A Coroa de Nossa Senhora das Dores, também chamada Coroa das Sete Dores de Maria, é uma antiga oração mariana profundamente ligada à espiritualidade da Ordem dos Servos de Maria (OSM).
Por meio dela, contemplamos sete momentos de dor na vida da Virgem Maria, sempre em relação ao mistério de Cristo. Não se trata simplesmente de recordar os sofrimentos da Mãe de Jesus, mas de percorrer com ela o caminho da fé, aprendendo sua fidelidade, sua compaixão e sua esperança.
Tradicionalmente, são contempladas as Sete Dores de Nossa Senhora:
1. A profecia de Simeão (Lc 2,34-35);
2. A fuga para o Egito (Mt 2,13-14);
3. A perda de Jesus no Templo (Lc 2,43-48);
4. O encontro de Maria com Jesus no caminho do Calvário;
5. Maria aos pés da Cruz (Jo 19,25-27);
6. Maria recebe o corpo de Jesus;
7. O sepultamento de Jesus (Jo 19,40-42).
Em cada dor, tradicionalmente, reza-se um Pai-Nosso e sete Ave-Marias, enquanto se contempla o mistério.
Uma oração profundamente servita
Para os Servos de Maria, a contemplação das dores da Virgem possui um sentido profundamente cristológico.
O centro não é a dor considerada isoladamente, mas o mistério pascal de Cristo, do qual Maria participa pela fé, pelo amor e pela compaixão.
A imagem que sintetiza essa espiritualidade encontra-se no Evangelho:
«“Junto à cruz de Jesus estava sua Mãe.”
(Jo 19,25)»
Maria permanece.
Quando tantos se afastam, ela está de pé junto à Cruz. Não pode retirar o sofrimento do Filho, mas pode permanecer com Ele, amá-lo e participar de sua entrega.
Por isso, contemplar Nossa Senhora das Dores significa aprender com ela a permanecer junto às infinitas cruzes onde Cristo continua sofrendo em seus irmãos.
A Coroa das Sete Dores torna-se, assim, uma escola de contemplação, compaixão e serviço.
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COROA DAS SETE DORES DE NOSSA SENHORA
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
Oração inicial
Ó Deus, vinde em nosso auxílio.
Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.
Santa Maria, Mãe das Dores, queremos acompanhar-vos no caminho da fé e permanecer convosco junto à Cruz de vosso Filho.
Alcançai-nos a graça de contemplar os sofrimentos de Cristo, participar de seu amor redentor e reconhecer e servir os irmãos que continuam sofrendo em nosso tempo.
Primeira Dor — A profecia de Simeão
«“E uma espada transpassará a tua alma.”
(Lc 2,35)»
Maria acolhe a palavra de Simeão e compreende que sua maternidade estará intimamente unida ao mistério da entrega de seu Filho. Ela ainda não conhece todo o caminho, mas confia plenamente em Deus.
Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Segunda Dor — A fuga para o Egito
«“José levantou-se, tomou o menino e sua mãe, durante a noite, e partiu para o Egito.”
(Mt 2,14)»
Maria experimenta com Jesus a insegurança, o exílio e a condição de quem precisa abandonar sua terra.
Em sua dor reconhecemos também tantas famílias, migrantes e refugiados obrigados a deixar sua casa.
Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Terceira Dor — Jesus perdido no Templo
«“Teu pai e eu estávamos, angustiados, à tua procura.”
(Lc 2,48)»
Durante três dias Maria procura o Filho. Sua dor torna-se escola de perseverança.
Mesmo quando Deus parece silencioso ou distante, Maria continua procurando, confiando e guardando tudo em seu coração.
Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Quarta Dor — Maria encontra Jesus no caminho do Calvário
No caminho da Cruz, o olhar da Mãe encontra o olhar do Filho.
Maria não pode retirar a Cruz dos ombros de Jesus, mas pode permanecer próxima. Sua presença silenciosa torna-se expressão de fidelidade, comunhão e compaixão.
Com ela aprendemos que amar também significa permanecer ao lado daquele que sofre.
Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Quinta Dor — Maria aos pés da Cruz
«“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe...”
(Jo 19,25)»
Aqui encontramos uma das imagens mais queridas à espiritualidade dos Servos de Maria: Maria de pé junto à Cruz.
Ela permanece quando tantos partiram. No momento supremo da entrega de Cristo, recebe do Filho uma nova maternidade:
«“Mulher, eis o teu filho.”
(Jo 19,26)»
Com Maria queremos permanecer junto às infinitas cruzes onde Cristo continua sofrendo em seus irmãos.
Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Sexta Dor — Maria recebe o corpo de Jesus
O Filho que Maria acolheu em seus braços em Belém é novamente recebido por ela depois de ter entregado a própria vida.
A Mãe contempla silenciosamente o corpo daquele que amou até o fim.
Ó Virgem das Dores, ensinai-nos a não fugir diante do sofrimento, mas a aproximar-nos daqueles que necessitam de presença, cuidado e consolação.
Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
Sétima Dor — Jesus é colocado no sepulcro
«“Tomaram o corpo de Jesus e o envolveram em faixas de linho com os aromas.”
(Jo 19,40)»
A pedra fecha o sepulcro, mas não encerra a esperança.
Maria atravessa o silêncio conservando no coração a promessa de Deus.
A Mãe das Dores nos ensina a esperar quando tudo parece terminado; a acreditar quando ainda não vemos; a permanecer quando a única coisa que nos sustenta é a fidelidade de Deus.
Pai-Nosso e sete Ave-Marias.
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Oração final
Ó Maria,
Mãe e Serva do Senhor,
que permanecestes fiel junto à Cruz de vosso Filho,
acolhei-nos junto de vós.
Ensinai-nos a contemplar o Crucificado,
a permanecer firmes na fé durante as provações
e a reconhecer Cristo nos irmãos que sofrem.
Fazei-nos servidores da vida,
portadores de consolação,
construtores da paz
e testemunhas da esperança.
Que, contemplando vossas dores,
não permaneçamos indiferentes
às dores da humanidade,
mas aprendamos convosco
a permanecer junto às infinitas cruzes
onde o Filho do Homem continua crucificado.
Santa Maria, Mãe das Dores, rogai por nós.
Amém.
Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Amém.
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