Para exame pessoal e comunitário
A comunidade religiosa nunca está definitivamente pronta. Ela nasce todos os dias da fidelidade ao Evangelho, da conversão de cada irmão e da disponibilidade de todos para construir juntos.
Por isso, a renovação da comunidade não consiste simplesmente em mudar horários, estruturas ou métodos. A verdadeira novidade nasce quando permitimos que o Espírito renove nossas relações, nossas escolhas, nossa oração e nossa missão.
Uma comunidade servita fiel às suas origens deve ser capaz de conservar o essencial e, ao mesmo tempo, discernir aquilo que precisa mudar.
Examinemos nossa vida.
1. Comunidade ou simples residência?
- Nossa casa é verdadeiramente uma comunidade religiosa?
- O que fazemos juntos além de morar no mesmo lugar?
- Conhecemos a vida, as preocupações e os projetos uns dos outros?
- Existem irmãos que vivem praticamente isolados?
- Temos momentos suficientes de oração, refeição, diálogo e convivência?
- O individualismo está crescendo entre nós?
2. O essencial de nossa vida
- Conseguimos distinguir aquilo que é essencial daquilo que é apenas costume?
- O Evangelho orienta realmente nossas escolhas?
- As Constituições são conhecidas e utilizadas no discernimento comunitário?
- Nossa programação favorece oração, fraternidade, formação e missão?
- Alguma atividade secundária está ocupando o espaço daquilo que pertence ao centro de nossa vocação?
- O que não podemos perder sem deixar de ser uma verdadeira comunidade servita?
3. Capacidade de mudar
- Como reagimos quando alguém propõe uma mudança?
- Nossa primeira reação costuma ser discernir ou defender aquilo que sempre fizemos?
- Há costumes que já não cumprem sua finalidade?
- Temos coragem de abandonar estruturas que perderam sentido?
- Sabemos experimentar caminhos novos?
- Quando uma iniciativa não funciona, conseguimos avaliá-la sem procurar culpados?
4. Discernimento comunitário
Novidade evangélica não significa simplesmente fazer coisas diferentes.
- Rezamos antes das decisões importantes?
- Buscamos juntos compreender os sinais dos tempos?
- Escutamos todos os irmãos?
- Os mais jovens possuem verdadeira possibilidade de contribuir?
- A experiência dos mais idosos é valorizada?
- Conseguimos chegar a decisões comuns depois de posições diferentes?
- Uma vez tomada uma decisão, todos colaboram para realizá-la?
5. O Capítulo conventual
- O Capítulo acontece regularmente?
- É preparado com seriedade?
- As questões importantes da comunidade chegam ao Capítulo?
- Falamos apenas de administração e agenda ou também de nossa vida religiosa?
- Há espaço para avaliação?
- Retomamos decisões anteriores?
- As atas ajudam a conservar a memória do discernimento realizado?
- O Capítulo é experimentado como obrigação ou como instrumento de comunhão?
6. Organização a serviço da fraternidade
Horários e estruturas devem servir à vida.
- Nosso horário comunitário corresponde à realidade atual?
- Favorece a presença dos irmãos nos atos comuns?
- As responsabilidades estão claramente distribuídas?
- Há irmãos sobrecarregados?
- Há outros pouco envolvidos?
- Quando alguém está ausente, sabemos reorganizar os serviços?
- Nossa organização facilita a fraternidade ou produz constantes conflitos?
7. Comunicação
- Todos recebem as informações necessárias?
- As decisões são comunicadas claramente?
- Há assuntos conhecidos por alguns e desconhecidos pelos demais?
- Utilizamos adequadamente os meios digitais sem substituir o diálogo pessoal?
- Sabemos conversar sobre problemas antes que se tornem crises?
- Há liberdade para manifestar preocupações?
8. Uma comunidade intergeracional e intercultural
As comunidades servitas podem reunir irmãos de diferentes idades, culturas e histórias.
- Consideramos a diversidade uma riqueza?
- Existem preconceitos ou generalizações?
- Os mais velhos encontram espaço e cuidado?
- Os mais jovens encontram espaço e confiança?
- Sabemos aprender com culturas diferentes?
- Exigimos que todos vivam e pensem exatamente da mesma maneira?
- Criamos oportunidades para conhecer melhor a história uns dos outros?
9. Acolher os jovens em formação
- Que imagem da vida religiosa oferecemos aos jovens que vivem conosco?
- Eles encontram uma comunidade que reza?
- Encontram irmãos que dialogam?
- Participam adequadamente da vida comum?
- Nossa maneira de resolver conflitos é formativa?
- Os frades sentem-se corresponsáveis pela formação ou deixam tudo ao formador?
- Nossa vida confirma aquilo que ensinamos?
