Maria sustenta o povo de Deus no caminho da fé
Série: As Ladainhas de Nossa Senhora
A Ladainha Lauretana prossegue:
Auxílio dos cristãos, rogai por nós.
Depois de invocarmos Maria como Saúde dos enfermos, Refúgio dos pecadores, Socorro dos migrantes e Consoladora dos aflitos, chegamos a um título que parece reunir muitas dessas súplicas:
Auxílio dos cristãos.
A palavra é simples.
Auxílio.
Ajuda.
Socorro.
Presença.
Mão estendida quando nossas próprias forças parecem insuficientes.
E a Igreja, atravessando os séculos, aprendeu a dizer:
Maria, Auxílio dos cristãos, rogai por nós.
Nosso auxílio vem do Senhor
Precisamos começar novamente por Deus.
O salmista pergunta:
“De onde me virá o auxílio?”
E responde:
“Meu auxílio vem do Senhor, que fez o céu e a terra.”
Esta é a base de tudo.
Nossa salvação vem de Deus.
Nossa esperança está em Cristo.
A graça vem de Deus.
Maria não substitui o Senhor.
Ela mesma vive inteiramente de sua graça.
Por isso, quando a chamamos Auxílio dos cristãos, reconhecemos sua intercessão materna dentro do único desígnio de salvação realizado por Cristo.
Maria sempre conduz a Jesus
Caná oferece novamente a chave.
Falta vinho.
Maria percebe.
Apresenta a necessidade a Jesus:
“Eles não têm mais vinho.”
Depois se dirige aos serventes:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Aqui está o auxílio de Maria.
Ela percebe a necessidade.
Intercede.
E conduz a Cristo.
Maria não ocupa o centro
Isso é essencial.
Maria não diz:
“Façam aquilo que eu mandar.”
Ela diz:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
A verdadeira devoção mariana nunca diminui a centralidade de Jesus.
Ao contrário.
Ajuda-nos a escutá-lo melhor.
O auxílio materno
Há momentos em que uma criança consegue enfrentar determinada situação porque sabe que sua mãe está perto.
A presença não elimina a dificuldade.
Mas muda a maneira de atravessá-la.
Talvez possamos compreender assim o auxílio de Maria.
Ela não promete uma vida sem cruz.
Ela mesma permaneceu junto à Cruz.
Mas recorda-nos:
não caminhamos sozinhos.
Maria e a Igreja
O título Auxílio dos cristãos possui uma dimensão profundamente eclesial.
Não rezamos apenas:
“Maria, ajude-me.”
Rezamos:
Auxílio dos cristãos.
O olhar amplia-se.
Pensamos na Igreja.
No povo de Deus.
Nas comunidades.
Nos missionários.
Nos jovens.
Nas famílias.
Nos sacerdotes.
Nos consagrados.
Nos cristãos que vivem sua fé em circunstâncias difíceis.
Uma Mãe para o povo cristão
São João Paulo II recordava que Maria é vista pela tradição como presença materna nos momentos difíceis da história da Igreja.
Não para substituir a ação do Espírito Santo.
Não como uma força paralela a Cristo.
Mas como Mãe que intercede e sustenta os discípulos de seu Filho.
No Cenáculo
Existe uma imagem particularmente bonita.
Depois da Ascensão, os discípulos permanecem reunidos em oração.
E o livro dos Atos faz questão de mencionar:
Maria, a Mãe de Jesus, estava com eles.
A Igreja espera o Espírito Santo.
E Maria está no meio da comunidade.
Maria não toma o lugar do Espírito
Isso precisa ser dito com clareza.
É o Espírito Santo quem dá vida à Igreja.
É Ele quem distribui os dons.
É Ele quem impulsiona a missão.
Maria está entre os discípulos como mulher de fé e de oração.
Aquela que já havia acolhido a ação do Espírito na Anunciação agora reza com a Igreja que espera Pentecostes.
Auxílio na oração
Talvez uma das primeiras formas pelas quais Maria nos auxilia seja ensinando-nos a rezar.
Ela escuta.
Guarda.
Medita.
Louva.
Intercede.
Permanece.
Seu Magnificat revela uma mulher profundamente habitada pela Palavra de Deus.
Quando não sabemos rezar
Também atravessamos momentos assim.
Cansaço.
Distração.
Aridez.
Preocupações.
A oração parece difícil.
Podemos simplesmente permanecer diante de Deus e pedir:
Maria, ensine-me novamente a rezar.
Auxílio na fé
A fé também atravessa provações.
