Irmão Servo de Maria e missionário no Acre
Frei Dionísio M. Mandaio, OSM foi irmão professo solene da Ordem dos Servos de Maria e pertenceu à geração de religiosos brasileiros que participou diretamente da missão servita no Acre.
Sua vida recorda uma dimensão fundamental da vocação religiosa: o serviço oferecido não pelo ministério ordenado, mas pela consagração, pelo trabalho cotidiano e pela disponibilidade às necessidades concretas da comunidade e da missão.
Infância e vocação
Dionísio Mandaio nasceu em 29 de janeiro de 1933, em Conchal, São Paulo, filho de Pedro Mandaio e Natalina Bonon.
Ingressou na Ordem dos Servos de Maria e iniciou o noviciado em 4 de abril de 1952.
Fez sua primeira profissão religiosa em 19 de abril de 1953 e a profissão solene em 23 de março de 1957.
Como irmão religioso, colocou suas capacidades e seu trabalho a serviço da Ordem e da missão.
Missionário no Acre
Uma parte particularmente significativa de sua vida esteve ligada ao Acre.
Naquela época, as enormes distâncias e a quase inexistência de estradas faziam do transporte um dos maiores desafios para os missionários.
Frei Dionísio exerceu então um serviço bastante singular: tornou-se também piloto.
Em outubro de 1968, quando foi inaugurado o Hospital Santa Juliana, em Rio Branco, a documentação histórica recorda que, na véspera da inauguração, chegou ao Acre um avião bimotor Dornier, proveniente da Alemanha e destinado ao serviço da missão.
A aeronave chegou sob o comando de Frei Dionísio Mandaio.
O avião tinha uma finalidade eminentemente missionária: diminuir o isolamento dos centros pastorais e permitir o transporte mais rápido e seguro de pessoas, inclusive de enfermos em situações graves.
Dessa maneira, a habilidade de Frei Dionísio como piloto tornou-se também instrumento concreto de evangelização e de serviço à população amazônica.
Artesanato Frei Romeu
Outra atividade importante aparece documentada em 1974.
No dia 21 de junho, durante a reunião da Igreja do Acre e Purus realizada em Xapuri para discutir a grave questão fundiária da região, Frei Dionísio esteve entre os religiosos que participaram e assinaram o documento final.
Naquela ocasião ele aparece identificado como:
“Frei Dionísio Mandaio — Diretor do Artesanato Frei Romeu.”
Sua presença entre os signatários mostra sua participação na caminhada pastoral da Igreja acreana, mesmo não sendo sacerdote.
Ao lado do bispo, presbíteros e outros missionários, o irmão religioso participava das preocupações da Igreja diante das dificuldades vividas pelo povo.
A vocação do irmão religioso
A trajetória de Frei Dionísio recorda o valor próprio da vocação do irmão dentro da Ordem dos Servos de Maria.
Sua consagração não dependia da ordenação sacerdotal. Pela profissão religiosa, compartilhava plenamente a mesma vida fraterna, a espiritualidade mariana e a missão dos demais Servos de Maria.
Pilotar um avião missionário, administrar uma obra, trabalhar nas necessidades concretas das comunidades e colocar suas habilidades à disposição dos outros foram maneiras muito concretas de viver o serviço que caracteriza o nome da própria Ordem.
Os últimos anos
Depois de uma longa caminhada religiosa, Frei Dionísio passou seus últimos anos ligado à comunidade dos Servos de Maria em Curitiba, residindo no Convento Santa Maria dos Servos.
Ali permaneceu acompanhado pelos confrades.
Frei Dionísio M. Mandaio faleceu em Curitiba, no dia 4 de novembro de 2020, aos 87 anos de idade.
Chegava ao fim uma vida de aproximadamente 67 anos de profissão religiosa, dedicada à Ordem e à Igreja.
Memória
Frei Dionísio pertence à história dos Servos de Maria no Brasil não por grandes títulos ou cargos, mas pelo testemunho de uma vida religiosa concretamente colocada a serviço.
Sua passagem pela missão acreana oferece uma imagem particularmente expressiva: um irmão Servo de Maria pilotando uma aeronave sobre a imensidão amazônica para diminuir distâncias, aproximar comunidades e ajudar no transporte dos enfermos.
É também uma lembrança da diversidade de dons que constrói uma comunidade religiosa.
Presbíteros e irmãos, cada qual segundo sua vocação e seus talentos, participaram juntos da construção da presença dos Servos de Maria no Brasil.
Frei Dionísio M. Mandaio, OSM
29 de janeiro de 1933 – 4 de novembro de 2020
Somos Servos — Memória histórica da Ordem dos Servos de Maria
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