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03/10/2026

Santa Virgem das Virgens, rogai por nós

Um coração inteiramente de Deus

Série: As Ladainhas de Nossa Senhora

Depois de proclamar Maria Santa e Mãe de Deus, a Ladainha Lauretana acrescenta:

Santa Virgem das Virgens, rogai por nós.

Pietro Ansalone observa que a tradição cristã encontrou muitas expressões para falar da virgindade de Maria. Em sua obra aparecem títulos atribuídos aos antigos autores cristãos: Mestra da virgindade, Espelho da castidade, Rainha da virgindade, Tesouro da virgindade, Mãe das virgens.

Todos procuram aproximar-se de um mesmo mistério:

Maria pertence inteiramente a Deus.

Um coração indiviso

A virgindade de Maria não deve ser compreendida somente como uma realidade corporal.

Ela manifesta uma realidade ainda mais profunda: a total disponibilidade de sua pessoa para Deus.

Seu coração não está dividido.

Sua existência possui um centro.

O Senhor.

Quando o anjo entra em sua vida e anuncia um projeto que ultrapassa toda compreensão humana, Maria pergunta, escuta, discerne e finalmente responde:

“Eis aqui a serva do Senhor.”

Essa resposta revela o segredo de sua virgindade espiritual.

Maria não pertence a si mesma.

Pertence a Deus.

A liberdade de dizer “sim”

A consagração nunca pode ser compreendida simplesmente como renúncia.

Antes de ser um “não”, ela é um grande “sim”.

Maria diz sim a Deus.

Sim à Palavra.

Sim à ação do Espírito.

Sim a uma missão que ela ainda não compreende inteiramente.

Sim a um caminho cujo futuro permanece escondido.

E esse primeiro sim terá de ser renovado muitas vezes.

Em Belém.

Na fuga para o Egito.

Na vida escondida de Nazaré.

Em Caná.

Durante a missão de Jesus.

No caminho da Cruz.

No Calvário.

No silêncio do Sábado Santo.

Na comunidade reunida em oração.

A fidelidade não consiste apenas em dizer sim uma vez.

Consiste em continuar dizendo sim.

Virgem e Mãe

Aqui aparece um dos pontos que mais encantam Ansalone.

Em Maria, virgindade e maternidade permanecem unidas.

O autor utiliza imagens muito expressivas: são como duas estrelas que se iluminam mutuamente, como dois lírios cuja beleza se reflete reciprocamente.

Maria é Virgem e é Mãe.

Sua entrega a Deus não produz esterilidade.

Produz vida.

Esse paradoxo contém uma importante verdade espiritual.

Quando uma pessoa verdadeiramente se entrega ao Senhor, sua vida não se torna vazia.

Torna-se fecunda.

A fecundidade da consagração

Isso possui um significado especial para a vida religiosa.

A castidade consagrada não é simplesmente ausência de matrimônio.

É uma maneira de dizer:

“Minha vida pertence ao Senhor.”

Mas essa pertença deve tornar-se fecunda.

Uma comunidade religiosa é fecunda quando acolhe.

Quando forma os jovens.

Quando acompanha quem sofre.

Quando anuncia o Evangelho.

Quando cuida dos idosos.

Quando reza pelo povo.

Quando abre suas portas.

Quando serve sem procurar reconhecimento.

Quando faz nascer esperança.

Maria nos mostra que a consagração autêntica sempre gera vida.

Virgem das Virgens

Ao chamá-la Virgem das Virgens, a Igreja não nos convida simplesmente a admirar um privilégio.

Apresenta-nos um caminho.

Cada cristão, segundo sua própria vocação, é chamado a cultivar um coração que tenha Deus como centro.

Para os religiosos e religiosas, essa palavra torna-se particularmente exigente.

É possível ter feito profissão religiosa e, pouco a pouco, deixar que outras coisas ocupem o coração.

Projetos.

Funções.

Reconhecimento.

Comodidades.

Poder.

Preferências pessoais.

Até mesmo as obras realizadas em nome de Deus podem ocupar o lugar de Deus.

Maria nos reconduz ao essencial:

A quem pertence meu coração?

“Rogai por nós”

Depois de contemplar a Virgem das Virgens, novamente dizemos:

rogai por nós.

Precisamos dessa oração.

Porque nosso coração facilmente se dispersa.

Nossa vontade se divide.

Nossa fidelidade enfraquece.

Maria, ao contrário, permaneceu disponível.

Por isso pedimos que sua intercessão nos ajude a recuperar continuamente a unidade interior.

Não uma vida fragmentada entre Deus e inúmeros pequenos senhores.

Mas uma existência unificada pelo amor.

Aos pés da Cruz

Para um Servo de Maria, essa contemplação encontra uma imagem particularmente forte no Calvário.

Maria está junto à Cruz.

Ali não existem honras.

Não existem aplausos.

Não existem vantagens.

Permanece somente o amor fiel.

A mulher que disse:

“Faça-se em mim”

continua presente quando o cumprimento daquela Palavra atravessa a dor.

Essa é a fidelidade que desejamos aprender dela.

Permanecer quando é fácil.

E permanecer também quando custa.

Oração

Santa Virgem das Virgens,
mulher de coração indiviso,
ensine-nos a pertencer inteiramente ao Senhor.

Você que respondeu com liberdade
à Palavra que lhe foi dirigida,
ajude-nos a renovar cada dia
o nosso sim.

Purifique nossas intenções,
liberte-nos daquilo que divide o coração
e faça-nos disponíveis à vontade de Deus.

Ensine especialmente a nós,
Servos de Maria,
a viver nossa consagração
não como esterilidade,
mas como fecundidade de amor e de serviço.

Que nossa oração gere esperança,
nossa fraternidade gere comunhão
e nossa missão faça Cristo nascer
no coração dos irmãos.

E quando permanecer junto à Cruz
for a única forma possível de amar,
ensine-nos a permanecer com você.

Santa Virgem das Virgens, rogai por nós.


Para guardar no coração

Pertencer inteiramente a Deus não torna a vida estéril: torna-a fecunda no amor e no serviço.


Fonte da série

Pietro Ansalone, SJ, Le Litanie Lauretane, segunda edição, organizada pelo Pe. Raffaele Nicolella, Nápoles: Tipografia de F. Ferrante, 1858.

Adaptação pastoral e espiritual para a série “As Ladainhas de Nossa Senhora”, do Somos Servos.

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