Há momentos em que compreendemos pouco.
Maria conhece essa experiência.
Depois de encontrar Jesus no Templo, o Evangelho diz que seus pais não compreenderam plenamente suas palavras.
Maria, porém:
guardava todas essas coisas no coração.
Nem sempre compreender para permanecer
Essa é uma grande lição.
Às vezes pensamos que somente poderemos continuar quando compreendermos tudo.
Maria ensina outra possibilidade:
guardar e continuar caminhando.
A fé não é ausência de perguntas.
É confiança suficiente para permanecer mesmo quando ainda existem perguntas.
Auxílio na missão
Depois de Pentecostes, a Igreja parte.
O Evangelho atravessa fronteiras.
Povos.
Culturas.
Línguas.
O título Auxílio dos cristãos tornou-se, ao longo da tradição, profundamente ligado à missão da Igreja.
Maria auxilia para que a Igreja não permaneça fechada.
Uma Igreja que sai
Se pedimos o auxílio de Maria, não deveríamos fazê-lo apenas para conservar aquilo que já possuímos.
Precisamos pedir ajuda para anunciar.
Para servir.
Para sair.
Para encontrar novas linguagens.
Para transmitir a fé às novas gerações.
Uma palavra para os jovens
São João Bosco tornou esta invocação especialmente conhecida através de seu trabalho com a juventude.
Para ele, Maria Auxiliadora estava intimamente ligada à missão educativa e evangelizadora.
Isso continua atual.
Os jovens precisam de pessoas que acreditem neles.
Que acompanhem.
Que proponham.
Que saibam corrigir.
Que abram horizontes.
Ajudar não é fazer tudo pelo outro
Esta é uma importante lição para a formação.
O verdadeiro auxílio não cria dependência.
Ajuda o outro a crescer.
Maria não vive a vocação dos discípulos por eles.
Diz:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Ela aponta.
Depois o discípulo precisa responder.
Uma palavra para os formadores
Também o formador precisa aprender essa sabedoria.
Acompanhar não significa controlar cada passo.
Significa ajudar alguém a escutar a voz de Deus e assumir responsavelmente sua própria resposta.
A verdadeira formação produz liberdade interior.
Auxílio nas dificuldades comunitárias
Toda comunidade conhece momentos difíceis.
Diferenças.
Conflitos.
Mudanças.
Decisões.
Limitações.
Às vezes o futuro parece incerto.
Também nesses momentos podemos invocar:
Auxílio dos cristãos, rogai por nós.
Mas a oração precisa produzir atitudes.
Pedir auxílio e fazer nossa parte
Não podemos pedir que Maria resolva aquilo que nós mesmos nos recusamos a enfrentar.
Se existe conflito, precisamos dialogar.
Se existe erro, precisamos corrigi-lo.
Se existe desorganização, precisamos organizar.
Se existe alguém sofrendo, precisamos aproximar-nos.
A oração não substitui nossa responsabilidade.
Dá-nos graça para assumi-la.
Maria auxilia formando discípulos
Talvez seja essa uma maneira muito bonita de compreender o título.
Maria não nos torna dependentes dela.
Ajuda-nos a tornar-nos discípulos mais maduros de Jesus.
Mais atentos à Palavra.
Mais disponíveis.
Mais perseverantes.
Mais fraternos.
Uma palavra para quem exerce autoridade
Quem possui responsabilidade numa comunidade também precisa de auxílio.
Nem toda decisão é simples.
Às vezes é preciso escolher entre possibilidades imperfeitas.
Escutar opiniões diferentes.
Pensar no bem comum.
Dizer “sim”.
Dizer “não”.
Esperar.
Agir.
Nessas horas, podemos pedir:
Maria, ajude-nos a discernir.
Auxílio não significa confirmação de nossas vontades
Há um perigo na oração.
Pedir ajuda a Deus esperando apenas que Ele confirme aquilo que já decidimos.
Maria ensina o contrário.
Na Anunciação, ela não pede que Deus realize seus próprios planos.
Coloca-se à disposição:
“Faça-se em mim segundo a tua palavra.”
Às vezes o maior auxílio que podemos receber é a graça de mudar de direção.
Auxílio na perseverança
Existem dificuldades que não desaparecem rapidamente.
Então precisamos de perseverança.
Continuar rezando.
Continuar servindo.
Continuar tentando reconciliar.
Continuar cuidando.
Continuar sendo fiel.
A vida cristã não é feita apenas de grandes momentos.
É construída por pequenas fidelidades repetidas todos os dias.
