14/09/2026

Capítulo Geral 2019 Parte II

CCXIV Capítulo Geral dos Servos de Maria — 2019

Parte II — Uma Ordem chamada a semear esperança

Ariccia — 7 a 27 de outubro de 2019

O CCXIV Capítulo Geral da Ordem dos Servos de Maria, reunido em Ariccia, aproximava-se de sua conclusão depois de três semanas de oração, reflexão, diálogo e discernimento.

O tema escolhido para o encontro — “Servos da esperança em um mundo que muda” — não permaneceu apenas como título.

Ao longo dos trabalhos, tornou-se uma pergunta dirigida à própria Ordem: diante das rápidas transformações da sociedade e da Igreja, que testemunho os Servos de Maria são chamados a oferecer?

As necessidades do mundo e da Igreja

Os capitulares refletiram sobre as necessidades do mundo e da Igreja, procurando discernir os caminhos que a Ordem deveria percorrer e os instrumentos necessários para realizar seu serviço.

Não havia a pretensão de oferecer respostas completas para todos os problemas.

O Capítulo reconhecia, porém, que a realidade contemporânea exigia dos Servos de Maria capacidade de escuta, abertura e discernimento.

Era necessário reconhecer os sinais do tempo e perguntar como o carisma recebido dos Sete Santos Fundadores poderia continuar sendo vivido de maneira significativa.

Pluriculturalidade e multiculturalidade

Entre os elementos ressaltados ao final do Capítulo estava a realidade pluricultural e multicultural da Ordem.

Essa diversidade foi reconhecida simultaneamente como uma força e como um desafio.

A presença de frades provenientes de diferentes povos, línguas e culturas oferece à Ordem uma riqueza extraordinária.

Ao mesmo tempo, exige uma pastoral e uma vida fraterna capazes de favorecer a inclusão e a integração.

A internacionalidade não deveria limitar-se à convivência de pessoas de diferentes nacionalidades dentro da mesma instituição.

Era necessário transformar a diversidade em verdadeira comunhão.

Contra os novos fechamentos

O mundo contemporâneo assistia também ao crescimento de nacionalismos e de diferentes formas de fechamento.

Diante disso, a história dos Fundadores oferecia aos Servos de Maria outra direção.

Os primeiros Padres da Ordem foram recordados como homens de comunhão, fraternidade e paz.

Essa memória não deveria permanecer apenas como um dado histórico.

Ela se transformava em missão.

Os Servos de Maria eram chamados a criar relações e redes capazes de promover uma humanidade mais fraterna, reconciliada e evangélica.

Comunhão, fraternidade e paz

Essas três palavras ajudam a compreender uma das preocupações fundamentais do Capítulo:

comunhão, fraternidade e paz.

O Servo de Maria não pode testemunhar esperança sozinho.

A esperança precisa tornar-se experiência comunitária.

Ela se manifesta quando irmãos diferentes conseguem viver juntos.

Quando conflitos são enfrentados pelo diálogo.

Quando as diferenças não se tornam motivo de separação.

Quando uma comunidade religiosa consegue mostrar que é possível colocar o bem comum acima dos interesses individuais.

Nesse sentido, a própria fraternidade servita torna-se anúncio do Evangelho.

Superar o medo

O Capítulo produziu textos destinados a ajudar a Ordem a superar a paralisia e os medos.

Não se tratava de negar as dificuldades.

A esperança cristã não nasce da ingenuidade.

Ela permite reconhecer os problemas sem ser dominado por eles.

Por isso, os Servos de Maria eram chamados a enfrentar o futuro com coragem evangélica, criatividade e paciência.

Há momentos em que conservar fielmente o carisma exige justamente a coragem de mudar.

Uma pequena semente

Uma imagem simples ajuda a compreender a perspectiva do Capítulo: a pequena semente.

A Ordem não precisa medir sua fidelidade somente pelo tamanho de suas estruturas ou pelo número de suas obras.

Mesmo uma presença pequena pode tornar-se anúncio.

Uma comunidade pequena pode testemunhar fraternidade.

Um serviço aparentemente simples pode devolver esperança.

Uma palavra pode reconciliar.

Uma presença junto a quem sofre pode revelar a misericórdia de Deus.

Os Servos são chamados a tornar-se essa pequena semente de anúncio, testemunho e construção de humanidade.

A casa comum

O discernimento capitular incluiu também a responsabilidade pela casa comum.

A esperança cristã não se limita às relações internas da comunidade religiosa.

Ela se abre para toda a criação.

O cuidado da casa comum, portanto, entra no horizonte da missão.

Servir à vida humana e cuidar da criação não são realidades separadas.

A espiritualidade do serviço conduz também à responsabilidade pela terra recebida de Deus e compartilhada por toda a humanidade.

