Para exame pessoal e comunitário
Para o Servo de Maria, a fraternidade não é apenas uma condição prática para realizar a missão. Ela pertence à própria forma de nossa vocação.
Não fomos chamados simplesmente para morar sob o mesmo teto, mas para viver como irmãos, buscando juntos o Senhor, partilhando seus dons, carregando as fragilidades uns dos outros e colocando a comunhão a serviço da Igreja e do mundo.
Por isso, a qualidade de nossa fraternidade é também medida da autenticidade de nossa vida religiosa.
À luz do Evangelho e de nossa vocação servita, façamos nosso exame.
1. Irmãos antes de tudo
- Vejo realmente os membros de minha comunidade como irmãos?
- Ou nossa relação tornou-se principalmente funcional?
- Conheço aquilo que cada irmão está vivendo?
- Interesso-me por suas alegrias e dificuldades?
- Sei dedicar tempo gratuito à convivência?
- Minha presença torna a comunidade mais fraterna?
2. Acolher o irmão como ele é
Nenhuma comunidade é formada por pessoas escolhidas segundo nossas preferências.
- Aceito sinceramente as diferenças de personalidade?
- Respeito ritmos, idades, culturas e sensibilidades diferentes?
- Tenho tendência a comparar os irmãos?
- Existem rótulos que coloquei sobre alguém e dos quais preciso libertar-me?
- Consigo reconhecer as qualidades de um irmão com quem tenho dificuldade?
- Permito que os outros sejam diferentes de mim?
3. Comunicação
- Falo com o irmão ou principalmente sobre ele?
- Tenho coragem de conversar diretamente quando surge uma dificuldade?
- Sei expressar aquilo que sinto sem agressividade?
- Sei escutar sem interromper?
- Existem assuntos importantes que nossa comunidade evita sistematicamente?
- Nossas reuniões favorecem diálogo verdadeiro?
- A informação circula adequadamente entre nós?
4. Perdão
Não existe fraternidade duradoura sem misericórdia.
- Guardo ressentimentos?
- Continuo recordando erros antigos dos irmãos?
- Sei pedir perdão?
- Quando peço perdão, reconheço concretamente aquilo que fiz?
- Sei acolher sinceramente o pedido de perdão do outro?
- Existem reconciliações que precisam acontecer em nossa comunidade?
- Celebramos a misericórdia que anunciamos aos outros?
5. Correção fraterna
Corrigir um irmão é diferente de julgá-lo.
- Quando percebo algo que precisa ser corrigido, procuro primeiro o próprio irmão?
- Minha correção nasce do amor ou da irritação?
- Escolho momento e maneira adequados?
- Tenho coragem de falar quando seria mais fácil permanecer calado?
- Sei receber uma correção sem imediatamente me defender?
- Nossa comunidade possui maturidade suficiente para praticar a correção fraterna?
6. A mesa comum
A mesa revela muito da qualidade de uma fraternidade.
- Valorizo as refeições comunitárias?
- Participo delas com regularidade?
- O ambiente da mesa favorece encontro e alegria?
- Há espaço para todos falarem?
- As refeições são excessivamente ocupadas por celulares, televisão ou outros meios?
- Sabemos acolher um hóspede à nossa mesa?
- Percebemos quando um irmão está sistematicamente ausente?
7. Oração e fraternidade
- Rezamos apenas lado a lado ou rezamos verdadeiramente como irmãos?
- Levamos à oração as necessidades da comunidade?
- Rezamos pelos irmãos em dificuldade?
- Nossa celebração da Eucaristia conduz à reconciliação?
- Existe coerência entre aquilo que celebramos no altar e nossas relações cotidianas?
- A oração comum fortalece nossa unidade?
8. Corresponsabilidade
Uma fraternidade não pode depender sempre de um único irmão.
- Assumo minha parte na vida comum?
- Participo dos trabalhos domésticos e das responsabilidades comunitárias?
- Espero que outros resolvam aquilo que também me compete?
- Cuido dos ambientes e dos bens comuns?
- Ofereço espontaneamente minha colaboração?
- Nossa distribuição de tarefas é equilibrada?
- Sabemos reconhecer quando algum irmão está sobrecarregado?