Uma palavra para os idosos
Talvez nossos irmãos idosos conheçam profundamente esse tipo de auxílio.
Depois de décadas de vida consagrada, perceberam que Deus os sustentou em muitas situações.
Mudanças.
Transferências.
Crises.
Enfermidades.
Perdas.
A memória de uma vida pode transformar-se numa profissão de fé:
“Até aqui o Senhor nos ajudou.”
Os idosos podem ensinar confiança
Quando um jovem conversa com um irmão que atravessou cinquenta ou sessenta anos de vida religiosa, pode descobrir algo que nenhum livro ensina.
A fidelidade possui história.
Existiram dificuldades.
Mas existiu também graça.
Auxílio na fragilidade
Chega um momento em que aquele que ajudou muitas pessoas precisa aceitar ajuda.
Isso também faz parte da vida.
O sacerdote que visitava enfermos torna-se enfermo.
O superior que cuidava dos irmãos precisa ser cuidado.
O missionário que viajou já não consegue caminhar como antes.
Aceitar auxílio também exige humildade.
Deixar-se ajudar
Nossa Senhora Auxiliadora pode ensinar-nos também isso.
Não apenas ajudar.
Mas permitir que outros nos ajudem.
A fraternidade possui reciprocidade.
Hoje sustento meu irmão.
Amanhã talvez seja ele quem me sustente.
Uma comunidade de auxílio mútuo
Talvez nossas comunidades possam ser compreendidas assim:
lugares onde os irmãos se ajudam a chegar a Deus.
Essa é uma bela definição de fraternidade religiosa.
Não estamos juntos apenas para dividir despesas, horários e tarefas.
Estamos juntos para ajudar uns aos outros a permanecer fiéis ao Evangelho.
O irmão como auxílio
Às vezes rezamos pedindo que Deus nos ajude.
E Ele responde através de um irmão.
Uma conversa.
Uma correção.
Uma visita.
Um conselho.
Uma presença.
Precisamos aprender a reconhecer essas mediações simples da graça.
Nossa Senhora das Dores e Auxílio dos cristãos
Para nós, Servos de Maria, existe uma ligação muito profunda.
Maria auxilia permanecendo.
No Calvário, não possui poder político.
Não possui exército.
Não pode impedir a crucifixão.
Mas está lá.
Sua presença fiel torna-se auxílio.
Às vezes ajudar significa permanecer
Nem todo auxílio consiste em resolver.
Isso já apareceu várias vezes nesta série porque pertence profundamente à espiritualidade servita.
Quando não podemos retirar a Cruz, podemos permanecer junto dela.
Quando não conseguimos curar, podemos cuidar.
Quando não conseguimos responder, podemos escutar.
Quando não conseguimos mudar a situação, podemos não abandonar.
Uma Ordem chamada a auxiliar
Nosso nome é Servos de Maria.
Servir Maria significa aprender seu modo de servir a Cristo e aos irmãos.
Portanto, a invocação Auxílio dos cristãos pode tornar-se também uma pergunta dirigida a nós:
Somos auxílio para alguém?
Quem encontra auxílio em nossa presença?
O jovem vocacionado?
O irmão idoso?
A família em dificuldade?
O migrante?
O enfermo?
O pobre?
A pessoa que procura reconciliação?
O irmão desanimado?
Se nossa devoção mariana é verdadeira, precisa transformar-se em serviço.
Auxílio e evangelização
São João Paulo II relacionou este título à coragem para continuar evangelizando.
Isso é importante.
Maria não auxilia a Igreja apenas para que ela sobreviva.
Auxilia-a para que cumpra sua missão.
Não conservar apenas estruturas
Existe sempre o risco de gastar todas as forças tentando simplesmente conservar aquilo que existe.
Prédios.
Obras.
Costumes.
Estruturas.
Tudo isso pode possuir valor.
Mas a pergunta fundamental continua sendo:
Isso está ajudando a anunciar Cristo?
Maria aponta para a missão
Em Caná:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
No Cenáculo:
Maria reza com os discípulos.
Depois de Pentecostes:
a Igreja parte.
Essa sequência é muito bonita.
Escutar Cristo.
Rezar.
Receber o Espírito.
Partir em missão.
Auxílio para nossa Ordem
Podemos pedir de maneira particular:
Maria, auxilie os Servos de Maria.
Ajude-nos a viver nosso carisma.
A cultivar fraternidade.
A formar bem os jovens.
A cuidar dos idosos.
A servir o povo de Deus.
A permanecer próximos das dores humanas.
