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15/09/2026

Frei Egídio M. Moscini, OSM — Do Rio de Janeiro às terras de Santa Catarina

Frei Egídio M. Moscini, OSM — Do Rio de Janeiro às terras de Santa Catarina

Parte III — Do serviço escondido na cidade grande à missão entre o povo catarinense

Em 1933, Frei Egídio M. Moscini encerrou uma etapa importante de sua vida.

Depois de aproximadamente doze anos na missão dos Servos de Maria no Acre, deixou a Amazônia.

Rio Branco, Sena Madureira e Xapuri ficavam para trás.

Uma nova obediência o conduzia para muito longe dali:

Rio de Janeiro.

Na então capital do Brasil

O Rio de Janeiro era naquele tempo a capital do país.

Para Frei Egídio, significava uma mudança radical.

Depois dos rios, das distâncias e das dificuldades da missão amazônica, encontrava agora a realidade de uma grande cidade.

Mas sua maneira de viver a vocação permaneceu a mesma.

Na comunidade dos Servos de Maria, continuou exercendo sobretudo o humilde serviço de cozinheiro.

Ali permaneceu de 1933 a 1947.

Foram aproximadamente catorze anos.

Mais uma vez, sua missão acontecia sem grande visibilidade.

Frei Egídio preparava a alimentação dos confrades e participava da vida cotidiana da comunidade.

O antigo agricultor de Valentano e missionário do Acre continuava colocando suas mãos a serviço da fraternidade.

A santidade das coisas pequenas

A trajetória de Frei Egídio parece construída de pequenas coisas.

Cozinhar.

Preparar o pão.

Cuidar de uma sacristia.

Trabalhar a terra.

Servir aos irmãos.

Não encontramos nele a preocupação de ocupar os primeiros lugares.

Sua vida religiosa foi construída principalmente na fidelidade ao que lhe era pedido.

Essa característica acompanharia Frei Egídio até o fim.

Era irmão religioso.

E fazia do serviço cotidiano uma forma concreta de viver sua consagração.

Um novo chamado

Em 1947, depois de aproximadamente catorze anos no Rio de Janeiro, Frei Egídio recebeu outra destinação.

Tinha então 63 anos.

Poderia parecer uma idade apropriada para diminuir o ritmo de trabalho.

Com ele aconteceu o contrário.

Começaria justamente naquele momento o período catarinense de sua vida, no qual sua presença ficaria profundamente ligada à memória do povo.

Frei Egídio foi enviado para Araranguá, no extremo sul de Santa Catarina.

Araranguá — 1947–1952

Na comunidade dos Servos de Maria de Araranguá, Frei Egídio exerceu diferentes serviços.

Foi catequista.

Foi sacristão.

Foi cozinheiro.

Três atividades diferentes, unidas pela mesma disposição de servir.

Na cozinha, cuidava dos confrades.

Na sacristia, cuidava da vida litúrgica da comunidade.

Na catequese, ajudava a transmitir a fé às novas gerações.

O irmão silencioso começava, assim, a exercer uma influência que ultrapassava os limites do convento.

O jovem Moacyr Grechi

Entre os jovens que receberam sua catequese encontrava-se Moacyr Grechi, natural de Turvo.

Aquele menino seguiria posteriormente a vocação religiosa na própria Ordem dos Servos de Maria.

Seria ordenado sacerdote.

Mais tarde, tornar-se-ia bispo de Rio Branco e arcebispo de Porto Velho.

Décadas depois, Dom Moacyr M. Grechi, OSM, teria também um papel importante na preservação da memória de Frei Egídio e no incentivo para que sua fama de santidade fosse apresentada à Igreja.

Há algo muito significativo nesse encontro.

O humilde irmão religioso que ensinava catequese em Araranguá provavelmente não poderia imaginar o caminho que aquele jovem percorreria.

Frei Egídio simplesmente cumpria sua missão.

Plantava.

A semente cresceria depois.

O irmão catequista

Esse aspecto de sua vida merece atenção.

Frei Egídio não era sacerdote.

Mas isso não significava que sua participação na missão da Igreja estivesse limitada aos serviços domésticos.

Em Araranguá aparece também como catequista.

Transmitia a fé.

Ajudava jovens a conhecer o Evangelho.

Participava da formação cristã daqueles que lhe eram confiados.

Sua própria vida dava credibilidade às palavras.

O catequista era também o homem da oração.

O homem do trabalho.

O irmão disponível.

A catequese de Frei Egídio não acontecia somente através daquilo que dizia.

Acontecia através daquilo que era.

Cinco anos em Araranguá

Frei Egídio permaneceu em Araranguá de 1947 a 1952.

Foram apenas cinco anos diante dos cinquenta e cinco que viveria no Brasil.

Mas essa etapa constitui uma ponte decisiva em sua história.

Ali começa sua inserção definitiva no sul catarinense.

Ali encontramos sua atuação como catequista.

Ali sua vida se aproxima da região onde permaneceria até a morte.

E dali partiria para o lugar que se tornaria inseparável de seu nome:

Turvo.

1952 — A caminho do Seminário

Em 1952, Frei Egídio recebeu nova destinação.

Deixou Araranguá e foi enviado para o Seminário dos Servos de Maria, em Turvo.

Tinha aproximadamente 68 anos.

Começava aquilo que poderia parecer a última etapa tranquila da vida de um religioso idoso.

Mas seria justamente o contrário.

Os vinte e quatro anos seguintes fariam de Frei Egídio uma figura profundamente querida por seminaristas, confrades, agricultores e famílias da região.

No Seminário, voltaria às suas raízes.

Voltaria à terra.

À horta.

Ao pão.

Ao trabalho cotidiano.

E continuaria rezando pelas vocações.

Sua presença se tornaria tão importante para o funcionamento daquela casa que receberia uma expressão significativa:

a “espinha dorsal do Seminário”.

Era o irmão que quase nunca aparecia no centro.

Mas sustentava silenciosamente muita coisa ao redor.

Do agricultor de Valentano ao missionário do Acre.

Do cozinheiro do Rio de Janeiro ao catequista de Araranguá.

Agora começava a etapa de Turvo.

E seria ali que o serviço escondido de Frei Egídio deixaria suas marcas mais profundas.

Continua — Parte IV: Frei Egídio M. Moscini, OSM — A “espinha dorsal” do Seminário de Turvo.

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