10. Cuidar dos idosos e enfermos
A novidade evangélica também se manifesta na maneira como tratamos aqueles que já não podem produzir.
- Nossos irmãos idosos continuam integrados à comunidade?
- Facilitamos sua participação na oração e nas refeições?
- Escutamos suas necessidades?
- Reconhecemos sua história e contribuição?
- Temos paciência diante das limitações trazidas pela idade?
- O cuidado dos enfermos é responsabilidade de todos ou apenas de alguns?
11. A casa comum
- Cuidamos dos ambientes que utilizamos?
- Nossa casa é limpa, organizada e acolhedora?
- Temos responsabilidade ecológica no uso de água, energia e alimentos?
- Evitamos desperdícios?
- Os espaços comuns favorecem a convivência?
- Cuidamos dos bens como patrimônio comum e não como propriedade de ninguém?
12. Uma comunidade aberta
- Nossa casa acolhe?
- Quem chega encontra hospitalidade?
- Temos disponibilidade para escutar as pessoas?
- A comunidade conhece a realidade do bairro e da paróquia onde vive?
- Existem sofrimentos próximos dos quais permanecemos distantes?
- Nossa clausura necessária protege a vida religiosa sem transformar-se em isolamento?
13. Comunidade e missão
- Nossos trabalhos apostólicos nascem de um discernimento comunitário?
- Ou cada irmão possui sua missão particular sem relação com os demais?
- Partilhamos aquilo que vivemos na pastoral?
- Rezamos pelas pessoas que servimos?
- Avaliamos nossas atividades?
- Temos coragem de encerrar uma atividade quando ela já não corresponde às necessidades atuais?
- Conseguimos perceber novos apelos missionários?
14. Comunidade e vocação
Uma comunidade é também anúncio vocacional.
- Um jovem que permanecesse conosco alguns dias desejaria conhecer melhor nossa forma de vida?
- Ele encontraria alegria?
- Encontraria fraternidade?
- Encontraria oração?
- Encontraria homens disponíveis para servir?
- Conseguiria perceber por que escolhemos viver assim?
- Nossa vida cotidiana confirma o convite vocacional que fazemos?
15. A novidade que começa em mim
É fácil desejar que a comunidade mude. Mais difícil é reconhecer a mudança que depende de nós.
Perguntemo-nos pessoalmente:
- O que espero que os outros mudem?
- E o que preciso mudar em mim?
- Que comportamento meu dificulta a vida comunitária?
- Que dom meu ainda não estou colocando suficientemente a serviço dos irmãos?
- Que iniciativa poderia tomar sem esperar que alguém me peça?
- Estou disposto a começar?
Para o diálogo comunitário
Depois de um momento de silêncio, a comunidade pode responder conjuntamente:
O que devemos conservar?
Aquilo que expressa o essencial de nossa identidade e continua produzindo vida.
O que devemos renovar?
Aquilo que é importante, mas necessita de nova forma.
O que devemos abandonar?
Aquilo que perdeu sua finalidade ou impede nossa caminhada.
O que devemos começar?
Aquilo que o Espírito parece estar pedindo hoje.
Um pequeno projeto de renovação
Em vez de elaborar muitas propostas, a comunidade pode escolher uma única área:
- oração;
- fraternidade;
- comunicação;
- formação;
- administração;
- acolhida;
- cuidado dos idosos;
- pastoral;
- animação vocacional;
- relação com a Família Servita.
Depois definir:
O que queremos melhorar?
Que ação concreta realizaremos?
Quem acompanhará sua realização?
Quando faremos a avaliação?
Assim, o exame transforma-se em caminho.
Compromisso
Cada irmão escolha uma mudança pessoal concreta que possa favorecer a comunidade.
A comunidade assuma uma novidade possível e verificável, evitando projetos excessivamente amplos.
A renovação começa frequentemente com pequenos gestos realizados com fidelidade.
Oração final
Espírito Santo,
fonte permanente de novidade,
visitai nossa comunidade.
Renovai aquilo que envelheceu,
fortalecei aquilo que é bom
e dai-nos coragem
para abandonar aquilo que já não produz vida.
Livrai-nos do individualismo,
do medo de mudar
e da acomodação.
Ensinai-nos a discernir juntos
e a procurar não nossas preferências,
mas a vontade de Deus.
Santa Maria, nossa Senhora,
mulher aberta à novidade do Espírito,
ensinai-nos a dizer novamente:
Faça-se em nós segundo a Palavra do Senhor.
Que nossas comunidades sejam
fraternidades vivas,
casas de oração,
lugares de acolhida
e sinais de esperança para nosso tempo.
Senhor, fazei novas todas as coisas
e começai por nós. Amém.
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