A transmitir a espiritualidade servita às novas gerações.
Auxílio nas mudanças
Toda família religiosa atravessa transformações.
As formas concretas da missão podem mudar.
As necessidades da Igreja mudam.
As culturas mudam.
As gerações mudam.
O carisma permanece vivo justamente quando consegue ser fiel à sua fonte e, ao mesmo tempo, responder ao presente.
Não ter medo do futuro
Maria Auxiliadora não nos convida a viver com medo.
A Igreja já atravessou muitas épocas difíceis.
Nossa Ordem também.
A confiança cristã não significa imaginar que tudo será fácil.
Significa saber:
Cristo continua sendo Senhor da história.
Uma pergunta para o coração
Diante desta invocação podemos perguntar:
Onde preciso do auxílio de Deus neste momento?
Talvez numa decisão.
Numa relação.
Na vocação.
Na saúde.
Na perseverança.
Num problema comunitário.
Podemos colocar isso diante de Maria e pedir:
Ajude-me a escutar aquilo que Jesus disser.
E uma segunda pergunta
Para quem eu deveria ser auxílio?
Porque toda graça recebida tende a tornar-se serviço.
Talvez a resposta à nossa oração esteja ligada à necessidade de alguém que Deus colocou perto de nós.
Oração
Auxílio dos cristãos,
Mãe de Jesus
e Mãe dos discípulos de seu Filho,
acompanhe a Igreja
em seu caminho através da história.
Ajude-nos a permanecer firmes na fé,
perseverantes na oração
e generosos na missão.
Quando não soubermos o caminho,
ensine-nos a discernir.
Quando estivermos cansados,
ajude-nos a perseverar.
Quando tivermos medo,
recorde-nos que Cristo
continua sendo Senhor da história.
Quando nossos próprios projetos
ocuparem espaço demais,
ensine-nos novamente a dizer:
“Faça-se em mim segundo a tua palavra.”
Aos sacerdotes,
conceda fidelidade ao ministério.
Aos superiores,
sabedoria para discernir
e coragem para servir.
Aos formadores,
paciência e liberdade interior.
Aos jovens em formação,
um coração disponível
para fazer tudo aquilo
que Jesus lhes disser.
Aos nossos irmãos idosos,
conceda a alegria de reconhecer
a fidelidade de Deus
ao longo de tantos anos.
Àqueles que precisam agora
ser ajudados e cuidados,
dê humildade para receber
o amor dos irmãos.
Faça de nossas comunidades
lugares de auxílio mútuo,
onde cada irmão ajude o outro
a permanecer fiel ao Evangelho.
Auxilie os cristãos perseguidos,
os missionários,
as famílias,
os jovens,
os enfermos,
os migrantes,
os pobres
e todos aqueles que procuram
permanecer fiéis a Cristo
em meio às dificuldades.
A nós, Servos de Maria,
conceda a graça de não invocá-la
apenas com os lábios.
Faça-nos também auxílio.
Auxílio para quem sofre.
Auxílio para quem procura sua vocação.
Auxílio para quem envelhece.
Auxílio para quem perdeu a esperança.
Auxílio para quem precisa encontrar
novamente o caminho de Deus.
E em todas as nossas necessidades,
repita ao nosso coração
a palavra que pronunciou em Caná:
“Fazei tudo o que Ele vos disser.”
Conduza-nos sempre a Jesus Cristo,
nosso único Senhor e Salvador,
fonte de toda graça
e esperança da Igreja.
Auxílio dos cristãos, rogai por nós.
Para guardar no coração
Maria é Auxílio dos cristãos porque sua presença materna nos sustenta no seguimento de Cristo. Seu auxílio não nos torna dependentes: ensina-nos a escutar Jesus, perseverar na fé e transformar a graça recebida em serviço aos irmãos.
Fontes
Sagrada Escritura, especialmente Sl 121; Lc 1,26-38; Lc 2,19.51; Jo 2,1-11; Jo 19,25-27; At 1,12-14.
Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen gentium, especialmente nn. 60-62 e 68.
São João Paulo II, Angelus, 31 de janeiro de 1988, sobre Maria Auxilium Christianorum e sua presença materna na vida e missão da Igreja.
São Paulo VI, Carta Apostólica Studiosi adulescentes, 20 de setembro de 1965.
Tradição da Igreja, expressa na Ladainha Lauretana pela invocação Auxilium Christianorum.
Texto preparado para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário: sua colaboração edificará tantas almas sedentas de Deus e nos fará cada vez mais servos uns dos outros.