A Família Servita

Ao apresentar a realidade da Ordem no encerramento do Capítulo, frei Gottfried M. Wolff chamou a atenção para algo ainda maior do que a própria comunidade dos frades:

a Família Servita.

Ela compreende os frades da Ordem, as monjas de clausura, congregações femininas que vivem o carisma servita, Institutos Seculares, a Ordem Secular e outros grupos de leigos que compartilham a espiritualidade dos Servos de Maria.

Essa realidade permite compreender o carisma numa perspectiva mais ampla.

A missão servita não pertence exclusivamente aos frades.

Homens e mulheres, religiosos e leigos, encontram-se unidos pela mesma inspiração e procuram servir ao Povo de Deus.

Anunciar o Evangelho da misericórdia

A Família Servita encontra sua razão de ser no serviço.

As diferentes expressões da Família são chamadas a trabalhar juntas, cada qual segundo sua vocação própria, para servir ao Povo de Deus e anunciar o Evangelho da misericórdia.

Essa colaboração torna-se especialmente importante em um tempo no qual nenhuma comunidade ou instituição pode pensar que conseguirá responder sozinha a todas as necessidades.

A comunhão não é apenas um ideal espiritual.

Ela é também um modo concreto de realizar a missão.

Um novo Documento Mariano

O CCXIV Capítulo Geral produziu também um breve documento mariano dirigido à Ordem.

O texto nasceu da reflexão capitular e propôs um compromisso de vida inspirado nos pequenos sinais que marcaram o caminho de fé de Maria.

Mais uma vez, portanto, um Capítulo Geral dos Servos de Maria encontrava na Mãe do Senhor uma chave para interpretar o presente e caminhar para o futuro.

Maria ensina que a esperança pode manifestar-se em pequenos gestos.

Maria e os pequenos sinais

A vida de Maria não foi construída por demonstrações de poder.

Sua existência foi marcada pela escuta, disponibilidade, presença, serviço e fidelidade.

São sinais pequenos aos olhos do mundo.

Mas justamente nesses sinais torna-se visível a ação de Deus.

Para os Servos de Maria, isso significa reconhecer que a esperança também pode nascer das pequenas fidelidades cotidianas.

Na oração feita com perseverança.

Na atenção a um irmão.

Na acolhida de quem chega.

Na proximidade aos pobres.

Na reconciliação.

Na capacidade de permanecer junto a quem sofre.

Esperança para viver e oferecer

Os pequenos sinais presentes no caminho de fé de Maria foram apresentados como indicações de uma esperança possível de ser vivida e oferecida.

Essas duas dimensões são inseparáveis.

Antes de anunciar esperança, o Servo precisa vivê-la.

Mas a esperança recebida não pode ser guardada apenas para si.

Ela precisa tornar-se dom.

É precisamente aí que a esperança encontra o serviço.

O Capítulo chega ao fim

Ao aproximar-se do encerramento do CCXIV Capítulo Geral, os frades levavam consigo documentos, reflexões e decisões.

Mas o desafio maior começaria depois.

Seria necessário voltar às comunidades.

Partilhar aquilo que havia sido vivido.

Estudar os textos capitulares.

Transformar decisões em escolhas concretas.

E, sobretudo, responder à pergunta que havia acompanhado todo o encontro:

Como podemos ser Servos da esperança neste mundo que muda?

A resposta não estava numa fórmula única.

Encontrava-se numa forma de viver.

Homens de comunhão.

Homens de fraternidade.

Homens de paz.

Servos atentos aos pequenos sinais.

Servos capazes de cuidar da casa comum.

Servos dispostos a trabalhar com toda a Família Servita.

Servos que, seguindo Maria, continuam acreditando que Deus age também através das pequenas sementes.

Assim, o CCXIV Capítulo Geral encaminhava-se para sua conclusão reafirmando sua grande proposta:

«“Servos da esperança em um mundo que muda.”»

---

Fonte

ORDEM DOS SERVOS DE MARIA. CCXIV Capitulum Generale 2019. Ariccia, 7–27 de outubro de 2019.

Documentação e comunicações oficiais do CCXIV Capítulo Geral.

WOLFF, Gottfried M., OSM. Intervenção apresentada por ocasião da conclusão do CCXIV Capítulo Geral, outubro de 2019.

Continua — Parte III: o encerramento do CCXIV Capítulo Geral e o encontro dos Servos de Maria com o Papa Francisco.

Marcadores: Servos de Maria · OSM · CCXIV Capítulo Geral · Capítulo Geral 2019 · Ariccia · Servos da Esperança · Gottfried Wolff · Família Servita · Nossa Senhora · Fraternidade · Casa Comum · História OSM

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