniões minoritárias| ____
Clareza das competências| ____
Colaboração depois das decisões| ____
Avaliação das decisões tomadas| ____
Cooperação entre comunidades| ____
Participação dos leigos| ____
Manejo fraterno dos conflitos| ____
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XVI. TRÊS CONVERSÕES
Da autoridade
Precisamos passar de:
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para:
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Dos irmãos
Precisamos passar de:
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para:
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Da comunidade
Precisamos passar de:
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para:
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XVII. UMA DECISÃO CONCRETA
Depois deste exame, não escolhamos muitas resoluções.
Perguntemos:
O que podemos mudar concretamente em nossa maneira de tomar decisões?
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Responsável: ______________________
Prazo: ____________________________
Quando avaliaremos: _______________
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XVIII. A PERGUNTA MAIS IMPORTANTE
Não perguntemos apenas:
Seguimos corretamente o procedimento?
Perguntemos:
Todos puderam participar?
Escutamos de verdade?
Procuramos o bem comum?
Respeitamos as competências?
Buscamos consenso?
Assumimos juntos aquilo que decidimos?
E finalmente:
Depois desta decisão, somos mais irmãos?
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ORAÇÃO FINAL
Senhor Jesus,
vós pedistes ao Pai
que vossos discípulos fossem um.
Fazei de nossas comunidades
verdadeiras escolas de fraternidade.
Quando precisarmos falar,
dai-nos liberdade e caridade.
Quando precisarmos escutar,
dai-nos silêncio interior e humildade.
Quando discordarmos,
livrai-nos da necessidade de vencer.
Quando decidirmos,
fazei-nos procurar o bem comum.
Quando nossa proposta não prevalecer,
dai-nos maturidade
para continuar colaborando.
Quando exercermos autoridade,
ensinai-nos a servir.
Quando participarmos,
livrai-nos da passividade.
Quando surgirem conflitos,
não permitais que abandonemos o irmão.
Santa Maria,
Mãe e Serva do Senhor,
ensinai-nos a acolher a Palavra,
a escutar o Espírito
e a construir comunhão.
Fazei que nossas diferenças
não se transformem em divisão,
mas se tornem riqueza
colocada a serviço da fraternidade.
Que possamos viver,
segundo o espírito de Santo Agostinho,
unânimes na casa,
com uma só mente
e um só coração voltados para Deus.
E que caminhemos,
não como escravos submetidos à lei,
mas como:
homens livres sob a graça.
Amém.
PARA GUARDAR
A colegialidade não é simplesmente votar.
Participar é direito e responsabilidade.
O processo de decisão também constrói ou destrói fraternidade.
O Capítulo protege a participação.
O consenso deve ser buscado antes da simples contagem de votos.
A maioria não deve transformar a minoria em derrotada.
Nem tudo precisa ser decidido por todos.
Autoridade pessoal e colegialidade podem servir juntas ao bem comum.
Depois de participar da decisão, somos responsáveis por realizá-la.
A colaboração ultrapassa os limites do próprio convento.
Os leigos também podem participar responsavelmente da missão.
Os conflitos podem tornar-se ocasião de crescimento.
Santo Agostinho aponta para um só coração voltado para Deus.
E o critério definitivo:
A colegialidade é caminho. A fraternidade é o objetivo.
Pergunta do XXIX:
Nossas decisões nascem da fraternidade e fazem crescer a fraternidade?
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Fonte principal: Frei Bruno Zanirato, OSM, La collegialità nelle Costituzioni, texto revisto e integrado em 19 de junho de 2022.
XXIX — A colegialidade na vida dos Servos de Maria
Participar, discernir e decidir fraternamente
SOMOS SERVOS DA VIRGEM GLORIOSA
Falar com liberdade.
Escutar com humildade.
Discernir o bem comum.
Decidir fraternamente.
Assumir juntos.
Caminhar como irmãos.
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