09/10/2026

A Assunção de Maria: plenitude da redenção e esperança para a Igreja

Escola de Mariologia Servita — Frei Gabriele M. Roschini, OSM | Artigo 15 | Etapa IV

Os privilégios marianos: Imaculada Conceição, virgindade e Assunção

Leitura bíblica: 1Cor 15,20-23; Ap 12,1-6; Lc 1,46-55.

A fé da Igreja proclama que, ao concluir o curso de sua vida terrena, Maria foi elevada por Deus, em corpo e alma, à glória do céu. A Assunção não é uma vitória independente de Cristo nem um privilégio separado da redenção. É obra da graça: aquela que foi unida de modo singular ao Filho participa, de maneira antecipada, da vitória pascal que Ele conquistou para todos.

A glória de Maria vem de Cristo

Jesus ressuscitado é «as primícias dos que morreram» (1Cor 15,20). A ressurreição de Maria não se coloca ao lado da de Cristo, como se houvesse duas fontes de salvação. Pelo contrário: a glorificação da Mãe manifesta a força da Páscoa do Filho. O que Deus realizou nela aponta para o destino prometido à humanidade redimida: a comunhão plena com Ele, que alcança a pessoa inteira.

Por isso a Igreja distingue a Ascensão do Senhor da Assunção de Maria. Cristo sobe ao Pai por sua própria autoridade divina; Maria é elevada pela graça de Deus. Ela é a primeira discípula, inteiramente dependente do Salvador, e a sua glória confirma que a obra de Cristo não falha. A definição dogmática de Pio XII, retomada pelo Concílio Vaticano II, afirma a Assunção sem determinar como se deu o término da vida terrestre de Maria.

Sinal de esperança para a Igreja peregrina

O Concílio contempla em Maria glorificada a imagem e o início da Igreja que alcançará sua plenitude no mundo futuro (LG 68). A Assunção não afasta Maria dos discípulos: sustenta a esperança deles. Nela vemos que a fidelidade de Deus conduz à vida e que o corpo, criado por Deus e chamado à ressurreição, não é desprezado no caminho da salvação.

O sinal da mulher revestida de sol (Ap 12,1) permite à comunidade cristã contemplar, em Maria, a vitória de Deus e também a vocação do seu povo. A leitura do Apocalipse não se reduz a uma descrição biográfica de Maria: fala do combate entre o bem e o mal e da fidelidade de Deus ao seu povo. A tradição da Igreja reconhece nesse sinal uma luz mariana, sempre ligada ao mistério de Cristo e da Igreja.

A maternidade de Maria continua em sua glória

Roschini relaciona a Assunção à maternidade espiritual de Maria: glorificada junto do Filho, ela permanece unida à Igreja e exerce sua solicitude materna pelos que caminham para a pátria definitiva. Essa missão não diminui a mediação única de Cristo. Como ensina o Concílio, toda influência salvadora de Maria nasce da abundância dos méritos de Cristo, depende inteiramente dele e conduz os fiéis a uma união mais estreita com o Salvador (LG 60-62).

Para os Servos de Maria, a Mãe glorificada não é uma figura distante da história. A contemplamos como companheira dos discípulos e sinal de esperança, sem esquecer o caminho que a conduziu até a glória: escuta da Palavra, serviço, perseverança e presença junto à cruz. Com ela aprendemos a permanecer com Cristo e a servir o povo de Deus, confiando que a última palavra pertence à vida.

Para aprofundar: Gabriele M. Roschini, OSM, Maria Santissima nella storia della salvezza, vol. II, seção sobre a maternidade espiritual e os privilégios marianos, pp. 331-332; Catecismo da Igreja Católica, 966-972; Concílio Vaticano II, Lumen gentium, 59, 60-62 e 68.

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