Parte I — Servos da esperança em um mundo que muda
Ariccia — 7 a 27 de outubro de 2019
Seis anos depois do Capítulo Geral de Pietralba, os Servos de Maria reuniram-se novamente para celebrar um dos momentos mais importantes da vida da Ordem.
De 7 a 27 de outubro de 2019, realizou-se em Ariccia, Itália, o CCXIV Capítulo Geral da Ordem dos Frades Servos de Maria.
O tema escolhido para acompanhar os trabalhos capitulares foi:
«“Servos da esperança em um mundo que muda.”»
A expressão indicava imediatamente o horizonte dentro do qual os frades desejavam realizar seu discernimento.
O mundo estava mudando rapidamente.
Também a Igreja e a vida religiosa atravessavam profundas transformações.
Diante dessa realidade, os Servos de Maria eram chamados não a se fechar no medo ou na nostalgia, mas a redescobrir sua vocação como servidores e testemunhas da esperança.
De Pietralba a Ariccia
O CCXIV Capítulo Geral colocava-se em continuidade com o caminho iniciado em Pietralba em 2013.
Naquele Capítulo, a Ordem havia contemplado particularmente Maria na Anunciação, inspirando-se em sua resposta:
“Aconteça comigo segundo a tua Palavra” (Lc 1,38).
Durante os seis anos seguintes, o governo geral presidido por frei Gottfried M. Wolff, OSM, procurou acompanhar a Ordem na recepção das decisões capitulares.
Agora, em 2019, chegava novamente o momento de reunir representantes das diferentes jurisdições, avaliar o caminho percorrido e discernir os passos seguintes.
Um mundo que muda
O próprio título do Capítulo reconhecia que os Servos de Maria já não podiam pensar sua missão sem considerar as grandes transformações do mundo contemporâneo.
Mudanças sociais e culturais, novas formas de comunicação, transformações nas relações humanas, migrações, conflitos, desigualdades, mudanças na experiência religiosa e novos desafios para a vida consagrada atingiam também as comunidades servitas.
A pergunta não era simplesmente como preservar aquilo que a Ordem possuía.
Era necessário perguntar:
Como ser Servos de Maria neste mundo que está mudando?
Servos
A primeira palavra do tema capitular recordava a própria identidade da Ordem:
Servos.
O nome não é secundário.
Desde suas origens, os frades reconhecem no serviço uma dimensão essencial de sua vocação.
Jesus Cristo, que veio para servir, é o primeiro modelo.
Maria, que se apresenta como a Serva do Senhor, ocupa lugar singular na espiritualidade da Ordem.
Por isso, diante das transformações do mundo, o Capítulo não procurava simplesmente estratégias de sobrevivência institucional.
A questão era muito mais profunda:
Como continuar servindo?
Servos da esperança
Mas o Capítulo acrescentava uma característica decisiva:
Servos da esperança.
A esperança cristã não significa ignorar os problemas.
Ela nasce justamente da confiança em Deus no interior das dificuldades.
Uma Ordem religiosa pode atravessar diminuição numérica, envelhecimento, fechamento de comunidades, necessidade de reorganizar jurisdições e obras ou dificuldades vocacionais.
Nada disso, porém, elimina a possibilidade de continuar testemunhando o Evangelho.
A esperança permite olhar para a realidade sem fugir dela.
Maria, Serva da esperança
Para os Servos de Maria, falar de esperança conduz inevitavelmente à Mãe do Senhor.
Maria conhece a espera.
Conhece a confiança.
Conhece a peregrinação da fé.
Do anúncio recebido em Nazaré até sua presença junto à cruz, ela permanece aberta ao projeto de Deus.
Por isso, Maria pode ser contemplada como Serva da esperança.
Sua esperança não consiste em conhecer antecipadamente todos os acontecimentos.
Consiste em confiar.
Essa atitude tornava-se particularmente significativa para uma Ordem chamada a caminhar em circunstâncias históricas novas.
Uma esperança que não imobiliza
A verdadeira esperança cristã não é passividade.
Quem espera em Deus coloca-se a caminho.