9. O Capítulo conventual
- Valorizamos o Capítulo como espaço de discernimento e comunhão?
- Ele acontece com regularidade?
- Participamos com preparação?
- Temos liberdade para falar?
- Sabemos escutar posições diferentes?
- As decisões tomadas são posteriormente cumpridas?
- Avaliamos aquilo que decidimos?
- Nosso Capítulo trata apenas de problemas administrativos ou também de nossa vida religiosa?
10. Os irmãos mais frágeis
A fraternidade manifesta sua verdade na maneira como cuida de seus membros mais vulneráveis.
- Como acompanhamos os irmãos idosos?
- Estamos atentos aos enfermos?
- Temos paciência com quem possui limitações?
- Um irmão fragilizado continua participando da vida comunitária na medida de suas possibilidades?
- Sabemos adaptar nossos ritmos quando necessário?
- Cada irmão pode sentir que continuará pertencendo à comunidade mesmo quando já não puder oferecer o mesmo serviço de antes?
11. Alegria fraterna
- Há alegria em nossa casa?
- Conseguimos rir juntos?
- Celebramos aniversários, jubileus e acontecimentos importantes?
- Sabemos agradecer?
- Reconhecemos o bem realizado pelos irmãos?
- Nossa convivência oferece descanso ou produz constantemente tensão?
- Quem visita nossa comunidade percebe que gostamos de viver juntos?
12. Fraternidade aberta
A fraternidade servita não existe para fechar-se em si mesma.
- Nossa casa é acolhedora?
- Recebemos bem aqueles que chegam?
- Nossa fraternidade torna-nos mais disponíveis para servir?
- Estamos próximos das outras comunidades da Ordem?
- Cultivamos comunhão com a Família Servita?
- Nossa maneira de viver juntos oferece à sociedade um testemunho de que a comunhão entre pessoas diferentes é possível?
Para o diálogo comunitário
Depois de um tempo de silêncio, cada irmão pode completar estas frases:
Agradeço à minha comunidade por...
Reconheço que preciso melhorar em...
Gostaria que nossa comunidade crescesse em...
Depois, sem transformar o momento em discussão, todos escutam aquilo que os irmãos desejarem partilhar.
Cinco sinais de uma fraternidade saudável
A comunidade pode avaliar conjuntamente:
1. Rezamos juntos.
2. Conversamos com sinceridade.
3. Sabemos pedir e oferecer perdão.
4. Partilhamos responsabilidades.
5. Cuidamos dos irmãos mais frágeis.
Para cada aspecto, perguntar:
O que já vivemos bem?
O que precisa amadurecer?
Um gesto de reconciliação
Se for oportuno, a comunidade pode concluir o exame com alguns minutos de silêncio.
Cada irmão recorde diante de Deus:
- um irmão por quem deseja agradecer;
- um irmão a quem precisa compreender melhor;
- uma situação que precisa perdoar;
- uma atitude pessoal que precisa mudar.
Não é necessário resolver tudo imediatamente. O primeiro passo pode ser simplesmente decidir aproximar-se novamente do irmão.
Compromisso
Cada irmão escolha uma atitude concreta de fraternidade para praticar.
A comunidade escolha um único compromisso comum, simples e verificável: recuperar uma refeição comunitária, realizar regularmente o Capítulo, visitar um irmão enfermo, reservar um momento de convivência, melhorar a comunicação ou promover uma reconciliação necessária.
Oração final
Senhor Jesus Cristo,
que reunistes os discípulos ao vosso redor
e os chamastes de irmãos,
ensinai-nos a viver em comunhão.
Dai-nos humildade para pedir perdão,
generosidade para perdoar,
coragem para falar com verdade
e paciência para escutar.
Livrai-nos da indiferença,
das divisões silenciosas
e das palavras que ferem a fraternidade.
Santa Maria, nossa Senhora,
permanecei em nossas casas
como presença materna e discreta.
Ensinai-nos a cuidar uns dos outros,
a carregar juntos nossas fragilidades
e a colocar nossos dons a serviço de todos.
Que nossas comunidades sejam
casas de oração,
escolas de comunhão
e sinais vivos do Evangelho.
Fazei-nos, Senhor, um só coração e uma só alma,
para que sejamos verdadeiramente irmãos e Servos. Amém.
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