A vida e o testemunho do Servo de Maria que dedicou cerca de sessenta anos à missão na Amazônia
Frei Paulino M. Baldassarri, OSM, nasceu em Loiano, na região de Bolonha, Itália, em 2 de abril de 1926, e faleceu em Rio Branco, Acre, em 8 de abril de 2016, poucos dias depois de completar noventa anos.
Servo de Maria e missionário, viveu cerca de sessenta anos no Brasil, sobretudo no Acre, fazendo de Sena Madureira e dos rios da Amazônia o lugar de sua entrega a Deus e ao povo.
Sua memória permaneceu profundamente gravada no coração daqueles que o conheceram. O povo chegou a chamá-lo de “santo vivo”.
O prego e a medalha
Pouco depois da morte de Frei Paulino, Frei Franco M. Azzalli, OSM, começou a recolher as recordações daqueles que haviam convivido com ele.
Desse trabalho nasceu o livro O prego e a medalha – Frei Paulino M. Baldassarri dos Servos de Maria (1926–2016), tradução portuguesa, realizada por Frei José M. Milanez, OSM, do original italiano Il chiodo e la medaglia.
Frei Franco explica que, aproximadamente um ano depois da morte do missionário, encontrou-se com cerca de cinquenta pessoas que lhe transmitiram recordações ainda muito vivas de Frei Paulino: sua preocupação paternal, sua presença, seu afeto, seus conselhos e sua oração.
O autor faz uma observação importante: o livro não pretende ser uma biografia completa. É, antes, uma homenagem do próprio povo ao pastor que marcou sua vida.
Por isso, suas páginas deixam falar aqueles que conheceram Frei Paulino.
E, através desses testemunhos, vai aparecendo pouco a pouco o rosto de um religioso profundamente simples, pobre, próximo das pessoas e inteiramente dedicado à missão.
Um Servo de Maria entre os pobres
Há uma passagem particularmente significativa conservada no livro. Em uma carta de 1º de setembro de 1997, Frei Paulino pedia que rezassem por ele para que pudesse permanecer fiel à sua missão de pobreza e de proximidade com os pobres.
Essa opção não permaneceu somente nas palavras.
Sua vida missionária desenvolveu-se entre cidades, estradas, florestas e rios. Frei Paulino percorria grandes distâncias para visitar comunidades isoladas, celebrar os sacramentos, ensinar a fé, atender os enfermos e socorrer quem necessitava.
O missionário não chegava simplesmente para realizar uma celebração e partir. Procurava viver no meio do povo.
Comia o que as famílias comiam, escutava seus problemas, cuidava dos enfermos, distribuía medicamentos, ensinava catequese e procurava soluções concretas para as dificuldades das comunidades.
Quando percebeu que famílias do interior abandonavam suas terras pela ausência de serviços essenciais, empenhou-se também na construção de escolas e no apoio à organização das comunidades.
Tudo isso nascia de sua maneira de compreender o Evangelho.
Uma frase registrada no livro é particularmente reveladora:
“É o amor à Nossa Senhora que nos ensina isso.”
Para Frei Paulino, portanto, a devoção mariana não afastava o religioso dos sofrimentos humanos. Ao contrário: conduzia-o para mais perto daqueles que necessitavam de cuidado.
É uma espiritualidade profundamente próxima do carisma dos Servos de Maria: estar com Maria junto às inúmeras cruzes onde os filhos e filhas de Deus continuam sofrendo.
O Bom Pastor
Frei Franco Azzalli desejou que das páginas de O prego e a medalha emergisse sobretudo uma imagem: a de Cristo, “o Bom Pastor que dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11).
Talvez esteja aí uma das melhores chaves para compreender Frei Paulino.
Sua grandeza não estava em possuir muitas coisas. Quando morreu, segundo o testemunho conservado no livro, praticamente nada possuía.
Sua riqueza eram as pessoas.
Os ribeirinhos, os pobres, os enfermos, as crianças, os indígenas, as famílias e as comunidades espalhadas ao longo dos rios haviam se tornado sua própria família.
Por isso, quando morreu, Sena Madureira viveu algo extraordinário.
Vieram pessoas a pé, de barco, de canoa e a cavalo. Vieram autoridades e gente simples. Vieram católicos e membros de outras comunidades cristãs. Vieram sobretudo aqueles que haviam encontrado naquele pequeno frade italiano um pai, um pastor e um amigo.
Uma mulher resumiu sua existência numa frase simples e comovente:
“Sua vida foi vida de verdade: ele viveu, viveu, viveu!”
É assim que começamos, no Somos Servos, esta caminhada pela memória de Frei Paulino M. Baldassarri.
Nas próximas publicações, acompanharemos esse Servo de Maria pelas estradas, florestas e rios da Amazônia e conheceremos melhor as famosas desobrigas, nas quais evangelização, catequese, promoção humana e cuidado dos enfermos se transformavam numa única missão.
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Fonte
AZZALLI, Frei Franco M., OSM. O prego e a medalha – Frei Paulino M. Baldassarri dos Servos de Maria (1926–2016). Traduzido do original italiano Il chiodo e la medaglia por Frei José M. Milanez, OSM. São José dos Campos, 2018.
Somos Servos — Memória e testemunho da Ordem dos Servos de Maria
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