A esperança torna possível continuar servindo mesmo quando os resultados não são imediatamente visíveis.
Torna possível iniciar novos caminhos.
Torna possível deixar estruturas que já cumpriram sua missão.
Torna possível acolher novas culturas, novas gerações e novas formas de presença.
Por isso, falar de esperança durante um Capítulo Geral significava também falar de discernimento e coragem.
A fraternidade diante das mudanças
As mudanças do mundo atingem igualmente a maneira de viver juntos.
Para uma Ordem que considera a vida fraterna elemento fundamental de sua identidade, esse aspecto não poderia ser ignorado.
As comunidades servitas tornaram-se cada vez mais internacionais e interculturais.
Frades provenientes de diferentes países, línguas, gerações e experiências são chamados a compartilhar a mesma vida.
Essa diversidade pode ser uma riqueza.
Mas exige diálogo.
Exige escuta.
Exige capacidade de superar preconceitos.
Exige aprender a reconhecer no outro um irmão.
Assim, a esperança começa também dentro da própria comunidade.
Discernir o futuro
Um Capítulo Geral é sempre um momento privilegiado de discernimento.
Os capitulares não se reúnem apenas para eleger superiores ou aprovar normas.
Eles procuram escutar aquilo que o Espírito diz à Ordem através da realidade concreta.
Por isso, é necessário olhar simultaneamente em três direções:
para o passado, agradecendo a herança recebida;
para o presente, reconhecendo com lucidez a realidade;
para o futuro, procurando compreender os caminhos que Deus abre.
O CCXIV Capítulo Geral de Ariccia assumiu esse desafio sob o signo da esperança.
Uma Ordem internacional
Reunidos em Ariccia, os capitulares representavam uma Ordem presente em diferentes partes do mundo.
Essa dimensão internacional permitia que experiências muito diversas fossem colocadas em diálogo.
Os desafios de uma comunidade europeia não são necessariamente os mesmos encontrados na África, Ásia ou América.
Entretanto, todos pertencem à mesma família religiosa.
O Capítulo torna visível essa comunhão.
Nenhuma jurisdição existe isoladamente.
A vida de uma parte da Ordem interessa às demais.
O Capítulo como experiência de comunhão
Durante três semanas, os frades foram chamados a rezar, celebrar, ouvir relatórios, trabalhar em comissões, dialogar e tomar decisões.
Mas, antes de tudo, o Capítulo deveria ser uma experiência de fraternidade.
A qualidade das decisões depende também da qualidade da escuta.
Por isso, o verdadeiro discernimento capitular exige disponibilidade para acolher perspectivas diferentes.
É nesse encontro entre irmãos que se procura reconhecer aquilo que pode servir melhor ao bem de toda a Ordem.
O desafio lançado por Ariccia
O título do Capítulo permanece como uma pergunta dirigida a todos os Servos de Maria:
É possível ser sinal de esperança em um mundo que muda?
A resposta cristã é afirmativa.
Mas essa esperança precisa tornar-se visível.
Visível na fraternidade.
Visível na acolhida.
Visível na atenção aos pobres.
Visível na proximidade aos que sofrem.
Visível na defesa da dignidade humana.
Visível na capacidade de dialogar.
Visível na fidelidade ao Evangelho.
E visível na coragem de mudar quando a fidelidade ao carisma exige novos caminhos.
Assim começava o CCXIV Capítulo Geral de 2019.
Os Servos de Maria reuniam-se em Ariccia não para fugir de um mundo em transformação, mas para perguntar como poderiam permanecer dentro dele como aquilo que seu próprio nome os chama a ser:
«SERVOS DA ESPERANÇA EM UM MUNDO QUE MUDA.»
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Fonte
ORDEM DOS SERVOS DE MARIA. CCXIV Capitulum Generale 2019. Ariccia, 7–27 de outubro de 2019.
Tema oficial: “Servos da esperança em um mundo que muda”.
Documentação oficial da Ordem dos Frades Servos de Maria.
Continua — Parte II: os trabalhos do CCXIV Capítulo Geral, as eleições e o governo da Ordem para o novo sexênio.
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